Descobrindo o Tarot

agosto 14, 2009

Minha definição de Tarot

Filed under: Uncategorized — Tags: — Leonardo Dias @ 7:45 AM
Acho que todo mundo tem alguma noção, mais ou menos acurada, mais ou menos preconceituosa, do que é o Tarot. “Um jogo de cartas com desenhos intrigantes que algumas pessoas usam para ler a sorte”, acho que seria o que a maioria diria. Bem simples, realmente. E não deixa de ser verdade. Muitas definições já foram feitas pro Tarot, e eu já li algumas delas. Já que esse blog visa passar a minha visão e concepções sobre as cartas, nada mais apropriado do que começar pelo começo e tentar dar a minha ideia do que é o Tarot.

Sim, o Tarot é também um jogo de cartas com desenhos intrigantes que as pessoas usam pra ler a sorte de outras (geralmente desesperadas o suficiente pra confiar sua sorte a cartas – e o pior, sem jogatina a dinheiro envolvidos, rs). Contudo, mais além do que pode ser visto na superfície, existe uma lógica por trás dessas cartas com desenhos – uma lógica que consegue ser bastante complexa, e consistente.

Desde que apareceu, em aproximadamente 1430, na Itália renascentista, o Tarot passou por uma série de mudanças para ser o que é hoje. Como qualquer linguagem, ele foi acompanhando as mudanças que a nossa sociedade foi sofrendo ao longo da história. Pra ser objetivo, o Tarot hoje é um grupo de 78 cartas, cada uma com uma imagem, nome e número próprio. Existe sim uma série de pormenores que definem o que faz um pacote de cartas ser Tarot ou não e, mesmo hoje em dia, com todo o tipo de gente fazendo todo o tipo de coisa com o Tarot, ele ainda continua sendo basicamente um conjunto de 78 cartas com imagens, cada uma com número definido. É consenso entre os que estudam o Tarot que suas imagens parecem compor uma espécie de sequencia, como num livro sem palavras escritas. Qualquer um que olhar com mais atenção para as cartas vai perceber indícios disso. Algumas coisas me fazem pensar que essa característica do Tarot sofreu, ao longo do tempo, um gradual realce. Num nível mais primário, poderíamos enxergar o Tarot como um conjunto de conceitos agrupados em um sistema.

Aliás, “sistema” seria uma boa palavra pra definir uma das características mais proeminentes do Tarot. Geralmente a palavra “sistema” pode ser definida como “um conjunto de elementos interconectados ou interdependentes que formam um todo organizado”. Eu costumo explicar, pra todo mundo que vem me perguntar, que o Tarot é basicamente uma linguagem – um sistema de comunicação. A linguagem de sinais dos surdos, as várias línguas faladas do mundo, a escrita, o Tarot – todos têm em comum a característica de serem formas de comunicação. Aprender Tarot não é muito diferente de aprender a entender um outro idioma. É preciso basicamente aprender o significado de cada elemento e desenvolver a capacidade de extrair sentido de suas combinações. Nesse aspecto, uma leitura de Tarot é suficientemente semelhante a uma frase, ou mesmo a um poema ou um texto. A diferença é que, no desenvolvimento da interpretação das cartas, a capacidade de compreender é mais importante e necessária do que a capacidade de efetivamente produzir significado através dos símbolos. A pessoa que interpreta as cartas é basicamente o receptor de uma mensagem – ela realmente as cartas, extraindo dos símbolos significado.

