Descobrindo o Tarot

novembro 15, 2010

GATEWAY – MÉTODO COM OITO CARTAS

Filed under: Disposições — Tags:, — Leonardo Dias @ 7:08 PM

Uma das coisas que eu acho mais interessantes na prática do Tarot oracular é criar métodos de leitura. Eu costumo criar meus layouts, muitas vezes no próprio momento da consulta– deixa as coisas mais espontâneas. Há alguns meses, tive num lampejo a ideia de criar um layout que reunisse vários fatores importantes de uma vez. Passei algum tempo trabalhando a ideia na minha cabeça e, numa noite, tudo se juntou. O resultado foi um esquema de disposição de oito cartas. É dele que vamos falar aqui hoje.

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A Ideia

Desde o princípio, minha ideia foi criar uma leitura abrangente, que respondesse aos questionamentos do consulente e, ao mesmo tempo, lhe revelasse os aspectos não percebidos de si mesmo, seus atos e sua situação. Começou como um método descritivo, mas com o tempo foi se desenvolvendo a ideia de aproveitar o papel revelador do Tarot com uma leitura que também oferecesse ao consulente um vislumbre do desconhecido, do oculto agindo em sua vida.

As bases conceituais desse método erguem-se firmemente sobre uma visão que coloca o indivíduo no papel de “herói de sua própria lenda”. Isso equivale a dizer que esse layout tem por base a noção do indivíduo menos como paciente de seu destino, e mais como agente do mesmo.

O nome para o método me veio de maneira bastante espontânea. Fiquei meses pensando num nome, e foi quando eu organizava algumas notas sobre o blog que, ao anotar algo sobre essa jogada, escrevi de uma vez “Gateway”, que em inglês quer dizer “portão”, “passagem”, “entrada”. Provavelmente foi porque eu estava lendo alguma coisa que continha essa palavra alguns minutos antes, mas a palavra me veio, gostei dela, e ela ficou. A forma da disposição das cartas lembra mesmo um portal, então tudo faz sentido. As duas colunas de cartas, bem como a ideia de portal, fazem-me pensar no motivo recorrente dos pilares nas imagens do Waite-Smith (especialmente sua presença na carta da Grande Sacerdotisa), e suas associações com o feminino e a Deusa.

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O Layout

O layout do método consiste essencialmente de um par de cartas em cruz encimando duas colunas, compostas por três cartas cada. Decidi pelo formato meio que intuitivamente, e também por razões práticas – agrupar cartas em pares, um acima do outro, economiza espaço. Posteriormente, percebi que a forma do layout lembra uma porta ou portal, uma passagem, o que me sugeriu uma abertura – a descoberta de uma nova realidade, como olhos que se abrem para uma nova visão. O portal (coisas que se abrem para passagem, de modo geral) é essencialmente uma abertura e, portanto, remete à vulva; esta, por sua vez, guarda laços simbólicos com o próprio nascimento e o despertar. Portais e passagens em geral também representam a existência de uma zona fronteiriça, de uma transição entre mundos ou estados.

O processo da leitura desenrola-se num movimento que parte do indivíduo e estende-se para seu exterior, continuamente, até culminar na transposição da barreira do conhecido – o percebido – mergulhando naquele que é o mais exterior e estranho aspecto da nossa vida – o desconhecido.

As descrições de cada posição que farei mais abaixo são bastante abrangentes – no entanto eu admito que elas podem confundir um pouco na hora de jogar. Pensando nisso, preparei um resumo sobre cada posição, disponibilizado logo abaixo. As descrições posteriores servem de referência mais profunda à significação de cada posição, e minha ideia foi dar um vislumbre sobre como o tema que cada uma abrange pode ser aprofundado e expandido.

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Posições I e II

Dispostas como na pequena cruz central da Cruz Celta, as primeiras duas posições formam um par que expõe o consulente. Juntas, ambas funcionam como um ensemble, um elemento duplo formado por dois “sub-elementos” interdependentes e interagentes – pense no Taijitu, aquele símbolo famoso do yin-yang. Minhas ideias sobre a pequena cruz são muito influenciadas pelas ideias da escritora Rachel Pollack.

