Descobrindo o Tarot

junho 25, 2012

TIRAGENS CUSTOMIZADAS (+ EXEMPLO DE LEITURA)

Filed under: Disposições — Tags:, , , , , — Leonardo Dias @ 7:05 PM

Tenho experimentado bastante com arranjos posicionais customizados e orgânicos nas minhas leituras, em vez de somente reproduzir disposições tradicionais. A seguir, falo mais desses métodos, aproveito o ensejo para falar um pouco sobre como lemos as cartas e compartilho uma disposição, a título de exemplo.


Arranjos posicionais customizados e orgânicos – nome comprido. Posicionais porque são compostos por posições com função específica, que forçam mais exatidão sobre os significados das cartas que caem nelas; customizados por serem desenvolvidos exclusivamente para a questão do consulente, oque confere maior respeito às suas peculiaridades; finalmente, orgânicos¹, já que crescem de acordo com as necessidades da leitura, abrindo espaço para novos enfoques dentro de uma mesma questão. Junte tudo isso e você terá os tais arranjos posicionais customizados & orgânicos. O que esse nome carece em elegância, sobra em expressividade, ao menos.


A leitura de cartas não passa de uma sobreposição dinâmica de sistemas e estruturas que estabelecemos para impor precisão aos significados que damos às cartas, a fim de que esses possam ser arranjados em mensagens inteligíveis – legíveis, de fato. A ideia de usar cartas com significados para lançar prognósticos pede uma metodologia para dispô-las, já que sem ordem não é possível haver mensagem que componha prognóstico algum. Inseparavelmente associadas à noção de ler cartas desde seu princípio, as disposições posicionais foram naturalmente desenvolvidas como uma resposta a essa demanda; são parte essencial do aprendizado e da prática da leitura de cartas. Diferentes arranjos, compostos de posições apropriadas, são desenvolvidos para diferentes tipos de pergunta. Métodos de disposição ganham nome, função, fama, e até poder de alcance temporal; livros sobre leitura de cartas não deixam de incluir seções especiais para eles, enquanto leitores performam suas consultas com uma sucessão de várias disposições de leitura. Métodos de disposição fornecem, portanto, uma estrutura fixa à qual os significados das cartas podem ser firmemente pendurados. É uma consequência natural o fato de, com o tempo, certos arranjos adquirirem status de tradicionais.


A desvantagem dos arranjos posicionais tradicionais está justamente em sua firmeza: por consistirem sempre no mesmo conjunto de posições descrevendo sempre um mesmo aspecto de qualquer questão, eles nos obrigam a comprimir a situação do consulente em um esquema padronizado, o que caracteriza uma imposição de rótulos. O uso de arranjos sempre iguais encoraja a ideia de que todas as situações são iguais, pouco importando as variadas circunstâncias que as compõem. Podemos fazer melhor que isso, e é oque métodos posicionais customizados nos oferecem: moldando-se às particularidades de cada situação, permitem que cada questão seja contemplada pelo que tem de especial e, de quebra, tiram maior proveito da propriedade das cartas de se adaptarem a diferentes situações, revelando-as em sua integridade. Além disso, analisar uma situação com o objetivo de levantar seus pontos mais proeminentes é um exercício que nos força a considerá-la com mais objetividade.


O exemplo a seguir foi uma disposição que criei há alguns dias para analisar a situação de um casal que se separou recentemente. Na ausência de perguntas específicas, achei apropriado desenvolver um arranjo que empregasse os três potenciais básicos que uma leitura de cartas possui – o descritivo, o preditivo e o orientador. Decidi então usar as cartas para representar cinco aspectos da situação em questão: o consulente (um dos parceiros), o status da situação, suas causas, prognósticos e como o consulente deve agir. Duas das cinco posições – o status da situação e seus prognósticos – são compostas de um par de cartas, para mais detalhes. Sorteei sete cartas, que foram dispostas como na figura abaixo.

O formato da disposição foi definido sem muita consideração, apenas por me lembrar uma escada (a ideia de uma progressão de estágios). As funções de cada posição podem ser resumidas como


1 – O consulente
2 – o que acontece (2a, 2b)
3 – as causas do que acontece
4 – prognósticos (4a, 4b)
5 – como agir.


Temos aqui representados os dois aspectos principais de uma situação, isto é, a situação em si e o consulente como personagem principal da cena. Alternativamente, poderíamos adicionar uma posição extra entre a primeira e a segunda, representando seu parceiro.

O eixo 1-3-5 pode ser encarado como uma disposição à parte dentro do arranjo, indicando oque motiva (3) o consulente (1) a agir, além de orientá-lo a respeito de como (4) deve agir a fim de contextualizar suas ações mais proveitosamente à situação. A posição 3 tem relevância mais saliente no arranjo, pois pode ser vista como representante também das causas e motivações do consulente.

Sorteando sete cartas, obtive


Considerada uma das piores cartas do tarot, o Nove de Espadas representa as bases dessa situação (figura acima), indicando que o conflito entre os dois parceiros chegou a um nível de aflição que os impede de ver as coisas com clareza. Ninguém acredita em mais nenhuma possibilidade de acerto, ambos não sabem como as coisas foram chegar a esse estado. A combinação do Cavaleiro de Copas (o consulente) como Nove de Espadas indica que é o desespero que motiva o consulente a querer ficar com seu parceiro. Ele deve, no entanto, ser mais paciente, receptivo e humilde (Pajem de Pentáculos), pois a corrente situação de queda de braço, onde o primeiro que abrir a guarda admite submissão (Rainha de Bastões + Quatro de Pentáculos), dará lugar à concórdia em breve (Dez de Copas + Dois de Espadas). Ainda que essa concórdia não represente uma resolução real dos conflitos entre o casal (Dois de Espadas), ela trará felicidade e novas esperanças (Dez de Copas). Comparando as cartas de mesmo naipe (progressões de estado de um mesmo fator dentro da situação), vemos os conflitos do Nove chegando a um ponto de resolução no Dois. Os dois personagens de olhos tampados indicam que a felicidade dos que celebram o arco-íris que finaliza o fim da tempestade no Dez não é exatamente autêntica, pois advém de uma certa vista grossa aos reais problemas. Compare também o Pajem, humilde e contente com seu único disco, com o rei ganancioso do Quatro, que se apega como pode a tudo o que tem. O Quatro, aliás, combina bem com a Rainha, ambos falando de vaidade e egoísmo.


