Descobrindo o Tarot

novembro 25, 2010

Desdobramentos de significados para o Pajem de Espadas + impopularidade do Crowley-Harris-Thoth

Recentemente, Henrique levantou duas questões que eu achei interessante postar aqui pro público, por serem dois assuntos que dão um pano pra manga legal. Sem mais enrolação por hoje, vamos direto ao ponto. Primeiro, os assuntos mais simples.

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Crowley-Harris-Thoth……………………………………………Henrique já começa mexendo na polêmica e deixando a ideia no ar –

Porque existem tão poucas informações sobre o tarot de Thot? Existe muito preconceito sobre esse tarot, mas penso que a simbologia dele é bastante rica e que ele tem uma incrível força com relação a intuição do leitor. Mas algumas cartas parecem ser bem confusas, principalmente se comparadas aos outros sistemas. Uma dessas cartas que me intrigam é o 7 de Pentáculos entre outros que tem significação bem diversa. O que você tem a dizer sobre esse baralho e seus “mistérios”?

Eu já percebi que faltam mais divulgadores do CHT em português, e eu acho que isso se deve largamente à predileção da mentalidade brasileira pelas visões mais tradicionais do Tarot. Eu percebo que a mentalidade predominante do Tarot no Brasil valoriza mais o que é tido como clássico, e o CHT, com suas diversas modificações e inovações, meio que vai de encontro com todos esses valores. A personalidade de Crowley – ou, melhor dizendo, a imagem construída ao seu redor, e a caricatura daí decorrente – também parece contribuir para essa torceção de nariz. Pessoas não falam muito sobre o CHT, logo, pessoas não ouvem muito sobre ele – e então você tem uma reação em cadeia, e um processo que se retro-alimenta.

Eu não sei muito sobre o CHT, mas o que eu percebo é que ele é geralmente pouco compreendido – em parte por requerer do praticante que se propõe a esgotar suas possibilidades (ou, ao menos, usá-lo levando em consideração suas proposições originais) um conhecimento grande sobre outras áreas da doutrina esotérica. Quem não está afim de estudar já sai fora nesse primeiro item. Mas, de novo, nem todo mundo acredita que precisa saber disso para fazer uso do Thoth (ou de qualquer outro baralho), e eles não estão certos – nem errados, rs. Waite critica a cartomancia popular, mas deslavadamente a reproduz em seu trabalho; Crowley parece ter levado o Tarot completamente para o âmbito da Magia, do ocultismo, e de todas essas coisas pouco acessíveis, nem tanto por serem ocultas, mas muito por serem complexas, e exigirem bastante do aspirante a praticante.

A impressão que eu tenho do Thoth é que, com ele, o babado é sério. Crowley não estava de brincadeira ali. Nem ele, nem Lady Frieda Harris, que demorou cinco anos para finalizar o projeto, que incluiu, muitas vezes, diversas versões para uma mesma carta, até que se chegasse à mais próxima do ideal. Cinco anos, contra os nove meses em quem o Rider-Waite-Smith foi pintado (não que o RWS seja inferior, mas o trabalho foi maior no Thoth). Seu simbolismo é intrincado. Sua arte é elaborada. As propostas que lhe subjazem, arrojadas. A ideia por trás do Thoth é que ele não é só uma ferramenta de análise passiva da realidade, mas de influência ativa sobre a mesma. Crowley levou a sério a ideia de que as ‘cartas são alguéns’. Eu já disse isso aqui – no Thoth, Tarot e Alta Magia alcançam um patamar de união. Nesse sentido, eu acredito que o Thoth representa um novo salto no Tarot – um salto mais além. Waite tornou o Tarot acessível; Crowley consolidou sua relação com a Magia.

No entanto, mais uma vez, nada de julgamentos de valor. A coisa toda não é uma linha reta, e eu penso mesmo que essa mentalidade linear é prejudicial. Alexander Lepletier disse uma coisa em sua palestra da Mystic Fair que eu achei muito legal – tradições devem suprir as necessidades de seus praticantes.

Sobre os significados das cartas, oque eu sei é que Crowley levou bem a sério os preceitos da Golden Dawn sobre o Tarot, e o sistema que ela desenvolveu, fazendo mudancinhas aqui e ali no que ele julgava necessário. Os significados das cartas no CHT, bem mais que no RWS, baseiam-se bastante em Astrologia e Cabala, e nas correspondências desses sistemas com o Tarot, segundo a GD. Eu acredito que qualquer diferença pode ser verificada quando levamos esses fatores em consideração. Não é que suas cartas não fazem sentido, ou ‘estão erradas’ – é só que elas se distanciam dos outros sistemas em vários pontos.

Como eu disse, eu não sei muito sobre o CHT, meu foco é o RWS. Adash, do Pergaminho das Eras, é o especialista em Thoth que eu mais conheço. Se você lê em inglês, o Paul Hughes-Barlow do Supertarot.co.uk também é expert em Thoth.

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Deespadaempunho(s)………………….Em um post antigo sobre o Pajem de Espadas, Henrique levantou a seguinte questão –

Esta carta pode ser entendida também como pessoa de comportamento ansioso ou situação causadora de ansiedade? Falo isso porque penso nela desta forma em alguns jogos…………………………………………………..

“Ansiedade” é uma palavra muito usada hoje em dia. Geralmente, eu vejo pessoas usando essa palavra para identificarem uma situação ou um sentimento caracterizado por um forte desejo de que algo se realize – como quando você fica ansioso para que seu namorado chegue logo; ou para que venha logo o prato delicioso que você pediu no restaurante. Pelo que eu percebo, no discurso cotidiano, “ansiedade” identifica a aflição inquieta motivada por um desejo intenso por algo que ainda não se têm, mas sobre o qual há certa perspectiva de se ter em breve. Aquela sensação de eu-não-posso-mais-esperar, de quero-isso-muito-agora. Por outro lado, eu também vejo as pessoas usarem muito essa palavra como sinônimo de preocupação, aflição e sofrimento – “Calma, você tá muito ansiosa”.

