Descobrindo o Tarot

setembro 12, 2010

EXPLICANDO A CONFUSÃO – CAVALEIROS QUE SÃO REIS, REIS QUE SÃO CAVALEIROS, RAINHAS, PRINCESAS, PAJENS, etc, etc, etc

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O meu objetivo com esse post é um, e somente um: esclarecer, de uma vez por todas, a grande confusão que paira sobre as figuras da corte e seus ranks em diferentes decks de Tarot.

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A Confusão Primeiro de tudo, vamos definir bem sobre qual confusão estamos falando – o Tarot é cheio delas, diga-se de passagem. Quem ao menos passou os olhos sobre um baralho Thoth deve ter notado a discrepância entre seu sistema de ranking das figuras da corte e o sistema de outros baralhos, como o Marseille ou o Rider-Waite-Smith (RWS, daqui pra frente). No Thoth, o sistema comum de Rei-Rainha-Cavaleiro-Pajem é substituído por um esquema de Cavaleiro-Rainha-Príncipe-Princesa. Tal distinção tende a causar muita confusão entre quem estuda Tarot, especialmente em tentativas de comparar os dois sistemas. Essa diferença levanta várias perguntas – por que foi feita tal alteração? Qual é exatamente a correspondência entre os dois sistemas? Que diferença isso faz na leitura?

É provável que particularmente dois tipos de estudante/praticante de Tarot tenham se deparado com essa questão em seus estudos – aqueles que travaram algum contato com o baralho Crowley-Harris Thoth, idealizado pelo mago Aleister Crowley e pintado pela artista Lady Frieda Harris – ou qualquer baralho que partilha de parâmetros semelhantes; ou aqueles que, em algum momento, tenham entrado em contato com os preceitos da Ordem Hermética da Aurora Dourada (The Hermetic Order of the Golden Dawn, em seu nome inglês original, comumente chamada de Golden Dawn, e doravante abreviada simplesmente como GD). Quem não pertence a pelo menos um desses dois grupos poderia bem parar de ler esse post a essa altura, ou encarar os próximos parágrafos como pouco mais que uma simples curiosidade sobre os rumos que o Tarot tomou durante a virada entre os séculos 19 e 20.


Mas, chega de enrolação, é hora de descobrirmos alguns porquês.

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História Um pouco de história para começar. As figuras da corte chegaram do mundo islâmico à Europa provavelmente no final do século 13, como parte de um maço de cartas de jogar, e eram em número de três para cada naipe – um rei, e mais outros dois oficiais menores. Não demorou muito para os europeus modificarem esse esquema, trocando os títulos das posições para ranks mais familiares a sua sociedade, e acabarem por fixar a adição de mais uma figura: a rainha. À altura do século 15, após diversas variações e a inclusão dos trunfos, o agora baralho de tarot geralmente contava com uma corte fixa composta pelas quatro figuras conhecidas até hoje – um rei, uma rainha, um cavaleiro, e um pajem ou valete. Foi provavelmente um baralho assim que, cerca de 1775, foi parar nas mãos do pastor protestante e ocultista francês Antoine Court de Gébelin (ca. 1719 – 1784), atualmente tido como o primeiro ocultista a proclamar ao mundo as supostas origens herméticas do Tarot. Estava iniciada a vida esotérica do Tarot.

Entre Gébelin e a GD passaram-se mais de cem anos, durante os quais muita coisa aconteceu com o Tarot – inclusive sua associação com a Cabala, estabelecida principalmente pelo ocultista francês Eliphas Lévi. O próprio Gébelin já havia sugerido tal relação em sua obra, especialmente entre os vinte e dois trunfos e as vinte e duas letras do alfabeto hebraico; no entanto, foi Lévi o primeiro a desenvolver tal ideia a um sistema completo, por volta de 1855. Portanto, em 1888, ano em que a GD foi fundada, a ideia de que o Tarot e a Cabala estavam ligados já contava com mais de trinta anos. Contudo, ainda que a doutrina da GD compartilhasse com Lévi tal noção (bem como muito mais), esta difere em diversos pontos das ideias do ocultista francês.

A Golden Dawn tem sua origem nos Manuscritos Cifrados, uma coleção de sessenta folhas com escrita em código, contendo, entre outras coisas, descrições de rituais e instruções sobre Tarot e Magia. O detentor de tais manuscritos era William Wynn Wescott (1848-1925), médico legista oficial e ocultista participante em diversas ordens secretas, que viria a ser um dos fundadores da GD. Grande confusão paira sobre a real origem de tais manuscritos. Segundo Wescott, os documentos chegaram às suas mãos meio que por acaso, e haviam pertencido originalmente a Frederick Hockley, importante ocultista inglês, membro proeminente de outra ordem esotérica, a Societas Rosicruciana in Anglia, ou simplesmente S.R.I.A., da qual Wescott também fazia parte. Após o falecimento de Hockley, em 1885, Wescott foi incumbido de cuidar de seus papéis, e é então que ele afirma ter encontrado os manuscritos. Essa afirmação foi, contudo, diversas vezes contestada como falsa. Inúmeras teorias especulando sobre a real origem dos tais manuscritos foram posteriormente levantadas, a maioria das quais sustentando ser Wescott um dos verdadeiros criadores dos documentos. Controvérsias à parte, o fato é que os Manuscritos Cifrados constituíram a base da doutrina da GD. Neles encontra-se a semente de uma noção que iria irremediavelmente marcar o Tarot para sempre.

