Descobrindo o Tarot

setembro 30, 2010

NOTAS / UPDATES – – significados concretos + ouros nomes + card counting + lady gaga! + cortando + leitura relâmpago + espírito?

Alguns updates dignos de notas – ou algumas notas dignas de update – depende de como você vê, rs.

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Leituras não-posicionais + Significados concretos. . . . .Esses dias, coincidentemente ou não, eu tenho visto por aí muito essa questão de significados mais concretos para as cartas. O fato é que eu já vi mais de uma vez pessoas dizendo que as leituras podem ficar mais fáceis quando cada carta significa menos coisas – ou quando você não flexiona os significados das cartas demais. Tipo, Dois de Ouros = comércio, troca – e só. Mas eu flexiono. Bastante. Em geral, eu costumo atribuir certo conceito raiz para uma carta, que é o que eu identifico como sendo a ideia central dela, através da imagem e do que se estabeleceu como seu significado, como também através de coisas como seu lugar no sistema de correspondências da Golden Dawn. E eu trabalho com isso. Desse ponto de vista mais conceitualizador, as coisas se definem pouco. O Dois de Ouros pode indicar coisas como flexibilidade, troca, alternação, brincadeira, jogo, diversão, mobilidade, sutileza, agilidade, trocas, mensagens, etc etc. Na prática, isso pode confundir, admito. Mas, eu sempre penso isso, e quando a pessoa pergunta sobre, sei lá, amor, e cai o Dois de Ouros? Se a gente não flexiona os significados, a resposta vai ser algo como comércio, ou viagens? Agora, isso sim confunde. Eu nunca gostei muito da ideia de trabalhar com uma gama de significados reduzida por achar isso empobrecedor, porém, praticando mais com leituras não-posicionais, tenho visto que chega a ser uma necessidade. A coisa muda de figura.

Quando a gente joga com a estrutura pronta das leituras posicionais, é mais fácil flexionar os significados, fazer abstrações encima deles, porque você tem a estrutura das posições na espinha dorsal do processo, e você não se perde. Você tem um ponto de referência concreto à disposição. Assim, um Dois de Ouros pode ser mais que simplesmente transações financeiras e comércio – pode falar de flexibilidade e versatilidade, por exemplo. Isso fica mais difícil quando você não tem nada mais que as cartas para ler. Sem posições, e mesmo sem temas. Assim, de certa forma, eu to meio que descobrindo o valor de ver o naipe de Ouros só falando de dinheiro, e o de Copas só de relacionamentos. No Pictorial Key to the Tarot, Waite segue mais essa linha de pensamento, dando a cada carta significados bem concretos e simples, geralmente muito bem retratados e sumarizados em sua respectiva imagem. Mas, claro, nada deve ser gravado em pedra também. Se a gente pensar nas cartas como forças, a gente percebe que elas podem se manifestar de várias formas diferentes. Uma leitura, e especialmente uma leitura sem posições, se torna meio que um mapa das forças atuantes naquele momento. Já falei isso por aqui

De qualquer forma, fica a ideia. Significados concretos tornam a leitura mais tangível, tanto para o leitor como para o consulente. E isso não pode ser nada senão proveitoso – afinal de contas, estamos em Assiah, o mundo da ação, em não em Yetzirah, ou Briah 😉

Talvez chegou a hora de buscar um pouco mais de concretude nas minhas leituras. Mmm…

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O nome do Naipe de Terra . . . . .Eu tenho pra mim que, concernente ao nome e à identificação, o naipe do elemento Terra é o mais variado dos quatro. Tradicionalmente chamado de Moedas (Coins), ele passou a ser chamado de Pentáculos (Pentacles, em inglês, Pantacle, em francês) no século 18/19 e, posteriormente, Discos (Disks). Seu símbolo também mudou um pouco, com as moedas sendo substituídas por discos com pentagramas gravados neles. Pra quem não sabe, pentagramas são aquelas estrelas de cinco pontas que a gente encontra nos discos do naipe de Ouros do RWS, por exemplo. E, eventualmente, no pescoço desse ou daquele wiccano, no metro, na padaria, na balada…

O que eu tenho pensado é, já que eu uso o RWS, talvez eu devesse usar aqui no blog uma nomenclatura mais fiel à terminologia empregada nesse baralho para denominar cada naipe. Na prática, Ouros passaria a ser Pentáculos ou Pentagramas, e Paus passaria a ser Bastões, ou mesmo Cetros – uma tradução mais adequada de Wands, em inglês. Em português não existe distinção entre a nomenclatura dos naipes do Tarot e do baralho comum – em inglês existe. Dá uma olhada na tabelinha – –


Isso sempre me confunde demais, de forma que, se eu vou jogar baralho com algum amigo que fala inglês, eu acabo sempre dizendo os nomes dos naipes em tarotês, e todo mundo fica olhando pra minha cara.

Bem, mas voltando ao naipe de Ouros – quer saber como que Moedas virou Pentagramas?

Tudo parece ter sido fruto de um mal-entendido que acabou se fixando – coisas do século 19, rs. De acordo com Paul Huson (Mystical Origins of the Tarot, livro incrível, compre!) Mathers é o responsável pela introdução do termo Pentacle, e isso se deve a um mal-entendido de tradução do francês para o inglês. Mathers bebeu de Lévi. Em um de seus livros, Lévi refere-se à Moeda do Tarot dizendo tratar-se de um pantacle. Pantacle é, na verdade, uma palavra inventada por Lévi, variante de pentacle, que quer dizer “pentagrama”, “estrela de cinco pontas”. Lévi criou essa diferença de grafia para designar um novo termo – é um neologismo dele, portanto. No uso que Lévi fazia da palavra, pantacle significa basicamente um talismã, um amuleto. Foi nesse sentido que ele se referiu às moedas do naipe de Ouros do Tarot como pantacles, ou seja, amuletos, talismãs. Ele quis dizer que as moedas eram símbolos vivos que sumarizavam e portavam um conceito mágico, ou uma doutrina mágica. Se a gente viajar um pouco, pode pensar no naipe de Pentagramas como o receptáculo material da força espiritual/imaterial dos ouros três naipes – daí ele ser visto como um talismã. Mathers, aparentemente, carregou essa afirmação para outro nível, e Waite, provavelmente seguindo Mathers, incluiu pentagramas nos discos dourados do seu naipe de Ouros. No Pictorial Key, Waite diz –

O signo do naipe é representado como gravado e brasonado com o pentagrama, mostrando a correspondência dos quatro elementos da natureza humana pela qual podem ser governados. Em muitos baralhos antigos de Tarot, esse naipe corresponde a moeda corrente, dinheiro, deniers. Não inventei a substituição pelos pentáculos, e não tenho motivo especial para defender a alternativa. Mas o consenso das significações divinatórias apoia alguma mudança, porque as cartas não parecem dizer respeito especialmente a questões de dinheiro.