A possibilidade de enxergarmos conjuntos menores dentro de um mesmo arranjo de cartas (como o eixo 1-3-5) me faz pensar que podemos quebrar um arranjo em diversos blocos de posições ao longo da leitura. Você pode combinar as posições que compõem um arranjo de várias formas diferentes, criando vários subgrupos, podendo assim explorar diversos aspectos da questão numa mesma jogada. Para além dessa ideia, eu também posso pensar em blocos de posições livres que, como peças de lego, podem ser combinados de inúmeras formas diferentes para criar novos arranjos. É o caso da pequena cruz, um bloco de posições que eu tirei da Cruz Celta (suas posições 1 e 2) e que uso para compor ou complementar outros arranjos.


A ocasião da leitura, onde as ideias vão se combinando e se construindo conforme progride o diálogo entre consulente e leitor, é o momento ideal para o leitor usar os arranjos com mais liberdade, pois tudo está mais plástico. Métodos criados pelo próprio leitor lhe dão mais liberdade de ação para montá-los e remontá-los à sua escolha. Oque distingue o caráter de leituras orgânicas é justamente essa vivacidade que abre maior espaço à expressão individual do leitor, em contraste com um estilo de leitura que prioriza a reprodução repetitiva de modelos limitados.


Vale ressaltar que arranjos customizados não precisam antagonizar com arranjos tradicionais. Você pode enriquecer sua leitura usando as duas formas de dispor as cartas, aproveitando de cada qual oque ela oferece de melhor. A coisa toda não está exatamente nos métodos a serem usados, mas em como o leitor faz uso desses métodos. Se, por um lado, para obtermos mensagens dos significados das cartas, precisamos limitá-los, por outro, é preciso cuidar para que não consideremos os limites antes dos próprios significados. A simples possibilidade de, literalmente, construir a leitura ao mesmo tempo em que ela é feita, amplia os horizontes e ajuda a diminuir estruturas desnecessárias que acabam por prevenir nosso contato despojado, direto com as cartas.


NOTAS


1 James Ricklef fala mais sobre métodos de leitura “orgânicos” neste post de seu blog. É daí que eu tiro o termo, Ricklef sendo provavelmente seu criador. Vale a pena conferir o post, a propósito.

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setembro 30, 2010

NOTAS / UPDATES – – significados concretos + ouros nomes + card counting + lady gaga! + cortando + leitura relâmpago + espírito?

Alguns updates dignos de notas – ou algumas notas dignas de update – depende de como você vê, rs.

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Leituras não-posicionais + Significados concretos. . . . .Esses dias, coincidentemente ou não, eu tenho visto por aí muito essa questão de significados mais concretos para as cartas. O fato é que eu já vi mais de uma vez pessoas dizendo que as leituras podem ficar mais fáceis quando cada carta significa menos coisas – ou quando você não flexiona os significados das cartas demais. Tipo, Dois de Ouros = comércio, troca – e só. Mas eu flexiono. Bastante. Em geral, eu costumo atribuir certo conceito raiz para uma carta, que é o que eu identifico como sendo a ideia central dela, através da imagem e do que se estabeleceu como seu significado, como também através de coisas como seu lugar no sistema de correspondências da Golden Dawn. E eu trabalho com isso. Desse ponto de vista mais conceitualizador, as coisas se definem pouco. O Dois de Ouros pode indicar coisas como flexibilidade, troca, alternação, brincadeira, jogo, diversão, mobilidade, sutileza, agilidade, trocas, mensagens, etc etc. Na prática, isso pode confundir, admito. Mas, eu sempre penso isso, e quando a pessoa pergunta sobre, sei lá, amor, e cai o Dois de Ouros? Se a gente não flexiona os significados, a resposta vai ser algo como comércio, ou viagens? Agora, isso sim confunde. Eu nunca gostei muito da ideia de trabalhar com uma gama de significados reduzida por achar isso empobrecedor, porém, praticando mais com leituras não-posicionais, tenho visto que chega a ser uma necessidade. A coisa muda de figura.

Quando a gente joga com a estrutura pronta das leituras posicionais, é mais fácil flexionar os significados, fazer abstrações encima deles, porque você tem a estrutura das posições na espinha dorsal do processo, e você não se perde. Você tem um ponto de referência concreto à disposição. Assim, um Dois de Ouros pode ser mais que simplesmente transações financeiras e comércio – pode falar de flexibilidade e versatilidade, por exemplo. Isso fica mais difícil quando você não tem nada mais que as cartas para ler. Sem posições, e mesmo sem temas. Assim, de certa forma, eu to meio que descobrindo o valor de ver o naipe de Ouros só falando de dinheiro, e o de Copas só de relacionamentos. No Pictorial Key to the Tarot, Waite segue mais essa linha de pensamento, dando a cada carta significados bem concretos e simples, geralmente muito bem retratados e sumarizados em sua respectiva imagem. Mas, claro, nada deve ser gravado em pedra também. Se a gente pensar nas cartas como forças, a gente percebe que elas podem se manifestar de várias formas diferentes. Uma leitura, e especialmente uma leitura sem posições, se torna meio que um mapa das forças atuantes naquele momento. Já falei isso por aqui