Para introduzir a conceitualização do par inicial, de importância cabal para essa leitura, traduzo aqui o que a própria Rachel diz, num trecho de seu livro Seventy-Eight Degrees of Wisdom, a respeito do par inicial da Cruz Celta –

“Em meu trabalho, eu desenvolvi uma forma um pouco diferente de ver as duas primeiras cartas, referindo-me a elas não como a que cobre e a ‘oposição’, mas como ‘Centro’ e ‘cruzamento’. De acordo com o contexto da leitura, defino-as como os aspectos ‘interno’ e ‘externo’, ou às vezes como o tempo ‘vertical’ e ‘horizontal’, ou simplesmente ‘ser’ e ‘fazer’. A carta Centro mostra alguma qualidade básica da pessoa, ou de sua situação. A carta cruzamento mostra então como essa qualidade afeta a pessoa, ou como ela se traduz em ação. Em outras palavras, a primeira mostra o que a pessoa é, a segunda, como ela age.” (pg. 281)

Mais adiante, ainda no mesmo capítulo, Rachel acrescenta –

“Com relação a leituras, o simbolismo da cruz pode mostrar a maneira como a substância de uma pessoa – ou seu ser interior – pode misturar-se com a forma como essa pessoa age no mundo (…)” (pg. 282)

A distinção entre as duas posições é muito importante. A primeira carta é mais estática – vertical, firme – e a segunda é mais dinâmica – horizontal, fluida. Analogicamente, podemos comparar a primeira posição à Sacerdotisa, e a segunda ao Mago – os dois princípios de passividade/atividade no simbolismo do Tarot. Entretanto, a forma que iremos interpretar o primeiro par não é única, e vai depender um pouco do contexto da leitura. Ainda que exista essa variedade de aspectos no par inicial, o básico sobre essas duas cartas é que o primeiro elemento é interior, e o segundo, exterior.

A segunda carta pode mesmo indicar uma influência imediata da situação sobre o consulente. Por exemplo, em uma leitura onde a consulente estava diante de uma decisão que envolvia escolha entre sua carreira e suas aspirações pessoais, a posição 1 identificou-a como uma analítica Rainha de Espadas, ao passo que a posição 2 abrigou a própria Justiça, a carta número 8 (ou 11). Além de identificar uma busca por harmonia, a Justiça aqui identificou a própria decisão, e a responsabilidade que dela advinha. Eu sugiro que o leitor não se deixe circunscrever por definições demais inflexíveis para as funções de cada posição, especialmente desse par. A ideia aqui é que os dois elementos se fundem em um só, e sua interação é o que vai portar a mensagem – mais que uma carta ou outra, consideradas individualmente. Rachel oferece um ótimo exemplo da interação das duas cartas em eu livro –

“O Ás de Copas no Centro indicaria um momento de felicidade na vida de uma pessoa, ou, mais precisamente, uma chance de felicidade, visto que os ases representam oportunidades. Se o Dez de Copas cruzasse o Ás, os dois implicariam que a pessoa reconhece as oportunidades e irá usá-las. Porém, se o Quatro de Copas estivesse cruzando o Ás, um significado diferente surgiria, indicando uma atitude desmotivada que impede a pessoa de apreciar o que a vida lhe oferece. A desmotivação, contudo, não cancelaria a oportunidade.” (pgs. 281-282)

Então, em resumo, podemos afirmar sobre essa pequena cruz inicial que:

  • Ambas as posições agem em conjunto e funcionam como um só fator, duplo;
  • A primeira posição é mais estática, e expõe a substância do indivíduo, um fato básico, firme e pouco mutável sobre ele – é a essência, o imaterial;
  • A segunda posição volta-se para a ação do indivíduo no dia-a-dia – é o mundo tangível, material, transitório, sua existência tridimensional sujeita ao tempo linear mundano, em oposição ao seu ser vertical, atemporal;
  • Podemos comparar as duas posições às duas partes da roda – seu eixo, centro, e sua extremidade. O centro é mais estático, enquanto a extremidade é mais dinâmica. A roda, entretanto, é fixa em sua mobilidade;
  • A coisa mais importante sobre essas duas cartas não está na natureza de uma versus a da outra, mas sim em como as duas interagem – entrelinhas, tudo está nas entrelinhas.