Depois disso, o resto é história. Crowley, por sua vez, parece ter dado preferência ao termo Disk para designar esse naipe – mas isso é outra história.

Abaixo, as definições para as duas palavras na língua portuguesa – pentáculo e pentagrama – do dicionário Michaelis online

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pentáculo
pen.tá.cu.lo
sm Figura geométrica, símbolo de um ser invisível ou de uma doutrina.

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pentagrama
pen.ta.gra.ma
sm (penta+grama4) 1 Mús Conjunto de cinco linhas paralelas, sobre as quais se escrevem as notas musicais. 2 Figura simbólica ou mágica de cinco letras ou sinais. 3 Estrela de cinco pontas, símbolo do microcosmo.

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Card Counting . . . . . Não é de hoje que eu vejo essa técnica de leitura sendo citada aqui e ali. Porém, nunca me dignei muito a realmente experimentá-la. Esse fim de semana, dando uma olhada no blog do Jason, vi uns exemplos de tiragens onde ele aplica essa técnica numa leitura de Cruz Celta. Decidi experimentar um pouco com ela e, após ler alguma coisa e ver alguns videos, me arrisquei – e bam!, adorei. Card Counting, ou contagem de cartas, é uma técnica desenvolvida pela GD, destinada a ser usada em conjunto com a técnica de Elemental Dignities, ou dignidades elementais. Consiste basicamente em você contar as cartas de acordo com seu número, para extrair cartas relevantes de um grupo. É muito complicado pra explicar, mas muito fácil de entender, uma vez que você vê a técnica em ação – –

Considere a seguinte linha de cartas:


Três de Pentagramas – Oito de Pentagramas – Nove de Espadas – Quatro de Espadas – Sete de Espadas – Oito de Copas – Dois de Bastões – Sete de Bastões – Dez de Copas

A ideia é contar as cartas para verificar cartas proeminentes no processo. Existe um motivo para eu só ter incluído cartas numeradas de naipes nessa linha, e isso é porque as coisas ficam mais complicadinhas com as outras. Você pode ler essa linha normalmente – progresso feito no trabalho ou nos estudos, seguido de alguma preocupação o adoecimento que obrigam o consulente a se afastar de suas atividades por um tempo, o que o leva a reavaliar uma mudança de lugar, etc… Então, você pode aplicar a contagem de cartas. O número de cartas a serem contadas é o número da carta inicial, ou da carta onde a contagem parou pela última vez.

Começando com a primeira carta (mais uma vez, nem sempre é assim, mas pro exemplo, vai ser), Três de Pentagramas, contamos então mais duas cartas seguintes, que dá no Nove de Espadas (será que esse foco no trabalho não acabou por estafar o consulente?). Daí, você olha as cartas ao redor – Oito de Pentagramas + Quatro de Espadas (ele está muito cansado, e precisa de um tempo longe de tudo). O Oito e o Quatro são elementalmente opostos, então eles se anulam mutuamente, deixando o Nove de Espadas bastante forte. Continuando, contamos então nove cartas, junto com o Nove de Espadas – o que dá no Oito de Pentagramas, mais uma vez a temática do trabalho, com as cartas circundantes mostrando muito esforço e esgotamento mental, pânico. Continuando, chegamos no Dez de Copas – isso vai trazer satisfação e realização ao consulente, no final das contas; o Sete de Bastões e o Três de Pentagramas indicam sucesso e vitória sobre as adversidades. O Sete é elementalmente oposto ao Dez, mas o Três faz a ponte, deixando a tríade forte e positiva. O Dez conta de novo a si mesmo – ou seja, sucesso confirmado. Quando a contagem cai em uma carta em que já caiu antes, a contagem cessa. A gente acaba por identificar toda uma narrativa no meio da leitura.

Muito muito legal. O mais legal é que dá para aplicar isso a leituras posicionas também. Vou continuar a experimentar com esse método, e atualizo sobre ele mais pra frente.

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Lady Gaga + Tarot . . . . .Como toda estrela que se preze, Lady Gaga coleciona boatos a seu respeito. Um dos boatos que ultimamente têm rolado na rede em torno de sua figura especula sobre um possível envolvimento da cantora com o Tarot. O motivo é o simbolismo implicado em alguns de seus videos e imagens promocionais. De fato, algumas imagens dão algum pano pra manga. O exemplo mais comentado é, sem dúvida, o video de Poker Face, um dos singles de seu algum debut, The Fame (2008). Logo no começo desse video, Lady Gaga emerge de uma piscina, ladeada por dois cães. A semelhança com a carta da Lua é no mínimo perceptível. Mais tarde, no final mesmo video, Lady Gaga troca carícias com um rapaz em um jardim com paredes de plantas, sob o sol nascente. Mais uma vez, tem sido levantada a questão de se essa não seria uma analogia à carta 19, o Sol. Os elementos na cena podem ser comparados aos das versões mais antigas dessa carta.

Claro, existe um número considerável de diversas explicações para essas similaridades, antes que a gente comece a especular a sério o uso direto de imagens do Tarot nos videos da cantora. De qualquer forma, a ideia de que Lady Gaga usa simbolismo esotérico em sua obra já foi levantada antes, não relacionada especificamente ao Tarot. Alguns vão além, e especulam sobre um possível envolvimento de Lady Gaga com manipulação simbólica da mídia, os Illuminati e mensagens subliminares – não necessariamente nessa ordem.

