Descobrindo o Tarot

junho 18, 2010

IMAGEM X CONCEITO

Filed under: Diversos, Notas — Tags:, , , , , — Leonardo Dias @ 4:38 AM

Uma coisa sobre a qual dediquei algum tempo pensando~

Eu venho falando bastante aqui no blog sobre a importância da imagem, e seu papel como fonte primária do conceito da carta. “Viver a imagem, e somente a imagem”; “entrar em transe, erguer-se sobre o tempo linear, através da imagem”.

Mmm… sim. Sei.

Romantismo à parte, ainda existe vida no plano objetivo. As imagens do Tarot não foram criadas do nada, em alguma espécie de transe artístico, onde emergiram inteiras do inconsciente do artista, em geração espontânea. Ao menos no caso do Waite-Smith, cada imagem (e ressalto aqui as cartas pequenas numeradas) foi criada a partir de um determinado conceito, ou conjunto de conceitos. O que acontece é que, depois de criada, a imagem adquire vida própria e reivindica para si o poder de gerar conceito, mais que simplesmente reproduzir o conceito original. De certa forma, a imagem eleva o conceito à sua própria potência, e o resultado é uma supernova de significado que irradia ideias em todas as direções. Imagens são cornucópias de ideias. É nesse sentido que eu digo que a imagem é viva.

Entretanto, o conceito original não muda – ele continua sendo a base.

Objetivamente falando, as imagens de qualquer versão do Tarot são a interpretação de um artista a respeito de um conceito (que pode ser qualquer coisa, até mesmo outra imagem). Ter isso claro é totalmente importante ao examinar o valor de cada carta, pois a origem do conceito é que determina como a gente olha para a imagem ao tentar interpretá-la, que valor dar a cada detalhe, para onde direcionar as primeiras impressões. É a diferença entre contemplar uma pintura ou ouvir uma música tendo uma noção da ideia que originou a obra, e fazer a mesma coisa não tendo nada além da própria obra como matéria de análise. Tente olhar e pensar por algum tempo sobre uma pintura desconhecida, e depois ler a seu respeito. No caso do RWS, é possível saber com suficiente exatidão a ideia que sustenta suas imagens, pois seus criadores deixaram algum testemunho sobre elas. O trabalho da análise consiste então em examinar como a imagem da carta expressa esse conceito, qual de seus aspectos ela enfatiza. Junte as duas coisas, e você tem a pista para o sentido da carta.

Resumindo – ao analisar uma carta, é importante observar o conceito que originou sua imagem, pois ele é o ponto de partida. Por mais que você viaje, parta do princípio, e carregue-o ao longo de toda a sua jornada.

Ainda com relação às imagens do RWS, em seu livro The Pictorial Key to the Tarot, Waite deixa uma boa dica para quem for estudar as cartas:

No Tarot retificado que ilustra o presente manual, todas as cartas numeradas dos Arcanos Menores – exceto os Ases – são apresentadas com figuras ou gravuras para ilustrar – mas sem esgotar – as significações divinatórias a elas atribuídas. [negrito meu].

Ou seja, é possível que apenas um dos aspectos divinatórios de uma dada carta esteja representado em sua imagem.

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12 Comentários »

  1. Olá Leonardo.

    Tenho acompanhado todos os seus posts que vêm falando de imagens e tal. Bom, ai eu sempre me perguntava: poxa mas cada deck tem um desenho, apesar de guardarem o mesmo arcabouço de símbolos.(tô certo?) Eu guardo o deck de RWS comigo, apesar de tê-lo usado somente umas poucas vezes durante o árduo processo de ler o Curso Completo de Tarô de Nei Naiff. Semre me perguntei se há um livro acerca dos significados das cartas e símbolos no tarô de Waite, mas o que sempre encontava eram aqueles sisgnificados usuais, mas nunca um livro que diga: o cachorrinho na carta de waite significa isso…etc. Aí você cita o livro The Pictorial Key to the Tarot, e fico imensamente feliz, porque pode ser que esse livro foi escrito pelo prórpio Waite acerca de susas cartas, é isso? Será que consigo esse livro facilmente?

