Descobrindo o Tarot

agosto 27, 2012

COMO LER AS CARTAS – PARTE I – TRÊS CARTAS PARA ANA – IMAGEM + SIGNIFICADOS

Filed under: Como ler as cartas — Tags:, , — Leonardo Dias @ 7:50 PM

A maioria das perguntas que recebo no blog tem a ver com problemas de interpretação de leituras. Na minha prática, aprendi que decorar os significados está longe de ser suficiente. Mais importante é saber combinar as cartas, pois a leitura é justamente o que se forma entre elas. Para comporem ideias, os significados precisam ser combinados de acordo com uma estrutura lógica. No final, ler cartas é uma atividade racional como qualquer outra, que depende bastante de organização e método.

Eu vejo muitas pessoas evocando a importância da intuição nas leituras, quando percebo que uma boa interpretação depende muito mais de metodologia. Cartomantes experientes têm sempre uma boa metodologia, praticada por anos. Com prática constante, você internaliza sua metodologia cada vez mais e a tal intuição acaba fluindo, pois encontra um suporte sólido para isso. Assim, a primeira coisa que sugiro é – deixe um pouco de lado as expectativas de acessar sua intuição e foque-se em criar uma boa metodologia para suas leituras. Cartas não são mágicas – são um instrumento como qualquer outro, que exige trabalho para aparfeiçoar seu uso. A intuição vem com a prática e, para praticar, você precisa de uma metodologia.

Explicar minhas ideias vai ser mais fácil com exemplos. Escolhi uma tiragem de três cartas que fez parte de uma consulta real que dei recentemente, para uma consulente a quem chamaremos Ana.

Três coisas são cruciais em uma leitura de tarot: as imagens das cartas, os significados e como você os organiza. A imagem é o maior recurso do tarot. Diante de uma coleção de imagens, nosso primeiro reflexo é encontrar uma relação entre elas, pois nossa mente é “programada” para encontrar sentido. É daí que vem o potencial do tarot. As figuras estimulam o leitor a criar uma narrativa, uma historinha. Isso o ajuda a desenvolver formas de combinar as cartas, pois narrativas são naturalmente estruturais e os significados precisam ser estruturados para fazerem sentido. Vamos dar uma olhada inicial nas cartas de Ana para ver melhor como isso acontece:

As imagens mostram duas cartas bem diferentes nas extremidades opostas, com uma carta equilibradora no centro. O pajem tem cores vivas, animadas, e postura franca, ereta. O Cinco, pelo contrário, exibe uma cena de derrota, com o céu cheio de nuvens feias, um homem com cara de mau e dois personagens abatidos se retirando. No meio, o Dois permanece impassivo; de olhos vendados para os contrastes evidentes entre as duas cartas, tenta dar-lhes a mesma medida.

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Nos significados, temos,

Pagem de Bastões – um rapaz (conhecido ou não), novidades, entusiasmo.

Dois de Espadas – harmonia, trégua, indecisão.

Cinco de Espadas – fracasso, perda, derrota.

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Listei poucos significados para cada carta pra ficar fácil mostrar suas combinações. A ideia é combinar os significados das três cartas usando a relação entre as figuras como pano de fundo. Com só três significados básicos por carta, já podemos criar vários cenários possíveis -

1. Uma pessoa próxima a Ana lhe traz aborrecimentos, que ela tenta resolver sem brigas – mas é difícil não brigar;

2. A própria Ana pode estar tendo que administrar seus planos diante de dificuldades que ameaçam sua concretização;

3. Ana tem planos muito legais, ideias muito boas, e boas intenções em geral, mas as coisas nunca dão certo porque ela não consegue executar essas ideias;

4. Ana está tendo que adequar suas vontades e planos (pajem) à oposição de pessoas poderosas (cinco).

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Ficou claro como eu usei as imagens para organizar os significados em narrativas simples? Interpretar as cartas é basicamente isso, criar narrativas combinando os significados das cartas, usando as imagens como gatilho. Porém, você deve ter notado como a interpretação ainda está vaga. As cartas podem ser combinadas de várias formas diferentes, mas essa profusão não ajuda quando tudo o que precisamos são respostas claras e prognósticos objetivos. O processo básico é esse, mas podemos melhorar essa leitura. Mas, que critérios devemos adotar para escolhermos qual possibilidade de interpretação explorar?