De qualquer forma, fica a ideia. Significados concretos tornam a leitura mais tangível, tanto para o leitor como para o consulente. E isso não pode ser nada senão proveitoso – afinal de contas, estamos em Assiah, o mundo da ação, em não em Yetzirah, ou Briah 😉

Talvez chegou a hora de buscar um pouco mais de concretude nas minhas leituras. Mmm…

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O nome do Naipe de Terra . . . . .Eu tenho pra mim que, concernente ao nome e à identificação, o naipe do elemento Terra é o mais variado dos quatro. Tradicionalmente chamado de Moedas (Coins), ele passou a ser chamado de Pentáculos (Pentacles, em inglês, Pantacle, em francês) no século 18/19 e, posteriormente, Discos (Disks). Seu símbolo também mudou um pouco, com as moedas sendo substituídas por discos com pentagramas gravados neles. Pra quem não sabe, pentagramas são aquelas estrelas de cinco pontas que a gente encontra nos discos do naipe de Ouros do RWS, por exemplo. E, eventualmente, no pescoço desse ou daquele wiccano, no metro, na padaria, na balada…

O que eu tenho pensado é, já que eu uso o RWS, talvez eu devesse usar aqui no blog uma nomenclatura mais fiel à terminologia empregada nesse baralho para denominar cada naipe. Na prática, Ouros passaria a ser Pentáculos ou Pentagramas, e Paus passaria a ser Bastões, ou mesmo Cetros – uma tradução mais adequada de Wands, em inglês. Em português não existe distinção entre a nomenclatura dos naipes do Tarot e do baralho comum – em inglês existe. Dá uma olhada na tabelinha – –


Isso sempre me confunde demais, de forma que, se eu vou jogar baralho com algum amigo que fala inglês, eu acabo sempre dizendo os nomes dos naipes em tarotês, e todo mundo fica olhando pra minha cara.

Bem, mas voltando ao naipe de Ouros – quer saber como que Moedas virou Pentagramas?

Tudo parece ter sido fruto de um mal-entendido que acabou se fixando – coisas do século 19, rs. De acordo com Paul Huson (Mystical Origins of the Tarot, livro incrível, compre!) Mathers é o responsável pela introdução do termo Pentacle, e isso se deve a um mal-entendido de tradução do francês para o inglês. Mathers bebeu de Lévi. Em um de seus livros, Lévi refere-se à Moeda do Tarot dizendo tratar-se de um pantacle. Pantacle é, na verdade, uma palavra inventada por Lévi, variante de pentacle, que quer dizer “pentagrama”, “estrela de cinco pontas”. Lévi criou essa diferença de grafia para designar um novo termo – é um neologismo dele, portanto. No uso que Lévi fazia da palavra, pantacle significa basicamente um talismã, um amuleto. Foi nesse sentido que ele se referiu às moedas do naipe de Ouros do Tarot como pantacles, ou seja, amuletos, talismãs. Ele quis dizer que as moedas eram símbolos vivos que sumarizavam e portavam um conceito mágico, ou uma doutrina mágica. Se a gente viajar um pouco, pode pensar no naipe de Pentagramas como o receptáculo material da força espiritual/imaterial dos ouros três naipes – daí ele ser visto como um talismã. Mathers, aparentemente, carregou essa afirmação para outro nível, e Waite, provavelmente seguindo Mathers, incluiu pentagramas nos discos dourados do seu naipe de Ouros. No Pictorial Key, Waite diz –

O signo do naipe é representado como gravado e brasonado com o pentagrama, mostrando a correspondência dos quatro elementos da natureza humana pela qual podem ser governados. Em muitos baralhos antigos de Tarot, esse naipe corresponde a moeda corrente, dinheiro, deniers. Não inventei a substituição pelos pentáculos, e não tenho motivo especial para defender a alternativa. Mas o consenso das significações divinatórias apoia alguma mudança, porque as cartas não parecem dizer respeito especialmente a questões de dinheiro.

Depois disso, o resto é história. Crowley, por sua vez, parece ter dado preferência ao termo Disk para designar esse naipe – mas isso é outra história.

Abaixo, as definições para as duas palavras na língua portuguesa – pentáculo e pentagrama – do dicionário Michaelis online

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pentáculo
pen.tá.cu.lo
sm Figura geométrica, símbolo de um ser invisível ou de uma doutrina.

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pentagrama
pen.ta.gra.ma
sm (penta+grama4) 1 Mús Conjunto de cinco linhas paralelas, sobre as quais se escrevem as notas musicais. 2 Figura simbólica ou mágica de cinco letras ou sinais. 3 Estrela de cinco pontas, símbolo do microcosmo.

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Card Counting . . . . . Não é de hoje que eu vejo essa técnica de leitura sendo citada aqui e ali. Porém, nunca me dignei muito a realmente experimentá-la. Esse fim de semana, dando uma olhada no blog do Jason, vi uns exemplos de tiragens onde ele aplica essa técnica numa leitura de Cruz Celta. Decidi experimentar um pouco com ela e, após ler alguma coisa e ver alguns videos, me arrisquei – e bam!, adorei. Card Counting, ou contagem de cartas, é uma técnica desenvolvida pela GD, destinada a ser usada em conjunto com a técnica de Elemental Dignities, ou dignidades elementais. Consiste basicamente em você contar as cartas de acordo com seu número, para extrair cartas relevantes de um grupo. É muito complicado pra explicar, mas muito fácil de entender, uma vez que você vê a técnica em ação – –

Considere a seguinte linha de cartas:


Três de Pentagramas – Oito de Pentagramas – Nove de Espadas – Quatro de Espadas – Sete de Espadas – Oito de Copas – Dois de Bastões – Sete de Bastões – Dez de Copas

A ideia é contar as cartas para verificar cartas proeminentes no processo. Existe um motivo para eu só ter incluído cartas numeradas de naipes nessa linha, e isso é porque as coisas ficam mais complicadinhas com as outras. Você pode ler essa linha normalmente – progresso feito no trabalho ou nos estudos, seguido de alguma preocupação o adoecimento que obrigam o consulente a se afastar de suas atividades por um tempo, o que o leva a reavaliar uma mudança de lugar, etc… Então, você pode aplicar a contagem de cartas. O número de cartas a serem contadas é o número da carta inicial, ou da carta onde a contagem parou pela última vez.

