Descobrindo o Tarot

janeiro 17, 2012

DUAS CARTAS PARA OLHOS CANSADOS

Filed under: Lembretes, Notas — Tags:, — Leonardo Dias @ 3:58 AM

Logo ao chegar ao trabalho hoje, notei certa dificuldade ao tentar ler as palavras da tela. Mais tarde, já em casa, percebi desconforto semelhante ao ler um livro. A suspeita de que poderia estar com algum tipo de desgaste visual motivou-me a consultar o tarot sobre uma ameaça mais séria à minha visão.

O Oito de Ouros foi a primeira das duas cartas que eu virei, imediatamente me evocando ideias relacionadas a estudo, trabalho e concentração. Dando perfeito eco à primeira carta, na segunda posição, o tarot colocou o Três de Ouros. O desconforto visual decorre de muito esforço, e talvez fosse legal consultar um profissional a respeito. A resposta me pareceu bastante clara.

Recorrente nas duas cenas do baralho Waite-Smith, a figura do trabalhador com cinzel e martelo é o elemento visual que nos sugere logo de cara uma relação entre as duas cartas. Tal relação, visualmente perceptível em ambas as cenas, é atestada por Waite, autor do baralho, em seu livro. Tanto o personagem do Oito quanto o do Três, arduamente focados em suas tarefas, de imediato inspiram-nos ideias relacionadas a trabalho e prática.

Todo esse excesso de trabalho facilmente me leva à pensar em esforço em demasia, sobrecarga e trabalho demais. A sutil progressão nos motivos das duas cartas na ordem da minha tirada, com o aprendiz do Oito metamorfoseando-se no mestre do Três, posteriormente me inspirou a pensar no contraste entre noções pouco experientes (as minhas) e conhecimento fundamentado (do profissional). Sutil sugestão de que seria bom procurar um oftalmo.

Tudo isso para mostrar que ler cartas não precisa ser complicado e que não precisamos nos perder em listas enormes de significados para obter uma mensagem consistente das cartas. É claro que eu já suspeitava de que estava esforçando demais minha vista; entretanto, a clara resposta do tarot, facilmente verificável quando analisamos objetivamente as imagens das cartas, serviu tanto para confirmar minha suspeita como para mostrar que meu desconforto provavelmente não sinaliza nada mais sério que isso – esforço demais.

A resposta direta à minha pergunta, então, é essa – “não é nada sério, você está sobrecarregando seus olhos”.

Simples assim 🙂

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fevereiro 18, 2011

CONFRARIA BRASILEIRA DE TAROT – EU VOU!

Filed under: Diversos, Lembretes, Notas — Tags:, , , — Leonardo Dias @ 10:28 PM

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Tarot.Intervenção artística.Exposições.Workshops.Uma lista consistente de participantes.Palestras.História.Feira.35 reais.Dias 9-10, Julho/11. Eu vou!

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Saiba mais aqui.

janeiro 28, 2011

IMPLICAÇÕES DA LEITURA – A ‘VERDADE’ x EXPECTATIVAS

Filed under: Diversos, Notas — Tags:, , , — Leonardo Dias @ 3:30 PM

Cá estou eu, de volta. Faz um bom tempo que eu não posto nada decente por aqui. O fato é que, ultimamente, eu não tenho conseguido desenvolver minhas impressões completamente. Acontece, a coisa vai e volta, então eu só fico esperando ela voltar. Porém, não se enganem – ideias e impressões são o que não falta.

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“Nunca faça uma pergunta ao seu Tarot antes de estar pronto para receber dele qualquer resposta.”

Tive esse insight esses dias, após fazer ao Tarot uma pergunta, e não receber dele a resposta que eu queria. Essa questão dá mais pano pra manga do que pode parecer à primeira vista. O que está em jogo aqui são nossos desejos e expectativas.

Perguntar algo ao Tarot é consultar um oráculo, e o oráculo diz a Verdade. Independente do que for, dentro da realidade do oráculo, o que ele diz é a verdade. Então, perceba bem em que implica isso – você está pronto para a verdade? Quais são suas motivações para consultar o oráculo? Você quer simplesmente ouvir um eco dos seus desejos, ou quer realmente, puramente saber?

