Descobrindo o Tarot

junho 21, 2011

Somente o que você vê

Filed under: Diversos, Uncategorized, Videos — Tags:, , , , — Leonardo Dias @ 4:24 AM

Você já parou pra pensar mais ou menos que tipo de contato você deseja travar com as suas cartas? Hoje, enquanto eu escutava música, fiquei pensando em que tipo de contato com as cartas do Tarot seria o ideal pra mim – e em como isso pode ser comparável com a minha experiência de escutar música, em particular – e de experimentar a vida, em geral. O resultado é a viajação desse video. Espero ter conseguido fazer ao menos uma sombra de ponto…

 

janeiro 22, 2011

drops

Filed under: Uncategorized — Tags: — Leonardo Dias @ 8:36 AM

rule of thumb – nunca faça uma pergunta ao seu Tarot antes de estar pronto para receber dele qualquer resposta.

junho 11, 2010

NEWS I

Filed under: Uncategorized — Tags:, , — Leonardo Dias @ 7:14 AM

Primeiro video com news sobre o blog e atualizações em geral. Comentem, questionem, deem notas 😉

dezembro 21, 2009

Quem será que encheu o Ás de Copas? Uma suspeita…

Filed under: Uncategorized — Tags:, , , — Leonardo Dias @ 3:34 AM

setembro 1, 2009

As Figuras da Corte

Filed under: Uncategorized — Tags:, — Leonardo Dias @ 2:33 AM

Figuras da Corte

As Figuras da Corte são talvez as cartas menos compreendidas do Tarot. Sua presença em uma leitura sempre dá espaço para confusão, especialmente para quem está começando, e mesmo para aqueles que já têm alguma experiência com as cartas.

Seguindo a tendência do Tarot como um todo, a maneira de interpretar as figuras da corte foi se modificando através do tempo, conforme as mudanças que a nossa mentalidade foi sofrendo. Assim, tais cartas passaram de representações de estereótipos físicos a indicadoras de traços de personalidade e disposições psicológicas. Foi talvez nelas que a influência da psicologia moderna sobre o Tarot fez-se mais presente – o estabelecimento de associações entre as figuras da corte e a teoria das quatro funções da psique, de Jung, por exemplo.

Eu pessoalmente prefiro deixar de lado as associações de características físicas às figuras da corte. Em leituras, não levo em consideração traços físicos, ou mesmo o gênero (rainhas = mulheres; reis = homens maduros, cavaleiros = rapazes) das figuras. Realmente, é muito mais comum eu interpretá-las como disposições psicológicas (uma Rainha de Copas poderia indicar sensibilidade; um Cavaleiro de Paus, senso de aventura e auto-afirmação), ou mesmo como acontecimentos. O que a gente tem que manter claro é que, mesmo representando acontecimentos, as figuras da corte essencialmente representam a parte pessoal do Tarot. Eu gosto de pensar nelas como os personagens das histórias contadas pelos Arcanos Maiores (os temas e conceitos-chave) e pelos Arcanos Menores (as situações e os acontecimentos).

Seguindo a corrente mais moderna de abordagem dessas cartas, uma forma de vermos as Figuras da Corte seria como estágios do desenvolvimento psicológico e pessoal das pessoas em um determinado campo ou questão. Mais abaixo, tentarei sumarizar essa minha ideia.

A ideia é enxergar o ranking das figuras da corte da mesma forma que a gente vê a escala de desenvolvimento das idades das pessoas. Dessa forma –

Os Valetes representariam a infância, com sua imaturidade e inocência, mas sua energia vibrante e entusiasmo, amor pela vida;

Os Cavaleiros seriam a adolescência, com seu inconformismo meio cego, suas paixões e precipitações, e seu desejo incontrolável de explorar. O amor inocente pela vida dos valetes se transformou no desejo de abraçar o mundo com as pernas dos cavaleiros;

As Rainhas seriam então a idade adulta, com experiência e sensibilidade. As rainhas também representam a maternidade, e a capacidade de gerar e cuidar de filhos;

Por fim, os Reis seriam a maturidade, a idade onde começamos a transcender muitas das questões contra as quais passamos a vida toda debatendo.

ASSOCIAÇÕES ELEMENTAIS

Entre o final do século XIX e o começo do século XX, acredito, no pleno fluxo do movimento de “renascimento” do Tarot e do Ocultismo geral, cada nível das figuras da corte foi atribuído um elemento. Tais atribuições são muito úteis no aprendizado do conceito dessas cartas. As atribuições podem variar, mas geralmente são–

Valetes – Terra

Cavaleiros – Fogo

Rainhas – Água

Reis – Ar

Através de tais associações, podemos fazer algumas considerações que podem nos ajudar bastante na compreensão da corte do Tarot.

