Descobrindo o Tarot

agosto 9, 2010

MAIS SOBRE O FUTURO E O TEMPO

Filed under: Notas — Tags:, — Leonardo Dias @ 4:49 AM

Esses dias, escutando o programa do Adhemar Ramos na Rádio Mundial, ouvi uma coisa que me chamou a atenção e me deixou pensando. Logo na introdução do programa, o professor Adhemar fala rapidamente sobre o tempo e a consciência humana –

Deus já criou tudo instantaneamente, ou seja, ele já criou o passado, o presente e o futuro; tudo já existe desde a criação. Nós somos apenas mônadas, unidades de consciência que transformam constantemente o futuro em passado, em um processo de transformação dinâmica. O futuro sempre existiu, o passado sempre existirá, e a nossa consciência continuamente transforma o futuro que sempre existiu no passado que sempre existirá. O presente simplesmente não existe – o que existe é o dinamismo dessa transformação (…). No universo, nada permanece imóvel, tudo está em evolução, e evolução é exatamente o entendimento do futuro se transformando em passado.

[Transcrição e adaptação textual minhas]

O que chamou minha atenção nesse trecho da introdução do programa foi justamente o fato de que o professor Adhemar expôs o tempo de maneira exatamente oposta à que eu apresentei no meu primeiro post sobre o assunto. O que ele diz é que, assim como todo o cosmo, o tempo foi criado de uma vez só; tudo já existe, num bloco imensurável chamado criação. E a consciência humana, focada no nível material da criação, não dispõe de recursos para abarcar, de uma só vez, a totalidade do tempo, passando assim a transitar por ele gradualmente. É exatamente isso o que origina o então fenômeno mental que é o presente. De acordo com esse ponto de vista, o presente deixa de ser considerado algo “real” para passar a ser – ele, e não o passado ou o futuro – um mero processo mental, subjetivo. Isso explica, de quebra, a subjetividade do presente, comparável à subjetividade do aqui.

Por outro lado, se a gente for considerar que todo o espaço-tempo estava condensado em um único ponto sem dimensões no “momento” anterior ao Big Bang, então, da mesma maneira que todo o espaço originou-se com a expansão desse ponto, também todo o tempo já foi criado – o que parece estar de acordo com o que Adhemar Ramos afirma.

Essa questão da realidade do tempo é, claro, infinita. Muitas e muitas pessoas dedicaram-se a encontrar uma resposta para isso ao longo de toda a história, e as questões só se multiplicam. Entretanto, eu acredito que faz parte do trabalho de quem estuda Tarot pensar um pouco a respeito desse tema. Nós trabalhamos com o tempo. Ler Tarot não deixa de ser um processo no qual o foco de nossa consciência do tempo é alterado. Nossa visão do que é o tempo com certeza define a forma que lidamos com o tempo na prática do Tarot.

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3 Comentários »

  1. […] Mais sobre o futuro e o Tempo […]

    Pingback por Índice de Posts « Descobrindo o Tarot — agosto 22, 2010 @ 3:35 AM

  2. Gostei de seu texto. Aqui uma ex-aluna de Adhemar Ramos, taróloga.
    Sobre o tempo, passado-presente-futuro.Legal o seu modo de ver mas ele me tira a possibilidade do livre-arbítrio. Perceba que há um abismo à frente do louco e não sabemos se ele pula ou para.
    Não vou destruir o que Deus criou se eu pular e por este pensamento entro em um outro mais “louco” ainda, os universos paralelos. A “consciência” me dá possibilidades de ser co-criadora sem
    interferir na criação original, não fosse assim o Universo não se expandiria. Difícil ser clara em palavras, conversa de maluco diriam! Se pensar no livre-arbítro e na consciência, muda tudo,
    o destino fatal acaba.
    Abraço,

    Crís

    Comentário por Cintia Cristina Doula — outubro 4, 2010 @ 8:13 PM

    • Ai, o prof. Adhemar… Eu nunca fui aluno dele no sentido direto de ser, mas ele sem dúvida marcou minha vida. Ano passado eu finalmente fui numa palestra dele, sobre Tarot (a carta 15, inclusive), e foi punk. O trabalho dele apareceu na minha vida num momento em que eu tava buscando por respostas reais, e não poderia ter sido melhor.

      Sobre essa coisa de tempo x indivíduo, eu tenho pra mim que essas duas correntes, inexorabilidade versus livre arbítrio, elas são na verdade dois aspectos de uma mesma realidade, que talvez fuja da nossa compreensão imediata. É o que eu sinto – o paradoxo é só aparente. Porque se a gente for mais fundo na questão do livre arbítrio, a gente vê que a gente não faz escolha nenhuma – nossos corpos escolhem por nós, com hormônios, e impulsos cerebrais, e enquanto isso, fora da gente, a gente fica sujeito a forças diversas como convenção social e conceitos de certo e errado, valores incutidos, o próprio tempo, e a lista vai longe.

      Talvez seja essa a diferença entre o Louco e o Mago – o Louco como nós, inconscientes, e o Mago como aquele que de fato rege a realidade, como um maestro rege uma sinfonia inteira com sua batuta. E isso requer conhecimento, potência e poder. E o Mago tem total conhecimendo da Natureza, tanto de seu corpo quanto do mundo ao seu redor, e por isso ele pode manipulá-la. O Mago é phoda…

      E se ser maluco for ter esse tipo de conversa, então eu quero ser doido mesmo, rs. Não tem nada mais legal.

      Abç, e brigado pela participação!

      Comentário por Leonardo Dias — outubro 5, 2010 @ 12:09 AM


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