Independente de Lady Gaga, eu não acho loucura postular que a cultura pop usa muito do simbolismo oculto para causar esse ou aquele efeito na mente das massas. Se símbolos realmente têm poder e influência além do perceptível, vocês acham que governos e a mídia iriam perder esse recurso?


Enquanto isso, Gaga exibe um chapéu enorme, à la lemniscata, no video para Telephone

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Fica a ideia, rs.

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A função do corte. . . . .Há alguns meses eu publiquei um post curto questionando sobre as origens do hábito de cortar as cartas na hora da leitura. Não dediquei muito pensamento a respeito dessa questão de suma importância desde então (¬¬), porém a conclusão a que eu cheguei foi que nosso hábito de cortar as cartas é provavelmente importado do carteado. Entretanto, durante uma conversa esses dias, um amigo me deu a seguinte explicação – o corte simboliza a permissão que o consulente concede ao leitor para abrir suas cartas. Legal, né? Um ato simples, que sempre passa despercebido, reveste-se de uma relevância ritualística, simbólica. Interessante.

Bem, há quem discorde – sempre há quem discorde…

De qualquer forma, ninguém vai discordar de que cortar as cartas ajuda a embaralhá-las mais – o que abre mais espaço para a “Força do Acaso” agir.

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Cortes e mais cortes – Em um de seus vídeos, John Ballantrae fala de seu hábito de embaralhar o maço três vezes e cortá-lo em montes de três, repetindo o mesmo processo por três vezes. Gostei da ideia, e tenho feito assim ultimamente. Faz muito, muito tempo, li num livro que as cartas devem ser cortadas em direção ao consulente, quando este estiver presente, e na direção do leitor, quando este estiver lendo para si mesmo. Acho que isso viro automático pra mim – sempre faço assim.

Isso faz diferença? Pra você, não – pra mim, faz. É um ato que tem poder para mim, e com certeza deve agir dentro de mim.

Isso é uma das explicações para a Magia, aliás…

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Quick Cut – corte rápido, leitura relâmpago. . . . .Mais uma que eu vi no blog do Jason. Na verdade, uma amiga minha já havia me comentado sobre essa técnica há anos, ela mesma tendo aprendido de um outro amigo. Jason diz ter pegado esse método de um livro de cartomancia chamado It’s All in the Cards, por Chita Lawrence. O mundo das técnicas de leitura de cartas é assim mesmo, tudo na base do boca-a-boca, rs…

A força contundente intensa do Ás de Espadas aliada ao poder de controle da Força?? Mmm, interessante.

A força contundente intensa do Ás de Espadas aliada ao poder de controle da Força?? Mmm, interessante.

O método que Jason descreve só difere do da minha amiga por ser mais específico quanto às posições. Bem simples: embaralhe seu maço e corte-o. Você tem agora dois maços, certo? Vire o maço de cima inteiro como se estivesse abrindo uma página de livro. A carta que você vir será a carta 1 (ou seja, a última carta do primeiro maço do corte). Agora, vire o segundo maço do mesmo jeito – a última carta, novamente, será a carta 2.

A carta 1, chamada de “carta interior” (por ter estado ‘dentro’ do maço?) basicamente dá a resposta à questão; a carta 2, chamada de “carta exterior” (claro…), fornece informação adicional, complementar.

Ótima técnica para iniciantes exercitarem a cabecinha, ou mesmo para ser usada como abertura inicial de uma leitura mais detalhada. Segundo Jason, a resposta tem duração de até um mês – bastante tempo para uma leitura rápida e simples, não?

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E o espírito, onde fica?. . . . .Uma amiga taróloga, a Marcela Alves, me levantou essa questão esses dias. Quer a gente queira, quer não, a prática da leitura de cartas faz parte do campo da espiritualidade, provavelmente pelo seu caráter “transcedental”, digamos – cartas sendo usadas para ver o futuro e dar orientação. Pois é. Tradicionalmente é assim, e a tradição sobrevive – ainda que muita gente não se sinta muito confortável com esse “estigma”.

Entretanto, esse parece ser o assunto menos tratado por aí, não? Provavelmente porque falar sobre isso é andar sobre ovos – são tantas emoções, rsrs. Mesmo assim, fica a ideia ~ vou tentar abordar mais essa temática por aqui, em posts futuros. Acho mais legal tratar sobre as experiências de cada um, porque não tem muito como ser objetivo com esse tipo de coisa mística, não? Antes de querer impor a ideia de que o Tarot é espiritual ou não, de tomar partido, acho que vai ser mais legal expor as experiências do pessoal. Todo leitor de cartas tem a sua pra contar…

Talvez, muita gente se sinta ainda estranha por vivenciar isso ou aquilo, e compartilhar com outros tire um pouco dessa sensação de isolamento.

Também, acho que vai ser um pouco legal remexer na questão de o Tarot ser ou não ser algo espiritual, da participação ou não de consciências imateriais, etc.

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Mais uma ideia que fica…

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E eu vou ficando por aqui. Lembrando que participar de blogs faz muito bem prá saúde, então, não hesite – eu gosto J

setembro 14, 2010

LEITURA DE CARTAS TEMATIZADA NA DICOTOMIA DE IMAGEM X CONCEITO

podcast #3 aqui!

Como conciliar os conceitos que motivaram a criação das imagens de cada carta, com as imagens em si? Dando uma lida no blog do John Ballantrae, me deparei mais uma vez com essa questão. Dessa vez, fiz diferente, e decidi perguntar ao próprio Tarot como eu deveria proceder. Enquanto eu lia as cartas, achei que seria boa ideia gravar e postar como áudio, pra compartilhar com os leitores do blog. Procurei usar a leitura também como uma forma de ilustrar um pouco dos dois processos de leitura – o que se baseia nos significados, e o que se inspira diretamente nas imagens. A ideia central foi a de, com efeito, combinar ambas formas de ler. O resultado você pode conferir AQUI! Eu ainda não consegui incluir meus audios no player do WordPress, então, ao menos por enquanto, quem quiser escutar as gravações vai ter que acessar o Too Files, que é onde eu armazeno meus arquivos de audio.

