Descobrindo o Tarot

dezembro 5, 2010

APRENDA OS SIGNIFICADOS DAS SUAS CARTAS DE UMA VEZ POR TODAS

Filed under: Diversos — Tags:, , , — Leonardo Dias @ 8:35 PM

Já se encontrou numa consulta lutando contra os significados das suas cartas? Já olhou pra uma carta e não teve ideia do que ela tava querendo dizer naquela leitura? Pois é, não é possível ser um leitor de cartas sem jamais passar por momentos como esses. A má notícia é que eles nunca irão sumir por completo – acostume-se; a boa notícia é que você pode sim fazer bastante coisa para que eles fiquem cada vez mais raros. Neste post, eu vou te dar algumas dicas a respeito de como realmente aprender as suas cartas, de modo a nunca mais precisar de livros para fazer boas leituras.

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Você decide que quer estudar cartasVocê quer ser capaz de lê-las, dar consultas, ver as coisas. Legal. Você então compra aquele baralho lindo, começa a procurar livros, entra em comunidades online dedicadas ao tema e começa a ler blogs sobre o assunto. Talvez até mesmo procure um curso presencial. Resumindo, você vai em busca de informação sobre Tarot. Para saber jogar as cartas, você precisa aprender; tudo nesse mundo é informação, e a informação está fora, então você sai em busca dela. Até aqui, perfeito, certo? Não – nada é perfeito, então isso também vai ter seus problemas.

O grande problema em aprender os significados das cartas através de qualquer meio externo (livros, videos, blogs, revistas… você diz) é que você sempre, de uma forma ou de outra, estará vendo a experiência de uma outra pessoa impressa ali. Explicações de cartas por outras pessoas são, no mínimo, cópias de livros de ainda outras pessoas (terceirização de conhecimento) ou, no máximo, a impressão da experiência daquele autor. Não são os significados que você percebeu; não é a experiência que você adquiriu – é só o testemunho de mais um que chegou lá. A ideia de ler as cartas não deve ser exatamente aprender, memorizar e emular a experiência e o trabalho de outra pessoa, quer ela seja seu professor, quer seja seu autor preferido, ou seu amigo tarólogo. A ideia é desenvolver meios para comunicar-se com as cartas – diretamente. É fato, as cartas que mais entendemos e os significados que mais fixamos são aqueles obtidos na prática da descoberta pessoal (seja por meio do estudo, ou durante a própria prática da leitura). Por mais que você leia ou escute uma coisa super legal sobre uma carta, que faz todo o sentido, essa coisa só vai ser real, só vai de fato existir no seu mundo, e no seu universo tarológico interior, quando ela for usada – quando você for capaz de vê-la em ação. É a diferença entre estudar o funcionamento de um motor e vê-lo funcionando na sua frente.

Pensando nisso, listei algumas ideias de como desenvolver seus próprios significados para as cartas – ou, melhor ainda, de como travar contato com as imagens e familiarizar-se com elas, a ponto de você não precisar mais de livros para te lembrarem o que já está nas imagens.

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Dê férias aos livros – fomos educados para pegar nos livros, mas agora é hora de fazer um pouco o caminho inverso e aprender a hora certa de deixá-los na estante. Livros são ótimos em condensar informação e disponibilizá-la para fácil acesso, mas evite usá-los como muleta. Especialmente numa área prática como a leitura de cartas, livros são material de apoio, e não o fim em si. Permita que os livros lhe apontem o caminho, porém saiba caminhar com seus próprios pés. Por mais que as ideias dos livros soem muito mais legais e sofisticadas que as suas, suas ideias são suas, e assim, pertencem e fazem parte de você. Isso deve valer mais do que a tese de doutorado mais linda sobre Tarot, ao menos em relação à leitura prática.

Pergunte – não entende bem uma determinada carta? Detesta ela? Separe-a do maço, olhe para sua imagem, e pergunte. Faça perguntas, lance questões. Vocalize o que você não sabe e gostaria de saber. O ato de perguntar define o foco das lacunas a serem preenchidas; ele abre um vazio a ser tampado, designa um objeto a ser buscado – nos impulsiona à ação. Depois desse brainstorm, elenque suas perguntas em uma folha – e vá atrás das respostas.

Registre – tome nota das suas impressões. Não precisa ser um diário de Tarot todo decorado, basta um bloquinho onde você seja capaz de gravar suas ideias sobre as cartas com facilidade. Para os mais sofisticados, fichários com folhas descartáveis são uma ótima ideia, pois permitem a criação de seções que você pode customizar para cada carta. Registrar também não precisa ser só escrever – se você tiver como, grave suas ideias no seu celular ou music player (o celular é ótimo pra isso, porque você pode gravar em público e fingir que está conversando com alguém, haha). O mesmo vale para suas leituras e consultas. Gravadores, nesse caso, podem ser particularmente interessantes. Posteriormente, você pode transferi-las para o papel, se quiser.

