Descobrindo o Tarot

julho 9, 2010

RESOLVENDO LEITURAS QUE NÃO FAZEM SENTIDO

Filed under: Diversos — Tags:, , — Leonardo Dias @ 6:00 PM

(Texto original de Douglas Gibb, do blog TarotEon.com, traduzido por mim, com permissão do autor)

A solução de problemas e a habilidade de fazer perguntas!

Como consertar uma leitura confusa? Em duas palavras: faça perguntas.

Quando alguma coisa é confusa, geralmente é porque não a entendemos, e a melhor forma de transformar confusão em algo que faz sentido é fazendo perguntas.

Recentemente, eu falei sobre como usar a razão como um meio de acessar a intuição; fazer perguntas é meio parecido – não exatamente a mesma coisa, mas ainda assim faz uso da mente racional para desembaraçar as coisas. Se uma leitura chega ao ponto em que precisamos parar para decifrá-la, então é porque nossa intuição não conseguiu pescar nada, ou de alguma forma a bloqueamos, ou talvez temos aversão por certas cartas, ou ainda temos pesadas expectativas sobre a resposta das cartas. Qualquer que seja a razão, aborde-a perguntando algumas coisas pra si mesmo. Aqui vai uma lista de cinco perguntas a se fazer na próxima vez em que uma leitura não fizer sentido – e cinco soluções.

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1. Você tem expectativas?

Expectativas são a ruína de uma boa leitura de Tarot. Elas acabam com a objetividade e a imparcialidade.

Quando lemos para amigos, familiares ou nós mesmos, tendemos a ter expectativas (esperanças, até) sobre quais cartas devem cair em quais posições. E quando isso não acontece, ficamos confusos.

Objetividade e imparcialidade não são coisas fáceis de desenvolver. De fato, humanos não são capazes de ser completamente objetivos ou imparciais; tudo o que podemos fazer é esperar o inesperado.

Inicie cada leitura com uma mente aberta.

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2. Você tem aversão a certas cartas?

Todos nós temos cartas que achamos difíceis de entender ou que nos provocam certa aversão. Pare um pouco e pergunte a si mesmo – “por que essa carta me incomoda tanto?”

Na maior parte das vezes, se uma carta lhe provoca aversão, é porque você mesmo não está sendo imparcial. Claro, de um ponto de vista psicológico, tal relutância sinalizaria uma necessidade de se trabalhar com o personagem representado na carta; contudo, na prática, você não está sendo imparcial.

A próxima vez que uma carta lhe fizer sentir assim, pare um instante. Admita que tal carta lhe produz uma reação emocional que obscurece sua habilidade de interpretar outras cartas. Permita-se sentir quaisquer emoções que essa carta levanta e, então, deixe-as ir.

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3. Existe uma minoria de cartas conflitando com a maioria?

Não importa que método de disposição você usa – sempre vai existir uma minoria de cartas que entra em conflito com a maioria. O que fazer?

Combine as cartas que estão lhe confundindo com a carta-resultado.

Por exemplo, vamos pegar o Cinco de Espadas e o Nove de Espadas como as cartas que estão me confundindo e o Ás de Paus que, em nosso exemplo, vai ser a carta-resultado. Uma possível interpretação seria dizer que uma oportunidade de emprego será bem sucedida, a despeito de tentativas de colegas para impedi-la. Espere pelo uso de tentativas de sabotagem contra o consulente, cujas conseqüências viverão com ele por um bom tempo.

Eu resolvi minha confusão usando minha imaginação para isolar a minoria difícil. Combinando-as com a carta-resultado, criei uma historinha e, isso feito, eu agora as traria de volta para a leitura geral.

Efetivamente, você combina as cartas de modo a formarem uma estória. Não leia esses tipos de cartas separada ou isoladamente; e definitivamente, não limite-se a lê-las de acordo com sua posição na tiragem. Sempre aborde esse dilema combinando as cartas para formar sua própria narrativa, de onde você pode reinterpretar o resto da leitura de acordo.

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4.Você se confunde quando uma carta ruim cai em uma posição de resultado, enquanto todas as outras cartas parecem favoráveis?

Como sempre, pergunte a si mesmo se está sendo objetivo e imparcial o suficiente.

Num nível mais prático, tente interpretar a carta como algo externo ao consulente. A melhor forma de lidar com qualquer carta de Tarot é lendo-a literalmente. Se a carta-resultado for o Dez de Espadas, então o objeto da questão do consulente resultará em fracasso, e na ruína de seus planos. Evite ler o Dez de Espadas como um processo psicológico pelo qual passa o consulente. Ler assim vai aumentar sua confusão. O Dez de Espadas apareceu por uma razão específica – para deixar o consulente saber que não vai dar certo. Isso não é tão ruim quanto parece. Na verdade, isso cria uma possibilidade para livre escolha. Olhe para as outras cartas a fim de determinar que coisas o consulente pode fazer para mudar o resultado.

Se você tiver dúvidas entre ler as cartas como processos psicológicos ou eventos reais do mundo concreto, então sempre, sempre as leia como eventos objetivos – nunca psicológicos.

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5. Você está confuso por contradições dentro da própria leitura?


Essa é outra causa de confusão corriqueira. Esse tipo de problema tende a acontecer mais quando o leitor faz uso de jogadas posicionais, em vez de jogadas lineares [não-posicionais].