Uma boa sugestão é fazer exercícios somente com essas duas posições, pedindo ao Tarot que descreva alguém ou alguma situação (real, de preferência). Abra também leituras para amigos somente com essa pequena cruz, para poder ter um lastro real no exercício. Você perceberá como um simples par de cartas pode ser tão eloquente. Em seguida, alguns exemplos ilustrativos, com interpretações rápidas –

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Quatro de Copas + Enforcado – completa estagnação. Duas cartas pesadas de água. Consulente desmotivado e desinteressado que prefere observar a agir, e permanece em um círculo vicioso de não-ação/entrega. [Observe a presença do tronco de árvore em ambas as cartas, e o fato de o personagem central estar encostado no tronco, também em ambas].

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Nove de Ouros + Rei de Ouros – por um lado, extrema fartura e sensualidade. Por outro, grande refinamento e experiência, maturidade. Perfeccionismo e exigência sendo executados de maneira exemplar; muita competência. Poder pessoal e auto-confiança. [Observe a recorrência das uvas nas duas cartas; uvas remetem a Dionisos, trazendo conotações de sensualidade e prazer, como também de abundância e riqueza.]

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Valete de Copas + Enamorados – busca por um amor idealizado, fantasioso, perfeito. Entrega total ao amor, a outra pessoa. Também, alguém que se lança num projeto com paixão adolescente, pueril – entusiasmada, mas ao mesmo tempo infantil, de visão curta. Profundamente, tal par indica uma necessidade de discernir entre as fantasias e sonhos interiores e o mundo “real”, tangível..

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Seis de Copas + Ás de Paus – o consulente usa o apoio sincero dos outros para motivar-se, e agarra com as duas mãos as oportunidades oferecidas. De certa forma, ele alia um desejo de compreender o outro com um forte enfoque na ação.

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Posição III

Ainda concentrando-se no consulente, a posição III fala de sua alma. Esotericamente, o termo alma designa a junção das emoções e sentimentos com os pensamentos, a mente. Portanto, pondo numa fórmula bem simples, alma = coração + mente. Juntos, ambos formam a alma (do latim, anima), o elemento que, de fato, anima o outro par corpo etérico+corpo físico.

Existe entre nós um costume bem difundido de opor o mundo emocional à realidade mental, racional, transformando coração e mente em antagonistas. Seguindo esse princípio popular, é comum encontrarmos muitas leituras com posições separadas para as emoções e o pensamento racional, frequentemente como valores opostos. Ainda que essa não deixe de ser uma maneira efetiva de abordar as diferenças entre ambos os processos, podemos ver que, por outro lado, pensamentos e emoções funcionam/trabalham/manifestam-se costumeiramente em conjunto, de modo que se torna difícil separar uns dos outros em tão simples classificação de dois grupos. Ademais, quando pensamos em termos de impulsos cerebrais e hormônios, eu acredito que a distinção entre pensamento e emoção perde a maior parte da clareza que a ela conferimos – se é que existe de fato.

A posição III ilustra esse fator – o aspecto mutável, transitório do consulente: como ele está sentindo-se sobre o assunto, o que passa por sua cabeça, sua reação mais automática às situações, sua predisposição emocional e mental. Observe aqui o uso do gerúndio; a terceira posição enfatiza o estado de ser em constante transformação. As emoções e os pensamentos são a parte mais fluente e mutável do ser – em constante mudança e estado de alternância, são o ser menos fixo, mais fluido. Assim, se as duas primeiras posições falaram de quem o consulente é, a terceira posição fala de como ele está. A carta que cair aqui não tem duração nenhuma que não o presente. Sua função é abrir os olhos do consulente para seu estado atual, e como ele pode refletir nos outros elementos de sua situação.

