Descobrindo o Tarot

outubro 13, 2010

UPDATES DE SIGNIFICADO 3 – Três de Pentáculos, Quatro de Copas, Quick Cut Exemplos

Duas cartas que me chamaram a atenção em leituras recentes, e cujo significado tomou cores novas, em consequência de seu papel em tais leituras. Já digo logo no começo – podcast AQUI.

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QUATRO DE COPAS………………..No RWS, essa carta fala basicamente de enfado, enjoo de uma coisa. Olhe para a imagem – o rapaz senta-se recostado na árvore, braços cruzados, expressão de descontentamento. Ele claramente não está satisfeito. Sua aparente falta de satisfação contrasta com a profusão de copas enormes logo em sua frente. Ainda que tem muito, ele não tem nada, pois é a insatisfação em pessoa. Observe também a mão mágica saindo de uma nuvenzinha, oferecendo-lhe um novo tipo de bebida – que ele, no entanto, mal parece perceber. Sobre essa carta, Waite diz –

Cansaço, desgosto, aversão, aborrecimentos imaginários, como se o vinho desse mundo só tivesse causado saciedade; outro vinho, como um presente mágico, é agora oferecido ao perdulário, mas ele vê aí consolo algum. Esta é também uma carta de prazer atenuado.

A ideia central da descrição de Waite parece ser a de repulsa por excesso – é o que ele sugere com a comparação do vinho do mundo causando saciedade. É interessante a gente checar os significados atribuídos a essa mesma carta por Etteilla – –

Cansaço, desgosto, descontentamento, repulsa, aversão, inimizade, ódio, horror, angústia, sofrimento mental, desânimo brando, aborrecimento doloroso, irritante, desagradável, desaventurado, incômodo.

Ainda que mais dramática, a ideia de Etteilla é a mesma – e fica claro aqui como que Waite se baseou em Etteilla na conceitualização dessa carta. Mesmo assim, eu não iria tão longe quanto Etteilla ao considerar os significados. A visão de Waite sobre ela parece ter girado mais em torno do enfastio e do desânimo brando. A última sentença da descrição de Waite, aliás, repete a definição da Golden Dawn, que chama essa carta de “Senhor do Prazer Atenuado” (‘Lord of the Blended Pleasure’).

Em uma leitura recente, essa carta apareceu para indicar justamente que a consulente estava cansada, enjoada de certa situação com uma pessoa, e que, por mais que ela gostasse dessa determinada pessoa, o aborrecimento geral da situação já não mais lhe palpitava. O sentimento estava já enchendo o saco.

O Quatro de Copas é basicamente a carta do saco cheio. Irritação, descontentamento e aversão – ou mesmo repulsa, dependendo da dignidade.

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“O Vinho do Mundo”…………………Uma coisa em particular me chamou a atenção na descrição de Waite para o Quatro de Copas – a metáfora do vinho desse mundo versus outro vinho (wine of this world, another wine). Sabemos que Waite era um profundo conhecedor do simbolismo cristão – de fato, Waite nunca deixou de considerar-se católico. O vinho é um símbolo muito usado no texto bíblico, e recebe uma série de significados ao longo dos livros da Bíblia. Essa expressão em particular, “o vinho do mundo”, é usada até hoje.

“E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissipação, mas enchei-vos do Espírito” (Efésios 5:18)

A Bíblia fala de dois tipos de vinho – o vinho do mundo, e o vinho do Espírito. O primeiro pode ser lido como uma metáfora para as coisas do mundo, que nos “embriagam” e nos conduzem à perdição – os desejos da carne, cuja satisfação traz falsa saciedade. O segundo é a fonte da verdadeira satisfação, o vinho que nos “embriaga” com a Graça divina – o próprio sangue de Cristo, de certa forma. Assim, podemos ler o trecho acima como uma admoestação para que não nos entreguemos aos prazeres falsos da carne, mas à real satisfação da Graça do Espírito.

