Descobrindo o Tarot

setembro 17, 2011

ESCLARECENDO MINHAS IDEIAS DE VIAJAÇÃO NAS IMAGENS DO TAROT

Filed under: Videos — Tags:, , , , — Leonardo Dias @ 2:11 AM

Pra ninguém dizer que eu não avisei.. rs.

dezembro 15, 2010

UPDATES DE SIGNIFICADOS 8 – Dez de Bastões e o perdão

Opressão. Sobrecarga. Peso insustentável.

Essas são as palavras que geralmente nos vêm à mente tanto quando lemos sobre, quanto quando simplesmente olhamos para essa imagem. De fato, está na carta – o sujeito realmente carrega um peso que aparenta aproximar-se dos limites de sua força. Nas palavras do próprio Waite, “The chief meaning is oppression simply.” (‘O principal significado é simplesmente opressão’).

Em consequência dessa noção fixada, foi desconcertante quando, ao lançar ao Tarot a questão “o que é perdão?”, obtive como resposta o Dez de Bastões. Minha primeira ideia foi que o baralho estava me dizendo que perdoar era tirar um enorme peso das costas. Entretanto, isso não me pareceu soar bem – além de extremamente lugar-comum, tal interpretação não estava coerente com a imagem da carta, essa longe de mostrar alguém tirando qualquer esforço de cima de si. Tirei alguns segundos para mergulhar mais fundo no Dez de Bastões – olhar a imagem de verdade.

“Perdoar é um tremendo esforço, que te leva aos seus limites, demanda capacidade de sustentação e foco, confiança e força de vontade. E, sim te deixa desorientado, e te faz perder de vista aonde quer chegar.” O Tarot é simples – óbvio até. Pena que a gente goste tanto de complicar. Naquele momento, nos curtos segundos em que eu fiz o exercício de mergulhar um pouco além da superfície do Dez de Bastões, obtive um poderoso insight que ficou na minha cabeça pelo dia inteiro. Não que perdoar signifique sempre isso – claro. É só que, naquele momento, e no contexto da minha situação, perdoar traduziu-se pelas combinações de sabores e aromas semânticos que o Dez de Bastões compreende.

Acho inclusive que isso foi um bom exemplo da coisa toda de trazer a carta ao contexto da situação, e indo além, tirar um substrato proveitoso de sua atividade. Ler cartas abrange mais saber contextualizar e combinar ideias que decorar significados e lançá-los na leitura.

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Voltando ao Dez de Bastões, o que vemos? Os diversos elementos próprios do campo conferem a essa cena um ar rural. Ao fundo, campos arados, e uma construção que lembra uma casa grande de fazenda. Os campos parecem ser os mesmos do Pajem e do Cavaleiro de Ouros; a casa parece ser a mesma vista de dentro no Quatro de Bastões. No primeiro plano, um homem forte, com roupas semelhantes às de um camponês medieval, carrega um conjunto de varas, como se fossem um fardo. Em vez de carregá-las nas costas, ele as carrega de uma maneira incomum – todas à frente de seu rosto, obstruindo sua visão. Ainda assim, sua postura é curvada, como a de alguém que carrega algo muito pesado sobre as costas.

A cena da última carta do naipe de Bastões parece ser o resultado natural do desejo de êxito ilustrado ao longo de todo esse naipe – o impulso de conquista do Três, a aclamação do Seis, a extrema força e resistência do Nove, etc. É interessante notar que na primeira carta da saga de Bastões, o Dois, o sujeito já é dono de uma vasta propriedade. Os campos arados, tanto no Dois quanto no Dez, sugerem mesmo poder agrícola, que envolve propriedade, produção de bens de consumo e comércio. As terras do homem do Dois de Bastões desembocam num grande corpo de água, possivelmente o mar, o que me faz pensar mais uma vez em poderio comercial. O mar, agora com navios similares aos de Colombo, se repete na carta seguinte, o Três. O que motivou as explorações do século 15/16 se não o desejo de comércio e expansão de território? O dono de terras agora quer estender seus domínios, e aumentar sua riqueza – ele quer mais. Levando isso em consideração, temos a tênue sugestão de que ambição e ganância são duas palavras que, embora não mencionadas, estão na raiz dessa carta.