A origem da palavra é anxius, adjetivo latino que quer dizer algo como “apreensivo, preocupado, atormentado”. Interessantemente, a origem do anxius latino é uma raiz que centraliza ideias de sufocamento, constrição e aperto. “Ansiedade” não se focaliza no desejo, e muito menos no objeto desejado, mas sim no desconforto que esse desejo não-satisfeito provoca. É essa entidade abstrata que ela parece pretender nomear.

Ainda assim, no dia-a-dia, “ansiedade” tem muito uma conotação de “desejo”, de “anseio“, desejo intenso e impaciente.

ansiedade

sf (lat anxietate) 1 Aflição, angústia, ânsia. (…) 3 Desejo ardente ou veemente. 4 Impaciência, insofrimento, sofreguidão.

Quando eu penso sobre “ansiedade”, me vem logo de cara outra palavrinha na cabeça – cupidez.


Sim, o nome do deus romano do amor, Cupido, está relacionado a essa palavra. Cupidu quer dizer “desejoso”. Desejo-insatisfação-sofrimento, essa é a constelação que eu proponho para “ansiedade”. Estaria o Pajem de Espadas, portanto, cúpido? Se sim, cúpido de que?

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Eu não costumo ver o Pajem de Espadas como nada disso.

Não diretamente, ao menos.

Entretanto, essa relação entre o Pajem de Espadas e o conceito da inquietação ou do desassossego não é nova, e parece ser popular, até. Muitas pessoas associam esse Pajem a inquietação, algumas mesmo levando essa noção de inquietação para caminhos mais pesados, transformando o Pajem de Espadas em um mensageiro de preocupações, insegurança, desconforto e problemas. É interessante notar essa evolução no processo de significação de uma carta. Uma perninha vai puxando a outra. Gera-se uma reação em cadeia de associações.

Essa visão mais pesada do Pajem de Espadas é curiosamente sugerida em seu retrato no Rider-Waite-Smith, sobre o qual Waite comenta:

“(…) Atravessa um terreno acidentado, e sobre o seu caminho as nuvens dispõem-se turbulentamente. Ele é alerta e ágil, olhando para todos os lados, como se um esperado inimigo pudesse surgir a qualquer momento.”

(‘(…) He is passing over rugged land, and about his way the clouds are collocated wildly. He is alert and lithe, looking this way and that, as if an expected enemy might appear at any moment.‘)

“Terreno acidentado”. “Nuvens dispostas desordenadamente”. Nem tem como negar. Confusão e problemas, sim. Já ouvi gente comentando que as nuvens ali sugerem confusão mental, pensamentos enuviados – ainda mais com uma boa porção das nuvens bem perto do rosto do personagem.

Mas, também, atenção – “(…) he is alert and lithe, looking this way and that, (…)”

Eu vejo o Pajem de Espadas mais como curiosidade, observação, descoberta, novas ideias, vivacidade, agilidade, flexibilidade, animação; e também como certa presunção, uma certa atitude de sabe-tudo, ou problemas de mal-entendido, dependendo das cartas ao redor. Eu gosto muito da descrição de Waite quando ele descreve esse pajem como “uma figura esbelta, viva, (…), caminhando com passos rápidos” (‘A lithe, active figure (…), in the act of swift walking‘). Silfídico (o que, convenhamos, é bem próprio de um personagem do elemento Ar). A descrição retrata um personagem todo atividade, meio inconstante, leve, fugidio e mutável – como as nuvens ao fundo, no céu, e o chão onde ele pisa. Outra coisa que me chama a atenção nesse pajem (e que já ouvi comentários antes) é a forma que ele segura a espada – com as duas mãos (detalhe que Waite também salienta quando diz ‘holds a sword upright in both hands’), como se não soubesse direito como portar uma espada. Ele é o único de sua corte a fazer isso.

Parece que, com o tempo, esse pajem parece ter incorporado bastante do aspecto mais conflituoso e problemático do naipe de Espadas. As pessoas parecem ter-lhe atribuído tal papel. No entanto, nem sempre foi assim. As primeiras tentativas de significar essa carta não foram tão contundentes com a coisa das intrigas, ou confusão. Etteilla não fala nada sobre isso. Em seu sistema, o Pajem de Espadas é muito relacionado a observação cuidadosa, espionagem e pesquisa – constelação de significado que Waite carregou à sua versão do Tarot, deixando-a parcialmente impressa na imagem de um jovem ativo sempre alerta, e com uma postura de desconfiança e certa tensão. De Mathers, Waite parece ter pegado os significados relativos a autoridade e poder. Indo por outra corrente, mais ligada à Cabala, a Golden Dawn caracteriza a sua Princesa de Espadas como graciosa, ágil, destra e meticulosa, e traça paralelos entre sua figura e as figuras de duas deusas romanas, quando diz que ‘(…) she is a mixture of Minerva and Diana – Minerva (a Athena grega) e Diana (Ártemis), justamente as duas deusas sempre virgens, alheias aos homens, imagens do feminino auto-suficiente, questionador do poderio masculino. Crowley endossa essa visão, e acrescenta que, quando mal-aspectada, sua inteligência e agilidade dispersam-se, tornam-se incoerentes, e criam um caráter baixo, voltado a fins vis.