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Posição IV

Chegamos aqui ao elemento que estimula o sujeito a entrar em ação – seu objeto de desejo. A quarta posição ilustra as aspirações do consulente, seus desejos e objetivos. O que ele quer, o que ele (acha que) precisa – o que o faria completo.

O papel dessa posição é proeminente, pois sua principal ação é revelar o que quebra a imobilidade do processo individual, por meio da adição de um elemento exterior que cria a diferença e, assim, traz a comparação, a dúvida e a consciência (ou impressão) de falta de completude – da individualidade em si. Sim, seus desejos te fazem ser mais você mesmo. Como eu disse antes, é o desejo que nos bota em moção (e-moção, como diz Sallie Nichols em Jung e o Tarot).

Ainda que, frequentemente, essa posição represente o ideal do consulente, muitas vezes as pessoas não são conscientes do que realmente querem. Em casos assim, a quarta posição indica o desejo real do consulente. É claro que falar em termos gerais assim é mais fácil em teoria do que na prática. Pensar sobre a natureza dos nossos desejos, e o quão conscientes deles estamos é uma questão profunda, e não cabe aqui discutirmos isso. O importante a se saber sobre essa posição é que ela, mais que simplesmente identificar, revela a natureza dos desejos do consulente, e o que eles lhe representam. Em uma leitura recente, o Diabo (carta 15) ocupou essa posição, sugerindo que a consulente desejava poder, autoridade, e extremo sucesso pessoal e material. Olhando a carta, a consulente também confessou ter alguns conflitos de moral a esse respeito – ser uma menina “boazinha”, ou ser “má” – e ir atrás do que quer.

A propósito, cartas popularmente vistas como negativas – como a carta 15 – podem ser especialmente difíceis em posições como essa. Eu acredito que a raiz desse dilema está nas nossas ideias pré-concebidas sobre o que seria uma carta ruim, e o que seria uma posição boa. Não há cartas essencialmente boas ou ruins; o que define seu caráter é a perspectiva em que são abordadas, e o contexto onde estão inseridas. Igualmente, o desejado nem sempre é uma coisa positiva, benéfica ou adequada. Ao pensar um pouco sobre esses dois pontos, você poderá perceber que o mais belo potencial dessa posição é o de justamente revelar que seus desejos e aspirações podem não ser tão “bons” quanto você pressente que eles são.

Por exemplo, o que dizer sobre um Oito de Espadas (uma carta que provavelmente todo mundo veria de cara como negativa) na quarta posição? Há mais possibilidades de interpretação do que parece. O consulente pode, por exemplo, desejar profundamente permanecer ou ocupar o papel de vítima na situação; ele pode pensar que, ao menos, vai permanecer imóvel, sem mais nenhuma grande surpresa. Geralmente, isso não é bom – mas ainda é o que ele quer. A dica aqui é – vá além do óbvio, não olhe para as cartas só pelo ângulo tido como normal, mas inverta sua visão, olhe de trás para frente – – como o Enforcado. A aventura do Tarot é essa.

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Posição V

Outra posição bastante dinâmica nessa leitura. Na verdade, já na posição 4 inauguramos o começo da aventura do indivíduo. Em busca de seu desejo, ele lança-se no mundo, colecionando nesse processo novas experiências e vendo-se diante de obstáculos – e a posição 5 fala exatamente disso, obstáculos. Aqui nos vemos diante da dificuldade que o consulente enfrenta ao tentar obter o que almeja. Pode ser tanto um fator externo, independente do indivíduo, como uma deficiência do próprio indivíduo – um traço que ele precisa desenvolver ou suprimir, controlar mais.

Simbolicamente, a importância do obstáculo é a importância do antagonista, do anti-sujeito. Nele, o indivíduo pode ver a si mesmo, pois o antagonista (o inimigo, o problema) não passa de um reflexo do próprio indivíduo. Falando de maneira bem simplificada, cada ser humano, enquanto ego, divide a totalidade do que percebe em duas partes: eu e o resto. O resto é o outro, e é outro tudo aquilo que não é eu. O outro, que no estágio anterior é desejado, nesse é repugnado. Em outras palavras, a posição 4 ilustra a face boa, atraente do mundo exterior (o outro), ao passo que sua posição seguinte revela seu aspecto repugnante, ruim. É o lado chato do mundo, a parte chata da vida.