Mova-se – não deixe suas anotações mortas ali. Na próxima leitura que fizer, tente colocá-las em prática. A gente nunca pensa muito nisso, mas significados de cartas são utilitários. Sim, isso mesmo. Significados atribuídos são meios que usamos para executar algo (nesse caso, a leitura de cartas). Significados de cartas são ferramentas, e não objetos de arte. E ferramentas são feitas para serem usadas.

Pratique – você não sabe o que é nadar simplesmente lendo sobre natação; você não sabe o que é cozinhar só de olhar a receita e o modo de fazer. Se você não praticar e ficar só na teoria, nunca vai conhecer o Tarot de verdade. Ele será sempre sua borboleta linda – emoldurada e pregada na parede da sua sala.

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Pesquise – não se circunscreva a essa ou aquela lista de significados, só porque você achou ela perfeita. Não se limite a esse ou aquele autor só porque ele parece falar diretamente com você. Explore outras formas, outros meios de ver as cartas. Muitas pessoas oferecem muitas formas diferentes de interpretar os mesmos símbolos, e nem tudo é descartável. Exercite seu senso crítico e beba de diversas fontes.

Fique na sua – não perca muito o seu tempo discutindo à exaustão com outras pessoas o significado dessa ou daquela carta. Experiência pessoal – isso só leva a confusão (‘confusão’ como desentendimentos entre pessoas, e ‘confusão’ como mau entendimento de coisas). Daí, você diz, “ah, mas no outro tópico você disse pra explorar outras formas de ver as cartas…’ Bem, existe uma diferença entre abrir-se para outras perspectivas e envolver-se em semi-disputas de imposição da sua perspectiva, como numa lutinha de polegares. Significados de cartas são coisas muito pessoais – como gosto musical ou preferências sexuais – são coisas muito particulares, íntimas até. Ninguém fica querendo impor suas intimidades aos outros, certo? Perceba que isso não quer dizer que você não deve falar sobre Tarot com amigos – apenas cuide para não entrar demais em discussões sobre significados.

Compartilhe com parcimônia – a forma que cada pessoa lê as cartas é muito, muito pessoal. Por mais que haja posições, por mais que os significados das cartas sejam superficialmente consensuais, sempre haverá divergências de interpretação de uma mesma leitura entre duas pessoas. O motivo para isso é simples – cada pessoa vê cada situação de sua própria maneira, baseada em seu background e nas crenças que adquiriu com suas experiências de vida. E isso é a coisa legal sobre o Tarot, ele nos faz colocar em prática nós mesmos ali na leitura – e isso não precisa ser ruim ou parcial, quando feito com moderação. Outras pessoas sempre vão ver as coisas diferentemente de você, então não se preocupe tanto com isso.

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É isso. A ideia geral por trás das dicas é a seguinte – busque pelo seu entendimento das cartas. Quando você tiver desenvolvido uma compreensão íntima, pessoal a respeito de cada carta, elas não serão mais entes desconhecidos no seu universo interior, porém peças significativas. A ideia é justamente essa – inseri-las em seu mundo. Quando você conseguir isso, vai ser bem mais fácil ver os outros autores mais de igual para igual.

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7 Comentários »

  1. Léo, parece que voc~e escreveu pensando em mim.rsrsrs Tõ brincando, acho que há inúmeras pessoas com essa dificuldade.O que mais me tocou foi o que você comentou acerca de usarmos os livros como muletas, e é isso mesmo. Há bem pouco tempo atrás eu só sabia “ler” as cartas com o livrinho do lado. No início era até legal, pois como estava começando a descobrir e explorar esse novo mundo, então tudo era festa..eu estava “lendo”….mas infelizmente lendo sempre com um livro como muleta…aí já viu..fiquei viciado ao ponto de pegar as cartas e pegar os livros ao mesmo tempo. E como isso é desgastante…é tanta energia mental e física que gastamos para ler um significado de um de outro, que no final de tudo você diz..poxa não sei de nada, não consigo compreender, é muita informação, não nasci para essa coisa de tarô. E isso nos leva a ficarmos bem deprê.rsrsr.
    Bom, o fato é que estou me libertando dessa prática nada construtiva…sim, li muita coisa em blogs, livros..e tudo isso me ajudou no conhecimento inicial, mas agora percebo que estou numa fase de transição. Numa fase de quebra de paradigmas, para em seguida evoluir no estudo..acho que é a Torre agindo aí com força!!!hehehe. Bom ainda não parti para a prática, pois não é minha intenção divulgar que leio cartas e tal, prefiro que seja uma coisa mais pessoal, para a família e amigos. Mas isso já será uma outra fase do aprendizado.