Consultar as cartas por motivos errados pode te impedir de receber a mensagem que elas estão lhe oferecendo. Se você está inserido numa certa mentalidade, vai ser mais difícil avaliar o que as cartas dizem de maneira imparcial. E, sim, como vemos na carta da Justiça, a Verdade está no equilíbrio. Douglas Gibb do TarotEon.com, num texto que eu até traduzi e postei aqui, inseriu essa questão do desejo como um dos fatores por trás da falta de entendimento de determinadas cartas em uma dada leitura. “Expectativas são a ruína de uma boa leitura de Tarot. Elas acabam com a objetividade e a imparcialidade.”

Lidar com as expectativas de uma segunda pessoa durante uma consulta costuma ser bem mais simples que lidar com as nossas próprias. Jogar para si mesmo certamente exige um pouco mais de autocontrole e mesmo autoconhecimento.

Na próxima vez que você, estudante de Tarot, for consultar suas cartas (ou mesmo as de outrem) em busca de respostas para as suas perguntas, pergunte a si mesmo isso primeiro. Só o fato de pensar um pouco sobre isso já vai te trazer uma série de respostas – bem como outra leva de questões.

http://www.toofiles.com/pt/oip/audios/mp3/9103_cartasqueeudetesto-06nov201009h48a.html

janeiro 27, 2011

MATEMÁTICA DE TAROT I – IMPERADOR/TORRE

Filed under: Diversos, Lembretes, Notas — Tags:, , , , , , — Leonardo Dias @ 4:04 PM

novembro 21, 2010

CINCO DE BASTÕES- imagem

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Brincadeira.

Diversão.

Ludismo representativo.

Atuação & atividade.

Competição simulada.

Lutinhas.

Agressividade lúdica.

novembro 13, 2010

UPDATES DE SIGNIFICADO 6 – IDEIAS RELÂMPAGO

Só pra não ir dormir em branco, algumas coisas que têm permanecido na minha cabeça – insights que tive nas últimas leituras que fiz.

Cavaleiros são heróis – ampliação de horizontes. O Cavaleiro como a figura que vai além das fronteiras de seu reino, aventura-se, amplia sua visão. Força conquistadora, impulso desbravador, predominância do instinto. Também, liberdade – essa é uma palavra bem Cavaleiros que eu nunca levo em consideração. A figura do Cavaleiro também é a figura do herói, aquele que se aventura por terrenos desconhecidos – um desbravador. Os terrenos desconhecidos podem ser dentro de si mesmo – enfrentar medos, dominar impulsos. A gente vive nossas vidas num eterno processo composto de inúmeras repetições de padrão, e nos tornamos reféns disso – A Roda da Fortuna. O Cavaleiro vem justamente pra quebrar esse paradigma e trazer o novo – a novidade, a notícia, o pedaço de informação que vai criar novos paradigmas.

Quando lhe cair um cavaleiro, tenha coragem. Enfrente o dragão. Coloque-se em risco, arrisque tudo, ande na corda bamba, exponha-se, siga seu coração. Numa palavra só – viva, de verdade.

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Essa coisa de cavaleiros e terrenos desconhecidos me fez lembrar daquela faixa batidésima da Alanis Morissette, Uninvited, onde, num trecho da letra, ela diz, “Like any uncharted territory I must seem greatly intriguing” (‘como qualquer território não mapeado, eu devo parecer muito intrigante’). O cavaleiro corre atrás desse mistério, desse tesão.

O Cavaleiro de Bastões busca sua liberdade e corre atrás do novo, do estrangeiro, ele é responsável pela inovação;

O Cavaleiro de Copas vai em busca dos seus sonhos, da sua imaginação, ele mergulha fundo dentro de si mesmo, intensamente;

O Cavaleiro de Espadas luta pelos seus ideais, pelas suas verdades, inflama-se pelo que acredita;

O Cavaleiro de Pentáculos vai em busca da realização, ele trabalha para trazer ao mundo algo que ainda não existe – mas que vai existir com o seu fazer.