A primeira coisa a se considerar sobre leituras é que cartas dispostas não são como palavras em um livro – não dizem muita coisa sozinhas. Como o tarot não foi criado para ler a sorte, mas sim para ser um jogo, as cartas não possuem uma estrutura inerente própria para compor ideias complexas. Quem deve impor-lhes essa estrutura é você, o leitor. A ideia de usar cartas para tecer prognósticos é essencialmente lúdica – o tarot continua sendo um jogo onde a vida se representa. A função representativa das cartas pede sempre um referencial. Os significados precisam ser associados à realidade para serem interpretados.

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No próximo post, veremos mais sobre como podemos achar bons referenciais para os significados das cartas. Referenciais vão nos ajudar a compor interpretações mais específicas. Enquanto isso, tente brincar com as imagens das suas cartas, criando historinhas com elas, sem se preocupar muito com os seus supostos significados. Depois, tente combinar os significados de lista dentro dessas narrativas.

junho 25, 2012

TIRAGENS CUSTOMIZADAS (+ EXEMPLO DE LEITURA)

Filed under: Disposições — Tags:, , , , , — Leonardo Dias @ 7:05 PM

Tenho experimentado bastante com arranjos posicionais customizados e orgânicos nas minhas leituras, em vez de somente reproduzir disposições tradicionais. A seguir, falo mais desses métodos, aproveito o ensejo para falar um pouco sobre como lemos as cartas e compartilho uma disposição, a título de exemplo.


Arranjos posicionais customizados e orgânicos – nome comprido. Posicionais porque são compostos por posições com função específica, que forçam mais exatidão sobre os significados das cartas que caem nelas; customizados por serem desenvolvidos exclusivamente para a questão do consulente, oque confere maior respeito às suas peculiaridades; finalmente, orgânicos¹, já que crescem de acordo com as necessidades da leitura, abrindo espaço para novos enfoques dentro de uma mesma questão. Junte tudo isso e você terá os tais arranjos posicionais customizados & orgânicos. O que esse nome carece em elegância, sobra em expressividade, ao menos.


A leitura de cartas não passa de uma sobreposição dinâmica de sistemas e estruturas que estabelecemos para impor precisão aos significados que damos às cartas, a fim de que esses possam ser arranjados em mensagens inteligíveis – legíveis, de fato. A ideia de usar cartas com significados para lançar prognósticos pede uma metodologia para dispô-las, já que sem ordem não é possível haver mensagem que componha prognóstico algum. Inseparavelmente associadas à noção de ler cartas desde seu princípio, as disposições posicionais foram naturalmente desenvolvidas como uma resposta a essa demanda; são parte essencial do aprendizado e da prática da leitura de cartas. Diferentes arranjos, compostos de posições apropriadas, são desenvolvidos para diferentes tipos de pergunta. Métodos de disposição ganham nome, função, fama, e até poder de alcance temporal; livros sobre leitura de cartas não deixam de incluir seções especiais para eles, enquanto leitores performam suas consultas com uma sucessão de várias disposições de leitura. Métodos de disposição fornecem, portanto, uma estrutura fixa à qual os significados das cartas podem ser firmemente pendurados. É uma consequência natural o fato de, com o tempo, certos arranjos adquirirem status de tradicionais.


A desvantagem dos arranjos posicionais tradicionais está justamente em sua firmeza: por consistirem sempre no mesmo conjunto de posições descrevendo sempre um mesmo aspecto de qualquer questão, eles nos obrigam a comprimir a situação do consulente em um esquema padronizado, o que caracteriza uma imposição de rótulos. O uso de arranjos sempre iguais encoraja a ideia de que todas as situações são iguais, pouco importando as variadas circunstâncias que as compõem. Podemos fazer melhor que isso, e é oque métodos posicionais customizados nos oferecem: moldando-se às particularidades de cada situação, permitem que cada questão seja contemplada pelo que tem de especial e, de quebra, tiram maior proveito da propriedade das cartas de se adaptarem a diferentes situações, revelando-as em sua integridade. Além disso, analisar uma situação com o objetivo de levantar seus pontos mais proeminentes é um exercício que nos força a considerá-la com mais objetividade.