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Kabbalah e Qabalah “O Tarot guarda intrínsecas ligações com a Cabala”. Sendo bem sintético, essa é a principal afirmação contida na parte dos Manuscritos Cifrados que trata das cartas. Com efeito, a Cabala é a principal filosofia e estrutura que subjaz a fundação conceitual de ordens esotéricas como a GD ou a antiga Ordem Rosacruciana – do esoterismo ocidental em geral, podemos dizer. Não exatamente a Cabala tradicional judaica, entretanto, mas a Cabala Hermética, e é importante fixar essa distinção antes de prosseguirmos.

Falando de modo geral, a Cabala Hermética, foco do nosso interesse, é fruto de um sincretismo que ocorreu principalmente durante a Renascença, e que combinou o misticismo judaico com linhas de pensamento comuns à ciência medieval e renascentista, tais como astrologia, alquimia, gnosticismo, etc. Coisas como associações planetárias e mágicas existem desde o surgimento da Cabala Hermética, que teve como principal precursor o eminente filósofo italiano Pico della Mirandola, no século 15. O estudo da história e do desenvolvimento da Cabala é um assunto extenso em si, que certamente merece ser considerado com respeito. Para nossos fins, no entanto, o mais importante é entender que, a partir de sua inclusão no corpo científico-filosófico da Renascença italiana, a Cabala Hermética passou por um extenso desenvolvimento até chegar ao ocaso da Era Vitoriana inglesa, quando do surgimento da Golden Dawn. De certa forma, os desenvolvimentos feitos pela GD nesse campo representam uma culminação da inclusão da Cabala ao sistema místico e esotérico europeu. Foi por exemplo MacGregor Mathers, outro dos fundadores e líderes da GD, quem estabeleceu a grafia Qabalah, em vez da Kabbalah tradicional, por considerá-la “…mais consistente com a língua original”, como afirma Robert Wang. A Cabala Hermética agora tinha um “nome” só dela, e tal grafia tem sido usada para distinguir as duas correntes de cabalismo desde então.

Assim, temos de um lado a Kabbalah tradicional judaica, parte da tradição judaica focada no aspecto místico dos ensinamentos; e do outro, a Qabalah Hermética, que consiste na tradição mística judaica fundida ao hermetismo ocidental. A Cabala Hermética é justamente a estrutura que sustenta o pensamento esotérico do século 19, sendo responsável pelo Tarot moderno – e tendo, por conseguinte, sustentado alterações na organização do Tarot enquanto sistema simbólico. Como as mudanças na estrutura das figuras da corte, por exemplo.

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O Tetragrammaton . . O trecho dos Manuscritos Cifrados que trata do Tarot começa assim:

Os 22 atouts do tarot, os trunfos, equivalem às letras hebraicas e aos Caminhos Yetziráticos. Aprenda agora, O Practicus de nossa antiga ordem, o verdadeiro significado do Alfa e Ômega.

Trinta e dois são os caminhos, equivalendo a 22 letras e 10 Sephirot.

As 10 Sephirot são as 10 cartas numeradas de cada naipe.

Os 4 naipes são os 4 mundos.

As 16 cartas da corte são o Tetragrammaton quaternário.

As 22 letras são os 22 atouts ou Mansões de Thoth.

(…)

[Tradução e bold meus]

Preste a atenção no trecho acima – você vai ouvir bastante sobre ele daqui pra frente. O texto prossegue fornecendo a tabela de associações e discorrendo sobre algumas delas. O Tetragrammaton ao qual o texto associa as 16 cartas da corte refere-se ao nome hebraico de Deus, י ה ו ה‎, composto por quatro letras (daí tetragrammaton, τετραγράμματον, que em grego significa algo como ‘[palavra com] quatro letras’). A palavra hebraica י ה ו ה‎, composta pelas letras yod, heh, vav, e heh, transcreve-se por YHVH. Na escrita hebraica, a exemplo de outras línguas semíticas, vogais não são grafadas, o que nos impossibilita saber com exatidão como o nome de Deus é pronunciado, “representando, por conseguinte, a natureza incognoscível de Deus”, como diz Rachel Pollack. YHVH é comumente traduzida por “Yaweh” ou “Jehovah” – daí o nome de Deus no Velho Testamento, Jeová. Havia, desde muito antes de Lévi, a noção de que esse nome é especial e poderoso. Diz-se que, na antiguidade hebraica, o sagrado nome de Deus só era proferido pelo sumo-sacerdote uma vez por ano, no ritual sagrado do Yom Kippur, ou Dia da Reconciliação – o dia mais sagrado para os judeus. Particularmente na tradição da Cabala Hermética, o tetragrammaton era tido como uma palavra mágica; quem soubesse sua exata pronúncia poderia alcançar feitos inigualáveis. A Cabala confere às letras e aos números um significado profundo. No pensamento cabalístico, letras e números são considerados forças espirituais, e cada letra possui um valor numérico. Juntando as letras de uma palavra, através de seus valores numéricos, temos um valor final que reflete a essência dessa palavra. A combinação de letras que forma o nome de deus é vista, portanto, como a chave para todos os mistérios da vida, o grande segredo sobre a existência – daí sua importância.

