Descobrindo o Tarot

agosto 21, 2009

Elemental Dignities

Filed under: Elemental Dignities — Tags:, , , — Leonardo Dias @ 4:52 AM

Depois de algum tempo estudando Tarot e fazendo leituras, uma das coisas que a gente acaba por perceber é que a relação entre as cartas em uma disposição é tanto ou mais preponderante do que os significados particulares de cada carta. Apesar de serem símbolos autônomos e independentes, quando em conjunto os arcanos do Tarot se comportam essencialmente como palavras, tendo a sua significância (ou a sua gama particular de significados) regulada pelo contexto da leitura, pela interação entre as cartas, e o papel que exercem no todo que é a disposição. Há pouco tempo, descobri uma forma de relacionar as cartas que tem me interessado muito.

A relação entre as cartas é natural e se estabelece automaticamente. Com o desenvolvimento do estudo do Tarot através do tempo, as pessoas foram percebendo isso, e então desenvolveram-se métodos de associação e combinação das cartas. Entre tais sistemas, um dos mais populares hoje em dia é o método de Elemental Dignities (popularmente chamado de EDs). Traduzir essa expressão é um difícil – nunca vi nada semelhante a isso na literatura tarológica brasileira. Contudo, eu não sou a pessoa mais adequada para falar sobre isso, visto que a grande maioria das coisas que leio sobre Tarot vem de autores americanos ou ingleses. Sucintamente, é um método de avaliação da importância e atividade das cartas em uma disposição, baseando-se nos elementos associados a cada carta, e na relação que se forma entre eles. O primeiro a descrever esse método foi o ocultista MacGregor Mathers, em seu livro The Book T, escrito no final do século XIX.

Existem várias formas de dignities, que usam como base associações astrológicas, posicionais, e etc. Para muitos tarólogos, seu uso é fundamental. Muitos usam esse sistema como alternativa par as cartas invertidas. Eu mesmo conheci esse método enquanto procurava por artigos sobre cartas invertidas. Em minha opinião, o método de elemental dignities abre mais espaço para as cartas falarem entre si, bem como para uma quase infinita variação de nuances de significado. O que mais me atraiu nesse sistema foi a possibilidade de ter o significado de cada arcano alterado, sem que isso inclua reversão de cartas – nunca me senti muito confortável com a ideia de olhar cartas de cabeça para baixo, rs.

O esquema básico desse método é bastante simples. Ele requer apenas alguma intimidade com a simbologia dos elementos. Cada elemento se relaciona de certa forma com os demais, e tais relações podem ser classificadas como boas, neutras, ou ruins. Nesse contexto, “bom” e “ruim” descrevem o caráter da combinação, em relação ao ganho/perda de energia. Dizendo simplesmente, algumas combinações de elementos resultam em um aumento de energia – elas geram energia; outras combinações resultam num decréscimo de energia – tais combinações perdem energia, ao invés de produzirem mais. Seria como dizer que algumas interações são exotérmicas e outras endotérmicas, rsrs. No linguajar de Mathers, cada elemento tem seus “amigos” e seus “inimigos”. Poderíamos resumir esse princípio desta forma:

  • Quando duas ou mais cartas são “elementalmente” concordantes, a associação entre elas resulta em aumento de energia;
  • Quando duas ou mais cartas são elementalmente discordantes, associações entre elas resultam em diminuição de energia;
  • Quando duas ou mais cartas são elementalmente complementares, não ocorre nem aumento, nem diminuição de energia; sua força permanece a mesma.

Eu chamo uma carta envolvida em uma associação concordante de bem-aspectada, e uma carta envolvida em uma associação discordante de mal-aspectada.

Antes de irmos às regras, eu gostaria de esclarecer um ponto de importância fundamental na conceitualização das Elemental Dignities. O objetivo desse método é verificar a proeminência de cada carta numa disposição, através do quão cada carta está forte na disposição. Não se trata de descobrir quais cartas são “boas” e quais cartas são “ruins”. As combinações não têm a ver com o quanto uma coisa pode ser favorável ou desfavorável ao consulente, e sim com a intensidade da influência de cada carta. Exemplo: o Nove de Copas é uma carta geralmente considerada “boa”. Bem-aspectado, ele ganha energia, e seu bom efeito pode ser ainda maior; mal-aspectado, o Nove de Copas não vira uma carta “ruim” – ele enfraquece, apenas.

A regra para essas combinações é simples, e pode ser resumida assim –

  • Fogo e Ar são amigos e ativos;
  • Terra e Água são amigas e passivas;
  • Fogo e Água são inimigos – eles enfraquecem um ao outro;
  • Ar e Terra são inimigos – eles enfraquecem um ao outro;
  • Fogo e Terra fortalecem um ao outro, mas são neutros;
  • Ar e Água fortalecem um ao outro, mas são neutros.

A essas seis regras, eu acrescentaria mais uma –

  • Fogo e Fogo/Ar e Ar/Terra e Terra/Água e Água são amigos, se fortalecem, e caracterizam excesso.

As combinações amigáveis caracterizam-se por um acréscimo na energia; as combinações conflituosas apresentam um decréscimo na energia de ambos os envolvidos; as combinações classificadas como neutras representam um meio-termo entre essas duas. Por combinarem um elemento ativo com um passivo, suas forças meio que se equilibram.

