
podcast #6 aqui!
Significados! Quem é que estuda Tarot e não se preocupa com eles, certo? Ultimamente, eu conscientemente me desviei um pouco desse tema no meu blog, primeiro porque eu acredito que conferir significados às cartas é uma questão muito pessoal, e segundo porque já tem um monte de outros blogs por aí fazendo isso. No entanto, só agora me ocorreu isso (exatamente nesse momento, enquanto eu lia as cartas pra eu mesmo) que seria legal voltar a tratar disso no blog, porque é um aspecto fundamental do estudo do Tarot, afinal.
Os significados que atribuímos a cada carta naturalmente permanecem em processo de constante mudança, porque eles refletem nossa experiência crescente, e também porque nossa visão das cartas vai mudando com o tempo. Eu estou em um momento particular de meio que re-significação das minhas cartas, porque meus estudos estão mudando de rumo (ou melhor, estou vendo com mais clareza o rumo que eu quero seguir), e também porque eu acho que a minha concepção do Tarot se torna mais concreta. Então, tive a ideia de criar essa categoria de posts. Nela, eu vou publicar atualizações de coisas que eu descobri sobre os significados das cartas cada vez que eu tiver um insight que contribua para uma concepção mais ampla de uma certa carta.
O formato é bem livre, os tópicos poderão ser de uma linha, ou de trezentas, rs – prometo me esforçar pra ser sintético. A única coisa que eu vou fazer sempre é criar uma parte especial para significados concretos das cartas – eu como leitor preciso me tunar mais nisso, e vocês como público adoram isso que eu sei
Uma ideia que também acabei de ter foi a de incluir gravações de audios junto com cada post, para aqueles que preferem escutar a ler. O podcast para esse update está disponível para audição AQUI.
Mas, conversa vai, conversa vem, vamos começar logo com isso…
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CINCO DE BASTÕES. . . . . . . . . . . . . . . Muita energia, muita atividade, geralmente sendo gastas com coisas que não requerem tanto, ou bobeiras. Foi
sempre mais ou menos assim que eu via essa carta, até realmente ir atrás de mais algum significado. Aqui, Waite tenta bem combinar duas de suas principais fontes para significados – a GD e Etteilla (talvez por intermédio dos trabalhos publicados de Mathers, que baseiam-se largamente no último). A GD significa essa carta por basicamente dor e luta, conflito; Etteilla e Mathers vão mais pela linha de riqueza, fortuna e esplendor, citando mesmo o próprio Sol. Waite parece querer conciliar essas duas visões quando diz que essa carta representa “…encarniçada competição e luta em busca de riquezas e fortuna (…), a batalha da vida.” Legal, eu gostei dessa ideia de “batalha da vida”, porque traz a conotação de luta, esforço e desgaste, próprios do belicoso naipe de Paus.
Meu cálculo pictórico com a imagem é mais ou menos assim – -
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Meninos/jovens = força juvenil, pueril, portanto embrutecida e intensa, mas pouco educada – - jovialidade, infantilidade, inconseqüência, falta de tato;
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Eles bagunçando = desordem, bagunça, anarquia, falta de organização, folguedo, coisas efêmeras, explosivas;
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A aparente falta de propósito = falta de foco, de objetivos concretos, não chega em lugar nenhum direito;
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Eles podem estar só brincando, então = diversão, no sentido de treino lúdico pra agir, esquentar os motores, prática de esportes.
Eles aparentemente estão só brincando, se divertindo, então dá essa ideia de força juvenil sendo aplicada com pouco foco, mas também a ideia de gastar energia por ter em excesso.
Faz uns dias, essa carta caiu para uma cliente em uma pergunta sobre seu relacionamento com um ficante, e, junto com outras cartas de fogo, o que eu vi foi que ela tinha tanto tesão nele que, na hora de transar, metia os pés pelas mãos e perdia o controle, por ir com muita sede ao pote.
A aparente prática de esportes me faz pensar nos antigos Jogos Olímpicos – competitividade saudável, esportividade, jogos, competição no trabalho. Cada menino quer mostrar que ele é o mais forte, o mais esperto, o mais capaz…
Muitos conferem a essa carta o significado de pequenas coisas que, juntas, trazem complicaçõezinhas de pouca importância, mas que tiram tempo e energia.