O exemplo a seguir foi uma disposição que criei há alguns dias para analisar a situação de um casal que se separou recentemente. Na ausência de perguntas específicas, achei apropriado desenvolver um arranjo que empregasse os três potenciais básicos que uma leitura de cartas possui – o descritivo, o preditivo e o orientador. Decidi então usar as cartas para representar cinco aspectos da situação em questão: o consulente (um dos parceiros), o status da situação, suas causas, prognósticos e como o consulente deve agir. Duas das cinco posições – o status da situação e seus prognósticos – são compostas de um par de cartas, para mais detalhes. Sorteei sete cartas, que foram dispostas como na figura abaixo.

O formato da disposição foi definido sem muita consideração, apenas por me lembrar uma escada (a ideia de uma progressão de estágios). As funções de cada posição podem ser resumidas como


1 – O consulente
2 – o que acontece (2a, 2b)
3 – as causas do que acontece
4 – prognósticos (4a, 4b)
5 – como agir.


Temos aqui representados os dois aspectos principais de uma situação, isto é, a situação em si e o consulente como personagem principal da cena. Alternativamente, poderíamos adicionar uma posição extra entre a primeira e a segunda, representando seu parceiro.

O eixo 1-3-5 pode ser encarado como uma disposição à parte dentro do arranjo, indicando oque motiva (3) o consulente (1) a agir, além de orientá-lo a respeito de como (4) deve agir a fim de contextualizar suas ações mais proveitosamente à situação. A posição 3 tem relevância mais saliente no arranjo, pois pode ser vista como representante também das causas e motivações do consulente.

Sorteando sete cartas, obtive


Considerada uma das piores cartas do tarot, o Nove de Espadas representa as bases dessa situação (figura acima), indicando que o conflito entre os dois parceiros chegou a um nível de aflição que os impede de ver as coisas com clareza. Ninguém acredita em mais nenhuma possibilidade de acerto, ambos não sabem como as coisas foram chegar a esse estado. A combinação do Cavaleiro de Copas (o consulente) como Nove de Espadas indica que é o desespero que motiva o consulente a querer ficar com seu parceiro. Ele deve, no entanto, ser mais paciente, receptivo e humilde (Pajem de Pentáculos), pois a corrente situação de queda de braço, onde o primeiro que abrir a guarda admite submissão (Rainha de Bastões + Quatro de Pentáculos), dará lugar à concórdia em breve (Dez de Copas + Dois de Espadas). Ainda que essa concórdia não represente uma resolução real dos conflitos entre o casal (Dois de Espadas), ela trará felicidade e novas esperanças (Dez de Copas). Comparando as cartas de mesmo naipe (progressões de estado de um mesmo fator dentro da situação), vemos os conflitos do Nove chegando a um ponto de resolução no Dois. Os dois personagens de olhos tampados indicam que a felicidade dos que celebram o arco-íris que finaliza o fim da tempestade no Dez não é exatamente autêntica, pois advém de uma certa vista grossa aos reais problemas. Compare também o Pajem, humilde e contente com seu único disco, com o rei ganancioso do Quatro, que se apega como pode a tudo o que tem. O Quatro, aliás, combina bem com a Rainha, ambos falando de vaidade e egoísmo.


A possibilidade de enxergarmos conjuntos menores dentro de um mesmo arranjo de cartas (como o eixo 1-3-5) me faz pensar que podemos quebrar um arranjo em diversos blocos de posições ao longo da leitura. Você pode combinar as posições que compõem um arranjo de várias formas diferentes, criando vários subgrupos, podendo assim explorar diversos aspectos da questão numa mesma jogada. Para além dessa ideia, eu também posso pensar em blocos de posições livres que, como peças de lego, podem ser combinados de inúmeras formas diferentes para criar novos arranjos. É o caso da pequena cruz, um bloco de posições que eu tirei da Cruz Celta (suas posições 1 e 2) e que uso para compor ou complementar outros arranjos.


A ocasião da leitura, onde as ideias vão se combinando e se construindo conforme progride o diálogo entre consulente e leitor, é o momento ideal para o leitor usar os arranjos com mais liberdade, pois tudo está mais plástico. Métodos criados pelo próprio leitor lhe dão mais liberdade de ação para montá-los e remontá-los à sua escolha. Oque distingue o caráter de leituras orgânicas é justamente essa vivacidade que abre maior espaço à expressão individual do leitor, em contraste com um estilo de leitura que prioriza a reprodução repetitiva de modelos limitados.