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Como Yod, os Cavaleiros são a força da Vida, o impulso que puxa os seus naipes como Áries encabeça e puxa o Zodíaco todo. Eles estão relacionados diretamente aos Dois, porque ambos relacionam-se a Chokmah na Árvore da Vida – –

Cavaleiro de Bastões + Dois de Bastões – Domínio, auto-afirmação, poder, ousadia, autoridade.

Cavaleiro de Copas + Dois de Copas – amor, união, harmonia, transpessoalidade, romance.

Cavaleiro de Espadas + Dois de Espadas – equilíbrio, justiça, frieza, trégua, diplomacia.

Cavaleiro de Pentáculos + Dois de Pentáculos – fluência, alternância, dinamismo, versatilidade, sensibilidade. O Dois de Pentáculos é o malabarista, aquele que eleva o sentido do tato, do físico, à sua mais alta potência – é preciso grande habilidade para fazer o malabarismo. É o contato com a matéria em sua forma mais sofisticada.

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RODA DA FORTUNA – recentemente, alguns dias após eu ter publicado meu post com a Lista Negra, a Roda da Fortuna me caiu encabeçando uma consulta, na carta que eu tiro para inaugurar a consulta inteira. Isso me obrigou a olhar para essa carta, como também meu deu a oportunidade de mergulhar dentro dela. E, lá no fundo, o que eu encontrei foi eterno movimento. O movimento da Roda da Fortuna é rápido o suficiente para te manter preso a ele, na força centrífuga que ele gera.

A Roda da Fortuna é velocidade, é constante movimentação, e intensa força. Ela é a força da vida que gira e se move constantemente, flui.

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O EREMITA – Outra carta que me apareceu recentemente em leituras. O Eremita não passa por privações porque ele não tem condições, mas porque ele quer. Então, seu estado não é de sofrimento, mas de contentamento. Um contentamento que advém justamente da ausência, da falta. É como se, na ausência, ele encontrasse a verdadeira presença; no nada, é como se ele encontrasse o tudo escondido, finalmente, onde ninguém jamais suspeitaria que ele estava.

O Eremita me faz pensar nos padres e freis antigos que faziam voto de pobreza. É privação em nome de uma causa, por um motivo específico, por uma crença. Que nem quando você deixa de comprar mais uma calça pra poder pagar um curso que você quer fazer.

O Eremita também me faz pensar em solidão voluntária – o que passa a ser solitude. Solitude é legal – você encontra uma liberdade que tem a ver com a ausência de cobranças, você passa a ser seu único chefe, e dessa liberdade vêm a responsabilidade. Ficar sozinho te faz conhecer-se melhor, muito melhor, porque seu foco externo murcha, e você tem a oportunidade de conscientemente olhar mais para si mesmo, sem pedras na mão.

Acho que o Eremita fala dessa descoberta de uma segunda instância do si, do eu. Daí a luz na mão dele. A relação do Eremita com o signo de Virgem é papo pra pesquisa e outro post.

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Hypnos e Morpheu pra mim agora J


novembro 6, 2010

CASTELO DE CARTAS

Filed under: Lembretes, Notas — Tags:, , , , — Leonardo Dias @ 5:27 AM

Imagem alternativa para a Torre – House of Cards. Se desfazendo. No ar. Existe certa beleza nisso. Como a beleza dos filmes de catástrofe (mais sobre isso logo abaixo).

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“Cortem-lhe a cabeça!” gritou a Rainha com o máximo de sua voz. Ninguém se moveu.“Quem se importa com você?” disse Alice (ela acabara de crescer até o seu tamanho normal).”Vocês não passam de um maço de cartas!”Naquele momento, todo o baralho voou pelos ares e começou a cair em sua direção (…)

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Tive um sonho com a Torre hoje. Uma voz me disse que ela é originalmente um símbolo fálico, mas que as pessoas com o tempo passaram a associar ela aos significados corriqueiros de hoje. No sonho, uma torre como que num filme de animação com papéis aparecia, com raios e chuva.

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Alguémparouprapensarque,setemumraionaTorre,éporquetavachovendo?

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Acordei com House of Cards do Radiohead, album In Raibows (2007), tocando na minha cabeça, e assim ficou por boa parte do dia.