Começando com a primeira carta (mais uma vez, nem sempre é assim, mas pro exemplo, vai ser), Três de Pentagramas, contamos então mais duas cartas seguintes, que dá no Nove de Espadas (será que esse foco no trabalho não acabou por estafar o consulente?). Daí, você olha as cartas ao redor – Oito de Pentagramas + Quatro de Espadas (ele está muito cansado, e precisa de um tempo longe de tudo). O Oito e o Quatro são elementalmente opostos, então eles se anulam mutuamente, deixando o Nove de Espadas bastante forte. Continuando, contamos então nove cartas, junto com o Nove de Espadas – o que dá no Oito de Pentagramas, mais uma vez a temática do trabalho, com as cartas circundantes mostrando muito esforço e esgotamento mental, pânico. Continuando, chegamos no Dez de Copas – isso vai trazer satisfação e realização ao consulente, no final das contas; o Sete de Bastões e o Três de Pentagramas indicam sucesso e vitória sobre as adversidades. O Sete é elementalmente oposto ao Dez, mas o Três faz a ponte, deixando a tríade forte e positiva. O Dez conta de novo a si mesmo – ou seja, sucesso confirmado. Quando a contagem cai em uma carta em que já caiu antes, a contagem cessa. A gente acaba por identificar toda uma narrativa no meio da leitura.

Muito muito legal. O mais legal é que dá para aplicar isso a leituras posicionas também. Vou continuar a experimentar com esse método, e atualizo sobre ele mais pra frente.

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Lady Gaga + Tarot . . . . .Como toda estrela que se preze, Lady Gaga coleciona boatos a seu respeito. Um dos boatos que ultimamente têm rolado na rede em torno de sua figura especula sobre um possível envolvimento da cantora com o Tarot. O motivo é o simbolismo implicado em alguns de seus videos e imagens promocionais. De fato, algumas imagens dão algum pano pra manga. O exemplo mais comentado é, sem dúvida, o video de Poker Face, um dos singles de seu algum debut, The Fame (2008). Logo no começo desse video, Lady Gaga emerge de uma piscina, ladeada por dois cães. A semelhança com a carta da Lua é no mínimo perceptível. Mais tarde, no final mesmo video, Lady Gaga troca carícias com um rapaz em um jardim com paredes de plantas, sob o sol nascente. Mais uma vez, tem sido levantada a questão de se essa não seria uma analogia à carta 19, o Sol. Os elementos na cena podem ser comparados aos das versões mais antigas dessa carta.

Claro, existe um número considerável de diversas explicações para essas similaridades, antes que a gente comece a especular a sério o uso direto de imagens do Tarot nos videos da cantora. De qualquer forma, a ideia de que Lady Gaga usa simbolismo esotérico em sua obra já foi levantada antes, não relacionada especificamente ao Tarot. Alguns vão além, e especulam sobre um possível envolvimento de Lady Gaga com manipulação simbólica da mídia, os Illuminati e mensagens subliminares – não necessariamente nessa ordem.

Independente de Lady Gaga, eu não acho loucura postular que a cultura pop usa muito do simbolismo oculto para causar esse ou aquele efeito na mente das massas. Se símbolos realmente têm poder e influência além do perceptível, vocês acham que governos e a mídia iriam perder esse recurso?


Enquanto isso, Gaga exibe um chapéu enorme, à la lemniscata, no video para Telephone

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Fica a ideia, rs.

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A função do corte. . . . .Há alguns meses eu publiquei um post curto questionando sobre as origens do hábito de cortar as cartas na hora da leitura. Não dediquei muito pensamento a respeito dessa questão de suma importância desde então (¬¬), porém a conclusão a que eu cheguei foi que nosso hábito de cortar as cartas é provavelmente importado do carteado. Entretanto, durante uma conversa esses dias, um amigo me deu a seguinte explicação – o corte simboliza a permissão que o consulente concede ao leitor para abrir suas cartas. Legal, né? Um ato simples, que sempre passa despercebido, reveste-se de uma relevância ritualística, simbólica. Interessante.

Bem, há quem discorde – sempre há quem discorde…

De qualquer forma, ninguém vai discordar de que cortar as cartas ajuda a embaralhá-las mais – o que abre mais espaço para a “Força do Acaso” agir.

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Cortes e mais cortes – Em um de seus vídeos, John Ballantrae fala de seu hábito de embaralhar o maço três vezes e cortá-lo em montes de três, repetindo o mesmo processo por três vezes. Gostei da ideia, e tenho feito assim ultimamente. Faz muito, muito tempo, li num livro que as cartas devem ser cortadas em direção ao consulente, quando este estiver presente, e na direção do leitor, quando este estiver lendo para si mesmo. Acho que isso viro automático pra mim – sempre faço assim.

Isso faz diferença? Pra você, não – pra mim, faz. É um ato que tem poder para mim, e com certeza deve agir dentro de mim.