Vale ressaltar que arranjos customizados não precisam antagonizar com arranjos tradicionais. Você pode enriquecer sua leitura usando as duas formas de dispor as cartas, aproveitando de cada qual oque ela oferece de melhor. A coisa toda não está exatamente nos métodos a serem usados, mas em como o leitor faz uso desses métodos. Se, por um lado, para obtermos mensagens dos significados das cartas, precisamos limitá-los, por outro, é preciso cuidar para que não consideremos os limites antes dos próprios significados. A simples possibilidade de, literalmente, construir a leitura ao mesmo tempo em que ela é feita, amplia os horizontes e ajuda a diminuir estruturas desnecessárias que acabam por prevenir nosso contato despojado, direto com as cartas.


NOTAS


1 James Ricklef fala mais sobre métodos de leitura “orgânicos” neste post de seu blog. É daí que eu tiro o termo, Ricklef sendo provavelmente seu criador. Vale a pena conferir o post, a propósito.

janeiro 17, 2012

DUAS CARTAS PARA OLHOS CANSADOS

Filed under: Lembretes, Notas — Tags:, — Leonardo Dias @ 3:58 AM

Logo ao chegar ao trabalho hoje, notei certa dificuldade ao tentar ler as palavras da tela. Mais tarde, já em casa, percebi desconforto semelhante ao ler um livro. A suspeita de que poderia estar com algum tipo de desgaste visual motivou-me a consultar o tarot sobre uma ameaça mais séria à minha visão.

O Oito de Ouros foi a primeira das duas cartas que eu virei, imediatamente me evocando ideias relacionadas a estudo, trabalho e concentração. Dando perfeito eco à primeira carta, na segunda posição, o tarot colocou o Três de Ouros. O desconforto visual decorre de muito esforço, e talvez fosse legal consultar um profissional a respeito. A resposta me pareceu bastante clara.

Recorrente nas duas cenas do baralho Waite-Smith, a figura do trabalhador com cinzel e martelo é o elemento visual que nos sugere logo de cara uma relação entre as duas cartas. Tal relação, visualmente perceptível em ambas as cenas, é atestada por Waite, autor do baralho, em seu livro. Tanto o personagem do Oito quanto o do Três, arduamente focados em suas tarefas, de imediato inspiram-nos ideias relacionadas a trabalho e prática.

Todo esse excesso de trabalho facilmente me leva à pensar em esforço em demasia, sobrecarga e trabalho demais. A sutil progressão nos motivos das duas cartas na ordem da minha tirada, com o aprendiz do Oito metamorfoseando-se no mestre do Três, posteriormente me inspirou a pensar no contraste entre noções pouco experientes (as minhas) e conhecimento fundamentado (do profissional). Sutil sugestão de que seria bom procurar um oftalmo.

Tudo isso para mostrar que ler cartas não precisa ser complicado e que não precisamos nos perder em listas enormes de significados para obter uma mensagem consistente das cartas. É claro que eu já suspeitava de que estava esforçando demais minha vista; entretanto, a clara resposta do tarot, facilmente verificável quando analisamos objetivamente as imagens das cartas, serviu tanto para confirmar minha suspeita como para mostrar que meu desconforto provavelmente não sinaliza nada mais sério que isso – esforço demais.

A resposta direta à minha pergunta, então, é essa – “não é nada sério, você está sobrecarregando seus olhos”.

Simples assim :)

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janeiro 15, 2012

Perguntas & Respostas

Filed under: Videos — Tags:, , , , , , — Leonardo Dias @ 5:42 AM

http://www.youtube.com/watch?v=emN6qblvS_Y

setembro 27, 2011

TAROT – UM ELO ENTRE O LÚDICO E O ORACULAR

Filed under: Videos — Tags:, , , , , — Leonardo Dias @ 9:30 PM

Não sei muito bem como essa ideia começou a andar na minha cabeça, mas a relação entre o aspecto lúdico do tarot com seu aspecto oracular, atualmente mais bem conhecido, tem povoado bastante meus pensamentos ultimamente. Pensar sobre como esses dois usos de um mesmo objeto se relacionam pode ser gratificante. Será que eles são tão avessos quanto parecem na superfície?

É um fato histórico que o tarot surgiu como um jogo, não muito diferente de qualquer jogo de cartas comum hoje em dia. É possível afirmar, sem muita pesquisa, que um dos papéis sociais do jogo é servir de catalizador e propiciador da interação social. Pessoas unem-se para se divertirem. Esse aspecto do jogo mescla-se com sua propriedade de simular a vida. Com todos os esquemas e estratégias que exige do participante, o jogo simula a vida – e, nesse sentido, certamente guarda relações com o teatro e as brincadeiras infantis.