Talvez a coisa mais importante a se saber sobre o tetragrammaton na Cabala é que ele não é exatamente um nome, como um nome dado a alguém ou algo – ele é uma fórmula:

י ה ו ה não é realmente um nome, mas uma fórmula que revela a mecânica básica da criação e da existência humana.

[Lon Milo Duquette, Chicken Qabalah – tradução minha]

O processo descrito pelo tetragrammaton pode ser verificado ao analisarmos cada uma de suas letras. Brevemente, temos:


Na tradição da Cabala Hermética, cada letra do tetragrammaton é associada a um dos quatro Elementos primordiais gregos da seguinte maneira –

י‎

yod

Fogo

ה

heh

Água

ו

vav

Ar

ה

heh

Terra

Há outras propostas de associação, mas essa parece ter sido a que mais se fixou. Foi provavelmente com base nessa noção que Lévi estabeleceu uma correspondência entre os quatro naipes do Tarot e as quatro letras do tetragrammaton ––

י‎

yod

Fogo

Paus

ה

heh

Água

Copas

ו

vav

Ar

Espadas

ה

heh

Terra

Ouros

É possível que a concepção de que “os 4 naipes são os 4 mundos”, como está nos manuscritos cifrados da GD, tenha se originado nessa ideia de Lévi. E é justamente essa a chave para começarmos a desfazer a confusão.

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A Explicação . . . .Talvez uma das primeiras impressões de alguém que começa a entrar em contato com a Cabala seja a de que o pensamento cabalístico pende para um certo fractalismo. Existe um modelo, e esse modelo se auto-replica dentro de si mesmo, quase que infinitamente. Continue lendo, e você vai perceber o que estou dizendo.

A Manifestação – a criação, o processo em que do nada se faz o tudo – é ilustrada pela Cabala na famosa imagem da Árvore da Vida. A Árvore da Vida é um diagrama composto por dez Sephirot, ou esferas, onde cada esfera representa tanto um atributo/aspecto de Deus, quanto um estágio no processo de Manifestação. As esferas são ligadas por vinte e dois Caminhos. A Árvore da Vida, com as dez Sephirot e os vinte e dois caminhos que as unem, é um modelo do processo de criação. Ela pode ser usada tanto para representar o Universo (a totalidade da criação, da qual o nosso universo físico é parte), como para representar qualquer processo de manifestação/criação em geral. O Universo pode ser representado pela Árvore da Vida justamente por ser, ele, a Manifestação de Deus. Na Cabala, o processo da Manifestação divina segue um padrão ultérrimo que se replica nos processos que compõem esse processo, de maneira fractal. Tudo, tudo segue um mesmo padrão, um mesmo ritmo. A Árvore da Vida pretende representar esse padrão, e o tetragrammaton fornece a estrutura quaternária para isso.


Na Cabala, a criação do Universo é concebida como um processo onde Deus, o Espírito, desdobra-se em emanações sucessivas até dar origem ao nosso mundo material. Temos então quatro “estágios” – quatro Mundos. Cada mundo corresponde a uma letra do tetragrammaton. Na concepção da Cabala, o Universo divide-se nesses quatro Mundos, quatro planos distintos de manifestação. A ideia fundamental para entender isso é ver Deus como um impulso de criação que parte do estado de existência mais excelso e imaterial e “desce” rumo a um estado cada vez mais denso e material, que culmina com a criação do nosso mundo, da nossa realidade. Esse impulso é o que gera os quatro Mundos, e os quatro mundos juntos são o Universo. Sendo a Árvore da Vida uma representação do Universo, os quatro Mundos podem ser representados nela e por ela, e existem três formas de fazer isso. Para nosso propósito, a forma que vou expor agora é a mais adequada. Considerando que a Árvore da Vida é um modelo geral do processo de manifestação, e considerando ainda que cada um dos quatro mundos é parte desse processo, temos então que cada mundo pode ser representado, ele mesmo, por uma árvore individual, o que totaliza portanto quatro árvores (ver figura ao lado). Esse modelo de representação dos quatro Mundos é de suma importância para a associação dos naipes com os Mundos, e para entendermos a questão das figuras da corte.