    Grande abraço

    Comentário por Flávio — junho 18, 2010 @ 11:03 AM

    • Flávio!

      Eu acho razoável afirmar que existe um consenso a respeito do que cada carta deve significar, que conceitos gerais cada uma deve representar – mas daí a dizer que todos os baralhos são a mesma coisa, intercambiáveis… é um passo grande, acredito. O Tarot, como o misticismo em geral, preza a subjetividade, então eu não vejo tanta utilidade pra consenso, nesse caso. Enfim…

      O grande problema com o simbolismo do RWS é que Waite não se prestou a realmente explicá-lo. Até onde eu pude ver, ele só faz alguns comentários sobre as imagens no livro que eu citei. Existem várias possibilidades sobre por que ele não falou mais do baralho – ele pode ter preferido manter o conhecimento secreto do grande público (naquela época eu imagino que as coisas não eram tão escancaradas como são hoje), ou talvez ele simplesmente não sabia direito, porque quem realmente desenhou as cartas foi Pamela. Não tem como a gente saber o quanto das imagens foi criação dela, e o quanto foi instruído por Waite. As pessoas tendem a concordar que Waite dedicou mais atenção aos Arcanos Maiores, então talvez ele tenha deixado os menores mais a cargo da Pamela mesmo.

      Sobre os significados, especialmente dos arcanos menores, Waite não foi muito além de simplesmente reproduzir Eteilla e Mathers – compara que ce vai ver. Hoje em dia, a ideia de que sequer deva existir consenso sobre os significados das cartas (mais uma vez, particularmente com os menores) está se perdendo – os significados das cartas variam bastante, de autor para autor, de tarólogo para tarólogo. Os significados que Waite deu às cartas em seu livro estão bem sintonizados com o que se pensava na época.
      O The Pictorial Key to the Tarot deixa a desejar em vários aspectos – o estilo de Waite é pesado e cheio de digressões, o autor se reserva o direito de explicar o que ele quer e quando ele quer, muitas vezes ele é vago… Mas não se engane, o livro é de suma importância enquanto registro dos pensamentos do autor sobre sua obra. As descrições sempre apontam pros detalhes importantes de cada carta, e dão uma ideia sobre o que se quis indicar com a inclusão dos símbolos nas imagens.

      Existem algumas traduções desse livro pra português – faz uma busca no estantevirtual.com.br por “Arthur Edward Waite” e você vai achar várias. A Ediouro, há décadas atrás, publicou uma tradução do Pictorial Key, feita por David Jardim Jr., lançada com o nome nada-a-ver de “Tarô – A Sorte pelas Cartas”. É esse que eu tenho, comprei num sebo na Vila Mariana. Uma ótima análise dos detalhes das cartas maiores, feita por Robert O’Neill, pode ser encontrada aqui. Um livro muito bom sobre os detalhes do RWS é o The Secret Language of Tarot. com uma análise do simbolismo de vários elementos recorrentes no imaginário do RWS, e como as cartas são ligadas por esses símbolos. Eu tenho um livro desses sobrando, se você pagar o envio eu posso te mandar.

      É isso. Brigado por ler meu blog, fico feliz que as informações estão sendo úteis pro pessoal!

      Comentário por Leonardo Dias — junho 19, 2010 @ 2:08 AM

  2. Bom, encontri o livro em inglês em PDF. Parece ser muito bom. Agora eu te pergunto: a significação das caratas que Waite dá estão compatíveis com os significados dados hoje?

    Até breve.

    Comentário por Flávio — junho 18, 2010 @ 12:24 PM

  3. Olá Leonardo.

    Obrigado pelas dicas de livros. E quanto ao que você tem aí sobrando, pode deixar reservadinho pra mim, ok. Estou saindo de viagem, daí quando voltar agente acerta, ok??

    Bom, começei a ler o livro de Waite, e como vc disse, ele não fala muito acerca de uma determinada carta; ele cita somente alguns detalhes. De qualquer forma, tb. acho que é uma obra importante.

    Bom é isso. Bom domingo.