Isso é uma das explicações para a Magia, aliás…

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Quick Cut – corte rápido, leitura relâmpago. . . . .Mais uma que eu vi no blog do Jason. Na verdade, uma amiga minha já havia me comentado sobre essa técnica há anos, ela mesma tendo aprendido de um outro amigo. Jason diz ter pegado esse método de um livro de cartomancia chamado It’s All in the Cards, por Chita Lawrence. O mundo das técnicas de leitura de cartas é assim mesmo, tudo na base do boca-a-boca, rs…

A força contundente intensa do Ás de Espadas aliada ao poder de controle da Força?? Mmm, interessante.

A força contundente intensa do Ás de Espadas aliada ao poder de controle da Força?? Mmm, interessante.

O método que Jason descreve só difere do da minha amiga por ser mais específico quanto às posições. Bem simples: embaralhe seu maço e corte-o. Você tem agora dois maços, certo? Vire o maço de cima inteiro como se estivesse abrindo uma página de livro. A carta que você vir será a carta 1 (ou seja, a última carta do primeiro maço do corte). Agora, vire o segundo maço do mesmo jeito – a última carta, novamente, será a carta 2.

A carta 1, chamada de “carta interior” (por ter estado ‘dentro’ do maço?) basicamente dá a resposta à questão; a carta 2, chamada de “carta exterior” (claro…), fornece informação adicional, complementar.

Ótima técnica para iniciantes exercitarem a cabecinha, ou mesmo para ser usada como abertura inicial de uma leitura mais detalhada. Segundo Jason, a resposta tem duração de até um mês – bastante tempo para uma leitura rápida e simples, não?

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E o espírito, onde fica?. . . . .Uma amiga taróloga, a Marcela Alves, me levantou essa questão esses dias. Quer a gente queira, quer não, a prática da leitura de cartas faz parte do campo da espiritualidade, provavelmente pelo seu caráter “transcedental”, digamos – cartas sendo usadas para ver o futuro e dar orientação. Pois é. Tradicionalmente é assim, e a tradição sobrevive – ainda que muita gente não se sinta muito confortável com esse “estigma”.

Entretanto, esse parece ser o assunto menos tratado por aí, não? Provavelmente porque falar sobre isso é andar sobre ovos – são tantas emoções, rsrs. Mesmo assim, fica a ideia ~ vou tentar abordar mais essa temática por aqui, em posts futuros. Acho mais legal tratar sobre as experiências de cada um, porque não tem muito como ser objetivo com esse tipo de coisa mística, não? Antes de querer impor a ideia de que o Tarot é espiritual ou não, de tomar partido, acho que vai ser mais legal expor as experiências do pessoal. Todo leitor de cartas tem a sua pra contar…

Talvez, muita gente se sinta ainda estranha por vivenciar isso ou aquilo, e compartilhar com outros tire um pouco dessa sensação de isolamento.

Também, acho que vai ser um pouco legal remexer na questão de o Tarot ser ou não ser algo espiritual, da participação ou não de consciências imateriais, etc.

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Mais uma ideia que fica…

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E eu vou ficando por aqui. Lembrando que participar de blogs faz muito bem prá saúde, então, não hesite – eu gosto J

setembro 26, 2009

Disposição – A Decisão

Filed under: Disposições — Tags:, , — Leonardo Dias @ 6:49 AM

Essa disposição é útil para momentos em que precisamos tomar decisões. Foi tirada do livro The Tarot Bible, de Sarah Bartlett, e consiste em seis cartas, arranjadas no formato de um pentáculo (estrela de cinco pontas), com a sexta carta no meio.

Decision Maker SpreadPosição 1 Você Agora – basicamente, o estado mental ou de humor em que você se encontra no momento da leitura, que vai influenciar a decisão em questão;

Posição 2 Seu foco – o objeto da sua decisão. É comum a gente achar que conhece o objeto de uma dada necessidade de tomar uma decisão, porém muitas vezes estamos apenas nos enganando. Essa posição irá trazer luz sobre esse aspecto – ou seja, o seu real desejo ou objetivo, o real motivo por trás dessa necessidade de decisão;

Posição 3 Influências difíceis – fatores que impedem ou atrapalham na tomada da decisão. Também, coisas que podem levá-lo a tomar a decisão errada;

Posição 4 Isto faz sentido – o contrário da posição anterior, isto é, coisas que irão te ajudar a tomar a decisão certa.

Posição 5 Insight inesperado – uma influência futura que provocará uma compreensão sobre aonde ir daqui e como tomar a melhor decisão.

Posição 6O Resultado – o que vai acontecer depois que a decisão for tomada.

As posições 1 e 2 se concentram mais no sujeito da situação – seu estado, seus desejos, o que ele quer, e como ele está; posições 3 e 4 falam dos aspectos bons e ruins da situação, e como eles influenciam no estado do sujeito e em sua decisão; já as posições 5 e 6 se voltam mais para o futuro.

agosto 26, 2009

Elemental Dignities II

Filed under: Elemental Dignities — Tags:, , , , — Leonardo Dias @ 4:07 AM

No post anterior eu apresentei os princípios e conceitos básicos do método de Elemental Dignities. Neste post, darei exemplos de como esse método pode ser aplicado em leituras.

Usarei primeiro dois exemplos, em combinações hipotéticas de duas cartas, respondendo a perguntas simples, para mostrar a interação dos elementos aliada aos significados dos arcanos; em seguida, mostrarei como a interação dos elementos pode atuar numa leitura de três cartas.

O objetivo desses exemplos é mais mostrar a dinâmica do método em funcionamento. Portanto, o leitor deve concentrar-se mais nisso do que nos significados que eu confiro às cartas, ou na minha forma de interpretação – coisas que, até certo ponto, são tão pessoais quanto o significado de cada palavra, para cada pessoa.