O oráculo é outro campo em que a vida humana participa como peça elementar. Tradicionalmente, o oráculo demarca o ponto de contato entre a experiência ordinária da vida humana e a existência divina, invisível ao olhar cotidiano. Fornecendo-lhe uma valorização supostamente superior àquela obtida nas deduções mentais comuns, o oráculo possui um potencial transformador da vida, que envolve uma apreciação diferente do próprio tempo. Mais que passivamente refletí-la como faz o jogo, o oráculo pode, portanto, determiná-la.

Ainda que distintos, jogo e oráculo compartilham funções e efeitos similares em vários pontos. Brincando um pouco com essas ideias, tocamos em questões que tratam do próprio caráter do divino e do mundano, por meio de seus representantes, oráculo e jogo, respectivamente.

Nesse video, eu falo brevemente a respeito de alguns vislumbres que tive concernente a essa questão tão atraente.

setembro 7, 2011

VIDEO LEITURA – OITO CARTAS PARA UMA IDEIA

Filed under: Videos — Tags:, , , — Leonardo Dias @ 11:00 PM

julho 22, 2011

Leitura para Arthur, o gato

Filed under: Diversos, Videos — Tags:, , , , — Leonardo Dias @ 2:13 AM

Já faz um tempo que eu tenho me perguntado por que meu gato sempre gosta de ficar por perto quando estou lendo as cartas – seja pra eu mesmo, seja pra outros. Contando casos similares, os vários relatos de outros leitores de cartas e amigos só me deixaram mais intrigado. Por exemplo uma consulente recentemente me contou que os gatos de uma outra cartomante com quem ela se consultou (uns cinco ou seis) costumavam se reunir todos aos pés da mesa, enquanto ela lia as cartas. Independente do que ela fazia, eles não saíam.

Depois de muito pensar, me dei conta de que eu tinha todos os elementos necessários para tentar achar uma resposta: um baralho de Tarot e – por que não – um genuíno representante dos felinos domésticos, Arthur. Confiram no video abaixo em que isso deu.


abril 18, 2011

VIDEO – LENDO SUAS CARTAS PRA SI MESMO

Filed under: Diversos, Videos — Tags:, , , , — Leonardo Dias @ 8:47 AM

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Uma coisa que eu esqueci de incluir nas dicas, ideia ótima que eu escutei de uma amiga -

Em leituras pessoais, tente referir-se na terceira pessoa ao lançar sua pergunta. Exemplo: “Fulano (seu nome) vai conseguir comprar uma casa esse ano?”, em vez de “Eu vou conseguir comprar uma casa esse ano?”; ou “Como está a relação de Fulano (seu nome) e Cicrano (seu parceiro)?”, em vez de “Como está a minha relação com Cicrano?”. Afirmações são poderosas, e essa afirmação pode te ajudar a assumir a posição de expectador, em vez da de participante da situação. Esse distanciamento pode ser proveitoso na hora de interpretar, porque você já começa a leitura assumindo o papel de observador – sua vida passa a ser vista como algo externo ao seu ego, algo do qual você não participa e, consequentemente, não te aflige tanto.

Fica a ideia, e brigado, Cris, por ela!

abril 4, 2011

A VERDADE NA LEITURA DE CARTAS

Filed under: Diversos, Videos — Tags:, — Leonardo Dias @ 3:22 AM

Nas últimas semanas, alguns acontecimentos – como conversas e ideias durante leituras – me deixaram pensando sobre como lidamos com a verdade na leitura de cartas. A ação da verdade una é analisada no processo multi-facetado da leitura das cartas, que consiste essencialmente em um diálogo, composto por partes bem distintas.