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A trilha sonora para o áudio de hoje orbita em torno do pop negro americano do período musical que vai dos anos 50 aos 70, com blues, jazz e disco. Confira o set –

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.Etta James – At Last! e Stormy Weather

 

.Ray Charles – I Can’t Stop Loving You

 

.Stevie Wonder – My Cherie Amour

 

.Thelma Houston – Don’t Leave Me this Way…

 

.Marvin Gaye – Got to Give It Up

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Ilustração Blaze, op art por Bridget Riley, 1963. Peguei aqui (ótimo site de arte).

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Links

Minha jogada de três cartas, aqui – é o primeiro item.

Post do Descobrindo o Tarot sobre dignidades elementais, aqui e aqui.

Blog e site do John Ballantrae.

Post com a temática de imagem e conceito, aqui.

Tarô, a Sorte Pelas Cartas, tradução do The Pictorial Key to the Tarot, de Arthur E. Waite, lançado no Brasil pela Ediouro. Link para 4shared, aqui.

outubro 17, 2009

Tiragem – O Desejo Verdadeiro

Diagrama de tiragem - o desejo verdadeiroDesenvolvi essa tiragem no meio de uma consulta, e ela provou ser muito útil em momentos em que estamos confusos e precisamos de insights sobre nossos próprios sentimentos, objetivos e qual o melhor caminho a tomar. É composta de seis cartas, posicionadas de acordo com a figura ao lado.  O objetivo da tiragem é expor e analisar os desejos do consulente, e, através disso, descobrir a melhor forma de agir e lidar com eles. Abaixo, uma descrição mais detalhada de cada uma das seis posições da tiragem –

1 – O eu – o ponto de partida da tiragem é o próprio consulente. Essa carta serve de lastro para as outras, sendo a referência principal no entendimento das outras cartas. Na prática, isso quer dizer que todas as cartas seguintes, com exceção da última (que é uma partida do âmbito individual do consulente), devem ser confrontadas com essa em sua interpretação. Essa posição fala do consulente, como ele está no momento da consulta, por quais coisas ele está passando, etc.

2 – Emoção – como estão suas emoções, como ele se sente, seu foco emocional. Um truque para ler as cartas que caem nessa posição é olhar as figuras e imaginar como elas se sentem na situação onde estão. Por exemplo, se o Oito de Espadas cair aqui, poderíamos dizer que a pessoa se sente restringida, presa, confusa, e que não consegue entender seus sentimentos direito.

3 – Mente – o que o consulente pensa, suas concepções a respeito da situação em que está, como ele a entende.

4 – O que realmente quer – o desejo verdadeiro do consulente, o que ele quer no fundo.

5 – O que não percebe – Tanto essa quanto a próxima posição tem temas mais impessoais, menos focados no consulente e mais em aspectos de sua situação. Servem de contraponto a ele. Aqui, damos espaço para o Tarot exercer uma de suas funções mais importantes – pôr-nos em contato com o desconhecido em nossas vidas. A posição 5 traz à luz um aspecto importante da situação que o consulente não está percebendo, alguma coisa que ele não sabe sobre si mesmo, seu comportamento e atitude, ou a situação em si. Frequentemente essa posição vai mostrar oportunidades ocultas, não percebidas. Um arcano maior nessa posição vai indicar a força arquetipal que é o pano de fundo da situação. Por exemplo, na situação de uma consulente que deseja estudar no exterior, o Carro nessa posição indicaria seu momento de emancipar-se, ser independente e perseguir seus próprios sonhos. Ases nessa posição tendem a representar oportunidades significativas. Já uma carta da corte poderá estar mostrando um aspecto da personalidade do consulente que está emergindo ou deve ser cultivado, ou mesmo uma pessoa com papel proeminente na situação.

6 – Como agir – por fim, uma carta com sugestões e aconselhamentos ao consulente. Essa posição faz a diferença total com as cartas anteriores, pois não apresenta uma descrição estática, oferecendo inspiração em vez disso. Essa posição é como a fagulha de energia que fecunda a concepção estática apresentada nas cinco cartas anteriores.


Ideias sobre a tiragem

Uma coisa legal sobre essa tiragem é que ela se foca mais no consulente e sua atitude, e como ela se reflete na situação que ele está vivendo, e menos em detalhes da situação em si. A ideia é trazer o poder de decisão para as mãos do sujeito da história, tirando-o da posição passiva de vítima das circunstâncias.

As posições de 1 a 4 mostram o consulente de uma maneira geral – como ele está, suas emoções e pensamentos, e o que ele realmente quer. Basicamente são mais estáticas, fixas, descrevendo mais estados do que ações; elas servem mais para esclarecer. As duas posições seguintes são mais criativas, servindo mais para inspirar e contribuir com algo novo. É claro que essas definições são flexíveis – as posições 2 e 4 podem sim ser bem flexíveis e trazer esclarecimentos enormes sobre como o consulente se sente e pensa.

Podemos associar cada posição a um elemento, para assim estabelecer um esquema de Elemental Dignities que expande o significado da tiragem como um todo. Cada um pode associar cada posição ao elemento que lhe parecer mais adequado, contanto que se mantenha sempre o mesmo. O Tarot funciona sempre de acordo com os preceitos de quem o usa, então regularidade é importante. Um pouco de experiência com a jogada pode contribuir para uma associação elemental mais acurada. Aqui vão as minhas ideias sobre as associações –

1, O eu – TERRA – as bases da consulta, a realidade objetiva, o consulente como um todo.

2, Emoção – ÁGUA, o elemento tradicionalmente associado às emoções;

3, Mente – AR, tradicionalmente associado à mente, como a Água às emoções;

4, O que realmente quer – FOGO – o elemento associado ao desejo e aos objetivos, à vontade;

5, O que não percebe – ÁGUA – o elemento Água reflete os mistérios do nosso inconsciente, e o desconhecido em nossas vidas;de certa forma, é uma oitava superior da posição 2, a raiz das emoções, das motivações.