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ATorrecorrespondeaMarte. Marte rege acidentes, catástrofes, violência – e também tem a ver com o falo, aliás (vide seu símbolo K). Pênis. (eu pessoalmente acho que essa palavra não dá muito bem o feeling do membro e si, mas tudo bem)

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Cinco segundos.

Quatro.

Três.

Talvez, um.

É o tempo pra que algo

passe de ser de tudo,

a ser nada.

É o tempo pra que algo

venha abaixo.

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Cinco segundos.

Um.

Meio.

É o tempo que dura

um orgasmo.

Ou o clímax de uma música.

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Imagem (demasiadamente) alternativa da Torre. O foguete sobe. Tem fogo, tem explosão, tem barulho, tem toda uma estrutura que se desfaz. O foguete é um falo. E ele sobre pros céus – pras estrelas.

Foguetes e exploração espacial são regidos pro Urano. Urano é visto por alguns como a ‘oitava superior’ de Marte. Talvez o foguete seja a versão hyper-moderna da Torre 😛

Como eu disse faz um tempo, eu gosto de filmes de catástrofe, tipo aqueles de fim de mundo. Abaixo, uma seleção de cenas desse estilo.


novembro 4, 2010

BACKGROUND – OU NÃO

Filed under: Audio, Notas — Tags:, , , , , — Leonardo Dias @ 3:48 AM

Antes de tudo! PODCAST AQUI!

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Desde que comecei a dar leituras de cartas para outras pessoas, eu costumo pedir ao consulente que, antes que comecemos a abrir as cartas, ele fale um pouco sobre o que o trouxe ali, quais questões ele gostaria de abordar, e quais exatamente são suas dúvidas. Ainda que alguns consulentes resistam a entrar em muitos detalhes sobre suas dúvidas – isso quando eles se dispõem a sequer fazer perguntas específicas – eu sempre procurei reforçar a importância dessa atitude de conscientização e vocalização dos anseios, por vários motivos. Primeiro, o simples ato de explicar um dilema obriga o consulente a racionalizá-lo para poder passar a informação, e isso em si o faz ter outra perspectiva de sua questão; segundo, é mais fácil para mim, como leitor, saber do que se trata a questão, para poder ler com mais exatidão a mensagem das cartas; terceiro, isso teoricamente minimizaria as chances de erro, já que parte da informação já está disponível. Os consulentes, por outro lado, podem ter uma série de motivos para evitarem tratar objetivamente de suas questões – há aqueles que são – ou encontram-se – incapazes de racionalizar suas dúvidas de forma satisfatória, e buscam no Tarot justamente uma luz nesse sentido; há ainda os que sentem necessidade de testar a ‘vidência’ do leitor, vendo se, mesmo sem questões, ele vai ser capaz de identificar do que se trata a consulta (sim, porque todo leitor de cartas tem poderes sobrenaturais ¬¬…); há também aqueles que têm vergonha…

De qualquer forma, a questão sempre girou em torno da necessidade e da importância de um background, de uma informação de base que sirva de ponto de partida para a leitura.

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Isso tudo está mudando.

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Eu nunca parei muito pra pensar sobre esse assunto, até recentemente. A coisa meio que surgiu aos poucos. Primeiro, eu percebi que vários leitores de cartas costumam traçar mapas numerológicos ou astrológicos antes da leitura, para terem uma visão mais ampla do momento em que vive o consulente, as questões que ele enfrenta, etc.. Comecei então a considerar se isso não seria legal, e logo passei a pensar em estudar algum desses sistemas para incrementar minhas leituras. Entretanto, um amigo meu, tarólogo experiente, me ofereceu um ponto de vista completamente oposto a esse que valoriza o background de uma leitura – ou ao meu, que valoriza o papel da pergunta. No início da leitura, esse meu amigo pede aos seus consulentes que não lhe digam nada – ele apenas abre as cartas e lê o que dizem. Num segundo momento, o consulente pode então fazer suas perguntas.

Essa diferença de estilos me deixou pensando. Várias perguntas pipocando – Qual o papel da pergunta na leitura? Qual a importância de uma informação de base? Que influência essas coisas têm no processo de ler cartas em si?