Cartas envolvidas em combinações amigáveis são consideradas mais fortes, e seu significado é fortalecido; cartas que integram combinações conflituosas perdem energia, e seu significado é enfraquecido. A explicação para isso é simples – o aumento de energia gera mais atividade; o decréscimo de energia, mais passividade (pense num carro sendo acelerado e desacelerado). Quanto mais um elemento/carta é ativo, mais fortemente ele se manifesta em uma determinada situação ou coisa. A ausência de um ou mais elementos em uma leitura irá mostrar as carências e pontos fracos de uma situação. A influência das Elemental Dignities se sobrepõe ao significado de cada carta. É precisamente isso que altera e complementa a nossa visão em uma leitura.

A HIERARQUIA DE INFLUÊNCIA DENTRO DOS 78 ARCANOS

Embora todas as 78 cartas do Tarot tenham um valor igualmente importante e especial, certos tipos de arcanos têm mais relevância do que outros em uma leitura. Olhando com mais atenção para os 78 arcanos do Tarot, podemos perceber certa hierarquia de importância ou poder. Ao longo do tempo eu desenvolvi esse sistema, que classifica cada tipo de carta de acordo com sua força:

  • 1 Arcanos Maiores;
  • 2 Figuras da Corte;
    • Reis;
    • Rainhas;
    • Cavaleiros;
    • Pajens;
  • 3 Ases;
  • 4 Cartas Numeradas.

Os 22 Arcanos Maiores (as cartas que vão do Louco ao Mundo) são mais fortes do que todas as outras cartas. Eles representam arquétipos, grandes temas presentes na vida das pessoas. Numa leitura, sua presença tem mais peso do que as outras cartas. Mesmo que mal-aspectado, um arcano maior ainda detém parte de seu impacto.

As Figuras da Corte (Reis, Rainhas, Cavaleiros e Pajens) têm mais capacidade de lidar com a força dos Arcanos Maiores do que os Ases, ou as cartas numeradas, talvez por representarem personagens dentro da historinha do Tarot. Também, dentro da corte do Tarot é possível estabelecer-se um sub-ranking, onde Reis são mais fortes do que Rainhas, estas mais fortes do que Cavaleiros, etc. Os Pajens, contudo, ainda são mais fortes do que os Ases.

Ainda que considerados parte do grupo de cartas numeradas, os Ases podem ser separados em uma categoria especial, por representarem a raiz de cada um dos quatro elementos incorporados nos naipes. Sua força numa consulta é um pouco maior do que a das cartas numeradas. Em muitos decks (baralhos de Tarot, como o Waite-Smith, o Marselha, ou o Egipcian Kier) os Pajens são mostrados portando o símbolo do naipe nas mãos. Isso me sugere que eles “portam” os Ases. Realmente, Pajens e Ases têm em comum o fato de serem forças em estado potencial. A diferença, ao meu ver, é que os Ases são essas forças em si, enquanto os Pajens simbolizam a força dos Ases manifestando-se no indivíduo, de forma pouco desenvolvida.

Por último, temos as cartas numeradas, ou seja, os Arcanos Menores que vão do Dois ao Dez de cada naipe. Na minha experiência com o Tarot, tais cartas expressam mais experiências e situações. Eu poderia dizer que as cartas numeradas mostram o desenrolar dos elementos de cada naipe.

Poderíamos também relacionar cada classe de cartas com os níveis do esquema de acontecimentos da vida, sendo:

1 Arcanos Maiores Arquétipos ou grandes temas Símbolos, conceitos, temas, experiências-chave.
2 Figuras da Corte Os personagens sob a influência dos arquétipos As pessoas participantes em dada situação; aspectos da personalidade atuantes numa situação.
3 Ases As raízes das quatro forças elementais Manifestações dos elementos em seu estado “bruto” na vida das pessoas.
4 Cartas Numeradas Situações, fatos e experiências Situações ou estados de ser; posturas, comportamento, acontecimentos e circunstâncias.

Vendo por esse ângulo, fica mais fácil entender por que os Arcanos Maiores são mais poderosos do que os Arcanos menores numerados. O Carro, por exemplo, é a expressão de um grande tema – a conquista, a independência, o poder. O Seis de Paus expressa algo semelhante – êxito, vitória, respeitabilidade. No entanto, o segundo refere-se mais a um acontecimento ou circunstância do que a um conceito propriamente dito.

Até agora sabemos então que o teor das relações entre as cartas pode ser elucidado através da interação de seus elementos; também vimos que uma carta tem mais ou menos proeminência sobre as outras, de acordo com a categoria à qual pertence dentro do Tarot. Nos próximos posts, pretendo estender esse tópico com exemplos de leituras, e mais pormenores a respeito da dinâmica das EDs.

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5 Comentários »

  1. […] das combinações são as mesmas usadas no método de Elemental Dignities, já apresentada em um dos primeiros posts do […]

    Pingback por Entendendo as figuras da corte através das associações elementais « Descobrindo o Tarot — outubro 13, 2009 @ 6:47 PM

  2. […] Elemental Dignities […]

    Pingback por Índice de Posts « Descobrindo o Tarot — dezembro 8, 2009 @ 1:41 AM

  3. […] de elemental dignities, ou dignidades elementais. Esse método, desenvolvido pela GD, foi uma das primeiras coisas sobre as quais eu tratei aqui no blog. Eu tenho sentido cada vez mais que o potencial orgânico das […]

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  4. […] do Descobrindo o Tarot sobre dignidades elementais, aqui e […]

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  5. […] cartas, é uma técnica desenvolvida pela GD, destinada a ser usada em conjunto com a técnica de Elemental Dignities, ou dignidades elementais. Consiste basicamente em você contar as cartas de acordo com seu […]

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