Os valetes, associados ao elemento Terra, automaticamente se ligam à função psíquica da sensação – a percepção consciente através dos órgãos dos sentidos, e dos estímulos físicos. Essas figuras da corte estão sempre em contato direto, livre de abstrações, com o mundo ao seu redor. Para eles, seus sentimentos, fantasias e pensamentos se confundem com o mundo – não existe diferença entre um em outro, daí a inocência geralmente a elas atribuída. Os valetes levam as coisas ao pé da letra. Seus desejos, vontades e impulsos são experimentados fisicamente.

Seguindo a lógica, os cavaleiros seriam associados à função psíquica da intuição, e ao elemento Fogo. Poderíamos definir a intuição, na forma como Jung usou a palavra, como as ideias, inspirações e criações que não se originam diretamente da atividade mental, nem dos estímulos físicos. São aqueles sentimentos arrebatadores que se manifestam espontaneamente em nós. Da mesma forma, os cavaleiros perseguem seus ideais e desejos sem saber direito por que ou como – eles simplesmente sabem que têm que correr atrás de algo. Os cavaleiros nunca param, eles sempre estão em busca de uma satisfação que, mal sabem eles, não será encontrada no mundo exterior. Eles são criativos, transbordando de inspiração e crença.

É nas rainhas que essa busca pela satisfação exterior cessa. Associadas ao elemento Água e à função psíquica do sentimento, as rainhas simbolizam um processo de internalização. A função psíquica do sentimento pode ser definida essencialmente como a interpretação das coisas tendo como base o quanto elas são agradáveis ou desagradáveis. É o que as pessoas mais sentimentais tendem a fazer. As rainhas escutam seus sentimentos, e seu coração – mais do que seu corpo, como os valetes, ou seus desejos, como os cavaleiros. É senso comum que, como na Idade Média, as rainhas sirvam como mediadoras na corte do Tarot. Elas são a manifestação do feminino. Os valetes, apesar de retratados como entidades masculinas, são assexuados, como as crianças; já os cavaleiros são a primeira manifestação do masculino, da potencia fecundadora. As rainhas, assim, seriam o receptáculo dessa força.

Finalmente, os reis. Associados ao elemento Ar, naturalmente podemos atribuir-lhes a função psíquica do pensamentoa capacidade de racionalizar, de analisar as coisas racionalmente. A faculdade do pensamento pode definir-se pela habilidade de combinar ideias, imagens mentais, e assim formar pensamentos e abstrações. A palavra “pensar” tem origem comum com a palavra “pesar”. Ambas vêm da palavra latina para “suspender”, “pendurar”, em uma relação direta com a suspensão dos dois pratos da balança, onde pesamos os conceitos. Similarmente, o pensamento combina os opostos, com o objetivo de encontrar um meio-termo. Essa era, afinal, a função dos reis – a de juízes, definidores da verdade, e criadores da justiça. Mais do que todas as outras figuras, os reis vivem completamente imersos nas abstrações. Sua relação com a realidade é oposta à dos valetes – ela é inteiramente calcada em concepções e valores. Podemos perceber isso claramente comparando, por exemplo, o valete e o rei do naipe de Copas do baralho Waite-Smith –

Valete e Rei de Copas

Observe como o valete segura o cálice e parece conversar com o peixe que sai de dentro dele. Em contrapartida, o rei tem o cálice vazio, apenas representativo, e o peixe é o pingente de seu colar – não um peixe real, mas um simulacro; apesar de estar no meio do mar, seus pés estão firmes no chão de seu trono.

Essa última parte do texto sugeriu a existência de uma espécie de progressão existente dos valetes aos reis – da experiência básica à completa abstração da realidade. Nos posts seguintes, vamos explorar mais a fundo esse simbolismo, e sua associação com o tetragrammaton, a palavra sagrada. Vou escrever também posts especiais sobre o conceito dos quatro elementos, conhecimento básico para a compreensão da lógica existente por trás do Tarot.


agosto 14, 2009

Minha definição de Tarot

Filed under: Uncategorized — Tags: — Leonardo Dias @ 7:45 AM
Acho que todo mundo tem alguma noção, mais ou menos acurada, mais ou menos preconceituosa, do que é o Tarot. “Um jogo de cartas com desenhos intrigantes que algumas pessoas usam para ler a sorte”, acho que seria o que a maioria diria. Bem simples, realmente. E não deixa de ser verdade. Muitas definições já foram feitas pro Tarot, e eu já li algumas delas. Já que esse blog visa passar a minha visão e concepções sobre as cartas, nada mais apropriado do que começar pelo começo e tentar dar a minha ideia do que é o Tarot.

Sim, o Tarot é também um jogo de cartas com desenhos intrigantes que as pessoas usam pra ler a sorte de outras (geralmente desesperadas o suficiente pra confiar sua sorte a cartas – e o pior, sem jogatina a dinheiro envolvidos, rs). Contudo, mais além do que pode ser visto na superfície, existe uma lógica por trás dessas cartas com desenhos – uma lógica que consegue ser bastante complexa, e consistente.