O significado de Waite, embora não muito evidente na imagem, é interessante, porque traz uma dimensão nova à carta que meio que concilia esse significado de probleminhas a luta intensa da vida, do dia a dia – problemas, tribulações, complicações que exigem nosso cuidado, afazeres.
Então, a gente fica com mais ou menos esses dois núcleos de significado – intensa atividade e luta, complicações. Acho que o importante sobre essa carta é saber que nada aqui é sério, é tudo meio simulado, lúdico. Tipo briga de menino, sabe? A fronteira entre a brincadeira e a agressão é muito tênue, e é o que eu vejo nessa carta.
Essa carta pode até representar discórdia e briguinhas, mas é mais a busca da desestabilização como uma forma de “usar as ferraduras novas” do que o genuíno desejo de agredir e injuriar do Cinco de Espadas, por exemplo.
A desordem que reina aqui recebe um fim na carta seguinte, onde a gente pode ver o nobre cavaleiro que chegou e colocou ordem no pedaço. Os cinco meninos agora tem alguém a quem obedecer, e o seguem. A energia deles é canalizada a um fim específico. Esse é o êxito do Seis de Paus.
Astrologicamente, essa carta é Saturno em Leão, então a gente pode facilmente ver as associações de dificuldades e lutas da vida (Saturno) com as riquezas e glória (Leão).
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Significados concretos – -
Tá se perguntando como decidir-se entre os significados? Intuição + cartas vizinhas + contexto da leitura + dignidades (se você as usa). Mistério nenhum…
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CINCO DE PENTAGRAMAS. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Continuando na vibe dos Cincos, outra carta desse número, do naipe de Pentagramas. Faz tempo
que eu tive esse insight, mas vou aproveitar o espaço. Foi durante uma conversa com uma leitora do blog, no chat – adoro essas conversas casuais, insights costumam vir quando a gente menos espera por eles.
No Cinco de Pentagramas, vemos sutilmente uma mensagem de cunho social, e profundamente filosófica também. Num nível imediato, a imagem dessa carta denuncia as mazelas da nossa sociedade, com seus contrastes; em um nível mais profundo, contempla a própria condição humana.
Essa carta mostra uma condição marginal – do lado de fora, os mendigos, leprosos, sem rumo na neve do inverno – são os danados, a “sobra” da sociedade. Do outro lado, do qual só podemos ter uma vaga sugestão pelo vitral, o interior quente, confortável e ricamente ornado da catedral – o mainstream social, a Igreja, dona da mentalidade vigente, do establishment. Na carta, temos, muito levemente, esse contraste delineado.
Tradicionalmente, os dois naipes “masculinos” – Bastões e Espadas – tratam da busca individual, ao passo que os dois naipes “femininos” – Copas e Pentagramas – tratam do convívio social, da família, e da vida em comum. O naipe de Pentagramas é tematizado no trabalho, na atividade que dá frutos e se converte em valor corrente, no funcionamento da sociedade como um organismo. Se você não participa da sociedade, você está fora dela, automaticamente destinado a vagar sem rumo, sem teto, com uma identidade fraturada pela ausência de um lugar próprio.
Pensando um pouco mais, essa carta traz também uma interessante mensagem espiritual. Tudo se centra na janela. A janela é também um símbolo de passagem, e marca o contato limitado entre dois mundos, entre dois estados de ser. Aqui, ela é uma ligação entre a realidade hostil do mundo humano, e a graça e glória do mundo espiritual, do qual só temos um mero vislumbre através das cores do vitral. Os dois mendigos retratam a condição humana, e poderiam mesmo ser comparados às duas personagens (um homem e uma mulher, a propósito) acorrentadas no Diabo e lançadas da Torre. Somos nós. E a mensagem da carta é bem simples – longe do Espírito, nós, como eles, não somos nada além de carne ambulante e perecível às intempéries.