Waite não se limita a definir o Dez de Bastões como opressão – –

(…) O principal significado é simplesmente opressão, mas é também ventura, ganho, qualquer espécie de sucesso, e então é a opressão dessas coisas. É também uma carta de falsa aparência, disfarce, perfídia. O lugar de que a figura está se aproximando pode sofrer com os bordões que ela carrega (…)”

A parte da perfídia Waite tirou claramente de Etteilla, que oferece para essa carta uma lista de palavras tais como “traição, subterfúgio, deslealdade e dissimulação”. Interessantemente, a lista de significados de Etteilla para o Dez de Bastões quando invertido aproxima-se muito dos significados que Waite posteriormente lhe atribui – –

Obstáculo, atenciosidade, barreira, impedimento, fustigação, dificuldades, dor, arduidade, inconveniência, miséria, ninharia, queixume, pedra no caminho, defesa, fortificação, refúgio.

A ideia central de Etteilla gira em torno de obstáculos e barreiras (como a que se forma com as varas entravando a visão do homem) e dificuldades e arduidade (sua postura pesada, o doloroso esforço que ele faz para carregar sua carga). Por outro lado, Etteilla também fala de refúgio, o que me faz pensar no casarão ao fundo.

Na avaliação final da carta, eu não levo tanto em consideração os significados do Dez de Bastões relativos à constelação da perfídia, e nem tanto aos de refúgio, e essa escolha não é arbitrária. No meu estudo, meu lastro na avaliação da força de cada carta é a sua imagem no RWS. Minha regra pessoa dita que quanto mais algo é explicitado na imagem, mais fortemente ele representa seu caráter. No entanto, a verificação dessas nuances de significado é importante a fim de que entendamos melhor os elementos componentes da imagem – muitas vezes, um elemento aparentemente dispensável (como a casa, na carta em questão) passa a fazer sentido quando vemos o que os autores possivelmente tinham na cabeça ao criarem a carta.

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Viajando. . . . . .Juntando à cena o que Waite diz a respeito da carta, podemos imaginar uma estorinha em que a fazenda pertence ao homem, assim como o casarão do fundo. Ele conseguiu tudo isso com muito trabalho e, agora, luta para manter tudo o que alcançou. No maior estilo ‘mordendo mais do que se é capaz de mastigar’, ele arca com as consequências de sua própria ganância.

Alternativamente, se pensarmos na sequência do naipe de Bastões de trás para frente – como ela é exposta no livro de Waite para o baralho – o homem do Dez de Bastões é um trabalhador que se esforça aos seus limites para conseguir domínio e poder. Na então última carta da sequência, o Dois de Bastões, ele é retratado como alcançando tudo isso.

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Examinando um pouco, percebemos portanto que a receita original do Dez de Bastões envolve generosas quantidades de muito esforço, peso e sofrimento, como também pitadas apimentadas de ambição e ganância, o que confere à mistura um aroma geral do peso do sucesso. A força causal dessa carta é simplesmente o peso enorme oprimindo o consulente, então ela pode surgir em leituras para sinalizar o trabalho mega cansativo de sustentar tal peso. A maior mensagem que o Dez de Bastões me sugere agora (especialmente com a ideia do perdão em mente) é a de que grandes ambições demandam grande esforço. Como carta final, o Dez de Bastões quer dizer sim sucesso, porém um sucesso que traz mais adversidade que gozo. Você consegue, mas para manter o que conseguiu, terá de lutar tanto quanto o que lutou para conseguir. Ou mais.

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Vivência simples do Dez de Bastões na vida cotidiana. . . . . Imagine-se voltando para casa do supermercado ou do shopping a pé, carregando em cada mão dez sacolas pesadas, cheias do monte de coisas que você comprou. Quem conseguir imaginar, ou mesmo já tiver passado por isso, terá apreendido boa parte da mistura que essa carta abrange.

novembro 21, 2010

CINCO DE BASTÕES- imagem

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Brincadeira.

Diversão.

Ludismo representativo.

Atuação & atividade.

Competição simulada.

Lutinhas.

Agressividade lúdica.

outubro 2, 2010

UPDATES DE SIGNIFICADO 1 – Cinco de Bastões, Cinco de Pentagramas, Nove e Dez de Espadas

podcast #6 aqui!