Primeiro, quando a gente lê cartas, vários filtros entram em ação em nossa mente. Filtros que dizem o que é cabível e o que não é, o que é socialmente aceito, e o que não é, o que é bom e o que não é. E não tem como fugir desses condicionamentos, eles são uma consequência natural da nossa educação, da cultura em que vivemos, etc.. Entram em ação a todo momento, e fazem parte da função de julgamento da nossa mente. O fato é que pensar sobre a importância do background me fez perceber que ele oferece um risco – o de justamente perder-se em condicionamentos, em formalismos. Se um leitor tem uma informação de base para leitura, seja ela advinda de mapas ou perguntas do consulente, ele corre o risco de abrir as cartas e ficar simplesmente procurando por indícios que confirmem o que foi verificado anteriormente por meio dos mapas; ou, no caso das perguntas, ele pode ater-se a apenas responder as perguntas do consulente, olhando para as cartas em busca somente dessas respostas. Filtros, lentes são postas entre os olhos mentais do leitor e as cartas – objeto de oráculo. E isso pode levá-lo a perder parte da leitura no processo.

Perguntas, em particular – e mapas, de certa forma – são meios de se especificar. “Especificar” é afunilar, reduzir um todo a certos aspectos seus, que recebem ocasional proeminência em dada situação. Especificar implica, naturalmente, em perda. Claro, a perda é necessária – só assim se limita, se define limites, e todos sabemos que são os limites que definem a forma, e é a forma que demarca a distinção de cada conteúdo. Entretanto, temos então a pergunta – qual deve ser o limite de uma leitura? Qual exatamente deve ser o peso das limitações em uma leitura?

Eu tenho pra mim que os limites de uma leitura de cartas são os limites do olhar do leitor. (eu até já falei sobre isso aqui faz pouco tempo). Sem ofensas aqui – há diferentes alcances para diferentes leitores, diferentes consulentes, com diferentes necessidades. Nada de julgamentos de valor – menos mediocridade, por favor.

No caso do meu amigo, toda essa coisa de background cai por terra. Ele tem, em sua frente, a mensagem pura das cartas. Sem nenhum fato consumado, nenhuma ‘verdade’ pré-estabelecida com a qual ter que conformar-se, ele se vê livre para ler as cartas pelo que elas são. Acaba o medo de fazer sentido com o que disse o consulente – que, muitas vezes, não passa de sua impressão bastante truncada da situação. Acaba a insegurança, e a pressão pra encaixar a mensagem das cartas numa resposta lógica à pergunta feita, ou ao que foi verificado nos mapas. Em outras palavras, a resposta das cartas não precisa ser posteriormente moldada para encaixar em nenhum vidro. Se ler cartas é pintar, basear-se em perguntas é pintar com um daqueles kits de paint by number – enquanto que meu amigo tem diante de si uma tela em branco. Pode ser mais trabalhoso, porém o resultado pode também ser mais vivo – e autêntico. E, nunca se esqueçam, pessoal, autenticidade é o que acrescenta. Ler cartas é fácil – o difícil é ser oráculo, dar corpo à Palavra.

Ler sem perguntas pode nos pôr em um contato mais inteiro com as cartas – sem temas ou questões com as quais se comprometer. Você tem as cartas por elas mesmas – o que elas dizem é o que é. Em vez de simplesmente completar enunciados ou resolver dilemas, as cartas criam, trazem o novo, inovam.

Claro, minha intenção aqui não é criticar ou condenar quem adota métodos que envolvem diagnósticos prévios ou perguntas – quem sou eu pra condenar alguém? Eu percebo que tem muita, muita gente que gosta bastante de pensar em termos de certo e errado – deve ser mais fácil, sei lá. Eu não gosto de pensar assim. “Different drums for different drummers”… Estou só lançando a questão no ar.

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Então, o que você leitor acha disso? O que lhe parece mais interessante? Perguntas são realmente importantes no primeiro momento da leitura?

novembro 3, 2010

TWITTER!