Exemplo 1

Uma pessoa deseja vender seu carro, para comprar um modelo melhor; quer saber sobre as possibilidades de esse plano dar certo. A resposta foi:

18 – A Lua                              16 – A Torre

água fogo

A Lua, pertencente ao elemento água, fica em desarmonia com a Torre, que é do elemento fogo. Uma carta enfraquece o significado da outra. Assim, podemos ver uma situação confusa, cheia de contratempos e problemas, enganos e imprevistos. Pode haver um problema na documentação, ou o carro mesmo acabar se envolvendo num acidente que, embora leve (a carta da Torre tem seu impacto atenuado pela perda de energia) atrapalhe a venda. A Lua mostra também que a própria pessoa não sabe direito o que quer, e é presa fácil de enganação e de pessoas querendo tirar vantagem. Eu diria que a venda do carro não vai acontecer de imediato, não sendo realmente um momento para se pensar nisso. A pessoa deve tomar cuidado, e dar-se mais algum tempo para decidir se é isso o que realmente quer.

Exemplo 2

Perspectivas de melhoria na vida sentimental de uma moça:

Rei de Paus                                Ás de Copas

fogo água

Embora ambas as cartas sugiram claramente o surgimento de sentimentos por um homem carismático e interessante, possivelmente maduro, a combinação fogo + água enfraquece a força das duas cartas. Enquanto o Rei de Paus perde um pouco do seu ímpeto com o Ás de Copas, o ás perde parte de sua intensidade, como a água começa a evaporar-se quando exposta ao fogo – os sentimentos não duram. Eu diria que há a possibilidade de aparecer um homem que vai mexer com os sentimentos da moça, mas que isso não vai ser muito duradouro ou significativo, no final das contas.

Exemplo 3

A disposição usada a seguir foi desenvolvida por eu mesmo, a partir da consulta com uma única carta. Essa disposição oferece uma resposta objetiva ao questionamento, bem como uma análise sucinta da situação, que pode ser expandida. Vale lembrar que essa disposição não descreve progressão temporal. Faz uso de três cartas, onde a primeira dá a resposta, enquanto as duas seguintes oferecem mais esclarecimentos e conselhos. A disposição é feita conforme a imagem abaixo –

Neste método teremos a oportunidade de explorar mais a dinâmica da interação dos elementos. A adição de uma terceira carta quebra a dicotomia limitada existente nos pares.

É importante dizer que existe aqui um esforço em descrever uma leitura de cartas, processo naturalmente espontâneo, de forma esquematizada, visando uma compreensão maior do leitor. No processo da leitura, todos os detalhes e análises de cada aspecto da interação fluem naturalmente, e as camadas de interpretação ficam misturadas. A interpretação acontece conforme eu analiso. Assim, por mais que a descrição detalhada de cada estágio de interpretação faça a coisa toda parecer complicada demais, a prática é natural.

A consulente, já há algum tempo trabalhando num estágio, gostaria de saber sobre a durabilidade deste serviço, e a possibilidade de ser efetivada. A disposição das cartas segue o esquema abaixo:

Os elementos das cartas são –

FOGO

TERRA ÁGUA

A energia geral desse grupo de cartas é claramente passiva, o que denota lentidão, e mesmo estagnação. A presença de somente números pares denota certa passividade, reforçada pela profusão de números quatro (em numerologia, números pares são de polaridade feminina). Todas as cartas indicam estados inertes. A primeira coisa que salta aos olhos aqui é a inércia da situação – as coisas tendem a progredir lentamente, os resultados custam a chegar, o trabalho parece ser lento e moroso. Por outro lado, existe estabilidade e durabilidade.

Definido o clima geral, vamos a algumas considerações sobre os elementos. A variedade de elementos aqui é tão saudável quanto um conjunto de três cartas permite, com cada carta pertencendo a um dos quatro elementos. No entanto, eu não diria o mesmo sobre o teor da relação entre eles. A relação entre os elementos pode ser colocada num esquema como o seguinte:

O elemento mais forte dessa disposição é claramente a terra, em perfeita harmonia com a água, e em compatibilidade com fogo. A tensão entre a água e o fogo enfraquece os dois. No entanto, tendo o suporte de sua relação positiva com a terra, a água não fica tão fraca quanto o fogo, que tem sua ação tolhida por tantas energias passiva.

Assim, poderíamos dizer que a situação é mais parada do que mutável. As ações tomadas têm suporte material, e frutificam em seu devido tempo. No entanto, não são muitas, e seu efeito também não é muito forte.

O impacto que essa interação tem na resposta é que o Dois de Paus, indicando domínio sobre a situação e capacidade de realização, tem sua força de ação enfraquecida pelas duas outras cartas. A carta retrata um soberano meio indeciso entre seu próprio reino e o resto do mundo a conquistar. Nesse caso, vemos o soberano permanecendo em seu reino, mesmo desejando conquistar novos campos. Sua resistência a mudanças (Quatro de Ouros) e sua desmotivação (Quatro de Copas) o impedem de pôr em prática os seus desejos e sonhos. Dessa forma, vemos que enquanto a consulente deseja talvez tentar trabalhar em lugares mais atrativos e instigantes, provavelmente permanecerá nesse emprego, porque a estabilidade que ele oferece lhe é mais interessante no momento. O Quatro de Copas sugere também certa apatia. Em suma, vemos uma situação estável e fixa, onde os desejos e aspirações encontram alguma dificuldade para se manifestarem com força.