Vou explicar. Como consta nos manuscritos cifrados, os 4 naipes são os 4 mundos; isto é, de acordo com a doutrina da GD, cada naipe é a representação de um dos mundos cabalísticos. Pois bem, se cada Mundo for visto como uma árvore composta de dez esferas, temos nos quatro mundos um total de quarenta esferas – o mesmo número do total das cartas numeradas (ás a dez) dos quatro naipes. Não é preciso pensar muito para perceber que cada uma das quarenta cartas numeradas do Tarot foi associada a uma sephirah de um dos quatro mundos, determinada pelo naipe ao qual ela pertence, e obedecendo a ordem numérica. Está nos manuscritos, “as 10 Sephirot são as 10 cartas numeradas de cada naipe”. A figura ao lado mostra um exemplo dessa ideia, com as dez cartas numeradas do naipe de Copas dispostas sobre a Árvore da Vida, representando o segundo mundo, chamado Briah, o Mundo Criativo – ao qual o naipe de Copas corresponde (clique sobre a imagem se quiser ampliá-la). O Dois de Copas, por exemplo, é Chokmah (a segunda sephirah) de Briah, ou seja, Chokmah no mundo da Criatividade.

“E quanto às figuras da corte?”, alguém pergunta. Diz o manuscrito: as 16 cartas da corte são o Tetragrammaton quaternário. Vamos prosseguir, e você vai entender.

Lembre-se, sendo cada Mundo uma parte do processo de manifestação, cada Mundo é também um processo em si. Como eu disse há pouco, o tetragrammaton é uma fórmula que aparece de várias maneiras distintas pela Árvore da Vida. Uma delas é a seguinte – em cada um dos quatro mundos, cada letra do tetragrammaton guarda relações especiais com uma entre quatro das dez sephirot, pois no processo que cada mundo representa, tais esferas são como que os pontos principais, podemos dizer. Cada uma das dezesseis cartas da corte corresponde a uma dessas quatro esferas especialmente relacionadas ao tetragrammaton, nos quatro mundos – ou seja, nos quatro naipes. É justamente nesse sentido que o texto diz que as dezesseis cartas da corte são o tetragrammaton quaternário. Assim, temos nos quatro Mundos uma expressão do tetragrammaton, e o tetragrammaton manifestando-se em cada Mundo. As figuras da corte correspondem a essa expressão particular do tetragrammaton. Da mesma maneira que elas formam uma organização independente dentro de cada naipe, o tetragrammaton na Árvore de Vida é como que um processo à parte dentro do processo geral (melhor seria dizer que ele é a espinha dorsal do processo). Foi justamente essa ideia que provocou as alterações na estrutura tradicional das cortes de cada naipe do Tarot.

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Explicando mais… . . .Antes de prosseguir, vamos precisar voltar um pouquinho e considerar brevemente a estrutura tradicional das cortes do Tarot. As quatro cortes dos naipes são organizadas mais ou menos como as cortes europeias da época em que o baralho que mais tarde se transformaria no Tarot chegou à Europa. Tudo obedece a uma hierarquia bem definida – um rei, soberano sobre tudo; abaixo dele, uma rainha, sua consorte, cuja principal responsabilidade é portar sua semente (machista, eu sei), bem como influir em suas decisões; logo abaixo da rainha, temos um cavaleiro, representante do poderio militar que está sob o comando do rei e executa suas ordens; e, finalmente, um pajem, que pode ser visto tanto como um ajudante do cavaleiro (um escudeiro), quanto um soldadinho raso, ou mesmo um servente da corte. Numa estrutura meio piramidal, a rainha está submetida ao rei, o cavaleiro ao rei e à rainha, e o pajem aos três anteriores, ocupando a base da pirâmide. Os conjuntos de figuras da corte são como as famílias de cada naipe, núcleos de relacionamentos que se ligam por meio de uma estrutura que rege as relações sociais.

Agora, vamos dar uma olhada rápida nas sephirot da Árvore da Vida. A palavra “sephirot” é a forma plural de “sephirah”, que em hebraico significa “enumeração”. Em número de dez, os nomes das sephirot são:

1. Kether, Coroa

2. Chokmah, Sabedoria

3. Binah, Compreensão

4. Chesed, Misericórdia

5. Geburah, Severidade

6. Tiphareth, Beleza

7. Netzach, Vitória

8. Hod, Esplendor

9. Yesod, Alicerce

10. Malkuth, Reino

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Falando bem sumariamente, no topo da árvore, Kether, temos a Unidade. Kether é a primeira sephirah, e representa o Uno auto-criado, pura existência. Em Kether está a origem de tudo, contida em forma de potencial não realizado. A próxima sephirah, Chokmah, é um reflexo direto de Kether, e representa a primeira centelha de força e vida que brota do Nada potencial de Kether. Chokmah é o Ser, o primeiro impulso de existência.
Como primeira emanação, Chokmah é a partícula primordial que dá inicio a tudo – pura energia e ação. Da mesma forma que Kether se polariza em Chokmah, Chokmah polariza-se em Binah, a terceira sephirah. Assim como Chokmah – o Ser – é a contraparte existencial de Kether – o Não-Ser – Binah é a contraparte feminina da força puramente masculina de Chokmah. Binah é a forma – ela recebe a energia pura de Chokmah e a impõe-lhe uma estrutura através da qual Chokmah possa executar sua ação. Mais uma vez, pense na analogia que eu usei mais cedo, da eletricidade (Chokmah) e do computador (Binah). Outra forma de se conceber a dinâmica entre Chokmah e Binah é compará-las à chama de um isqueiro – Chokmah é as faíscas geradas quando rodamos a lixa circular, e Binah é o fluido combustível que, ao ser apertado o botão, escapa em estado gasoso (veja aqui um exemplo legal disso). Da mesma forma que o gás fornece às faíscas a estrutura necessária para que elas se realizem em chama, Binah fornece a Chokmah a estrutura para que sua energia infinita dê origem ao Universo. Kether, Chokmah e Binah formam uma unidade trina (uma trindade), onde Chokmah e Binah são meramente atributos já contidos em potencial na sublimidade de Kether. Chokmah e Binah são os aspectos masculino e feminino do andrógino Kether, cuja união resulta na criação do Universo. Ambas são as duas forças opostas básicas que originam tudo. Por conseguinte, Chokmah recebe o título de Pai Supremo, e Binah é chamada Mãe Suprema.

Agora, dê uma olhada novamente na descrição das letras do tetragrammaton que eu ofereci mais acima. Podemos notar uma semelhança entre Yod e Chokmah (ambos princípios masculinos e ativos), e Heh e Binah (ambas forças femininas e receptivas); tal semelhança não é coincidência. De fato, Chokmah, é atribuído a Yod, e Binah é atribuída ao primeiro Heh do tetragrammaton. Repetindo – o tetragrammaton é o padrão subjacente da Árvore da Vida.

Bem, assim como, no tetragrammaton, a união de Yod e Heh resulta em Vav, a junção de Chokmah e Binah resulta diretamente nas seis esferas seguintes, como um raio de luz que, ao atingir um prisma, decompõe-se em sete cores. No processo da Árvore da Vida, as seis esferas abaixo do triângulo superior (Chesed, Geburah, Tiphareth, Netzach, Hod e Yesod) formam uma entidade distinta – o Filho. Tiphareth, a sexta sephirah, centraliza e rege o grupo de seis, e recebe particularmente a atribuição a Vav no tetragrammaton. Então, da mesma forma que Chokmah (o Pai) tem como consorte Binah (a Mãe), Tiphereth é a contraparte masculina de Malkuth – a Filha. Malkuth é a sephirah feminina que recebe a influência de todas as outras nove sephirot, e representa o mundo manifestado, o resultado final do processo de Manifestação que se origina em Kether, a materialização de todas as sephirot. Assim, Malkuth é o reflexo final de Kether, e essa relação entre a sephirah mais excelsa com a sephirah mais material corporifica o princípio hermético do “assim como encima, assim embaixo”. A essa altura, nem preciso dizer que Malkuth associa-se ao último Heh do nome de Deus. Resumindo pra fixar –

Chokmah

Pai

יYod

Fogo

Binah

Mãe

הHeh

Água

Tipheret

Filho

וVav

Ar

Malkuth

Filha

הHeh

Terra

Podemos ver, portanto, que a Árvore da Vida também possui sua “família”. Certo. Voltando às figuras da corte, quem quer que tenha escrito os manuscritos viu uma conexão entre os quatro personagens dos naipes e as quatro entidades do tetragrammaton na Árvore da Vida (Pai, Mãe, Filho e Filha). No entanto, algumas alterações deveriam ser feitas para que a correlação ficasse perfeita. As forças supremas e primordiais de Yod, o Pai, foram identificadas com a figura do Rei de cada naipe, o que faz sentido, levando em conta que o rei representa a força masculina suprema. Entretanto, o fato de os reis serem retratados confortavelmente sentando em seus tronos não parecia condizer muito com o caráter súbito, veloz e ativo de Yod. Já os cavaleiros, retratados montando corcéis magníficos, pareciam cair melhor com a primeira letra – então esses foram promovidos à posição de verdadeiros reis, e passaram a ilustrar a força ativa, veloz, e passageira de Yod (ou, por outro lado, poderíamos também afirmar simplesmente que, na GD, os reis passaram a ser retratados montando em cavalos, em vez de sentados em tronos). O fato das rainhas estarem sentadas em tronos fazia mais sentido, já que elas representam uma força passiva, receptiva e permanente – Heh. Os reis foram então associados às forças Vav de cada naipe, recebendo o título de príncipe e passando a ser retratados em carros puxados por cavalos – ou seja, tronos móveis – representando assim a união das forças de Yod e Heh, uma força ativa, mas mais duradoura e permanente. Assim como Vav é o resultado da combinação de Yod e Heh, os príncipes (antigos reis) são então retratados combinando os atributos velozes dos reis (cavalos) com os permanentes das rainhas (tronos). Por fim, os pajens foram identificados com o último Heh, recebendo assim o título de princesas – portadoras da combinação das forças dos reis, rainhas e príncipes, e retratadas firmemente em pé. A propósito, a mudança de gênero dos pajens oferece um equilíbrio nos gêneros da corte, que passa então a ser composta de duas entidades femininas e duas entidades masculinas.