Eu tive esse insight durante uma leitura destinada a responder a uma pergunta simples da leitora com quem eu conversava – será que a gente manipula ou falseia a leitura? Pra mim, a resposta foi clara – qualquer falsidade é decorrente da nossa própria miséria, e da nossa dificuldade em ver a realidade do Espírito através das cartas. O Tarot é mesmo uma janela para outra percepção de realidade, mais ampla.
A interpretação de Waite é tão direta como a imagem – essencialmente, “percalços materiais” mesmo. Talvez não tão dramáticos como na carta, mas ela passa a ideia. Waite também menciona um significado alternativo de amor, união e afinidades, que é o significado mais antigo atribuído a essa carta (o que trata de problemas com dinheiro é da GD). Embora Waite se queixe sobre a dificuldade em conciliar ambos significados, Pamela parece ter empregado seu talento aqui com maestria ao retratar um casal miserável – mesmo sob a miséria total, eles não se separam. Em leituras sobre amor, eu às vezes leio essa carta como o casal passando por dificuldades que testam sua união.
A ilustração do vitral sempre me intrigou… ela mostra os cinco pentagramas dispostos em uma árvore. O que será que isso quer indicar? A Árvore da Vida? Crescimento? A Árvore do Mundo, tipo Yggdrasil, de onde tudo provém (a Árvore como fonte espiritual)?
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FATOS SIMPLES
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No Rider-Waite-Smith, os Cincos são todos associados à quinta sephirah, Gevurah, que corresponde a Marte, e é por isso que todos eles são cartas difíceis.
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Preste a atenção à figura da esquerda. Ela carrega um sino no pescoço. Esse é um antigo sinal de lepra – leprosos costumavam ter sinos no pescoço para que as pessoas soubessem facilmente quando eles se aproximavam e, assim, saíssem de perto. Os curativos na cabeça e no pé direito do homem confirmam isso. Mais uma vez, a temática da intensa exclusão social.
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"Silent morning...."
NOVE DE ESPADAS - – - – - é noite, a pessoa está em agonia sobre a cama;
DEZ DE ESPADAS – - – - – a noite acabou, o dia amanhece, a luz da manhã exibe a cena lúgubre.

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É, achei essa ideia de comentários breves até melhor do que passar semanas me dedicando unicamente a uma carta, num post mega longo que poucas pessoas vão acabar lendo. Comentários são bem vindos. Ideias, idem.
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SOM
A trilha sonora de hoje foi mais electro pop, e quem marcou presença foi – -
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NEW YOUNG PONY CLUB, com F.A.N., penúltima faixa do primeiro album da banda, Fantastic Playroom, de 2007.
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DRAGONETTE, marcando presença com My Things, diretamente do último album da banda, Mixin to Thrill, na verdade uma compilação de mixes lançada esse ano..
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LADYTRON, arrasando com Playgirl, do primeiro album da banda, 604, de 2001.
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PORTISHEAD, num remix de Machine Gun feito pelo NOISE FLOOR CREW. A faixa vem originalmente do tão esperado Third, de 2008.
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PONY PONY RUN RUN, com hit Walking On a Line, do album You Need Pony Pony Run Run, de 2009.
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THE TING TINGS, contribuindo com Shut Up and Let Me Go, um dos hits do album debut deles We Started Nothing, também de 2008.
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CHUNGKING, com a eletrizante Slow It Down, parte de Stay Up Forever, de 2007..
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BRITNEY SPEARS, com Break the Ice, uma das melhores faixas do seu quinto album de estúdio, Blackout, lançado em 2007..
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APPARAT, marcando presença com Arcadia, de seu album Walls, 2007..
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ANNELI DRECKER, fechando o set com louvor com Stop This, uma das faixas mais legais de Frolic, de 2005.
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LINK
JAMES RIOUX é um dos melhores escritores de Tarot que eu conheço, e um dos que estão nas minhas bases de estudo. Você pode checar muitos artigos dele aqui. O site está meio mal cuidado, mas não se engane – conteúdo excelente. James também é o autor dos significados para as cartas que constam no site da ATA – American Tarot Association, a associação de Tarot dos Estados Unidos – textos excelentes, foram por muito tempo minha fonte primária de consulta – - aqui. Vale total à pena.
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