O meu take sobre esse pajem é que ele representa as ideias em seu processo de formação, quando elas ainda estão pouco definidas, inconstantes e mutáveis. Sua imagem no RWS salienta seus aspectos de observação, atenção e agilidade – bem como, em certa medida, a rebeldia e irreverência mencionadas pela GD. O Pajem de Espadas pode tropeçar (claro, num chão desses…) – mas não perde o rebolado.

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Respondendo diretamente a sua pergunta, Henrique, eu não sei de onde exatamente você tirou de associar o Pajem de Espadas a ansiedade, mas nós dois pudemos ver que essa noção não é infundada. Existe sim uma visão desse pajem que o associa a complicações e problemas. Se você pratica com o RWS, é possível que você tenha sentido isso na imagem – os desenhos de Pamela são bastante eloquentes. Assim, se o que você procura é respaldo, não lhe falta.

Eu tenho percebido que esse desejo nosso (não sei se seu, mas muitas vezes meu, e eu admito sem vergonha) de confirmar significados tende a calcar-se em uma vontade de justificar, legitimar, normatizar uma intuição ou insight que temos a respeito dessa ou daquela carta. Eu também tenho percebido que isso pode estar relacionado à nossa própria insegurança, ao nosso medo de errar, dizer besteira, ser incoerente, etc. Sempre a pressão de acertar, de ser correto, de ser perfeito – os fantasmas velhos dos praticantes de Tarot. Sobre isso, só digo uma coisa – vamos começar a exercitar nossa libertação disso. Ao menos em parte.

Eu acho legal pesquisar os significados de vários autores – particularmente os que estabeleceram as bases da conceitualização do Tarot de hoje. Quase sempre nossas ideias revelam-se ecos – mais ou menos fiéis – de algum desses pensadores. Quase sempre, a gente acaba percebendo que nossas ideias não são novas, que já teve gente que trilhou nosso caminho (e foi além) e, pra mim, isso é o legal de estudar o trabalho desse povo.

Significados são coisas pessoais – especialmente os das cartas menores. Minha descrição aqui pode ter parecido confusa, porém minha intenção foi justamente ilustrar como existe mais de um sistema de atribuição de significado às cartas – e como que, num certo nível, tais significados dependem de cada leitor. Como eu sempre digo, não existe um cânone – o que existem são diversas vozes, diversos expoentes de uma mesma carta, e diversas formas de abordá-la. O legal de estudar essa diversidade é tanto o fato de nos possibilitar contato com uma profusão de significados diferentes, quanto a consciência de que, em matéria de Tarot, nada é tão determinado – e determinista – quanto a gente gostaria que fosse.

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É isso, Henrique. Obrigado por participar do blog, e eu espero ter respondido suficientemente bem às questões que você levantou. Eu sempre complico, mas pelo menos um pouquinho eu tenho que explicar, rs.

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REFS

Minha referência para o post de hoje foi principalmente o site do Paul Hughes-Barlow, Supertarot.co.uk, que conta com uma ótima seleção de significados para todas as cartas, por diversos autores. Também, o Book T, de Mcgregor Mathers. Principal documento sobre Tarot da Golden Dawn.

outubro 2, 2010

UPDATES DE SIGNIFICADO 1 – Cinco de Bastões, Cinco de Pentagramas, Nove e Dez de Espadas

podcast #6 aqui!

Significados! Quem é que estuda Tarot e não se preocupa com eles, certo? Ultimamente, eu conscientemente me desviei um pouco desse tema no meu blog, primeiro porque eu acredito que conferir significados às cartas é uma questão muito pessoal, e segundo porque já tem um monte de outros blogs por aí fazendo isso. No entanto, só agora me ocorreu isso (exatamente nesse momento, enquanto eu lia as cartas pra eu mesmo) que seria legal voltar a tratar disso no blog, porque é um aspecto fundamental do estudo do Tarot, afinal.

Os significados que atribuímos a cada carta naturalmente permanecem em processo de constante mudança, porque eles refletem nossa experiência crescente, e também porque nossa visão das cartas vai mudando com o tempo. Eu estou em um momento particular de meio que re-significação das minhas cartas, porque meus estudos estão mudando de rumo (ou melhor, estou vendo com mais clareza o rumo que eu quero seguir), e também porque eu acho que a minha concepção do Tarot se torna mais concreta. Então, tive a ideia de criar essa categoria de posts. Nela, eu vou publicar atualizações de coisas que eu descobri sobre os significados das cartas cada vez que eu tiver um insight que contribua para uma concepção mais ampla de uma certa carta.

O formato é bem livre, os tópicos poderão ser de uma linha, ou de trezentas, rs – prometo me esforçar pra ser sintético. A única coisa que eu vou fazer sempre é criar uma parte especial para significados concretos das cartas – eu como leitor preciso me tunar mais nisso, e vocês como público adoram isso que eu sei 😉 Uma ideia que também acabei de ter foi a de incluir gravações de audios junto com cada post, para aqueles que preferem escutar a ler. O podcast para esse update está disponível para audição AQUI.

Mas, conversa vai, conversa vem, vamos começar logo com isso…

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CINCO DE BASTÕES. . . . . . . . . . . . . . . Muita energia, muita atividade, geralmente sendo gastas com coisas que não requerem tanto, ou bobeiras. Foi sempre mais ou menos assim que eu via essa carta, até realmente ir atrás de mais algum significado. Aqui, Waite tenta bem combinar duas de suas principais fontes para significados – a GD e Etteilla (talvez por intermédio dos trabalhos publicados de Mathers, que baseiam-se largamente no último). A GD significa essa carta por basicamente dor e luta, conflito; Etteilla e Mathers vão mais pela linha de riqueza, fortuna e esplendor, citando mesmo o próprio Sol. Waite parece querer conciliar essas duas visões quando diz que essa carta representa “…encarniçada competição e luta em busca de riquezas e fortuna (…), a batalha da vida.” Legal, eu gostei dessa ideia de “batalha da vida”, porque traz a conotação de luta, esforço e desgaste, próprios do belicoso naipe de Paus.