6, Como agir – AR – pelo aspecto mais racional e imparcial dessa posição.

Exemplo de leitura

Tiragem desejo verdadeiro, consulta RosanaVamos agora usar uma leitura para colocar em prática as associações elementais das posições. A leitura que usarei como exemplo a seguir foi feita para uma garota, sobre seu namoro. Rosana e Renato estão passando por um momento bastante difícil em seu relacionamento, a ponto de a moça não estar mais certa dos motivos que a fazem continuar no relacionamento. Basicamente, Rosana não sabe se seus sentimentos são verdadeiros ou se só está persistindo num sonho, iludindo-se. As cartas retiradas foram –

1 – O Sol

2 – A Justiça

3 – O Diabo

4 – Oito de Copas

5 – Ás de Paus

6 – Quatro de Espadas

De maneira sucinta, vemos que a consulente acabou de perceber a sua situação de uma maneira nova, que a faz ver as coisas muito mais claramente, o que a deixa sentindo-se mais segura. Emocionalmente, Rosana está sendo imparcial, fria e objetiva. Ela de fato pesa e compara, julga o valor de seus sentimentos, avalia-os e verifica a sua real significância. A Justiça é uma carta um pouco fria demais para figurar na posição dos sentimentos. Por outro lado, mentalmente não poderia estar pior – focada demais na situação, ela não pensa em outra coisa, pendendo para a obsessão. O Diabo mostra que, além disso, Rosana só percebe o lado ruim da situação, e não consegue ver muito além do óbvio. Cabeça fechada, obstinada e teimosa, propensa a desentendimentos violentos. Seu desejo mais profundo é deixar essa situação para trás, afastar-se mesmo dela, fugir. A carta Oito de Copas indica desgaste emocional e falta de esperança. No entanto, Rosana não percebe que essa situação, aparentemente já bastante desgastada, esconde oportunidades de novos começos e expansão. O Ás de Paus mostra que a situação guarda uma energia muito intensa de criatividade, que Rosana pode usar para explorar novas possibilidades emocionais em sua vida – não necessariamente com outras pessoas. O conselho do Tarot é que ela se permita um tempo para pensar sobre tudo. O Quatro de Espadas pede silêncio e paz, um momento de descanso e restabelecimento da razão. Ela precisa de um momento longe de tudo para que possa respirar e enxergar seus próprios sentimentos de maneira mais sensata.

Agora, para verificarmos como cada carta reage à posição onde se encontra, combinamos seu elemento com o elemento da posição.

Posição 1, Terra+Fogo – Combinação neutra. Aqui, o Fogo tem suporte para queimar e manter-se ativo. A Terra, a matéria, oferece uma estrutura para que o Fogo se manifeste. No entanto, os dois elementos não enfraquecem nem fortalecem um ao outro, mantendo-se estáveis em sua intensidade. A atividade e energia do Fogo contrabalanceia a passividade e receptividade da Terra.

Posição 2, Água+Ar – Combinação neutra. Mesma coisa aqui; ambos os elementos mutáveis e flexíveis. O intelecto do ar contrabalanceia a emotividade da Água. Aqui, vemos mais uma vez a dicotomia entre intelecto e emoções, a intensidade da carta não se altera.

Posição 3, Ar+Terra – Combinação negativa. Num domicílio regido pelo Ar, a carta de Terra perde sua força, ou seja, seu impacto deixa de ser tão grande quanto poderia ser. Isso indica que a falta de clareza mental e a obsessão representadas pela carta 15 podem ser combatidas facilmente.

Posição 4, Fogo+Água – Combinação negativa. Mais uma vez, o elemento da posição anula a força do elemento da carta. Ela quer deixá-lo, mas essa vontade não é suficientemente forte para que seja posta em prática.

Posição 5, Água+Fogo – Combinação negativa. As oportunidades indicadas pelo Ás não são tão grandiosas e tendem a sumir no ar.

Posição 6, Ar+Ar – Combinação positiva. Depois de tantas cartas enfraquecidas ou neutras, a posição 6 praticamente domina a jogada, sendo a única a exibir uma combinação positiva. Aqui, a força do conselho da leitura recebe um destaque maior. O Tarot parece estar indicando que, com um pouco de tempo e descanso do desgaste da situação, a consulente vai ter mais capacidade de entender melhor o que está acontecendo e, consequentemente, fazer uma decisão mais acertada.

Podemos notar que as associações elementais podem mudar bastante o sentido da consulta. Abaixo, uma interpretação da leitura à luz das confrontações elementais –

Vendo as coisas de uma maneira mais clara e ojetiva, Rosana agora avalia o real valor de seus sentimentos, pesando os prós e os contras de seu amor. A garota está um pouco fixada demais nesse assunto, e não consegue desvenciliar-se dele, mas combate isso procurando ser sensata focando-se em si mesma, e em suas próprias necessidades. Apesar de sentir uma vontade intensa de deixar tudo para trás e sair da situação, Rosana não tem forças suficientes para fazer isso, por enquanto. Seu desejo profundo está sufocado e enfraquecido no momento. Tal situação esconde oportunidades de expansão que, apesar de efêmeras, podem ser boas se aproveitadas no momento. Tudo que Rosana deve fazer é dar um tempo da situação e ficar algum tempo sozinha para pensar e examinar mais a fundo suas motivações, sem interferências para distraí-la. Dessa forma, Rosana poderá recobrar sua vitalidade e será mais capaz de tomar decisões acertadas.

Explicação das cores

As cores de cada casa correspondem ao elemento a ela associado – Laranja para Terra, Roxo para Água, Vermelho vivo para o Fogo e Verde claro para o Ar; eu considero as casas 5 e 6 como “oitavas superiores” das casas 2 e 3, então as colori com variações de matiz de roxo e verde (no caso, azul-escuro arroxeado e amarelo-esverdeado). As associações de cores com os elementos baseiam-se nos Tattwas da doutrina indiana.

agosto 26, 2009

Elemental Dignities II

Filed under: Elemental Dignities — Tags:, , , , — Leonardo Dias @ 4:07 AM

No post anterior eu apresentei os princípios e conceitos básicos do método de Elemental Dignities. Neste post, darei exemplos de como esse método pode ser aplicado em leituras.