    Comentário por Flávio — junho 20, 2010 @ 7:43 AM

    • Sim, é importante sim, pra entender melhor as cartas, dar uma luz. Muitas vezes, o que ele diz não combina muito com a imagem, mas é normal. Quando ce tiver disponível, me avisa pra eu te mandar o livro.

      Comentário por Leonardo Dias — junho 21, 2010 @ 2:40 AM

  4. Olá Leonardo.

    Nesses dias estive me questionando sobre os elementos tão falados no tarô: água, fogo, terra e ar. Bom, sei que cada naipe está relacionado a um desses elementos e que cada naipe tb. simboliza, se é esse o termo, o nosso sentimento(copas e água), material(ouro-terra), espiritual(paus-fogo) e o pensar(espada-ar).Sei da importância dos naipes, mas gostaria de saber por quê a relação com os elementos é tão importante. O que isso influencia na leitura? Não os naipes, mas os elementos em si.

    Quanto ao livro The Secret Language of Tarot, você pode se informar o valor do envio que aí deposito na sua conta o valor, ok? Depois te passo meu endereço de correspondência.

    Tudo de bom.

    Comentário por Flávio — junho 30, 2010 @ 8:58 AM

  5. Nem precisa responder. Achei demais o post: Entendendo as figuras da corte através das associações elementais. E outra coisa. Ao ler o Curso de Nei Naiff, sempre empaca nas figuras da corte. Eram super confusas pra mim. Você conseguiu esclarecer bem Leonardo. Se eu morasse aí em São Paulo já teria feito uma consulta contigo e tentado extrair mais do seu conhecimento. Parabéns!!!

    Comentário por Flávio — junho 30, 2010 @ 10:20 AM

    • Oi!

      A questão da relação dos elementos como Tarot é muito, muito vasta, e isso se deve principalmente ao fato de a Doutrina dos Elementos ser um dos pilares de sustentação do pensamento esotério há milênios. Realmente, ela foi a noção sobre a matéria que antecedeu – e serviu de base – para a nossa visão moderna da constituição da matéria. Em outras palavras, era a física de antigamente. A Doutrina dos Elementos permeia tudo relacionado a esoterismo e ocultismo, desde Astrologia a Cabala, Geomancia e, claro, Tarot. E ela é muito profunda. Faz quase um ano, eu comecei uma pesquisa sobre isso pro blog, e nunca dei cabo dela – mas ela sempre fica na minha cabeça, e tem estado muito ultimamente. Qualquer dia ela aparece por aí.

      As figuras da corte são a parte mais confusa do Tarot, e eu acho que isso tem a ver com o fato de elas representarem o elemento humano na cosmologia do Tarot, a “Terra do Meio”, o Midgardr no mundo do Tarot – ou seja, nós. Quem bom que meu texto te ajudou, eu fico muito contente 🙂

      Brigado pelo apoio!

      Leo

      P.S.: sobre o livro, te mando um email pra esse mail do comment aqui.

      Comentário por Leonardo Dias — julho 1, 2010 @ 12:10 AM

  6. Oi Léo. Tudo bem?

    Ainda falando de imagens e do olhar para as cartas. Você conheçe o deck Golden Tarot de Kat Black? Achei os desenhos espetaculares. Dá uma olhadinha depois e me fala o que você acha. Você usaria tal baralho no seu dia-a-dia? Ahh.e sobre o livro..segura ele ai, ok? M~es que vem eu quero.rsrrs

    Grande abraço.

    Comentário por Flávio — julho 16, 2010 @ 8:59 AM

    • Eu já tinha visto esse deck e sobre esse deck por aí sim, mas eu nunca tinha olhado as cartas. Achei legal a ideia de usar iconografia renascentista, mas com claras referências ao simbolismo RWS normal. Não sei se eu usaria no meu dia-a-dia não – eu gosto de imagens mais simples, com as quais eu tenha mais facilidade de me relacionar. Eu gosto da simplicidade-livro-infantil das imagens RWS justamente porque elas não são muito pomposas.

      Quando for pra mandar o livro, me avisa.

      Abç

      Comentário por Leonardo Dias — julho 16, 2010 @ 9:15 AM

  7. […] Imagem x Conceito […]

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  8. […] Post com a temática de imagem e conceito, aqui. […]

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