Meu cálculo pictórico com a imagem é mais ou menos assim – –

  • Meninos/jovens = força juvenil, pueril, portanto embrutecida e intensa, mas pouco educada – – jovialidade, infantilidade, inconseqüência, falta de tato;
  • Eles bagunçando = desordem, bagunça, anarquia, falta de organização, folguedo, coisas efêmeras, explosivas;
  • A aparente falta de propósito = falta de foco, de objetivos concretos, não chega em lugar nenhum direito;
  • Eles podem estar só brincando, então = diversão, no sentido de treino lúdico pra agir, esquentar os motores, prática de esportes.

Eles aparentemente estão só brincando, se divertindo, então dá essa ideia de força juvenil sendo aplicada com pouco foco, mas também a ideia de gastar energia por ter em excesso.

Faz uns dias, essa carta caiu para uma cliente em uma pergunta sobre seu relacionamento com um ficante, e, junto com outras cartas de fogo, o que eu vi foi que ela tinha tanto tesão nele que, na hora de transar, metia os pés pelas mãos e perdia o controle, por ir com muita sede ao pote.

A aparente prática de esportes me faz pensar nos antigos Jogos Olímpicos – competitividade saudável, esportividade, jogos, competição no trabalho. Cada menino quer mostrar que ele é o mais forte, o mais esperto, o mais capaz…

Muitos conferem a essa carta o significado de pequenas coisas que, juntas, trazem complicaçõezinhas de pouca importância, mas que tiram tempo e energia.

O significado de Waite, embora não muito evidente na imagem, é interessante, porque traz uma dimensão nova à carta que meio que concilia esse significado de probleminhas a luta intensa da vida, do dia a dia – problemas, tribulações, complicações que exigem nosso cuidado, afazeres.

Então, a gente fica com mais ou menos esses dois núcleos de significado – intensa atividade e luta, complicações. Acho que o importante sobre essa carta é saber que nada aqui é sério, é tudo meio simulado, lúdico. Tipo briga de menino, sabe? A fronteira entre a brincadeira e a agressão é muito tênue, e é o que eu vejo nessa carta.

Essa carta pode até representar discórdia e briguinhas, mas é mais a busca da desestabilização como uma forma de “usar as ferraduras novas” do que o genuíno desejo de agredir e injuriar do Cinco de Espadas, por exemplo.

A desordem que reina aqui recebe um fim na carta seguinte, onde a gente pode ver o nobre cavaleiro que chegou e colocou ordem no pedaço. Os cinco meninos agora tem alguém a quem obedecer, e o seguem. A energia deles é canalizada a um fim específico. Esse é o êxito do Seis de Paus.

Astrologicamente, essa carta é Saturno em Leão, então a gente pode facilmente ver as associações de dificuldades e lutas da vida (Saturno) com as riquezas e glória (Leão).

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Significados concretos – –

  • Muita energia
  • Atividade constante
  • Esportes, atividade física
  • Treinamento físico
  • Brincadeira, diversão
  • Problemas, complicações
  • Luta cotidiana

Tá se perguntando como decidir-se entre os significados? Intuição + cartas vizinhas + contexto da leitura + dignidades (se você as usa). Mistério nenhum…

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CINCO DE PENTAGRAMAS. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Continuando na vibe dos Cincos, outra carta desse número, do naipe de Pentagramas. Faz tempo que eu tive esse insight, mas vou aproveitar o espaço. Foi durante uma conversa com uma leitora do blog, no chat – adoro essas conversas casuais, insights costumam vir quando a gente menos espera por eles.

No Cinco de Pentagramas, vemos sutilmente uma mensagem de cunho social, e profundamente filosófica também. Num nível imediato, a imagem dessa carta denuncia as mazelas da nossa sociedade, com seus contrastes; em um nível mais profundo, contempla a própria condição humana.

Essa carta mostra uma condição marginal – do lado de fora, os mendigos, leprosos, sem rumo na neve do inverno – são os danados, a “sobra” da sociedade. Do outro lado, do qual só podemos ter uma vaga sugestão pelo vitral, o interior quente, confortável e ricamente ornado da catedral – o mainstream social, a Igreja, dona da mentalidade vigente, do establishment. Na carta, temos, muito levemente, esse contraste delineado.

Tradicionalmente, os dois naipes “masculinos” – Bastões e Espadas – tratam da busca individual, ao passo que os dois naipes “femininos” – Copas e Pentagramas – tratam do convívio social, da família, e da vida em comum. O naipe de Pentagramas é tematizado no trabalho, na atividade que dá frutos e se converte em valor corrente, no funcionamento da sociedade como um organismo. Se você não participa da sociedade, você está fora dela, automaticamente destinado a vagar sem rumo, sem teto, com uma identidade fraturada pela ausência de um lugar próprio.

Pensando um pouco mais, essa carta traz também uma interessante mensagem espiritual. Tudo se centra na janela. A janela é também um símbolo de passagem, e marca o contato limitado entre dois mundos, entre dois estados de ser. Aqui, ela é uma ligação entre a realidade hostil do mundo humano, e a graça e glória do mundo espiritual, do qual só temos um mero vislumbre através das cores do vitral. Os dois mendigos retratam a condição humana, e poderiam mesmo ser comparados às duas personagens (um homem e uma mulher, a propósito) acorrentadas no Diabo e lançadas da Torre. Somos nós. E a mensagem da carta é bem simples – longe do Espírito, nós, como eles, não somos nada além de carne ambulante e perecível às intempéries.