Filed under: Lembretes, Notas — Tags:, , — Leonardo Dias @ 7:26 AM

@DscobrindoTarot

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outubro 19, 2010

LER CARTAS É UMA ARTE

Filed under: Diversos, Notas — Tags:, , , , , — Leonardo Dias @ 3:08 AM

Oi, meu nome é Leonardo Dias, e eu tenho um vício – quando eu abro as cartas, eu quero interpretar e dizer tudo o que cada uma delas significa. Sabe aquelas listas de significado? Então. Eu sou um estudante em processo de desligamento delas. Uma mesma carta pode significar várias coisas, e eu, na minha loucura, tenho essa vontade de saber e poder dizer tudo, tudo o que cada carta está mostrando. Não sei bem por que – é natural, quando eu vejo, já estou fazendo. Acho que tem a ver com uma vontade de cobrir todas as possibilidades, de ser completo. Também, se eu disser tudo o que cada carta significa, a chance de errar é bem menor.

Isso tudo é insegurança.

Primeiro porque começar uma leitura já com medo de errar já é subverter a coisa toda. A ideia não é acertar ou errar; não é uma competição, ou uma exibição do quão “bom” eu sou (todo mundo diz isso, mas ninguém realmente sente isso, claaro que rola um ego – mas tudo bem…). Essa procura por “acertar” por “ser bom”, por ser “batata” (‘gente, eu vi cartas com fulano, e nossa, ele é batata, acertou tudinho!’) é um erro de concepção. A batateza de um leitor depende de tanta coisa… A ideia de ler cartas é estabelecer um diálogo, é interpretar os sinais – e não provar algo pra si mesmo, ou ser melhor que alguém. Claro, conhecimento técnico, método, etc, tudo isso está super em jogo, mas a coisa toda é bem mais Copas do que Bastões – acho que todo mundo concorda. Do jeito que eu racionalmente vejo as coisas, um bom leitor de cartas se faz sim de técnica e conhecimento, mas pro pão crescer você precisa de fermento e calor, e a intuição, a imaginação, essas com certeza são quentes – e vivas, rs.

Esse ímpeto megalomaníaco que eu tenho fica bem ridículo quando eu percebo que querer dizer todos os significados de cada uma das cartas de uma leitura é comparável a querer saber todas as acepções de cada uma das palavras de uma frase, rs. Pense em como isso soa completamente nonsense. Mesmo assim, é isso o que eu (e provavelmente você também) sinto vontade de fazer quando começo a ler as cartas. Como se quanto mais significados eu fosse lançando, melhor ficasse a leitura…

Como eu disse, isso é insegurança. A gente não tem certeza da nossa própria habilidade, do nosso feeling, e então fica recorrendo a esses expedientes racionalizadores da mente. A insegurança vem da mente – a mente é insegura por natureza. A mente duvida de tudo. A mente quer organizar tudo em um mundinho seguro onde cada coisa funciona exatamente como deveria, e onde existe controle total sobre tudo (salve, Osho, rs). Quer dizer, um mundinho chato. É nessas horas que a Torre me parece uma carta divertida, haha.

Cartas em leituras são mais que coleções de significados. É como eu sempre digo, elas são coisas vivas, como plantas num jardim. E praqueles que já estão torcendo o nariz pra essa visão mais orgânica, basta lembrar que a própria vida, com suas miríades de eventos aparentemente encadeados numa linha de tempo, um influenciando o outro, um provocando o outro, um interferindo no outro – isso em si já é orgânico.

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Cartas em uma leitura palavras em uma frase

Cartas em uma leitura = cores em uma pintura

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E então, eu percebo que eu não preciso ver as cartas em uma leitura só como palavras em uma frase – eu também posso vê-las como cores em uma pintura! Olhe um quadro de que você gosta. De preferência um desses bem impressionistas, ou abstratos – e que seja de um pintor competente. Observe como as cores dançam, como cada matiz contribui pro sentimento que a pintura evoca, como cada cor se define mais por seu lugar junto com as outras que por si mesma em particular. Não é diferente com as cartas.

Essa ideia de ver as cartas como cores me agrada. Não é uma ideia nova – já vi baralhos que exploram profundamente a questão da cor nas imagens, e vi mesmo baralhos que chegam a substituir as imagens por cores. De qualquer forma, a ideia me agrada porque cores são menos definíveis que palavras. O que é um azul? E um malva? O que é um fúcsia? Por outro lado, as cores falam conosco de uma forma mais contundente – como as imagens.