De um lado, temos o consulente, com seus desejos e aspirações. Desejos de ter suas dúvidas saciadas, dúvidas relacionadas justamente ao possível alcance de seus desejos. “Você quer a mesma coisa que deseja?” Foi mais ou menos essa a questão que um psiquiatra me colocou, há alguns anos. E, desde então, essa distinção entre querer e desejar tem permanecido nos meus pensamentos. É só pensar um pouco para perceber que nossos desejos costumam ter pouca aderência à realidade – desejamos coisas e situações menos pelas coisas em si do que pelo puro e simples ato de desejá-las, e também não nos conhecemos o suficiente para nos relacionarmos de maneira satisfatória com nossos anseios. O resultado disso é uma confusão que resulta naquela frequente sensação de insatisfação sem-sentido quando finalmente conseguimos o que passamos tanto tempo desejando, bem como em uma certa inconsequência  na hora de postar as perguntas para um oráculo. Faz parte do papel do consulente cultivar responsabilidade sobre o que o oráculo lhe revela. O papel do oráculo é responder às perguntas do consulente. Cabe ao consulente decidir o que realmente quer saber – mais que isso, o que precisa de fato saber para tirar o proveito necessário da situação e progredir em direção às suas aspirações. Também, tanto ou mais importante quanto, cabe ao consulente ter claro para si se terá estômago para digerir bem as verdades que solicita ao oráculo. Porque elas serão ditas.

Do outro lado, o leitor, aquele que, via de regra e em princípio, recebe a incumbência de comunicar a verdade do oráculo ao consulente. Assim como pedir pela verdade, dizê-la pode ser uma tarefa pesada. O peso desse papel gera a questão de se a verdade deve ser dita sempre em cheio, ou se ela deve ser adaptada à situação do consulente, especialmente nos tão frequentes casos de inconsequência ao colocar as perguntas.

Pensar sobre a verdade me leva à pensar sobre o poder que o conhecimento tem de moldar a realidade. Mudando nossa forma de perceber as coisas, o conhecimento muda a forma que agimos na vida e, consequentemente, mantém uma relação diretamente causal com o sucesso ou não da busca pela satisfação dos nossos desejos. É justamente esse o ponto de fusão de uma leitura de cartas – conferir mais poder ao consulente, através de um conhecimento mais amplo sobre si mesmo e sua situação.

É sobre essas coisas que eu falo nos onze minutos e meio do video abaixo.

 


janeiro 28, 2011

IMPLICAÇÕES DA LEITURA – A ‘VERDADE’ x EXPECTATIVAS

Filed under: Diversos, Notas — Tags:, , , — Leonardo Dias @ 3:30 PM

Cá estou eu, de volta. Faz um bom tempo que eu não posto nada decente por aqui. O fato é que, ultimamente, eu não tenho conseguido desenvolver minhas impressões completamente. Acontece, a coisa vai e volta, então eu só fico esperando ela voltar. Porém, não se enganem – ideias e impressões são o que não falta.

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“Nunca faça uma pergunta ao seu Tarot antes de estar pronto para receber dele qualquer resposta.”

Tive esse insight esses dias, após fazer ao Tarot uma pergunta, e não receber dele a resposta que eu queria. Essa questão dá mais pano pra manga do que pode parecer à primeira vista. O que está em jogo aqui são nossos desejos e expectativas.

Perguntar algo ao Tarot é consultar um oráculo, e o oráculo diz a Verdade. Independente do que for, dentro da realidade do oráculo, o que ele diz é a verdade. Então, perceba bem em que implica isso – você está pronto para a verdade? Quais são suas motivações para consultar o oráculo? Você quer simplesmente ouvir um eco dos seus desejos, ou quer realmente, puramente saber?

Consultar as cartas por motivos errados pode te impedir de receber a mensagem que elas estão lhe oferecendo. Se você está inserido numa certa mentalidade, vai ser mais difícil avaliar o que as cartas dizem de maneira imparcial. E, sim, como vemos na carta da Justiça, a Verdade está no equilíbrio. Douglas Gibb do TarotEon.com, num texto que eu até traduzi e postei aqui, inseriu essa questão do desejo como um dos fatores por trás da falta de entendimento de determinadas cartas em uma dada leitura. “Expectativas são a ruína de uma boa leitura de Tarot. Elas acabam com a objetividade e a imparcialidade.”

Lidar com as expectativas de uma segunda pessoa durante uma consulta costuma ser bem mais simples que lidar com as nossas próprias. Jogar para si mesmo certamente exige um pouco mais de autocontrole e mesmo autoconhecimento.

Na próxima vez que você, estudante de Tarot, for consultar suas cartas (ou mesmo as de outrem) em busca de respostas para as suas perguntas, pergunte a si mesmo isso primeiro. Só o fato de pensar um pouco sobre isso já vai te trazer uma série de respostas – bem como outra leva de questões.

http://www.toofiles.com/pt/oip/audios/mp3/9103_cartasqueeudetesto-06nov201009h48a.html
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