Na imagem, as três taças diante do personagem são uma referência a esse “vinho do mundo”, o qual ele já bebeu, pois as taças encontram-se vazias. Com efeito, na carta anterior, o Três de Copas, vemos a própria embriaguez com os prazeres da vida, em uma celebração dionisíaca. A quarta taça, saída das nuvens como que por pura mágica (muito semelhante ao próprio Ás de Copas, a propósito), pode ser vista como o vinho do Espírito, a verdadeira saciedade, a felicidade real. Essa semelhança da quarta taça com o Ás de Copas é interessante, pois esse ás exibe a pomba e a hóstia em sua carta, de modo que podemos compará-lo à própria Graça do Espírito Santo. Após ter bebido do vinho do mundo e se saciado, o personagem do Quatro de Copas não consegue ver consolo no vinho do Espíritoa fairy gift como o chama Waite, fairy, que também significa “fada”, dando assim ideia de encanto sobrenatural, divino. Perceba aqui a semelhança da temática do Quatro de Copas, à luz dessa breve análise pictórica, às temáticas do Sete e do Oito de Copas, que também tratam dessa relação do indivíduo com os prazeres da carne, e os assim chamados reais prazeres do espírito.

A imagem do Quatro de Copas parece, portanto, brincar com esse simbolismo do vinho como a saciedade, ou como o preenchimento, a satisfação que nos embriaga. Mais uma vez, o teor primariamente mnemônico do simbolismo, intenção inicial do emprego de imagens nas cartas menores do RWS, parece ter sido excedido por um caráter mais profundo nesse simbolismo, onde vemos sendo posta em discussão a própria temática da real felicidade. Trocando em miúdos – temos aí mais uma evidência de que, embora a ideia inicial fosse apenas incluir desenhos nas imagens das cartas menores para facilitar a lembrança de seu significado, Pamela parece ter inserido um simbolismo mais complexo e rico nas imagens.

Agora, compare esses dois tipos de saciedade - a do Quatro de Copas e o do Nove de Copas. Em que elas são diferentes? A postura das duas figuras é até semelhante. Interessante - para tornar-se 9, o 4 precisa do 5 😉

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TRÊS DE PENTÁCULOS…………………Embora isso não seja muito mencionado por aí, a julgar pelo livro The Pictorial Key to the Tarot, a sequência dos Arcanos Menores do RWS não conta de forma crescente (Ás – Rei), mas decrescente (Rei-Ás). Isso significa que, se é verdade que cada naipe incorpora uma narrativa, tal narrativa é verificada quando olhamos o Dez como primeiro capítulo, e o Dois como o último (ases são outra história). Isso passa a fazer mais sentido quando consideramos as relações do RWS com a Cabala – todos os quatro Dez são relacionados à décima sephirah, Malkuth. Essa sephirah representa o nosso mundo manifestado, a nossa existência física, que na Cabala é vista como meramente o último estágio no processo de manifestação. Se Malkuth é o último estágio para Deus, é o primeiro para os homens – nossa existência material é o ponto de partida para nossa ascensão rumo justamente a Deus. Logo, a ideia por trás da sequência decrescente dos naipes seja talvez a de expressar a ascensão da consciência em cada plano. Sobre isso é interessante notar que o próprio sistema de graus da Golden Dawn consistia em uma alusão à sequência das sephirot da Árvore da Vida cabalística, de forma decrescente – o estudante iniciava sua trajetória na ordem como 0=0, depois partia para 1=10 (Malkuth), 2=9 (Yesod), e assim por diante, até atingir o grau mais alto, 10=1, Kether. Nesse sentido, no naipe de Espadas, por exemplo, o indivíduo passaria da total ruína do Dez de Espadas, para a conciliação do Dois de Espadas. O sol nascente do Dez então passa até a fazer mais sentido.

Enfim, eu começo falando de tudo isso porque a descrição de Waite para o Três de Pentáculos é uma boa evidência dessa ordem, que aliás é a ordem que as cartas são apresentadas no livro. Abaixo, um trecho da descrição – –

(…) Compare-se com o desenho que ilustra o Oito de Pentáculos. O aprendiz ou amador de lá recebeu sua recompensa e agora trabalha com empenho.

Tal afirmação é o suficiente para ligarmos essa carta ao Oito de Pentáculos, que realmente retrata o aprendiz, que agora se tornou um profissional célebre. Observe que, exceto pelas cores, as roupas dos dois personagens é idêntica – ele até aparece com a mesma mesa nas duas cartas, sentado em uma e de pé na outra. Seus discos, que antes se pareciam com objetos feitos em série para treinamento, no Três são vistos esculpidos em pedra na própria parede, parte da decoração – seu trabalho se condensou, tomou corpo definido e definitivo. Também, seu trabalho não é feito sozinho agora, mas é parte do contexto de um trabalho maior, feito em equipe, como a presença dos outros dois tipos de profissionais atesta.