Usarei primeiro dois exemplos, em combinações hipotéticas de duas cartas, respondendo a perguntas simples, para mostrar a interação dos elementos aliada aos significados dos arcanos; em seguida, mostrarei como a interação dos elementos pode atuar numa leitura de três cartas.

O objetivo desses exemplos é mais mostrar a dinâmica do método em funcionamento. Portanto, o leitor deve concentrar-se mais nisso do que nos significados que eu confiro às cartas, ou na minha forma de interpretação – coisas que, até certo ponto, são tão pessoais quanto o significado de cada palavra, para cada pessoa.

Exemplo 1

Uma pessoa deseja vender seu carro, para comprar um modelo melhor; quer saber sobre as possibilidades de esse plano dar certo. A resposta foi:

18 – A Lua                              16 – A Torre

água fogo

A Lua, pertencente ao elemento água, fica em desarmonia com a Torre, que é do elemento fogo. Uma carta enfraquece o significado da outra. Assim, podemos ver uma situação confusa, cheia de contratempos e problemas, enganos e imprevistos. Pode haver um problema na documentação, ou o carro mesmo acabar se envolvendo num acidente que, embora leve (a carta da Torre tem seu impacto atenuado pela perda de energia) atrapalhe a venda. A Lua mostra também que a própria pessoa não sabe direito o que quer, e é presa fácil de enganação e de pessoas querendo tirar vantagem. Eu diria que a venda do carro não vai acontecer de imediato, não sendo realmente um momento para se pensar nisso. A pessoa deve tomar cuidado, e dar-se mais algum tempo para decidir se é isso o que realmente quer.

Exemplo 2

Perspectivas de melhoria na vida sentimental de uma moça:

Rei de Paus                                Ás de Copas

fogo água

Embora ambas as cartas sugiram claramente o surgimento de sentimentos por um homem carismático e interessante, possivelmente maduro, a combinação fogo + água enfraquece a força das duas cartas. Enquanto o Rei de Paus perde um pouco do seu ímpeto com o Ás de Copas, o ás perde parte de sua intensidade, como a água começa a evaporar-se quando exposta ao fogo – os sentimentos não duram. Eu diria que há a possibilidade de aparecer um homem que vai mexer com os sentimentos da moça, mas que isso não vai ser muito duradouro ou significativo, no final das contas.

Exemplo 3

A disposição usada a seguir foi desenvolvida por eu mesmo, a partir da consulta com uma única carta. Essa disposição oferece uma resposta objetiva ao questionamento, bem como uma análise sucinta da situação, que pode ser expandida. Vale lembrar que essa disposição não descreve progressão temporal. Faz uso de três cartas, onde a primeira dá a resposta, enquanto as duas seguintes oferecem mais esclarecimentos e conselhos. A disposição é feita conforme a imagem abaixo –

Neste método teremos a oportunidade de explorar mais a dinâmica da interação dos elementos. A adição de uma terceira carta quebra a dicotomia limitada existente nos pares.

É importante dizer que existe aqui um esforço em descrever uma leitura de cartas, processo naturalmente espontâneo, de forma esquematizada, visando uma compreensão maior do leitor. No processo da leitura, todos os detalhes e análises de cada aspecto da interação fluem naturalmente, e as camadas de interpretação ficam misturadas. A interpretação acontece conforme eu analiso. Assim, por mais que a descrição detalhada de cada estágio de interpretação faça a coisa toda parecer complicada demais, a prática é natural.

A consulente, já há algum tempo trabalhando num estágio, gostaria de saber sobre a durabilidade deste serviço, e a possibilidade de ser efetivada. A disposição das cartas segue o esquema abaixo:

Os elementos das cartas são –

FOGO

TERRA ÁGUA

A energia geral desse grupo de cartas é claramente passiva, o que denota lentidão, e mesmo estagnação. A presença de somente números pares denota certa passividade, reforçada pela profusão de números quatro (em numerologia, números pares são de polaridade feminina). Todas as cartas indicam estados inertes. A primeira coisa que salta aos olhos aqui é a inércia da situação – as coisas tendem a progredir lentamente, os resultados custam a chegar, o trabalho parece ser lento e moroso. Por outro lado, existe estabilidade e durabilidade.

Definido o clima geral, vamos a algumas considerações sobre os elementos. A variedade de elementos aqui é tão saudável quanto um conjunto de três cartas permite, com cada carta pertencendo a um dos quatro elementos. No entanto, eu não diria o mesmo sobre o teor da relação entre eles. A relação entre os elementos pode ser colocada num esquema como o seguinte:

O elemento mais forte dessa disposição é claramente a terra, em perfeita harmonia com a água, e em compatibilidade com fogo. A tensão entre a água e o fogo enfraquece os dois. No entanto, tendo o suporte de sua relação positiva com a terra, a água não fica tão fraca quanto o fogo, que tem sua ação tolhida por tantas energias passiva.

Assim, poderíamos dizer que a situação é mais parada do que mutável. As ações tomadas têm suporte material, e frutificam em seu devido tempo. No entanto, não são muitas, e seu efeito também não é muito forte.

O impacto que essa interação tem na resposta é que o Dois de Paus, indicando domínio sobre a situação e capacidade de realização, tem sua força de ação enfraquecida pelas duas outras cartas. A carta retrata um soberano meio indeciso entre seu próprio reino e o resto do mundo a conquistar. Nesse caso, vemos o soberano permanecendo em seu reino, mesmo desejando conquistar novos campos. Sua resistência a mudanças (Quatro de Ouros) e sua desmotivação (Quatro de Copas) o impedem de pôr em prática os seus desejos e sonhos. Dessa forma, vemos que enquanto a consulente deseja talvez tentar trabalhar em lugares mais atrativos e instigantes, provavelmente permanecerá nesse emprego, porque a estabilidade que ele oferece lhe é mais interessante no momento. O Quatro de Copas sugere também certa apatia. Em suma, vemos uma situação estável e fixa, onde os desejos e aspirações encontram alguma dificuldade para se manifestarem com força.