Considere os seguintes exemplos:

  • A tiragem tem uma posição chamada “quais são suas forças?”; agora, imagine o quanto seria confuso se o Cinco de Espadas caísse aí.
  • A tiragem tem uma posição chamada “quais sãos suas fraquezas?”; então, imagine o quanto seria confuso se o Sol caísse nessa posição.

Quando você usa tiragens posicionais, esse tipo de contradição acontece direto. A primeira coisa que você deve fazer é converter a carta de uma força passiva para uma força ativa. No caso do Cinco de Espadas, as habilidades do consulente consistem na capacidade de derrotar o inimigo não importa o que aconteça. No caso do Sol, arrogância e vaidade poderiam ser suas fraquezas.

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Lembre-se de em que consiste uma boa leitura de Tarot!

Aprender como resolver uma leitura de Tarot ajuda-nos a desenvolvermos a atitude certa. Esta é uma parte tão importante da leitura que eu não sou capaz de ressaltar o bastante. É a atitude que você traz à leitura – sua objetividade, sua imparcialidade, sua capacidade de relaxar, de confiar, sua capacidade de desfrutá-la e fluir com ela – que faz a diferença. Ter a paciência de resolver leituras confusas vai reforçar essas qualidades com o passar do tempo, fazendo de você, um melhor leitor de Tarot.

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Sobre o Autor

Douglas Gibb é um estudante/leitor/blogueiro de Tarot da Inglaterra. Não é a primeira vez que eu faço menção a Doug aqui no meu blog – e provavelmente não a última, rs. Se você lê inglês, pode conferir seus textos diretamente no blog TarotEon.com.

Sobre a Imagem

A versão para o Três de Ouros do Hurley-Horler deck, idealizado e desenhado por Jack Hurley, Rae Hurley e John Horler, no começo dos anos 70.

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9 Comentários »

  1. Leo,

    excelente artigo, sua tradução e o argumentos apresentados então deveriam constar num “HELP_TAROT”!
    Confesso que tem situações que sou torcida, o item 1. é quase minha cara…

    Abraços do Ari.

    Comentário por Arierom — julho 9, 2010 @ 10:18 PM

    • Oi! Brigado, Ari!
      Eu adorei esse post, por isso tive a ideia de pedir pro Doug me deixar traduzir. São situações que todos nós já vivemos, e vamos viver muito ainda, rs. Particularmente a primeira, como você mencionou, expectativa é uma coisa que a gente tem não só de jogadas, mas da vida como um todo. O legal sobre exercitar essa limpeza de expectativas é que a gente acaba também por realizar que a gente pode viver nossa vida sem criar tantas expectativas.

      Não que eu não seja o tipo de pessoa que vive de expectativas (exigências, diga-se de passagem), rsrs….

      Abraço

      Comentário por Leonardo Dias — julho 9, 2010 @ 11:35 PM

  2. Olá, Leonardo!
    Muito bom seu post, de fato já me deparei com essas situações em leituras de tarô e como é embaraçoso! Muito obrigada pelas iformações.
    Aliás, tenho que dizer que o seu blog é muito rico e tem sido um suporte importante para os meus estudos.
    Abraço!
    Michelle.

    Comentário por Cirenna — julho 11, 2010 @ 9:56 AM

    • Oi, Michelle!

      Que bom que meu blog tem te ajudado a entender o Tarot melhor, fico feliz.

      Sim, o que eu achei legal nesse texto do Douglas Gibb é que ele realmente fala sobre situações que todos nós, enquanto leitores de Tarot, nos deparamos em algum momento das nossas vidas. Mas, como você mesma pode ver, com um pouco de paciência e razão a gente resolve os problemas – e ainda cresce como tarólogo.

      Bons estudos e descobertas!

      Leo

      Comentário por Leonardo Dias — julho 11, 2010 @ 4:08 PM

  3. OLá Leonardo,

    Quase sempre me pego com este tipo de dúvidas… principalmente com cartas que geram um certo conflito. Por exemplo, costumo usar o modelo de tiragem da Cruz Celta – exatamente como descreve Liz Greene e Sharman-Burke no Tarô Mitológico, fiz certa vez uma abertura para estudo ( sou estudante ); na posição número 6 ( Influências Futuras ) caiu a Oito de Copas e na posição 10 ( Resultado Final ) caiu a Dez de Copas. Como interpretar essa situação? Fiquei confusa a respeito e pra falar a verdade ainda tenho dúvidas.
    Como interpretar essa situação?

    um abraço.

    Comentário por Valentina Oliveira — julho 21, 2010 @ 7:08 PM

    • Oi, Valentina!

      Aproveitei a sua pergunta para um post, então cê pode achar sua resposta aqui 🙂

      Espero ter ajudado – qualquer coisa, pode falar comigo.

      Abç

      Comentário por Leonardo Dias — julho 23, 2010 @ 7:07 AM

  4. […] a leitora Valentina Oliveira levantou uma questão muito interessante em um comentário para o post sobre como resolver leituras problemáticas. Achei que seria legal expor a questão aqui e respondê-la com um post. A pergunta de Valentina […]

    Pingback por ANALISANDO UM DILEMA NA CRUZ CELTA « Descobrindo o Tarot — julho 23, 2010 @ 4:51 AM

  5. […] Resolvendo Leituras que não Fazem Sentido […]

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  6. […] Verdade está no equilíbrio. Douglas Gibb do TarotEon.com, num texto que eu até traduzi e postei aqui, inseriu essa questão do desejo como um dos fatores por trás da falta de entendimento de […]

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