Então, já temos nossa resposta:

Na proposta de interpretação do simbolismo do Tarot feita pela Golden Dawn, e na subseqüente inclusão das cartas no sistema esotérico desenvolvido por essa ordem hermética, as figuras da corte representam o poder do divino tetragrammaton nos quatro Mundos cabalísticos. A estrutura interna da corte foi alterada para melhor condizer com as conexões estabelecidas entre a corte e a disposição das letras do tetragrammaton pelas sephirot da Árvore da Vida. Nesse processo, os antigos cavaleiros transformaram-se nos novos reis, os antigos reis receberam o novo título de príncipes, enquanto os tradicionais pajens, ou valetes, foram renomeados princesas. As rainhas foram as únicas figuras da corte a permaneceram iguais a antes.

Na corte de seu baralho, Crowley manteve o sistema proposto pela GD. Sua única alteração foi manter o título de “Cavaleiro” para a figura correspondente a Yod. Isso nos leva a notar que, na verdade, quem mudou o título dos cavaleiros foi mesmo a GD, que os transformou em reis. Há quem diga que Crowley tenha resgatado o título de cavaleiro para salientar a virilidade desses personagens. No Crowley-Harris Thoth, Os outros títulos permaneceram os mesmos da GD – Rainha, Príncipe e Princesas.

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Resumindo, a tabela de equivalências quanto aos títulos é então –

Tradicional

Golden.Dawn

Crowley.Harris

Rei

Príncipe

Príncipe

Rainha

Rainha

Rainha

Cavaleiro

Rei

Cavaleiro

Pajem/Valete

Princesa

Princesa

Isso significa que, se você usa um baralho tradicional e precisa comparar sua corte a um baralho GD ou Crowley-Harris, de acordo com o sistema original, os reis tradicionais correspondem aos príncipes de ambos os sistemas, e os cavaleiros tradicionais correspondem aos reis na GD, e aos próprios cavaleiros no Crowley; pajens/valetes correspondem às princesas. Na dúvida, o truque é simples – verifique as associações elementais ou tetragramaticais – foram elas, afinal, o que provocou tais mudanças.

Em relação às correspondências com o tetragrammaton/elementos, a tabela é –

Tetragr.

Elemento

Tradicional

Golden.Dawn

Crowley

י Yod

Fogo

Cavaleiro

Rei

Cavaleiro

ה Heh

Água

Rainha

Rainha

Rainha

ו Vav

Ar

Rei

Príncipe

Príncipe

ה Heh

Terra

Pajem

Princesa

Princesa

Isso quer dizer que, se você tem um baralho que segue o sistema tradicional (como o RWS ou o Marseille, por exemplo) e deseja aplicar associações elementais ou cabalísticas aos ranks da corte, de acordo com o sistema proposto pela GD, os cavaleiros devem equivaler ao Fogo (Yod), os reis ao Ar (Vav), as rainhas à Água, e os pajens à Terra. Uma coisa interessante que a ligação com o tetragrammaton ocasiona é uma certa dissolução do sistema hierárquico que nos leva a um julgamento de importância. No tetragrammaton, todas as quatro letras são igualmente importantes. O abismo hierárquico entre reis e pajens, rainhas e cavaleiros, se desfaz, e todas as quatro figuras ocupam uma posição de poder e influência mais igualitária.

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Provas no RWS Depois de apresentar meus argumentos com bastante detalhe, nada melhor que algumas provas.

Embora isso não fique explícito nas imagens, Waite seguiu o sistema da GD em suas figuras da corte. O fato de Waite ter optado por manter o sistema tradicional em seu baralho muito provavelmente explica-se por sua intenção em manter ocultos os preceitos da Golden Dawn – coisa que Crowley não parece ter se preocupado em fazer. De qualquer forma, Waite ou Pamela deixaram vários sinais em seu baralho, e uma simples análise das figuras da corte do RWS à luz das descrições fornecidas pela GD é capaz de atestar isso. Uma das evidências mais gritantes de que Waite seguia o sistema de figuras da corte estabelecido pela GD pode ser encontrada na seção sobre o método da Cruz Celta em seu livro The Pictorial Key to the Tarot:

Um Cavaleiro deve ser escolhido para Significadora se o assunto da consulta é um homem de quarenta anos de idade para cima; um Rei deve ser escolhido para qualquer homem de menos de quarenta anos.