Vista sob o contexto dessa narrativa, a imagem do Três de Pentáculos parece dar corpo também ao significado menos conhecido para essa carta – além de habilidade profissional e competência, essa carta também indica glória e sucesso em uma determinada atividade. Waite faz questão de salientar isso, quando menciona que, apesar de o Três de Pentáculos ser visto como “profissão e trabalho especializado“, ele é, contudo, “comumente visto como uma carta de nobreza, aristocracia, renome e glória“. Com essa ressalva, Waite mais uma vez veladamente se refere a Etteilla, que enche a folha para essa carta com elogios da mais alta categoria, tais como fama, esplendor, celebridade e magnificência.

Prá resumir – Três de Pentáculos = sucesso profissional. Dependendo das cartas, pode falar de reconhecimento, grande habilidade, destreza em nível profissonal, renome e fama decorrentes dessa habilidade.

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EXEMPLOS DE QUICK CUTS………………..Faz alguns dias falei sobre esse método de tiragem muito legal que condensa, num só movimento, o corte e a disposição das cartas. Andei colocando-o em prática, e aqui vão alguns exemplos de quick cuts que fiz ultimamente – –

Tá se perguntando o que essa imagem tem a ver com o texto? NADA, nada a ver, rsrsrs.


Quick cut sobre a vida amorosa de consulente que se encontra entre uma pessoa de quem ela gosta muito, mas com quem tem um relacionamento frustrado, e outra pessoa que a aprecia muito, mas de quem ela não gosta tanto (caso clássico, rs).

Nove de Espadas + Dois de Pentáculos – apesar do estado interno de angústia e desespero, a consulente busca agir e lidar com o conflito de uma forma prática. O Dois de Pentáculos nos oferece uma ótima ilustração das duas opções, sendo equilibradas com habilidade pelo malabarista.

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Consulente deseja saber se vai obter sucesso em sua corrente atividade.

Três de Pentáculos + Três de Copas – duas vezes o número três deve significar algo. O 3 é um número de muita abundância e sucesso, então isso em si já é um primeiro sinal de que o consulente terá seus esforços reconhecidos. A primeira carta da a resposta, a segunda fornece um complemento. O Três de Pentáculos, como eu já disse, fala justamente de reconhecimento profissional e sucesso; o Três de Copas só reforça essa ideia, e a tempera com cores alegres e leves. Em ambas as cartas temos também o elemento externo nas outras pessoas – esse sucesso não vem sem a participação de amigos e auxiliares.

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Consulente deseja saber como foi, para a outra pessoa, a conversa que tiveram recentemente.

Nove de Espadas + Diabo – a outra pessoa não se sentiu nem um pouco confortável. A conversa foi um terror, e deixou a pessoa arrasada por dentro. Ainda assim, por fora ela manteve as aparências. O Diabo como carta externa indica uma postura de domínio, autoridade e poder. Resumindo – a pessoa se gabou até dizer chega, puxou sardinha pra si o tempo todo, se manteve soberba, mas isso tudo foi só um expediente para esconder seu total desespero e vulnerabilidade emocional.

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SOM

O som pro podcast de hoje, mais uma vez, girou em torno do house e disco. Confira abaixo o set em detalhe – –

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O podcast já abre no clima com CLEO & PATRA, badalando com Marcus Antonius on the Run, do EP On the Nile.

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Em sequência, Untitled Love, de STILL GOING, mais uma de um EP, Spaghetti Circus/Untitled Love.

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You’ve Got Me Runnin’ é cantada por LENNY WILLIAMS, e integra o set do album Spark of Love, de 1978. Essa faixa é a base pro remix de Marcus Antonius on the Run, que abriu o podcast.

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A gente segue com HOT TODDY, Flotation Tank, do album super legal Late Night Boogie.

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Finalizando com They Call It Edit (LTJ Rework Edit), faixa composta por, IT’S A SMALL WORLD DISCO.

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