Após analisarmos o funcionamento da interação dos elementos na leitura, aplicamos isso ao significado de cada carta. A seguir, algumas ideias sobre o significado de cada uma –

Dois de Pausautoridade, poder, iniciativa, capacidade, potencial

Quatro de Ourosestabilidade, controle, apego, posso, aversão a mudanças

Quatro de Copasapatiga, desmotivação, estagnação emocional, insatisfação, introspecção

O Dois de Paus como resposta diz basicamente que a consulente tem ótimas chances de sucesso nesse estágio. A carta sugere que seu trabalho é apreciado e respeitado, conferindo a ela mesmo certa notoriedade. A carta também parece indicar seu desejo de galgar novas posições, e se mostra positiva a esse respeito. Contudo, influenciada pela energia das cartas como um todo, esse Dois de Paus acaba tendo algo de sua força reprimida, ou retardada. O peso do Quatro de Ouros faz os planos do Dois de Paus acontecerem mais lentamente.

As duas cartas restantes dão pormenores sobre a resposta. Sendo a carta mais proeminente na disposição, o Quatro de Ouros indica estabilidade, mas também resistência/dificuldade de mudar. A consulente se encontra em uma situação que, embora vantajosa, progride lentamente. A influência do Quatro de Ouros estende-se às demais cartas, fortalecendo a estagnação apática do Quatro de Copas, e minando o ímpeto do Dois de Paus. O Quatro de Copas, apesar de enfraquecido pelo Dois de Paus, tem o suporte da carta de ouros. Esta carta me sugere que a consulente, mesmo muitas vezes insatisfeita com a sua situação, não encontra muita motivação para mudá-la.

O processo de interpretação pode ser esquematizado em camadas de sistemas de significação que, sobrepostas, formam a imagem geral de uma leitura.

agosto 21, 2009

Elemental Dignities

Filed under: Elemental Dignities — Tags:, , , — Leonardo Dias @ 4:52 AM

Depois de algum tempo estudando Tarot e fazendo leituras, uma das coisas que a gente acaba por perceber é que a relação entre as cartas em uma disposição é tanto ou mais preponderante do que os significados particulares de cada carta. Apesar de serem símbolos autônomos e independentes, quando em conjunto os arcanos do Tarot se comportam essencialmente como palavras, tendo a sua significância (ou a sua gama particular de significados) regulada pelo contexto da leitura, pela interação entre as cartas, e o papel que exercem no todo que é a disposição. Há pouco tempo, descobri uma forma de relacionar as cartas que tem me interessado muito.

A relação entre as cartas é natural e se estabelece automaticamente. Com o desenvolvimento do estudo do Tarot através do tempo, as pessoas foram percebendo isso, e então desenvolveram-se métodos de associação e combinação das cartas. Entre tais sistemas, um dos mais populares hoje em dia é o método de Elemental Dignities (popularmente chamado de EDs). Traduzir essa expressão é um difícil – nunca vi nada semelhante a isso na literatura tarológica brasileira. Contudo, eu não sou a pessoa mais adequada para falar sobre isso, visto que a grande maioria das coisas que leio sobre Tarot vem de autores americanos ou ingleses. Sucintamente, é um método de avaliação da importância e atividade das cartas em uma disposição, baseando-se nos elementos associados a cada carta, e na relação que se forma entre eles. O primeiro a descrever esse método foi o ocultista MacGregor Mathers, em seu livro The Book T, escrito no final do século XIX.

Existem várias formas de dignities, que usam como base associações astrológicas, posicionais, e etc. Para muitos tarólogos, seu uso é fundamental. Muitos usam esse sistema como alternativa par as cartas invertidas. Eu mesmo conheci esse método enquanto procurava por artigos sobre cartas invertidas. Em minha opinião, o método de elemental dignities abre mais espaço para as cartas falarem entre si, bem como para uma quase infinita variação de nuances de significado. O que mais me atraiu nesse sistema foi a possibilidade de ter o significado de cada arcano alterado, sem que isso inclua reversão de cartas – nunca me senti muito confortável com a ideia de olhar cartas de cabeça para baixo, rs.

O esquema básico desse método é bastante simples. Ele requer apenas alguma intimidade com a simbologia dos elementos. Cada elemento se relaciona de certa forma com os demais, e tais relações podem ser classificadas como boas, neutras, ou ruins. Nesse contexto, “bom” e “ruim” descrevem o caráter da combinação, em relação ao ganho/perda de energia. Dizendo simplesmente, algumas combinações de elementos resultam em um aumento de energia – elas geram energia; outras combinações resultam num decréscimo de energia – tais combinações perdem energia, ao invés de produzirem mais. Seria como dizer que algumas interações são exotérmicas e outras endotérmicas, rsrs. No linguajar de Mathers, cada elemento tem seus “amigos” e seus “inimigos”. Poderíamos resumir esse princípio desta forma:

  • Quando duas ou mais cartas são “elementalmente” concordantes, a associação entre elas resulta em aumento de energia;
  • Quando duas ou mais cartas são elementalmente discordantes, associações entre elas resultam em diminuição de energia;
  • Quando duas ou mais cartas são elementalmente complementares, não ocorre nem aumento, nem diminuição de energia; sua força permanece a mesma.

Eu chamo uma carta envolvida em uma associação concordante de bem-aspectada, e uma carta envolvida em uma associação discordante de mal-aspectada.

Antes de irmos às regras, eu gostaria de esclarecer um ponto de importância fundamental na conceitualização das Elemental Dignities. O objetivo desse método é verificar a proeminência de cada carta numa disposição, através do quão cada carta está forte na disposição. Não se trata de descobrir quais cartas são “boas” e quais cartas são “ruins”. As combinações não têm a ver com o quanto uma coisa pode ser favorável ou desfavorável ao consulente, e sim com a intensidade da influência de cada carta. Exemplo: o Nove de Copas é uma carta geralmente considerada “boa”. Bem-aspectado, ele ganha energia, e seu bom efeito pode ser ainda maior; mal-aspectado, o Nove de Copas não vira uma carta “ruim” – ele enfraquece, apenas.