Após analisarmos o funcionamento da interação dos elementos na leitura, aplicamos isso ao significado de cada carta. A seguir, algumas ideias sobre o significado de cada uma –

Dois de Pausautoridade, poder, iniciativa, capacidade, potencial

Quatro de Ourosestabilidade, controle, apego, posso, aversão a mudanças

Quatro de Copasapatiga, desmotivação, estagnação emocional, insatisfação, introspecção

O Dois de Paus como resposta diz basicamente que a consulente tem ótimas chances de sucesso nesse estágio. A carta sugere que seu trabalho é apreciado e respeitado, conferindo a ela mesmo certa notoriedade. A carta também parece indicar seu desejo de galgar novas posições, e se mostra positiva a esse respeito. Contudo, influenciada pela energia das cartas como um todo, esse Dois de Paus acaba tendo algo de sua força reprimida, ou retardada. O peso do Quatro de Ouros faz os planos do Dois de Paus acontecerem mais lentamente.

As duas cartas restantes dão pormenores sobre a resposta. Sendo a carta mais proeminente na disposição, o Quatro de Ouros indica estabilidade, mas também resistência/dificuldade de mudar. A consulente se encontra em uma situação que, embora vantajosa, progride lentamente. A influência do Quatro de Ouros estende-se às demais cartas, fortalecendo a estagnação apática do Quatro de Copas, e minando o ímpeto do Dois de Paus. O Quatro de Copas, apesar de enfraquecido pelo Dois de Paus, tem o suporte da carta de ouros. Esta carta me sugere que a consulente, mesmo muitas vezes insatisfeita com a sua situação, não encontra muita motivação para mudá-la.

O processo de interpretação pode ser esquematizado em camadas de sistemas de significação que, sobrepostas, formam a imagem geral de uma leitura.

agosto 21, 2009

Elemental Dignities

Filed under: Elemental Dignities — Tags:, , , — Leonardo Dias @ 4:52 AM

Depois de algum tempo estudando Tarot e fazendo leituras, uma das coisas que a gente acaba por perceber é que a relação entre as cartas em uma disposição é tanto ou mais preponderante do que os significados particulares de cada carta. Apesar de serem símbolos autônomos e independentes, quando em conjunto os arcanos do Tarot se comportam essencialmente como palavras, tendo a sua significância (ou a sua gama particular de significados) regulada pelo contexto da leitura, pela interação entre as cartas, e o papel que exercem no todo que é a disposição. Há pouco tempo, descobri uma forma de relacionar as cartas que tem me interessado muito.

A relação entre as cartas é natural e se estabelece automaticamente. Com o desenvolvimento do estudo do Tarot através do tempo, as pessoas foram percebendo isso, e então desenvolveram-se métodos de associação e combinação das cartas. Entre tais sistemas, um dos mais populares hoje em dia é o método de Elemental Dignities (popularmente chamado de EDs). Traduzir essa expressão é um difícil – nunca vi nada semelhante a isso na literatura tarológica brasileira. Contudo, eu não sou a pessoa mais adequada para falar sobre isso, visto que a grande maioria das coisas que leio sobre Tarot vem de autores americanos ou ingleses. Sucintamente, é um método de avaliação da importância e atividade das cartas em uma disposição, baseando-se nos elementos associados a cada carta, e na relação que se forma entre eles. O primeiro a descrever esse método foi o ocultista MacGregor Mathers, em seu livro The Book T, escrito no final do século XIX.

Existem várias formas de dignities, que usam como base associações astrológicas, posicionais, e etc. Para muitos tarólogos, seu uso é fundamental. Muitos usam esse sistema como alternativa par as cartas invertidas. Eu mesmo conheci esse método enquanto procurava por artigos sobre cartas invertidas. Em minha opinião, o método de elemental dignities abre mais espaço para as cartas falarem entre si, bem como para uma quase infinita variação de nuances de significado. O que mais me atraiu nesse sistema foi a possibilidade de ter o significado de cada arcano alterado, sem que isso inclua reversão de cartas – nunca me senti muito confortável com a ideia de olhar cartas de cabeça para baixo, rs.

O esquema básico desse método é bastante simples. Ele requer apenas alguma intimidade com a simbologia dos elementos. Cada elemento se relaciona de certa forma com os demais, e tais relações podem ser classificadas como boas, neutras, ou ruins. Nesse contexto, “bom” e “ruim” descrevem o caráter da combinação, em relação ao ganho/perda de energia. Dizendo simplesmente, algumas combinações de elementos resultam em um aumento de energia – elas geram energia; outras combinações resultam num decréscimo de energia – tais combinações perdem energia, ao invés de produzirem mais. Seria como dizer que algumas interações são exotérmicas e outras endotérmicas, rsrs. No linguajar de Mathers, cada elemento tem seus “amigos” e seus “inimigos”. Poderíamos resumir esse princípio desta forma:

  • Quando duas ou mais cartas são “elementalmente” concordantes, a associação entre elas resulta em aumento de energia;
  • Quando duas ou mais cartas são elementalmente discordantes, associações entre elas resultam em diminuição de energia;
  • Quando duas ou mais cartas são elementalmente complementares, não ocorre nem aumento, nem diminuição de energia; sua força permanece a mesma.

Eu chamo uma carta envolvida em uma associação concordante de bem-aspectada, e uma carta envolvida em uma associação discordante de mal-aspectada.