Eu tive esse insight durante uma leitura destinada a responder a uma pergunta simples da leitora com quem eu conversava – será que a gente manipula ou falseia a leitura? Pra mim, a resposta foi clara – qualquer falsidade é decorrente da nossa própria miséria, e da nossa dificuldade em ver a realidade do Espírito através das cartas. O Tarot é mesmo uma janela para outra percepção de realidade, mais ampla.

A interpretação de Waite é tão direta como a imagem – essencialmente, “percalços materiais” mesmo. Talvez não tão dramáticos como na carta, mas ela passa a ideia. Waite também menciona um significado alternativo de amor, união e afinidades, que é o significado mais antigo atribuído a essa carta (o que trata de problemas com dinheiro é da GD). Embora Waite se queixe sobre a dificuldade em conciliar ambos significados, Pamela parece ter empregado seu talento aqui com maestria ao retratar um casal miserável – mesmo sob a miséria total, eles não se separam. Em leituras sobre amor, eu às vezes leio essa carta como o casal passando por dificuldades que testam sua união.

A ilustração do vitral sempre me intrigou… ela mostra os cinco pentagramas dispostos em uma árvore. O que será que isso quer indicar? A Árvore da Vida? Crescimento? A Árvore do Mundo, tipo Yggdrasil, de onde tudo provém (a Árvore como fonte espiritual)?

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FATOS SIMPLES

  • No Rider-Waite-Smith, os Cincos são todos associados à quinta sephirah, Gevurah, que corresponde a Marte, e é por isso que todos eles são cartas difíceis.
  • Preste a atenção à figura da esquerda. Ela carrega um sino no pescoço. Esse é um antigo sinal de lepra – leprosos costumavam ter sinos no pescoço para que as pessoas soubessem facilmente quando eles se aproximavam e, assim, saíssem de perto. Os curativos na cabeça e no pé direito do homem confirmam isso. Mais uma vez, a temática da intensa exclusão social.
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"Silent morning...."

"Silent morning...."

 

NOVE DE ESPADAS – – – – – é noite, a pessoa está em agonia sobre a cama;

DEZ DE ESPADAS – – – – – a noite acabou, o dia amanhece, a luz da manhã exibe a cena lúgubre.

😉

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É, achei essa ideia de comentários breves até melhor do que passar semanas me dedicando unicamente a uma carta, num post mega longo que poucas pessoas vão acabar lendo. Comentários são bem vindos. Ideias, idem.

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SOM

A trilha sonora de hoje foi mais electro pop, e quem marcou presença foi – –

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NEW YOUNG PONY CLUB, com F.A.N., penúltima faixa do primeiro album da banda, Fantastic Playroom, de 2007.

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DRAGONETTE, marcando presença com My Things, diretamente do último album da banda, Mixin to Thrill, na verdade uma compilação de mixes lançada esse ano..

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LADYTRON, arrasando com Playgirl, do primeiro album da banda, 604, de 2001.

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PORTISHEAD, num remix de Machine Gun feito pelo NOISE FLOOR CREW. A faixa vem originalmente do tão esperado Third, de 2008.

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PONY PONY RUN RUN, com hit Walking On a Line, do album You Need Pony Pony Run Run, de 2009.

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THE TING TINGS, contribuindo com Shut Up and Let Me Go, um dos hits do album debut deles We Started Nothing, também de 2008.

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CHUNGKING, com a eletrizante Slow It Down, parte de Stay Up Forever, de 2007..

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BRITNEY SPEARS, com Break the Ice, uma das melhores faixas do seu quinto album de estúdio, Blackout, lançado em 2007..

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APPARAT, marcando presença com Arcadia, de seu album Walls, 2007..

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ANNELI DRECKER, fechando o set com louvor com Stop This, uma das faixas mais legais de Frolic, de 2005.

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LINK

JAMES RIOUX é um dos melhores escritores de Tarot que eu conheço, e um dos que estão nas minhas bases de estudo. Você pode checar muitos artigos dele aqui. O site está meio mal cuidado, mas não se engane – conteúdo excelente. James também é o autor dos significados para as cartas que constam no site da ATA – American Tarot Association, a associação de Tarot dos Estados Unidos – textos excelentes, foram por muito tempo minha fonte primária de consulta – – aqui. Vale total à pena.

setembro 14, 2010

LEITURA DE CARTAS TEMATIZADA NA DICOTOMIA DE IMAGEM X CONCEITO

podcast #3 aqui!

Como conciliar os conceitos que motivaram a criação das imagens de cada carta, com as imagens em si? Dando uma lida no blog do John Ballantrae, me deparei mais uma vez com essa questão. Dessa vez, fiz diferente, e decidi perguntar ao próprio Tarot como eu deveria proceder. Enquanto eu lia as cartas, achei que seria boa ideia gravar e postar como áudio, pra compartilhar com os leitores do blog. Procurei usar a leitura também como uma forma de ilustrar um pouco dos dois processos de leitura – o que se baseia nos significados, e o que se inspira diretamente nas imagens. A ideia central foi a de, com efeito, combinar ambas formas de ler. O resultado você pode conferir AQUI! Eu ainda não consegui incluir meus audios no player do WordPress, então, ao menos por enquanto, quem quiser escutar as gravações vai ter que acessar o Too Files, que é onde eu armazeno meus arquivos de audio.

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A trilha sonora para o áudio de hoje orbita em torno do pop negro americano do período musical que vai dos anos 50 aos 70, com blues, jazz e disco. Confira o set –

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.Etta James – At Last! e Stormy Weather

 

.Ray Charles – I Can’t Stop Loving You

 

.Stevie Wonder – My Cherie Amour

 

.Thelma Houston – Don’t Leave Me this Way…

 

.Marvin Gaye – Got to Give It Up

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Ilustração Blaze, op art por Bridget Riley, 1963. Peguei aqui (ótimo site de arte).