A ideia aqui não é simplesmente aniquilar o obstáculo, mas identificá-lo, aceitá-lo e unir-se a ele (reconciliar-se seria um bom termo), num processo que pode ser comparado ao da carta 11, a Força, onde o leão é domado – dominado, não exatamente com força física, mas com um certo jeitinho. Continuando no exemplo de consulta que dei antes, a consulente que teve o Diabo na posição 4 recebeu na posição 5 o Oito de Ouros – outra carta de Terra. Foi interessante notar como tanto seu desejo como seu problema eram ambos de natureza material, concreta, e que se ela queria dominar a matéria, era preciso de fato trabalhá-la. [A imagem do Oito de Ouros é uma bela metáfora para alguém que literalmente constrói dinheiro (moedas) por meio de trabalho. Num nível profundo, o personagem da carta na verdade constrói
valor, pois seu trabalho também se traduz em experiência e aprendizado.]

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Posições VI e VII

Essas duas posições podem ser vistas como um par, pois giram em torno de uma mesma informação – a ação do indivíduo.

Depois do obstáculo da posição 5, a posição 6 indica os recursos que o consulente tem à disposição para neutralizá-lo e ir atrás de seus desejos. Nesse sentido, as posições 5 e 6 funcionam em conjunto, uma completando o sentido da outra. Deve-se sempre manter em mente que a posição 6 indica um fator disponível, porém não necessariamente utilizado. É basicamente isso – o que está ao seu alcance que pode ser usado para neutralizar ou combater seus problemas. Mais uma vez, temos o problema de cartas “ruins” nessa posição. De novo, a ideia é não prender-se a julgamentos de bom versus mal, mas inverter sua visão. O Cinco de Copas é outra daquelas cartas que poucos negariam ser uma carta negativa. No entanto, sua introversão poderia indicar que acontecimentos externos frustrantes provocam uma revisão de valores internos, por exemplo. É tudo questão de você não se deixar prender pelas suas ideias sobre o que é bom e o que é ruim – mesmo quando se tratar do Dez de Espadas, rs. No caso do RWS, geralmente a arte de Pamela tem certo grau de ambivalência – cenas tristes e pesadas sempre revelam detalhes positivos, ao passo que cenas aparentemente gloriosas tentam esconder seus cantinhos podres. Então, mais uma vez, olhe.

Agora, a posição seguinte. A diferença fundamental entre a posição 6 e a 7 está em seu dinamismo; a posição 7 é essencialmente dinâmica, indicando uma ação a ser tomada, mais do que um simples recurso disponível, que em si é estático. Imagine uma cena de teatro ou de filme: a posição 6 seria o texto a ser encenado, ao passo que a posição 7 é a atuação em si. Tal posição indica qual caminho o consulente deve seguir, qual deve ser sua atitude. A posição 2 pode ser comparada à posição 7, já que uma indica como o consulente age, e a outra, como ele deve agir. A interação entre as duas revela já se a atitude do consulente é adequada ou não, bem como onde ele pode estar errando. Uma diferença entre as duas denota uma necessidade de mudança de atitude.

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Posição VIII

A última posição é a que guarda o potencial mais interessante na leitura, porque revela ao consulente aspectos de sua situação que ele não percebe, ou não conhece. Temos aqui a presença do desconhecido na leitura, e o último estágio da abertura do portal – a revelação. O fator revelado aqui pode tanto ser em detalhe específico da situação, quanto uma espécie de moral da história, ou mesmo algum acontecimento futuro de importância proeminente.

 

 

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É isso. Futuramente, eu pretendo completar esse post com exemplos de leitura e mais discussões a respeito da Gateway. Sinta-se livre também para testar o método e me mostrar o resultado. Eu não vou ficar interpretando muito as leituras no blog, a ideia vai ser ver como as cartas e as posições se relacionam entre si.