Significados! Quem é que estuda Tarot e não se preocupa com eles, certo? Ultimamente, eu conscientemente me desviei um pouco desse tema no meu blog, primeiro porque eu acredito que conferir significados às cartas é uma questão muito pessoal, e segundo porque já tem um monte de outros blogs por aí fazendo isso. No entanto, só agora me ocorreu isso (exatamente nesse momento, enquanto eu lia as cartas pra eu mesmo) que seria legal voltar a tratar disso no blog, porque é um aspecto fundamental do estudo do Tarot, afinal.

Os significados que atribuímos a cada carta naturalmente permanecem em processo de constante mudança, porque eles refletem nossa experiência crescente, e também porque nossa visão das cartas vai mudando com o tempo. Eu estou em um momento particular de meio que re-significação das minhas cartas, porque meus estudos estão mudando de rumo (ou melhor, estou vendo com mais clareza o rumo que eu quero seguir), e também porque eu acho que a minha concepção do Tarot se torna mais concreta. Então, tive a ideia de criar essa categoria de posts. Nela, eu vou publicar atualizações de coisas que eu descobri sobre os significados das cartas cada vez que eu tiver um insight que contribua para uma concepção mais ampla de uma certa carta.

O formato é bem livre, os tópicos poderão ser de uma linha, ou de trezentas, rs – prometo me esforçar pra ser sintético. A única coisa que eu vou fazer sempre é criar uma parte especial para significados concretos das cartas – eu como leitor preciso me tunar mais nisso, e vocês como público adoram isso que eu sei 😉 Uma ideia que também acabei de ter foi a de incluir gravações de audios junto com cada post, para aqueles que preferem escutar a ler. O podcast para esse update está disponível para audição AQUI.

Mas, conversa vai, conversa vem, vamos começar logo com isso…

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CINCO DE BASTÕES. . . . . . . . . . . . . . . Muita energia, muita atividade, geralmente sendo gastas com coisas que não requerem tanto, ou bobeiras. Foi sempre mais ou menos assim que eu via essa carta, até realmente ir atrás de mais algum significado. Aqui, Waite tenta bem combinar duas de suas principais fontes para significados – a GD e Etteilla (talvez por intermédio dos trabalhos publicados de Mathers, que baseiam-se largamente no último). A GD significa essa carta por basicamente dor e luta, conflito; Etteilla e Mathers vão mais pela linha de riqueza, fortuna e esplendor, citando mesmo o próprio Sol. Waite parece querer conciliar essas duas visões quando diz que essa carta representa “…encarniçada competição e luta em busca de riquezas e fortuna (…), a batalha da vida.” Legal, eu gostei dessa ideia de “batalha da vida”, porque traz a conotação de luta, esforço e desgaste, próprios do belicoso naipe de Paus.

Meu cálculo pictórico com a imagem é mais ou menos assim – –

  • Meninos/jovens = força juvenil, pueril, portanto embrutecida e intensa, mas pouco educada – – jovialidade, infantilidade, inconseqüência, falta de tato;
  • Eles bagunçando = desordem, bagunça, anarquia, falta de organização, folguedo, coisas efêmeras, explosivas;
  • A aparente falta de propósito = falta de foco, de objetivos concretos, não chega em lugar nenhum direito;
  • Eles podem estar só brincando, então = diversão, no sentido de treino lúdico pra agir, esquentar os motores, prática de esportes.

Eles aparentemente estão só brincando, se divertindo, então dá essa ideia de força juvenil sendo aplicada com pouco foco, mas também a ideia de gastar energia por ter em excesso.

Faz uns dias, essa carta caiu para uma cliente em uma pergunta sobre seu relacionamento com um ficante, e, junto com outras cartas de fogo, o que eu vi foi que ela tinha tanto tesão nele que, na hora de transar, metia os pés pelas mãos e perdia o controle, por ir com muita sede ao pote.

A aparente prática de esportes me faz pensar nos antigos Jogos Olímpicos – competitividade saudável, esportividade, jogos, competição no trabalho. Cada menino quer mostrar que ele é o mais forte, o mais esperto, o mais capaz…

Muitos conferem a essa carta o significado de pequenas coisas que, juntas, trazem complicaçõezinhas de pouca importância, mas que tiram tempo e energia.

O significado de Waite, embora não muito evidente na imagem, é interessante, porque traz uma dimensão nova à carta que meio que concilia esse significado de probleminhas a luta intensa da vida, do dia a dia – problemas, tribulações, complicações que exigem nosso cuidado, afazeres.