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Links

Minha jogada de três cartas, aqui – é o primeiro item.

Post do Descobrindo o Tarot sobre dignidades elementais, aqui e aqui.

Blog e site do John Ballantrae.

Post com a temática de imagem e conceito, aqui.

Tarô, a Sorte Pelas Cartas, tradução do The Pictorial Key to the Tarot, de Arthur E. Waite, lançado no Brasil pela Ediouro. Link para 4shared, aqui.

agosto 21, 2010

RAINHA DE ESPADAS + A JUSTIÇA

Mais uma resposta pra perguntas de leitores do blog. A leitora Luciana levantou o seguinte tópico:

Leonardo, estava aqui pensando com meus botões (adoro essa expressão, gostaria de saber de onde saiu), depois de ler o excelente post sobre a Rainha de Espadas, será que existe alguma relação entre ela e o arcano oito, da Justiça? Fiz uma googleada e não vi ninguém fazer essa comparação, apesar de a iconografia ser extremamente parecida.

Luciana, muito legal você perguntar isso, porque mostra duas coisas – como que, apesar de Waite ter feito questão de não se pronunciar sobre isso, o RWS é um baralho bastante baseado na doutrina esotérica da Golden Dawn; e como suas imagens são diretas, de forma que qualquer pessoa é capaz de perceber similaridades e outras coisas entre elas. Eu acredito que essa seja a principal característica que fez do Rider-Waite-Smith um baralho tão popular.

Existe sim uma relação entre a Rainha de Espadas e a Justiça – ambas as cartas estão associadas ao signo de Libra. É por isso, inclusive, que no RWS a Justiça e a Força foram trocadas de lugar. Aos olhos de Waite, para que o esquema de correspondências com os signos e planetas ficasse perfeitamente em ordem, era necessário colocar a Força (Leão) mais pra frente, e a Justiça, Libra, mais depois. Aparentemente, essa relação é bem demarcada nos vários detalhes que as duas cartas têm em comum, como a espada ou o pé direito em destaque.

A Golden Dawn estabeleceu um sistema complexo onde cada carta é associada a um quadrante do céu, a uma fatia do Zodíaco, e a partes da Árvore da Vida cabalística. O sistema todo em si forma uma espécie de teoria de tudo que contextualiza o Tarot num esquema intrincado de correspondências. Nesse esquema, cada carta da corte, fora os pagens, está associada a trinta graus do Zodíaco. A Rainha de Espadas cobre os dez últimos graus de Virgem e os vinte primeiros de Libra.

A beleza do sistema de correspondências da GD é que ele cria uma rede de inter-relações entre as cartas – ele meio que impõe uma estrutura sobre o Tarot que, ainda que artificial, é muito útil. Por exemplo, considerando o fato de que cada figura da corte rege 30° do Zodíaco, e considerando também que cada carta pequena numerada representa um decanato de um determinado signo (isto é, 10° do Zodíaco), temos então que cada figura da corte guarda uma ligação especial com três cartas numeradas dos naipes – as que cobrem os seus 30°. Assim, a Rainha de Espadas está especialmente ligada ao Dez de Ouros (terceiro decanato de Virgem, regido por Mercúrio), ao Dois de Espadas (primeiro decanato de Libra, regido pela Lua), e ao Três de Espadas (segundo decanato de Libra, regido por Saturno). Depois que você se recupera da avalanche de termos técnicos e correspondências, você percebe que tem à disposição um bom material de qualificação para cada figura da corte, que pode acabar com aquele problema de não saber direito a “índole” de cada uma delas.

Essa associação com os signos de Virgem e Libra nos ajuda muito a entender mais a fundo a personalidade da Rainha de Espadas. Por um lado, temos o enfoque analítico e minucioso de Virgem e, por outro, a busca pela a harmonia e a sensibilidade transpessoal de Libra. Isso em si já resulta em uma miríade de adjetivos que descrevem bem a personalidade da Rainha de Espadas – perspicaz, elegante, inteligente, detalhista, exigente, cri-cri, eloquente, astuta, pacificadora, etc. Suas associações com as três cartas numeradas também joga bastante luz sobre sua índole – o valor à tradição e a valores estabelecidos do Dez de Ouros, a índole pacifista do Dois de Espadas ou a decisão racional que sobrepuja os sentimentos, ilustrada no Três de Espadas. Sobre esse último detalhe, os comentários de Waite a respeito da Rainha de espadas parecem concordantes, quando ele diz que “a sua fisionomia é severa, mas digna; sugere familiaridade com a dor.”

Isso nos faz pensar que seria interessante examinar cada uma das doze figuras da corte associadas a cartas pequenas e signos astrológicos e ver como essas associações nos elucidam sobre sua personalidade. Claro, isso vai fazer mais sentido para os estudantes que usam um baralho baseado nos preceitos da Golden Dawn, já que o sistema é deles. É provável que um usuário dos baralhos Marseille ou Wirth tenha mais dificuldade em ver alguma similaridade entre as cartas, porque esses baralhos seguem outras correntes de pensamento tarológico.

Acho, inclusive, uma ideia legal fazer um post explorando mais esse assunto.

Respondendo a sua outra pergunta, Luciana, eu sempre tive pra mim que essa expressão “pensar com os botões” tem a ver com o fato de que quando ficamos pensando sobre algo, olhamos pra baixo, pro nosso peito ou barriga, e antigamente as roupas costumavam ter mais botões nessas áreas. Será que vem daí a expressão?