Observe a imagem abaixo –

Os rosas do lado esquerdo, por exemplo, parecem bem mais vivos que os do direito; os verdes parecem ser de tons diferentes. Não se engane – todas as cores nas duas imagens são do mesmo tom – exceto pela cor de fundo, que de um lado é amarela e, no outro, muda pra azul. As cores nos parecem diferentes porque se cria uma ilusão de ótica, chamada efeito Bezold, onde uma cor é percebida de maneira diferente de acordo com as cores que a circundam. Eu posso pensar que nossa mente tende a interpretar a imagem como um todo e, nesse processo, a avaliação precisa dos matizes acaba se comprometendo. Cartas se comportam de forma parecida. A proximidade de outras cartas vai afetar o significado de uma certa carta, de forma que um grupo de cartas acaba por ter uma dinâmica própria, onde cada elemento influencia e é influenciado pelos demais. Acha isso viajação? Qua tipo de relação você acha que existe entre você, seu computador, a cadeira onde você deve estar sentado, seu prédio, etc, etc? Tudo parece funcionar assim. Física…

O significado do grupo deve ser considerado antes que o significado de cada carta

Olhe para um grupo de cartas como um grupo de cartas. Elas estão ali, juntas, interagindo uma com as outras, mesmo que não a ponto de perderem suas essências. Considere a natureza desse grupo, antes de considerar cada um de seus elementos. Existe alguma recorrência de padrões, motivos, cores, formas, ideias? Para que direção esse movimento pende?

Esses dias, fazendo um video sobre um outro assunto, eu tive um insight que pontou essa questão de falar todos os significados (bem, eu nem sabia que isso era uma questão até eu ter o insight, haha) – –

Você pode olhar para o Dois de Pentáculos, como na figura acima, e escolher só a ideia relacionada a juggling, por exemplo. Daí, vem a questão – mas como, como, como decidir entre os diversos significados? Como saber quando o Pajem de Copas vem anunciar um bebê, ou quando ele fala de um novo amor, ou quando ele fala de imaginação e sensibilidade, ou quando ele mostra um rapaz – ou uma moça – sensível e delicado, ou quando ele indica fantasia descabida, ou romantismo?? Bem…

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Se eu tivesse uma resposta precisa e exata para essa pergunta, eu provavelmente já estaria rico

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Intuição. Imaginação. Feeling. São algumas das palavras que me vêm à mente. Coerência também. “Cabimento” é outra palavra ótima. Noção também é legal. Mas, assim, certinho, explicadinho em três passos simples, ninguém tem essa resposta (ou, ao menos, pensar assim me deixa mais tranqüilo, rsrs). Você constrói o seu Tarot conforme vai caminhando, e essa é a graça da coisa. Não ter um método padrão, uma cartilha, uma bíblia – isso é o legal. Pelo amor de Deus, o Louco, afinal de contas! Você tá lendo. Você olha pra carta e, pam!, você vê o que ela quer dizer. Daí, várias cartas juntas te dão vários pam!’s, então uma carta começa a provocar a outra, até a coisa toda começar a estourar como pipoca. É simples assim. É complexo assim.

Agora, o que você vai fazer com esses pam!’s, isso é decisão sua. Você pode dar-lhes ouvido e seguir a linha de pensamento que eles indicam – pode também dizer “ah, sim, verdade, mas além desse pam, esse Dois de Copas também pode querer dizer isso, e isso, e isso também, de acordo com a listinha tal…” , no ledo engano de confundir quantidade com qualidade.

Ler cartas é uma arte – é sensibilidade, é permitir-se inspirar por cada imagem, e é, inclusive, a arte do desapego, de saber desistir de certas coisas e fazer escolhas, e buscar a tão sonhada precisão (aaai, isso soou tão Lya Luft). E nem eu e nem você vamos jamais conseguir “ser bom” se não começarmos a exercitar esse desapego e essa capacidade de fazer escolhas desde já – e eu disse já, agora.

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Mas eu digo uma coisa – a melhor maneira de não ler cartas de Tarot é começar a leitura já com megalomania. Palavra de ariano 😉

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