    Bom, léo, obrigado por compartilhar suas ideias, que na verdade deram voz ao meu aperreio.rsrs. Tudo de bom e boa semana pra você.

    Comentário por Flávio — dezembro 6, 2010 @ 9:03 AM

    • Sim, no começo acho que é natural a gente precisar de algum apoio. O problema começa quando essa nossa noção moderna de imediatismo e facilidade extremos começam a entrar em ação. Todo mundo quer ir pelo caminho mais fácil, que geralmente não é o mais eficaz, e nem o mais consistente. Acho que, de quando em quando, é bom lembrar disso.

      Foi legal você comparar seu momento atual à Torre, porque depois da Torre temos a Estrela, que demarca um estado de contato completo e puro com o universo – ou, no seu caso, o Tarot. Então, essa desconstrução é parte importante do processo, à qual você faria bem em atentar e valorizar.

      Quanto à prática, eu sigo acreditando que ela deve ser buscada por todo mundo que deseja conhecer o Tarot. Independente das suas metas com ele. Dialogar com as imagens, dialogar com o consulente, tudo isso é parte do processo do Tarot, é quando os símbolos criam vida e ativamente se manifestam na objetividade. Desnecessário ressaltar – e repetir – o quanto isso é importante.

      Você me agradece por compartilhar minhas ideias, eu te agradeço pela participação e pelo apoio!

      Abç

      Comentário por Leonardo Dias — dezembro 6, 2010 @ 7:48 PM

  2. É verdade… no início queremos tanto decorar os significados dos livros que nos esquecemos do principal: ver as imagens. Fiquei bastante tempo presa demais aos livros, achando que quando eu dominasse bem o turbilhão de significados de vários livros eu leria as cartas com desenvoltura. Mas fui ficando cada vez mais travada. Então repassei os arcanos maiores só com a minha intuição (e claro… influenciada pelo que já tinha aprendido nos livros, mas não condicionada a eles), caneta e papel. Eu olhava e ia anotando tudo o que a imagem me sugeria, e assim fui perdendo o medo das imagens. Algumas foram um pouco arredias, outras deram uma piscadinha marota, outras abriram logo a boca e me contaram um monte de coisas, o Diabo debochou de mim: “Como assim nunca tinha notado isso aqui???”. Através dos livros o tarô me parecia mais um monte de deuses no Olimpo me olhando e dizendo com os olhos que eu jamais poderia entendê-los porque isso é só para pessoas muito especiais.

    Comentário por Jamile — dezembro 6, 2010 @ 1:54 PM

    • Lindo, lindo. Full contact, maravilhoso. É disso que eu gosto 🙂

      Você parece ter feito bem o que o John Ballantrae sugere no video dele, que eu acabei de publicar aqui. Muito legal!

      Brigado pela participação, e acompanhe sempre!

      Leo

      Comentário por Leonardo Dias — dezembro 6, 2010 @ 7:51 PM

  3. No livro que li a escritora dizia que o melhor geito de ler as cartas era olha-las num ambito geral e assim ver se eram boas ou ruins e que por isso nao havia a necessidade de jogar com cartas envertidas,mas,pra mim fica muito confuso porque alem de serem varias interpretaçoes possiveis nao sei le-las desse modo,por isso decidi ir contra esse preceito e jogar com as cartas envertidas(mesmo sabendo que varios tarologos acham desnecessario jogar com as cartas envertidas),hoje jogo com sistemas criados por mim.Acho muito errado esses escritores que fazen de seus pontos de vista uma regra para todos,afinal,cada um esta em uma faze de evoluçao,é como um predio,uma pessoa que esta no ultimo andar tem uma visao mais ampla do que uma pessoa que esta no primeiro andar,nao podemos dizer que “este ta certo” e “este ta errado”,ambos estao certos,sao os dois aspectos da mesma verdade.

    Comentário por Thiago — maio 6, 2011 @ 8:59 PM

    • Falou tudo, Thiago 🙂

      Comentário por Leonardo Dias — maio 6, 2011 @ 9:24 PM

  4. tou querendo aprender a ler taro se vai ser bom pramim.

    Comentário por lucelaine — setembro 13, 2012 @ 2:08 PM


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