A regra para essas combinações é simples, e pode ser resumida assim –

  • Fogo e Ar são amigos e ativos;
  • Terra e Água são amigas e passivas;
  • Fogo e Água são inimigos – eles enfraquecem um ao outro;
  • Ar e Terra são inimigos – eles enfraquecem um ao outro;
  • Fogo e Terra fortalecem um ao outro, mas são neutros;
  • Ar e Água fortalecem um ao outro, mas são neutros.

A essas seis regras, eu acrescentaria mais uma –

  • Fogo e Fogo/Ar e Ar/Terra e Terra/Água e Água são amigos, se fortalecem, e caracterizam excesso.

As combinações amigáveis caracterizam-se por um acréscimo na energia; as combinações conflituosas apresentam um decréscimo na energia de ambos os envolvidos; as combinações classificadas como neutras representam um meio-termo entre essas duas. Por combinarem um elemento ativo com um passivo, suas forças meio que se equilibram.

Cartas envolvidas em combinações amigáveis são consideradas mais fortes, e seu significado é fortalecido; cartas que integram combinações conflituosas perdem energia, e seu significado é enfraquecido. A explicação para isso é simples – o aumento de energia gera mais atividade; o decréscimo de energia, mais passividade (pense num carro sendo acelerado e desacelerado). Quanto mais um elemento/carta é ativo, mais fortemente ele se manifesta em uma determinada situação ou coisa. A ausência de um ou mais elementos em uma leitura irá mostrar as carências e pontos fracos de uma situação. A influência das Elemental Dignities se sobrepõe ao significado de cada carta. É precisamente isso que altera e complementa a nossa visão em uma leitura.

A HIERARQUIA DE INFLUÊNCIA DENTRO DOS 78 ARCANOS

Embora todas as 78 cartas do Tarot tenham um valor igualmente importante e especial, certos tipos de arcanos têm mais relevância do que outros em uma leitura. Olhando com mais atenção para os 78 arcanos do Tarot, podemos perceber certa hierarquia de importância ou poder. Ao longo do tempo eu desenvolvi esse sistema, que classifica cada tipo de carta de acordo com sua força:

  • 1 Arcanos Maiores;
  • 2 Figuras da Corte;
    • Reis;
    • Rainhas;
    • Cavaleiros;
    • Pajens;
  • 3 Ases;
  • 4 Cartas Numeradas.

Os 22 Arcanos Maiores (as cartas que vão do Louco ao Mundo) são mais fortes do que todas as outras cartas. Eles representam arquétipos, grandes temas presentes na vida das pessoas. Numa leitura, sua presença tem mais peso do que as outras cartas. Mesmo que mal-aspectado, um arcano maior ainda detém parte de seu impacto.

As Figuras da Corte (Reis, Rainhas, Cavaleiros e Pajens) têm mais capacidade de lidar com a força dos Arcanos Maiores do que os Ases, ou as cartas numeradas, talvez por representarem personagens dentro da historinha do Tarot. Também, dentro da corte do Tarot é possível estabelecer-se um sub-ranking, onde Reis são mais fortes do que Rainhas, estas mais fortes do que Cavaleiros, etc. Os Pajens, contudo, ainda são mais fortes do que os Ases.

Ainda que considerados parte do grupo de cartas numeradas, os Ases podem ser separados em uma categoria especial, por representarem a raiz de cada um dos quatro elementos incorporados nos naipes. Sua força numa consulta é um pouco maior do que a das cartas numeradas. Em muitos decks (baralhos de Tarot, como o Waite-Smith, o Marselha, ou o Egipcian Kier) os Pajens são mostrados portando o símbolo do naipe nas mãos. Isso me sugere que eles “portam” os Ases. Realmente, Pajens e Ases têm em comum o fato de serem forças em estado potencial. A diferença, ao meu ver, é que os Ases são essas forças em si, enquanto os Pajens simbolizam a força dos Ases manifestando-se no indivíduo, de forma pouco desenvolvida.

Por último, temos as cartas numeradas, ou seja, os Arcanos Menores que vão do Dois ao Dez de cada naipe. Na minha experiência com o Tarot, tais cartas expressam mais experiências e situações. Eu poderia dizer que as cartas numeradas mostram o desenrolar dos elementos de cada naipe.

Poderíamos também relacionar cada classe de cartas com os níveis do esquema de acontecimentos da vida, sendo:

1 Arcanos Maiores Arquétipos ou grandes temas Símbolos, conceitos, temas, experiências-chave.
2 Figuras da Corte Os personagens sob a influência dos arquétipos As pessoas participantes em dada situação; aspectos da personalidade atuantes numa situação.
3 Ases As raízes das quatro forças elementais Manifestações dos elementos em seu estado “bruto” na vida das pessoas.
4 Cartas Numeradas Situações, fatos e experiências Situações ou estados de ser; posturas, comportamento, acontecimentos e circunstâncias.

Vendo por esse ângulo, fica mais fácil entender por que os Arcanos Maiores são mais poderosos do que os Arcanos menores numerados. O Carro, por exemplo, é a expressão de um grande tema – a conquista, a independência, o poder. O Seis de Paus expressa algo semelhante – êxito, vitória, respeitabilidade. No entanto, o segundo refere-se mais a um acontecimento ou circunstância do que a um conceito propriamente dito.

Até agora sabemos então que o teor das relações entre as cartas pode ser elucidado através da interação de seus elementos; também vimos que uma carta tem mais ou menos proeminência sobre as outras, de acordo com a categoria à qual pertence dentro do Tarot. Nos próximos posts, pretendo estender esse tópico com exemplos de leituras, e mais pormenores a respeito da dinâmica das EDs.

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