Quando você lê cartas, você basicamente joga com significados, associações, combinações. Todo esse processo é dinâmico, e sua magia está exatamente no fato de ele ser parcialmente caótico. Técnica e intuição (basicamente o Mago e a Sacerdotisa) combinam-se. Nunca se esqueça disso.

 

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7 Comentários »

  1. Oi LEOOO
    Nesse fim de semana vou “testar” e atravessar seu gateway. Conto depois o que senti.
    Um beijo, tudo de bom

    Comentário por Luciana D — dezembro 4, 2010 @ 5:33 PM

    • Testa, e me diz como foi!

      E não deixe de participar do sorteio!

      Bjão!

      Comentário por Leonardo Dias — dezembro 5, 2010 @ 1:35 AM

  2. Leo querido,
    fiquei achando que usar a palavra “testar” soou meio presunçoso… não tive essa intenção, só quis dizer que iria partir da teoria pra prática, experiência. Testdrive. Espero não ter sido interpretada assim.

    E,sim, claro que vou participar do sorteio!!!

    beijocas, tudo de bom

    Comentário por Luciana D — dezembro 5, 2010 @ 9:13 AM

    • Relaxa, que isso sequer passou pela minha cabeça. Entendi que você ia por em prática, pra ver como era.

      E boa sorte 😉

      Abç

      Comentário por Leonardo Dias — dezembro 5, 2010 @ 2:54 PM

  3. Leo, gostei muito do esquema. Acho que já falei aqui que gosto de jogos “panorâmicos”, e essa estrutura é assim. Minha pergunta: você foi agrupando as cartas das duas colunas em função de algum eixo? Fiquei pensando nas cartas que têm duas duas colunas e na própria cabala. Tem alguma relação?
    Imagine que justo na posição 4, Desejo, caiu o cinco de espadas… como poderia desejá-lo?
    A nota interessante foi ter caído na posição 8, Desconhecido, o tr~es de bastões… justamente o que sobe pra ver de longe e conhecer… tive uma certa dificuldade com entender essa posição.
    Vou continuar “testando”…
    beijoca
    Luciana

    Comentário por Luciana D — dezembro 5, 2010 @ 9:22 PM

    • Jogo ‘terapêutico’ versus jogo divinatório – – uma das minhas motivações com esse método foi justamente desenvolver um arranjo que conciliasse essas duas tendências.

      Também, minha intenção foi mesmo criar um jogo panorâmico. No entanto, não panorâmico no sentido de examinar a vida toda da pessoa, como a conhecida Mandala Astrológica, mas no sentido de dar ferramentas para examinarmos vários aspectos de uma dada questão.

      Minha ideia de agrupar as cartas em pares formando colunas paralelas foi mais por razões práticas, e menos para significar algo. Mais por questão de espaço e harmonia visual mesmo. Você percebe alguma constante de motivo entre as duas colunas? Sua ideia é legal, no sentido de dar a pensar que, de repente, a gente poderia ler as colunas como duas tiragens de três cartas. Interessante.

      Sobre as cartas que você falou, um truque legal com essas cartas difíceis é vê-las também como forças ativas – o Cinco poderia estar indicando que você quer fazer valer seus pontos de vista a todo custo, que seu desejo ultérrimo é se impor, se prevalecer, e mesmo tripudiar sobre o oponente, que você nutre uma mentalidade de competição, separatista, e por aí vai. Já o Três de Bastões, vai depender da pergunta. Ele mostra um fator desconhecido, e essa carta fala sobre independência, exploração, precursionismo, pioneirismo, etc…

      Esse método vale a pena, continue testando sim 🙂

      Abç, e brigado pelas contribuições!

      Comentário por Leonardo Dias — dezembro 5, 2010 @ 11:23 PM

  4. Outra coisa a dizer: pessoalmente gosto muito de jogos que não são propriamente divinatórios, mas que pretendem desvendar os aspectos da pessoa, uma análise mais terapêutica. Também sob esse aspecto gostei muito dessa estrutura.

    Comentário por Luciana D — dezembro 5, 2010 @ 9:26 PM


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