Outro aspecto do Tarot que é digno de menção é o caráter lúdico que as cartas têm. Para quem não sabe, o lúdico (do latim, ludus, “jogo”, “brincadeira”) refere-se ao instinto de brincar imanente a todo ser humano, bem como a muitas outras espécies. Em seus primórdios, esse baralho era usado como um jogo de cartas comum, num jogo que talvez pudesse ser comparado aos jogos de cartas colecionáveis dos dias atuais, tipo o Magic. Até hoje, mesmo que meio soterrado por todo o esoterismo associado às cartas ao longo do tempo (o que muitas vezes acaba conferindo certa gravidade desnecessária às leituras, na minha opinião) esse ludismo do Tarot ainda perdura, mesmo que de forma tênue. Embaralhar um pacote de cartas e tirar algumas ao acaso conserva ainda algo de lúdico, de brincadeira. Uma coisa que sempre me chamou a atenção é que, no falar coloquial, frequentemente se usa a palavra “jogar” para nomear o ato de interpretar as cartas. De certa forma, as pessoas associam o dispor das cartas de uma consulta de Tarot ao dispor de cartas de uma rodada de baralho. Psicologicamente, a brincadeira é considerada um mecanismo que pode servir como forma de projeção, e mesmo válvula de escape para uma série de coisas. No brincar podemos encontrar uma chance de dizer, pensar e fazer (ou seja, extrair de dentro de nós) coisas que, muitas vezes, nunca seríamos capazes de fazer “a sério”. O jogo, o tabuleiro, servem como uma representação do mundo, do universo onde as diversas forças que o compõem interagem umas com as outras. De maneira geral, essa regra se aplica a qualquer tipo de jogo – inclusive o Tarot. De acordo com esse ponto de vista, uma leitura de Tarot seria então uma representação das forças que se manifestam e se interatuam em determinado momento.

Seja com for, mesmo com toda especulação e pesquisa que existe sobre as cartas nos dias de hoje, o Tarot sempre conserva algo de mutável e flexível. Geralmente às margens do mainstream que é considerado racional e sério, o Tarot me faz lembrar muito do Louco, a carta sem número do Tarot, geralmente numerada como zero. O Louco é o andarilho, o sem destino, o bobo da corte, a figura que encerra em si, em forma potencial, todas as possibilidades – assim como o Tarot que pode ser visto como uma coleção de tudo o que existe, com uma carta para cada coisa. O louco abrindo o baralho como o número zero me faz ver essa carta como o primeiro mensageiro do Tarot, sugerindo o caráter mais natural do Tarot – sua mutabilidade, sua multiplicidade, e o fato de ele nunca ser completamente compreensível.

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5 Comentários »

  1. Adorei…Sucesso!!!!!!!!

    bjim

    Comentário por Regina Guigou — agosto 14, 2009 @ 11:57 AM

  2. é isso aí Leo… não esquece de falar sobre a sabedoria dessas cartas.. bjao

    Comentário por Ana Carolina dos Santos — agosto 14, 2009 @ 10:10 PM

  3. Sempre achei que Leonardo Dias tivesse o dom natural da palavra, sabendo contar ou descrever com um jeito único e característico. Agora então, escrevendo sobre algo que tem paixão, não poderia ser melhor! Sucesso para o seu novo blog! beijos!!!

    Comentário por Sandra — agosto 18, 2009 @ 2:31 AM

  4. Venho por este meio enviar um GRANDE beijo ao meu amigo Leo e nunca é demais dizer e repetir e homenagear os nossos amigos. Quanto ao blog muitos PARABÉNS, estou a adorar!!!

    Quanto a ti Leo, és uma pessoa maravilhosa e expectacular que tive sorte de conhecer. Não te conheço pessoalmente portanto n sei se fazes muitas birras ou algo assim. 😉 O que eu posso dizer é que és uma pessoa muito querida, muito generosa e com um grande coração. És daqueles amigos que estão sempre presentes e sabes sempre dizer uma boa palavra! Para mim és MUITO ESPECIAL! Desejo-te tudo o que tu sonhas para ti! Beijinhos

    Comentário por San (Portugal) — setembro 9, 2009 @ 10:12 AM

  5. […] Minha definição de Tarot […]

    Pingback por Índice de Posts « Descobrindo o Tarot — dezembro 8, 2009 @ 1:41 AM


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