Desde que apareceu, em aproximadamente 1430, na Itália renascentista, o Tarot passou por uma série de mudanças para ser o que é hoje. Como qualquer linguagem, ele foi acompanhando as mudanças que a nossa sociedade foi sofrendo ao longo da história. Pra ser objetivo, o Tarot hoje é um grupo de 78 cartas, cada uma com uma imagem, nome e número próprio. Existe sim uma série de pormenores que definem o que faz um pacote de cartas ser Tarot ou não e, mesmo hoje em dia, com todo o tipo de gente fazendo todo o tipo de coisa com o Tarot, ele ainda continua sendo basicamente um conjunto de 78 cartas com imagens, cada uma com número definido. É consenso entre os que estudam o Tarot que suas imagens parecem compor uma espécie de sequencia, como num livro sem palavras escritas. Qualquer um que olhar com mais atenção para as cartas vai perceber indícios disso. Algumas coisas me fazem pensar que essa característica do Tarot sofreu, ao longo do tempo, um gradual realce. Num nível mais primário, poderíamos enxergar o Tarot como um conjunto de conceitos agrupados em um sistema.

Aliás, “sistema” seria uma boa palavra pra definir uma das características mais proeminentes do Tarot. Geralmente a palavra “sistema” pode ser definida como “um conjunto de elementos interconectados ou interdependentes que formam um todo organizado”. Eu costumo explicar, pra todo mundo que vem me perguntar, que o Tarot é basicamente uma linguagem – um sistema de comunicação. A linguagem de sinais dos surdos, as várias línguas faladas do mundo, a escrita, o Tarot – todos têm em comum a característica de serem formas de comunicação. Aprender Tarot não é muito diferente de aprender a entender um outro idioma. É preciso basicamente aprender o significado de cada elemento e desenvolver a capacidade de extrair sentido de suas combinações. Nesse aspecto, uma leitura de Tarot é suficientemente semelhante a uma frase, ou mesmo a um poema ou um texto. A diferença é que, no desenvolvimento da interpretação das cartas, a capacidade de compreender é mais importante e necessária do que a capacidade de efetivamente produzir significado através dos símbolos. A pessoa que interpreta as cartas é basicamente o receptor de uma mensagem – ela realmente as cartas, extraindo dos símbolos significado.

Outro aspecto do Tarot que é digno de menção é o caráter lúdico que as cartas têm. Para quem não sabe, o lúdico (do latim, ludus, “jogo”, “brincadeira”) refere-se ao instinto de brincar imanente a todo ser humano, bem como a muitas outras espécies. Em seus primórdios, esse baralho era usado como um jogo de cartas comum, num jogo que talvez pudesse ser comparado aos jogos de cartas colecionáveis dos dias atuais, tipo o Magic. Até hoje, mesmo que meio soterrado por todo o esoterismo associado às cartas ao longo do tempo (o que muitas vezes acaba conferindo certa gravidade desnecessária às leituras, na minha opinião) esse ludismo do Tarot ainda perdura, mesmo que de forma tênue. Embaralhar um pacote de cartas e tirar algumas ao acaso conserva ainda algo de lúdico, de brincadeira. Uma coisa que sempre me chamou a atenção é que, no falar coloquial, frequentemente se usa a palavra “jogar” para nomear o ato de interpretar as cartas. De certa forma, as pessoas associam o dispor das cartas de uma consulta de Tarot ao dispor de cartas de uma rodada de baralho. Psicologicamente, a brincadeira é considerada um mecanismo que pode servir como forma de projeção, e mesmo válvula de escape para uma série de coisas. No brincar podemos encontrar uma chance de dizer, pensar e fazer (ou seja, extrair de dentro de nós) coisas que, muitas vezes, nunca seríamos capazes de fazer “a sério”. O jogo, o tabuleiro, servem como uma representação do mundo, do universo onde as diversas forças que o compõem interagem umas com as outras. De maneira geral, essa regra se aplica a qualquer tipo de jogo – inclusive o Tarot. De acordo com esse ponto de vista, uma leitura de Tarot seria então uma representação das forças que se manifestam e se interatuam em determinado momento.

Seja com for, mesmo com toda especulação e pesquisa que existe sobre as cartas nos dias de hoje, o Tarot sempre conserva algo de mutável e flexível. Geralmente às margens do mainstream que é considerado racional e sério, o Tarot me faz lembrar muito do Louco, a carta sem número do Tarot, geralmente numerada como zero. O Louco é o andarilho, o sem destino, o bobo da corte, a figura que encerra em si, em forma potencial, todas as possibilidades – assim como o Tarot que pode ser visto como uma coleção de tudo o que existe, com uma carta para cada coisa. O louco abrindo o baralho como o número zero me faz ver essa carta como o primeiro mensageiro do Tarot, sugerindo o caráter mais natural do Tarot – sua mutabilidade, sua multiplicidade, e o fato de ele nunca ser completamente compreensível.

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