Então, a gente fica com mais ou menos esses dois núcleos de significado – intensa atividade e luta, complicações. Acho que o importante sobre essa carta é saber que nada aqui é sério, é tudo meio simulado, lúdico. Tipo briga de menino, sabe? A fronteira entre a brincadeira e a agressão é muito tênue, e é o que eu vejo nessa carta.

Essa carta pode até representar discórdia e briguinhas, mas é mais a busca da desestabilização como uma forma de “usar as ferraduras novas” do que o genuíno desejo de agredir e injuriar do Cinco de Espadas, por exemplo.

A desordem que reina aqui recebe um fim na carta seguinte, onde a gente pode ver o nobre cavaleiro que chegou e colocou ordem no pedaço. Os cinco meninos agora tem alguém a quem obedecer, e o seguem. A energia deles é canalizada a um fim específico. Esse é o êxito do Seis de Paus.

Astrologicamente, essa carta é Saturno em Leão, então a gente pode facilmente ver as associações de dificuldades e lutas da vida (Saturno) com as riquezas e glória (Leão).

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Significados concretos – –

  • Muita energia
  • Atividade constante
  • Esportes, atividade física
  • Treinamento físico
  • Brincadeira, diversão
  • Problemas, complicações
  • Luta cotidiana

Tá se perguntando como decidir-se entre os significados? Intuição + cartas vizinhas + contexto da leitura + dignidades (se você as usa). Mistério nenhum…

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CINCO DE PENTAGRAMAS. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Continuando na vibe dos Cincos, outra carta desse número, do naipe de Pentagramas. Faz tempo que eu tive esse insight, mas vou aproveitar o espaço. Foi durante uma conversa com uma leitora do blog, no chat – adoro essas conversas casuais, insights costumam vir quando a gente menos espera por eles.

No Cinco de Pentagramas, vemos sutilmente uma mensagem de cunho social, e profundamente filosófica também. Num nível imediato, a imagem dessa carta denuncia as mazelas da nossa sociedade, com seus contrastes; em um nível mais profundo, contempla a própria condição humana.

Essa carta mostra uma condição marginal – do lado de fora, os mendigos, leprosos, sem rumo na neve do inverno – são os danados, a “sobra” da sociedade. Do outro lado, do qual só podemos ter uma vaga sugestão pelo vitral, o interior quente, confortável e ricamente ornado da catedral – o mainstream social, a Igreja, dona da mentalidade vigente, do establishment. Na carta, temos, muito levemente, esse contraste delineado.

Tradicionalmente, os dois naipes “masculinos” – Bastões e Espadas – tratam da busca individual, ao passo que os dois naipes “femininos” – Copas e Pentagramas – tratam do convívio social, da família, e da vida em comum. O naipe de Pentagramas é tematizado no trabalho, na atividade que dá frutos e se converte em valor corrente, no funcionamento da sociedade como um organismo. Se você não participa da sociedade, você está fora dela, automaticamente destinado a vagar sem rumo, sem teto, com uma identidade fraturada pela ausência de um lugar próprio.

Pensando um pouco mais, essa carta traz também uma interessante mensagem espiritual. Tudo se centra na janela. A janela é também um símbolo de passagem, e marca o contato limitado entre dois mundos, entre dois estados de ser. Aqui, ela é uma ligação entre a realidade hostil do mundo humano, e a graça e glória do mundo espiritual, do qual só temos um mero vislumbre através das cores do vitral. Os dois mendigos retratam a condição humana, e poderiam mesmo ser comparados às duas personagens (um homem e uma mulher, a propósito) acorrentadas no Diabo e lançadas da Torre. Somos nós. E a mensagem da carta é bem simples – longe do Espírito, nós, como eles, não somos nada além de carne ambulante e perecível às intempéries.

Eu tive esse insight durante uma leitura destinada a responder a uma pergunta simples da leitora com quem eu conversava – será que a gente manipula ou falseia a leitura? Pra mim, a resposta foi clara – qualquer falsidade é decorrente da nossa própria miséria, e da nossa dificuldade em ver a realidade do Espírito através das cartas. O Tarot é mesmo uma janela para outra percepção de realidade, mais ampla.