Obrigado pela pergunta, e pela participação no blog!

julho 23, 2010

AS CARTAS POR AÍ

Filed under: Notas — Tags:, , , , , , — Leonardo Dias @ 8:09 AM

Ah, como eu adoro encontrar as cartas por aí. E você pode encontrar elas em todo o lugar – é só manter a atenção ligada. Alguns exemplos recentes – –

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Pagem de Copas – video Antibodies, por Ponie Hoax a imagem da menina com o peixinho não me fez pensar em outra coisa que não o Pagem de Copas do RWS, tão amigo do peixe em sua taça – eu ainda vou entender mais esse símbolo… O video é ótimo, vale a pena.

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A Sacerdotisa numa citação de Einstein

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Seis de Espadas x Salmo 23, verso 2 “Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranqüilas.” Seria essa imagem textual bíblica uma das fontes de inspiração para a composição da imagem do Seis de Espadas? Fica a ideia…



setembro 3, 2009

Exercício SPR – Ás de Espadas

Filed under: Exercício SPR — Tags:, , — Leonardo Dias @ 1:03 AM

Swords01A carta do exercício de hoje é o Ás de Espádas, segundo ás a aparecer na ordem do exercício. O Ás de Espadas é a raiz do naipe de Espadas, representante do elemento ar no Tarot. Ele é o poder do pensamento em sua raiz, a sua força cortante e objetiva, que define a realidade ao seu redor num só golpe.

Seus significados divinatórios incluem capacidade e poder mentais, uma nova ideia surgindo na mente do nada, compreensão, percepção súbita da realidade e razão. Esse ás é um flash que separa a verdade da ilusão.

Casa I – A Situação

Momento de percepção súbita da verdade. Como a espada, essa verdade tem dois gumes, ou seja, pode também ferir, machucar e magoar, pois separa as pessoas de suas tão bem acalentadas mentiras e falsidades. É importante, portanto, observarmos o caráter dual dessa carta. Ela mostra a verdade por si – seja ela boa ou má, a verdade, independentemente.

Casa II – O Problema/situação

Nesta posição, o Ás de Espadas pode falar de objetividade demasiada. Nossa capacidade de raciocínio nos habilita a classificar as coisas; porém, desprovida do auxílio da intuição, a emoção e a sensibilidade, ela permanece incapaz de contextualizar o que classifica. Aqui vemos que seu poder intelectual afasta do mundo, ao invés de unir a ele. Temos portanto a imagem da pessoa que, por ser objetiva demais, exagerada demais, acaba por afastar-se da verdade que busca, e das pessoas.

Casa III – Os Recursos/vantagens

Uma nova informação-chave para a resolução do problema, capacidade de intelecto exercendo um papel proeminente na questão. Novas ideias e compreensão maior.

agosto 31, 2009

Exercício SPR – Valete de Espadas

Filed under: Exercício SPR — Tags:, , , , — Leonardo Dias @ 11:30 PM

Swords11O exercício de SPR de hoje vai ser sobre o Valete de Espadas. Os valetes são a força do naipe manifestada em seu estado infantil, prematuro e pouco desenvolvido. Associados ao elemento Terra, essas figuras da corte representam exatamente as bases do desenvolvimento psicológico e pessoal que elas representam. Os valetes costumam ser entusiasmados, empolgados, e criativos.

No Valete de Espadas, isso se traduz por curiosidade e vivacidade mental. Representando novas ideias, essa carta muitas vezes indica também o começo de novos aprendizados. Também pode indicar descobertas, especialmente através de mensagens vindas pelos diversos meios – telefonemas, cartas, emails, etc. – mesmo fofoca. Ah, sim, esse é também um dos aspectos desse valete; ele gosta bastante de falar e, às vezes, fala demais, particularmente sobre coisas que ele não sabe direito.

A mensagem básica que os valetes anunciam é crescimento. Sempre que um deles aparece, podemos perceber como indicativos de um processo de desenvolvimento, desabrochar. Exatamente por isso é que eles sempre carregam uma conotação de inocência e imaturidade.

Casa 1 – A Situação

Nesta posição eu normalmente interpretaria esse valete ou como um momento de descobertas e aprendizado, ou de notícias que trazem novas informações. Ele também pode indicar uma pessoa na situação, trazendo informações novas.

Casa 2 – O Problema/desafio

Os problemas dessa carta têm a ver com basicamente duas coisas – sua inocência e inexperiência, e sua tendência a partir para conclusões precipitadas.

Os valetes são naturalmente precipitados. Todos eles tendem a agir primeiro e pensar depois, a encarar as coisas com menos seriedade do que elas têm. O valete de espadas pode aparecer nessa posição para indicar que o consulente não dispõe de toda informação necessária para fazer o que deseja e, portanto, deve procurar informar-se mais. O desafio aqui é assumir que não se sabe o suficiente ainda, que está aprendendo. Outra possibilidade seria a de que a carta aparecesse para representar uma tendência a falar antes de pensar, ou a tomar conclusões precipitadas.

Casa 3 – Os Recursos/vantagens

Representando as vantagens, essa carta indica inteligência, disposição para aprender, comunicabilidade e criatividade de ideias. Ainda que não tenha experiência, o entusiasmo do valete muitas vezes compensa essa desvantagem. O valete nessa posição também pode indicar que o consulente dispõe de informações valiosas para resolver suas questões, e que deve usá-las adequadamente.