Antes de irmos às regras, eu gostaria de esclarecer um ponto de importância fundamental na conceitualização das Elemental Dignities. O objetivo desse método é verificar a proeminência de cada carta numa disposição, através do quão cada carta está forte na disposição. Não se trata de descobrir quais cartas são “boas” e quais cartas são “ruins”. As combinações não têm a ver com o quanto uma coisa pode ser favorável ou desfavorável ao consulente, e sim com a intensidade da influência de cada carta. Exemplo: o Nove de Copas é uma carta geralmente considerada “boa”. Bem-aspectado, ele ganha energia, e seu bom efeito pode ser ainda maior; mal-aspectado, o Nove de Copas não vira uma carta “ruim” – ele enfraquece, apenas.

A regra para essas combinações é simples, e pode ser resumida assim –

  • Fogo e Ar são amigos e ativos;
  • Terra e Água são amigas e passivas;
  • Fogo e Água são inimigos – eles enfraquecem um ao outro;
  • Ar e Terra são inimigos – eles enfraquecem um ao outro;
  • Fogo e Terra fortalecem um ao outro, mas são neutros;
  • Ar e Água fortalecem um ao outro, mas são neutros.

A essas seis regras, eu acrescentaria mais uma –

  • Fogo e Fogo/Ar e Ar/Terra e Terra/Água e Água são amigos, se fortalecem, e caracterizam excesso.

As combinações amigáveis caracterizam-se por um acréscimo na energia; as combinações conflituosas apresentam um decréscimo na energia de ambos os envolvidos; as combinações classificadas como neutras representam um meio-termo entre essas duas. Por combinarem um elemento ativo com um passivo, suas forças meio que se equilibram.

Cartas envolvidas em combinações amigáveis são consideradas mais fortes, e seu significado é fortalecido; cartas que integram combinações conflituosas perdem energia, e seu significado é enfraquecido. A explicação para isso é simples – o aumento de energia gera mais atividade; o decréscimo de energia, mais passividade (pense num carro sendo acelerado e desacelerado). Quanto mais um elemento/carta é ativo, mais fortemente ele se manifesta em uma determinada situação ou coisa. A ausência de um ou mais elementos em uma leitura irá mostrar as carências e pontos fracos de uma situação. A influência das Elemental Dignities se sobrepõe ao significado de cada carta. É precisamente isso que altera e complementa a nossa visão em uma leitura.

A HIERARQUIA DE INFLUÊNCIA DENTRO DOS 78 ARCANOS

Embora todas as 78 cartas do Tarot tenham um valor igualmente importante e especial, certos tipos de arcanos têm mais relevância do que outros em uma leitura. Olhando com mais atenção para os 78 arcanos do Tarot, podemos perceber certa hierarquia de importância ou poder. Ao longo do tempo eu desenvolvi esse sistema, que classifica cada tipo de carta de acordo com sua força:

  • 1 Arcanos Maiores;
  • 2 Figuras da Corte;
    • Reis;
    • Rainhas;
    • Cavaleiros;
    • Pajens;
  • 3 Ases;
  • 4 Cartas Numeradas.

Os 22 Arcanos Maiores (as cartas que vão do Louco ao Mundo) são mais fortes do que todas as outras cartas. Eles representam arquétipos, grandes temas presentes na vida das pessoas. Numa leitura, sua presença tem mais peso do que as outras cartas. Mesmo que mal-aspectado, um arcano maior ainda detém parte de seu impacto.

As Figuras da Corte (Reis, Rainhas, Cavaleiros e Pajens) têm mais capacidade de lidar com a força dos Arcanos Maiores do que os Ases, ou as cartas numeradas, talvez por representarem personagens dentro da historinha do Tarot. Também, dentro da corte do Tarot é possível estabelecer-se um sub-ranking, onde Reis são mais fortes do que Rainhas, estas mais fortes do que Cavaleiros, etc. Os Pajens, contudo, ainda são mais fortes do que os Ases.

Ainda que considerados parte do grupo de cartas numeradas, os Ases podem ser separados em uma categoria especial, por representarem a raiz de cada um dos quatro elementos incorporados nos naipes. Sua força numa consulta é um pouco maior do que a das cartas numeradas. Em muitos decks (baralhos de Tarot, como o Waite-Smith, o Marselha, ou o Egipcian Kier) os Pajens são mostrados portando o símbolo do naipe nas mãos. Isso me sugere que eles “portam” os Ases. Realmente, Pajens e Ases têm em comum o fato de serem forças em estado potencial. A diferença, ao meu ver, é que os Ases são essas forças em si, enquanto os Pajens simbolizam a força dos Ases manifestando-se no indivíduo, de forma pouco desenvolvida.

Por último, temos as cartas numeradas, ou seja, os Arcanos Menores que vão do Dois ao Dez de cada naipe. Na minha experiência com o Tarot, tais cartas expressam mais experiências e situações. Eu poderia dizer que as cartas numeradas mostram o desenrolar dos elementos de cada naipe.

Poderíamos também relacionar cada classe de cartas com os níveis do esquema de acontecimentos da vida, sendo:

1 Arcanos Maiores Arquétipos ou grandes temas Símbolos, conceitos, temas, experiências-chave.
2 Figuras da Corte Os personagens sob a influência dos arquétipos As pessoas participantes em dada situação; aspectos da personalidade atuantes numa situação.
3 Ases As raízes das quatro forças elementais Manifestações dos elementos em seu estado “bruto” na vida das pessoas.
4 Cartas Numeradas Situações, fatos e experiências Situações ou estados de ser; posturas, comportamento, acontecimentos e circunstâncias.

Vendo por esse ângulo, fica mais fácil entender por que os Arcanos Maiores são mais poderosos do que os Arcanos menores numerados. O Carro, por exemplo, é a expressão de um grande tema – a conquista, a independência, o poder. O Seis de Paus expressa algo semelhante – êxito, vitória, respeitabilidade. No entanto, o segundo refere-se mais a um acontecimento ou circunstância do que a um conceito propriamente dito.

Até agora sabemos então que o teor das relações entre as cartas pode ser elucidado através da interação de seus elementos; também vimos que uma carta tem mais ou menos proeminência sobre as outras, de acordo com a categoria à qual pertence dentro do Tarot. Nos próximos posts, pretendo estender esse tópico com exemplos de leituras, e mais pormenores a respeito da dinâmica das EDs.

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