Descobrindo o Tarot

maio 30, 2010

Como arruinar uma leitura de cartas

Filed under: Diversos — Tags:, , , , — Leonardo Dias @ 6:50 AM

(Texto original de James Ricklef, autor do blog JamesRicklef.wordpress.com. Tradução minha, com a permissão do autor)

Eu me lembro de uma leitura que fiz há muitos anos atrás, na qual o consulente não tinha uma pergunta específica; então – como costumo fazer – decidi deixar uma carta sugerir o assunto da leitura. Abri o baralho em leque, e o consulente tirou a carta da Morte. Eu vi isso como a indicação de uma transição maior em sua vida, e então lhe perguntei se ele estava lidando com alguma grande mudança ocorrida recentemente. Surpreso, o consulente sacudiu a cabeça lentamente e disse: “Não. Nada”.

Humm. Certo.

Segui em frente e lhe dei uma leitura geral, durante a qual eu descobri que o rapaz tinha sido demitido de um emprego que pagava bem, em uma empresa grande. Ele me disse que havia arrumado um novo emprego há mais ou menos seis meses, porém em uma empresa menor e menos prestigiosa, onde ele teve que aceitar uma posição de menor status e salário mais baixo. Além disso, esse novo emprego estava sendo difícil, pois a maioria das outras pessoas já estava na empresa por dez ou vinte anos, de modo que ele era o “novo no pedaço” e se sentia excluído das panelinhas.

Então… nenhuma grande mudança em sua vida para lidar, né?

O consulente não estava mentindo ou tentando me enganar quando disse que não tinha acontecido nenhuma grande mudança em sua vida recentemente. Talvez esses problemas simplesmente não ficaram registrados em sua cabeça, ou talvez sua ideia de “recente” não era a mesma que a minha.

Outro exemplo – uma vez, fiz uma leitura onde eu vi o Quatro de Paus como uma indicação de que a consulente esperava por alguma forma de volta ao lar. No entanto, quando eu lhe questionei a respeito, recebi outra dose de “não, não faço ideia do que isso pode ser”. Alguns minutos depois, acabei descobrindo que a consulente era nova na cidade e estava morando num lugar temporário, enquanto procurava por uma residência permanente. Eu chamaria isso de “volta ao lar”, mas talvez ela pensou que isso queria dizer voltar para o lar de onde ela tinha partido.

Então, o que podemos tirar desses exemplos?

Eu aprendi que, durante a leitura, é possível que o consulente não se lembre de certas coisas, ou não veja associações importantes, não atente para a importância de certos acontecimentos, ou talvez entenda mal o que lhe dizemos. É para isso que conversamos com eles e os escutamos cuidadosamente; é por isso que revisamos certas cartas da leitura quando ouvimos alguma coisa que se relaciona com elas; e é por isso que, quando alguém diz que nossa interpretação de uma carta não tem nada a ver com sua vida, não damos muita confiança e não deixamos isso incomodar.

Em tais casos, eu geralmente concordo educadamente e digo algo como “Certo. Bom, vamos continuar com a leitura e ver o que mais sai”. A significância do fato ignorado pode aparecer mais tarde na leitura, como nos dois exemplos acima. Porém, mesmo se não aparecer, ela ainda poderá voltar à mente do consulente mais tarde naquele dia, ou mesmo uma semana depois. Além do quê, às vezes o consulente está negando certas coisas, ou não tem preparo para escutar o que estamos lhe dizendo.

Lógico, existe sempre a possibilidade de estarmos errados. Mas isso também não faz mal, e nós precisamos entender que não temos que acertar o tempo todo. Ninguém espera perfeição absoluta de profissionais de outras áreas; porém, por alguma razão, se você é um leitor de Tarot e não acerta sempre, algumas pessoas começam a pensar que você é um charlatão. Mas isso não é verdade. Nós somos humanos, e humanos não são perfeitos. Se começarmos a exigir perfeição de nós mesmos, logo começaremos a empacar; vamos começar a pensar duas vezes sobre tudo o que dizemos em uma leitura, e essa a é a melhor forma de arruinar uma consulta.


James Ricklef dá palestras, lê e escreve sobre Tarot. É autor de obras como Tarot Tells the Tale e Tarot – Get the Whole Story, além de ser o criador do baralho Tarot of the Masters, que busca inspiração nas obras de mestres da pintura para compor as imagens das cartas. Você pode conhecer mais sobre o trabalho de James em seu blog, jamesricklef.wordpress.com, ou em sei website, jamesricklef.com.

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1 Comentário »

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