A interpretação de Waite é tão direta como a imagem – essencialmente, “percalços materiais” mesmo. Talvez não tão dramáticos como na carta, mas ela passa a ideia. Waite também menciona um significado alternativo de amor, união e afinidades, que é o significado mais antigo atribuído a essa carta (o que trata de problemas com dinheiro é da GD). Embora Waite se queixe sobre a dificuldade em conciliar ambos significados, Pamela parece ter empregado seu talento aqui com maestria ao retratar um casal miserável – mesmo sob a miséria total, eles não se separam. Em leituras sobre amor, eu às vezes leio essa carta como o casal passando por dificuldades que testam sua união.

A ilustração do vitral sempre me intrigou… ela mostra os cinco pentagramas dispostos em uma árvore. O que será que isso quer indicar? A Árvore da Vida? Crescimento? A Árvore do Mundo, tipo Yggdrasil, de onde tudo provém (a Árvore como fonte espiritual)?

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FATOS SIMPLES

  • No Rider-Waite-Smith, os Cincos são todos associados à quinta sephirah, Gevurah, que corresponde a Marte, e é por isso que todos eles são cartas difíceis.
  • Preste a atenção à figura da esquerda. Ela carrega um sino no pescoço. Esse é um antigo sinal de lepra – leprosos costumavam ter sinos no pescoço para que as pessoas soubessem facilmente quando eles se aproximavam e, assim, saíssem de perto. Os curativos na cabeça e no pé direito do homem confirmam isso. Mais uma vez, a temática da intensa exclusão social.
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"Silent morning...."

"Silent morning...."

 

NOVE DE ESPADAS – – – – – é noite, a pessoa está em agonia sobre a cama;

DEZ DE ESPADAS – – – – – a noite acabou, o dia amanhece, a luz da manhã exibe a cena lúgubre.

😉

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É, achei essa ideia de comentários breves até melhor do que passar semanas me dedicando unicamente a uma carta, num post mega longo que poucas pessoas vão acabar lendo. Comentários são bem vindos. Ideias, idem.

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SOM

A trilha sonora de hoje foi mais electro pop, e quem marcou presença foi – –

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NEW YOUNG PONY CLUB, com F.A.N., penúltima faixa do primeiro album da banda, Fantastic Playroom, de 2007.

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DRAGONETTE, marcando presença com My Things, diretamente do último album da banda, Mixin to Thrill, na verdade uma compilação de mixes lançada esse ano..

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LADYTRON, arrasando com Playgirl, do primeiro album da banda, 604, de 2001.

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PORTISHEAD, num remix de Machine Gun feito pelo NOISE FLOOR CREW. A faixa vem originalmente do tão esperado Third, de 2008.

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PONY PONY RUN RUN, com hit Walking On a Line, do album You Need Pony Pony Run Run, de 2009.

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THE TING TINGS, contribuindo com Shut Up and Let Me Go, um dos hits do album debut deles We Started Nothing, também de 2008.

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CHUNGKING, com a eletrizante Slow It Down, parte de Stay Up Forever, de 2007..

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BRITNEY SPEARS, com Break the Ice, uma das melhores faixas do seu quinto album de estúdio, Blackout, lançado em 2007..

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APPARAT, marcando presença com Arcadia, de seu album Walls, 2007..

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ANNELI DRECKER, fechando o set com louvor com Stop This, uma das faixas mais legais de Frolic, de 2005.

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LINK

JAMES RIOUX é um dos melhores escritores de Tarot que eu conheço, e um dos que estão nas minhas bases de estudo. Você pode checar muitos artigos dele aqui. O site está meio mal cuidado, mas não se engane – conteúdo excelente. James também é o autor dos significados para as cartas que constam no site da ATA – American Tarot Association, a associação de Tarot dos Estados Unidos – textos excelentes, foram por muito tempo minha fonte primária de consulta – – aqui. Vale total à pena.

setembro 20, 2010

S..E..X

Filed under: Notas — Tags:, , , , , , — Leonardo Dias @ 3:59 AM

janeiro 16, 2010

Notas

Filed under: Notas — Tags:, , , , , , — Leonardo Dias @ 9:47 AM

Decidi adicionar mais uma categoria ao blog, a de notas, que vai consistir em posts breves sobre assuntos diversos. Muitas vezes eu escrevo alguma anotação no meu diário e acabo achando que seria legal compartilhar no blog, então essa categoria se destina também a isso. Além disso, eu costumo escrever textos longos, e pensei que talvez uma categoria só com textos curtos pudesse agradar mais àqueles que não têm tanta paciência.