É no mínimo estranho o fato de Waite sustentar que reis sejam usados para representar indivíduos mais jovens que cavaleiros – a não ser quando levamos em conta que, para Waite, cavaleiros eram reis, e reis eram príncipes. Por mais que isso possa soar frustrante para alguns, no RWS, a colocação correta das figuras da corte está comprometida, intencionalmente disfarçada. Não podemos afirmar ser o RWS um baralho revelador; pelo contrário, ele chega a ser propositalmente enganoso. Agora, se Waite realmente quis ocultar as associações, ou se ele simplesmente usou um pouco da doutrina da GD e a misturou com outras coisas, é difícil saber.

A seguir, tratarei de alguns detalhes nas figuras da corte do RWS que evidenciam a influência da Golden Dawn nesse baralho. A maioria das explicações aqui foi tirada do site da Lelandra. Nas análises, usarei as descrições da GD para cada figura para demonstrar como os príncipes da GD e do Crowley são os reis no RWS.

Primeiro, o Rei/Príncipe de Paus. Na Golden Dawn, o Príncipe de Paus recebeu o título de “Príncipe e Imperador das Salamandras”. No Rei de Paus do RWS, podemos ver salamandras estilizadas em todo lugar – no espaldar do trono, na capa do rei. Claro, ornamentos de salamandras mordendo a própria calda, no maior estilo ouroboros, estão presentes em quase todas as personagens desse naipe; a diferença é que, no Rei de Paus, podemos ver uma salamandra de carne e osso no chão, perto de seu trono. O Rei de Paus rege os últimos dez graus do signo de Câncer, e os primeiros vinte do signo de Leão, sendo portanto predominantemente relacionado a Leão. No pescoço do rei no RWS, vemos o que parece ser um pingente de cabeça de leão. Em relação à descrição da GD, o traço mais gritante no Príncipe de Paus de Crowley é seu carro, puxado por , de novo, um leão. O texto da GD diz His chariot is drawn by a Lion.”

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O Rei/Príncipe de Copas. Um trecho da descrição da GD para esse personagem diz que “ele segura em uma mão um Lótus, e na outra uma Taça (…)”. É o que vemos nas mãos do Rei de Copas no RWS – o lótus estilizado em seu cetro, e a taça na outra mão. Em sua coroa, vemos o que parecem ser mais formas florais de lótus e, discretamente, um padrão decorativo na base que talvez poderia ser comparado a uma serpente. O texto da GD faz menção a uma serpente que sai da taça. Mais uma vez, temos o carro do Príncipe de Copas no Crowley-Harris sendo puxado por uma águia, seguindo fielmente a descrição da GD nesse quesito.

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“Um Rei alado com uma coroa alada, sentado em um carro puxado por elfos, archons ou fadas, representados como jovens alados, bem pouco vestidos, com asas de borboleta (…)”, é o que consta na descrição da Golden Dawn para o seu Príncipe de Espadas. Esse príncipe corresponde ao Rei de Espadas no RWS. Duvida? No espaldar do trono do rei do RWS, vemos borboletas e, logo atrás de seu ombro esquerdo, um pedaço de uma decoração de, justamente, jovens com asas de borboletas – fadas. Fadas e elfos são espíritos elementais do ar, e o Príncipe de Espadas é chamado na GD de “Príncipe e Imperador dos Silfos e Sílfides” (silfos são outras entidades elementais associadas ao Ar, comparáveis às fadas e aos elfos). Além disso, a descrição também menciona uma “cabeça angélica alada” no capacete do príncipe; a mesma cabeça pode ser vista na coroa do Rei de Espadas no RWS. Como de costume, o carro do Príncipe de Espadas no Crowley-Harris é puxado por pequenas figuras humanas aladas – fadinhas.

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O Rei de Ouros é associado ao signo de Touro, e podemos ver cabeças de touro por todos os lados no trono desse rei no RWS, enquanto um touro puxa o carro do Príncipe de Discos no CHT. O Príncipe de Discos de Crowley, aliás, segue à risca a descrição da GD, com seu capacete de touro alado, seu cetro com um globo encimado por uma cruz, e um globo na outra mão. O Rei de Ouros do RWS não faz por menos, segurando o mesmo cetro de globo (aqui, sem a cruz) em uma mão, e um grande disco de pentagrama na outra, bem similar ao globo. As peças estão, inclusive, nas mesmas mãos de ambos os personagens.

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Conclusão O que eu acabei de expor aqui é um eco do que permanece como consenso entre a maioria dos estudiosos sérios que se debruçaram sobre o tema. Por outro lado, alguém poderia argumentar simplesmente que a diferença entre os personagens da corte da GD e do baralho tradicional se reduz simplesmente a uma questão de como cada figura da corte é retratada – os reis GD corresponderiam ainda aos reis tradicionais, tendo a GD optado por meramente retratá-los diferentemente. A mesma coisa com os cavaleiros tradicionais – eles seriam ainda os príncipes da GD, retratados em carros, em vez de direto sobre cavalos. Ainda que se distancie da opinião da maioria, esse argumento não é de todo desprezível. De qualquer forma, minha intenção com o texto foi apresentar não simplesmente minha opinião, mas o que é comumente tido como correto entre os estudiosos do Tarot. Cada praticante tem o direito, contudo, de aplicar o set de correspondências que mais lhe fizer sentido. De qualquer forma, saber a origem das coisas e por que elas são como são é sempre fundamental, pois nos fornece bases sólidas sobre as quais podemos caminhar – e das quais poderemos dar os nossos próprios saltos.

Eu costumo ter sempre um deck por perto, e puxo uma carta toda vez que sinto necessidade. No processo inicial de composição desse texto, decidi perguntar ao Tarot sobre como eu deveria abordar essa questão das diferenças entre as figuras da corte. O baralho me respondeu com o Ás de Ouros – “qualquer que seja o seu objetivo, você deve focar-se na prática, e no que mais for funcional e natural. Dois pés no chão e realismo”. É isso que também deve guiar o leitor, creio eu. Cada um deve priorizar o que funciona melhor pra si.

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Biblio

Livros

Book T

Arthur Edward Waite – Tarô, A Sorte pelas Cartas, 1910/1985, Ediouro

Lon Milo Duquette – Chicken Qabalah, 2001, Weiser Books

Rachel Pollack – Seventy-Eight Degrees of Wisdom, 1980/2007, Weiser Books

Robert Wang – O Tarô Cabalístico, 1983/1998, Ed. Pensamento

Paul Huson – Mystical Origins of the Tarot, 2004, Destiny Books

Mary K. Greer & Tom Little – Understanding the Tarot Court, 2004. Llewellyn Worldwide, Ltd.

Papus – O Tarô dos Boêmios, 1889/2003, Ed. Martins Fontes

Israel Regardie – The Golden Dawn: a complete course in practical ceremonial magic, 1971, Llewellyn Worldwide, Ltd. (David Godwin, Indexing the Golden Dawn, appendix, pg. XXVIII)

Chic CiceroSandra Tabatha CiceroSelf-initiation into the Golden Dawn Tradition, 1995, Llewellyn Worldwide, Ltd.

John Michael Greer – The New Encyclopedia of the Occult, 2003, Llewellyn Worldwide, Ltd

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Wiki

Hermetic Order of the Golden Dawn

Eliphas Lévi

Tetragrammaton

Thoth tarot deck

Yom Kippur

Kenneth R. H. Mackenzie

Frederick Hockley

William Wynn Wescott

Cipher Manuscripts

Victorian Era

Hermetic Qabalah

Kabbalah history

Chokhmah

Binah

Tiferet

Havayah

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Sites e Artigos online

WHAT IS HIS NAME? – The Arguments for and Against Using Hebrew Names for God; Appendix 10: Names and Magic

Q. B. L. or THE BRIDE’S RECEPTION, by Frater Achad, esp. Chapter I e Chapter V

Kethar’s journal – Tetragrammaton…

Fifth Lecture or Azoth

Third Knowledge Lecture of the New Hermetics

The Key to the Kabbalah – The Four Worlds, by  Nissan Dovid Dubov

Seeing Connections – Adapted from the works of Rabbi Schneur Zalman of Liadi by Yossi Marcus

The Elemental Counterchanges of the Tarot Court, by Jennifer ShadowFox

The Tarot of the Golden Dawn, by Joseph Gurney

Correspondence Between Knights Princes Kings and Knights Between Decks, by Lelandra

Review of the Golden Dawn Magical Tarot, by Donald Michael Kraig

Como funciona um isqueiro?

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3 Comentários »

  1. Parabéns pelo texto.
    Vorat Progia Mens

    Comentário por Rodrigo — setembro 22, 2010 @ 6:17 AM

    • Brigado! Fico contente por saber que você gostou 😉

      “Vorat Progia Mens” significa o que?

      Comentário por Leonardo Dias — setembro 22, 2010 @ 6:35 PM

  2. Caro Leo,

    Excelente trabalho, parabéns! Estou pesquisando sobre essas e outras confusões nas correspondências do Tarot, como lugar do Louco (0, 21 ou 22?), inversão da Justiça (8) e Força (11), além dos Arcanos escolhidos para os Caminhos na Árvore da Vida (no 28 usa-se o Arc. 17 ou 4; no 15 usa-se o Arc. 4 ou 17?)… Enfim, seu estudo foi bastante útil. Cumprimento igualmente pelas fontes escolhidas (o site da Lelandra é ótimo mesmo). Muito obrigada,

    Elenara

    Comentário por Elenara — junho 2, 2011 @ 12:06 AM


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