Três de Paus = Instinto Explorador

Tive esse insight enquanto assistia a um filme, The Day the Earth Stood Still (“O Dia em que a Terra Parou”, 2008). O filme começa nos anos vinte, com um explorador em expedição solitária pelas montanhas Karakoram, na Índia. No meio de uma tempestade de neve, através da lona de sua cabana, ele percebe um estranho brilho ao longe. Ao sair, verifica que o brilho vem do alto de um cume, que ele então, intrigado pelo mistério da luz, decide escalar. O que o fez escalar uma montanha foi simplesmente seu instinto explorador, sua curiosidade em saber o que tem do outro lado.

Foi provavelmente a imagem de um homem nas montanhas a primeira coisa que me fez pensar automaticamente no Três de Paus. Essa carta também mostra um homem no cume de uma montanha, contemplando um panorama que é privilégio para os poucos que conseguem subir. A própria imagem da carta facilmente sugere esse instinto explorador, essa curiosidade natural em todo mundo, manifestada em maior ou menor intensidade. É aquele desejo que nos impulsiona em direção ao desconhecido, que nos faz querer saber o que existe do outro lado do mar – mesmo sabendo o quanto isso pode ser arriscado, como o homem do filme, que escalou toda uma montanha só para saber que luz era aquela. Na carta, o homem olha para os limites distantes do horizonte, que delineia os contornos quase invisíveis de outras terras. Os três navios no mar me fazem pensar nas caravelas de Colombo, explorador por excelência.

Esse instinto explorador, aventureiro, combina perfeitamente com a associação do Três de Paus com o segundo decanato de Áries, regido pelo Sol, que aqui intensifica o senso de iniciativa, aventura e autoconfiança do Carneiro. O homem da cena subiu lá sozinho, e conseguiu por acreditar em si mesmo e ter seu coração preenchido por esse desejo aventureiro, a paixão pelo novo. E ele não está contente – já avista outras terras a serem exploradas, além do mar.


Personagens de costas no Waite-Smith

Falar sobre o Três de Paus lembrou-me de outra coisa em que eu tenho pensado ultimamente – os personagens que aparecem de costas nas cenas do RWS. Não são muitas – menos de quinze cartas exibem personagens de costas com alguma relevância. Comparando todas as cartas, percebi que esse traço geralmente indica despersonalização ou anulação do ego. Digo isso porque o nosso rosto a nossa frente é o que mais nos identifica. De costas, perdemos nossa face, perdemos nossa identidade. O Cinco e o Sete de Copas, e o Dez de Paus são exemplos claros; todos mostram figuras absorvidas, reduzidas. Os dois sacerdotes menores do Hierofante também parecem indicar isso – eles não têm rosto porque não têm identidade, eles seguem a doutrina e são parte dela; renunciaram a si mesmos e dedicam suas identidades a essa doutrina. Também, os dois discípulos representam os dois caminhos de aprendizado e, dessa forma, representam não alguém específico, mas todo um grupo de pessoas. Seus caminhos são indicados pelos bordados de seus mantos – o da esquerda, com um manto estampado com rosas, representa o caminho do coração, da devoção e do amor (é o fiel, o devoto que se emociona, se entrega ao culto); o da direita, com vestes bordadas com lírios, representa o caminho da mente, da pureza e da renúncia (o ascético, que aprende através do estudo e da renúncia). Outra ideia que personagens de costa parecem sinalizar é a partida para um novo lugar, uma nova fase. O Oito de Copas, o Seis de Espadas e o próprio Três de Paus parecem sugerir isso.


setembro 5, 2009

Exercício SPR – Rainha de Paus

Filed under: Exercício SPR — Tags:, , , , , — Leonardo Dias @ 3:43 AM

Wands13A carta sorteada hoje para análise é a Rainha de Paus. A Rainha de Paus incorpora a energia do naipe ao qual pertence, com a profundidade e a visão introspectiva característicos das Rainhas; é energética, charmosa e intensa. Eu a vejo como alguém que segue seu coração o tempo todo. Determinada e competente, ela sempre vai em busca do que quer. Todas as Rainhas do Tarot são intuitivas e sensíveis – na Rainha de Paus, isso manifesta-se como instinto. No Tarot, as rainhas são associadas ao elemento água. Na Rainha de Paus, temos então água mais fogo – ebulição. Como acontecimento, essa rainha indica sucesso nos empreendimentos e realização dos desejos. Aqui vai a análise dessa carta posicionada nas três casas da disposição de situação, problema e recursos:

Casa I – A Situação

Como situação, essa carta pode representar alguém com as características da Rainha de Paus que está envolvido de forma relevante na situação. Também podemos interpretá-la como esse lado do consulente se fazendo presente na situação onde ele se insere. Seu lado intento, idealista, dedicado e radiante pode estar ativo no momento. Ele pode estar investindo tudo de si em algo, ou fazendo alguma coisa com muita paixão. Ilustrando um acontecimento, temos aqui sucesso, vitória e realização.

Casa II – O Problema/desafio

O problema aqui é o exagero. A Rainha de Paus tende a ser dramática, intensa demais, e às vezes mesmo teatral – histriônica. Nesta posição, essa carta pode indicar que o consulente está fazendo uma tempestade em seu copo d’água. Ele pode estar reagindo de maneira muito exacerbada, pode estar fazendo um escândalo desproporcional. Outra possibilidade é a de ele estar investindo energia demais, ou cedo demais, ou mesmo em algo que não merece tanto investimento. Outros significados incluem autoritarismo, idealismo cego e mente fechada.

Casa III – Os Recursos/vantagens disponíveis

A posição três indica os recursos de que o consulente dispõe para lidar com a sua situação. A Rainha de Paus traz consigo boas doses de auto-confiança, fé nos ideais, carisma e magnetismo pessoal, charme, otimismo, paixão e boa disposição. Essa rainha também pode indicar, claro, uma pessoa específica que pode ajudar o consulente, dando-lhe coragem e restaurando sua fé em si mesmo, por exemplo.

Olhar os detalhes dos desenhos das cartas pode ser uma experiência instigante. Deles podemos extrair significados que nos ajudam a conhecer melhor cada carta, nos familiarizarmos com elas. Um detalhe que sempre me chamou a atenção na Rainha de Paus do baralho Waite-Smith é o gato preto aos pés da rainha. Essa carta também contem diversas imagens que aludem a outros felinos, os leões – ladeando o seu trono, e gravados em relevo em seu espaldar, junto com os girassóis. Isso automaticamente me remete a duas divindades egípcias – Bast, ou Pasht, a deusa-gato da fertilidade (leia-se capacidade de ter filhos), do lar e da feminilidade e; Sekhmet, a deusa leoa do Alto Egito, relacionada à guerra e ao próprio faraó. Ambas divindades são relacionadas ao sol. Os gatos costumam ter papéis proeminentes em diversas culturas, mas o fato de o Tarot ter sido tão associado ao Egito desde sua descoberta, no século XVIII, me sugere que o gato da Rainha de Paus tem uma conotação mais egípcia. Bast foi uma das deusas mais populares do Egito antigo. Originalmente associada à guerra e ao próprio sol, tais atributos mais tarde foram conferidos a Sekhmet, ficando Bast mais associada à fertilidade e ao lar. As duas deusas tem aspectos e atributos similares, e seus papéis muitas vezes se confundem. O caráter solar da Rainha de Paus é evidente. O gato, ali, além de poder significar o lado mais doméstico e dedicado dessa rainha, pode estar associado às bruxas e seus encantos. Os gatos também são associados, desde o Egito antigo, aliás, à Lua.

O Gato da Rainha de Paus - mais Deusas egípcias

Apesar de gostar de listas de significados, eu acredito que analisar cada carta em seus diversos níveis de interpretação (a imagem em si, os conceitos que ela expressa, as associações elementais/astrológicas/numerológicas, etc.) nos leva a uma compreensão mais consistente de cada arcano. Claro, isso leva tempo; e, sim, listas são legais por sintetizarem os conceitos de forma esquemática (o que facilita a memorização), e por servirem bem como fonte de consulta rápida. Contudo, a exemplo das palavras, os significados das cartas define-se pelo seu uso. Embora normalmente analisemos cada carta separadamente, é em conjunto, na leitura, que elas mostram sua vida.

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