Uma das aparições mais marcantes desse valete em minhas leituras foi quando ele apareceu com o Ás de Ouros em uma consulta sobre assuntos afetivos. Na hora eu não entendi muito bem o significado das duas cartas, mas alguns dias depois ele ficou claro pra mim, depois que recebi uma ligação que me trouxe uma notícia maravilhosa a respeito do assunto em questão.

agosto 29, 2009

Exercício SPR – Seis de Espadas

Filed under: Exercício SPR — Tags:, , , , , — Leonardo Dias @ 2:37 AM

A carta a ser analisada hoje no exercício SPR é o Seis de Espadas – sim, parece que estamos num momento espadas no blog, rs…

Casa 1 – A Situação

A atmosfera do Seis de Espadas é claramente melancólica. O lago onde os personagens estão sugere um estado emocional, provavelmente de decepção e tristeza. O barco locomove-se pelo lago, o que me sugere uma mudança de estado emocional. Aqui há a resolução de “partir pra outra” sobre um assunto, abandonar as coisas ruins e move on. Eu geralmente interpreto essa carta ou como recuperação de decepções, ou como um estado de melancolia leve. A situação aqui seria provavelmente a de alguém que está se recuperando de dores do passado, e está partindo delas. Essa carta pode indicar também uma recoberta de bem-estar físico, uma melhora na saúde.

Casa 2 – O Problema/desafio

Aqui, o problema seria a tristeza, a melancolia, e as lembranças do passado que nos impedem de seguir em frente. O desafio aqui então seria passar por cima dessa fase meio depressiva, e alcançar a outra margem. A aura levemente depressiva dessa carta fala bastante sobre problemas que devem ser superados.

Casa 3 – Os Recursos/vantagens

Nesta posição, o Seis de Espadas poderia ser interpretado como a fase de superação das decepções. Apesar de ser uma carta aparentemente negativa, é possível perceber seu significado implícito de recuperação. Em uma situação ruim, essa carta pode aparecer para indicar que a pessoa em questão tem capacidade de recuperar-se de seus traumas e que, de fato, provavelmente já está no processo de “sair da lama”.


agosto 27, 2009

Exercício de posições – SPR – Introdução, Oito de Espadas

Filed under: Exercício SPR — Tags:, , , , , , — Leonardo Dias @ 11:23 PM

Encontrei esse exercício no site Tarot Studies, de Donald W. Stephens, e me pareceu uma forma bem legal de exercitar o conhecimento das cartas.

A ideia é pegar uma carta por dia e aplicar a uma disposição que Donald chama de Situation, Problem, Strenghts, ou simplesmente SPS. A gente pode traduzir livremente como Situação, Problema, RecursosSPR. Tal disposição consiste em três cartas, dispostas em linha (vide imagem abaixo). As funções de cada posição são:

Casa 1 – A situação;

Casa 2 – Problemas e desafios a serem superados; influências negativas/desfavoráveis – as coisas “ruins” em uma situação;

Casa 3 – Vantagens e recursos que oferecem ajuda; influências positivas/favoráveis as coisas “boas” em uma situação.

O exercício funciona assim – todos os dias, escolha uma carta diferente e aplique-a a cada uma das três posições da SPR, descrevendo como o seu significado assume a conotação de cada posição. Você pode começar com a carta zero, o Louco, e ir percorrendo o Tarot todo até a última carta de naipe. Eu achei mais legal simplesmente sortear uma carta ao acaso, e ir marcando qual carta foi tirada, pra não repetir. Marque as impressões em um caderno, ou no seu diário de Tarot, Livro Negro, ou como quer que você o chame.

A primeira posição é basicamente neutra; a segunda enfrenta mais os aspectos negativos ou difíceis da carta – como ela se comporta indicando problemas e dilemas; a terceira posição desperta o lado mais favorável e positivo da carta. Além de ajudar a flexibilizar o significado de uma carta, esse exercício nos for força a entender cada arcano de forma mais integral.

A propósito, é sempre bom bater nessa tecla, eu acredito que os conceitos de “bom” e “ruim”, “bem” e “mal”, são abstrações que só existem na mente humana, e obedecem claramente à política pessoal de favorabilidade de cada um. A realidade fora das nossas mentes é muito mais rica, e vai muito mais além das nossas noções maniqueístas de bem e mal. E eu vejo isso expresso de forma bem clara no Tarot.

Mas vamos ao exercício. A partir de hoje, todos os dias, eu vou sortear uma carta do Tarot e fazer essa discussão sobre ela, de forma sucinta. O exercício como um todo vai durar, claro setenta e oito dias – um pouco mais de um dois meses e meio, portanto.

Vamos começar com o… Oito de Espadas!

Casa 1 – A Situação

Situação limitada e delicada, onde cada passo pode por tudo a perder. O problema maior, no entanto, é a predisposição da pessoa envolvida a colocar-se no lugar de presa, sem perceber que ela própria é quem faz a situação ficar limitada e delicada, porque sua visão da situação é assim. De modo geral, mostra simplesmente uma situação aprisionadora e restritiva.

Casa 2 – O Problema/desafio

Ideias e preconceitos atrapalhando uma concepção mais realista da situação. Mentalidade de vítima e sensação de impotência ante a situação. O desafio aqui é encontrar uma saída inteligente – o que inclui libertar-se das amarras dos próprios pensamentos. Outro desafio seria ver a verdade como ela é – essa carta sugere muito a verdade falsa, que aprisiona e limita.

Casa 3 – Os Recursos/vantagens

É nessa posição que essa carta fica mais difícil de ser interpretada, principalmente porque a gente é acostumada a dar a ela um significado negativo. Que recursos o Oito de Espadas poderia nos oferecer? O dilema em ver os recursos presentes nessa carta está no fato de que ela em si é apresentada como um dilema, uma situação problemática. Porém, os recursos estão lá, escondidos. A mesma coisa que está atrapalhando pode ajudar – é uma questão de direcionamento. O que atrapalha aqui são as espadas (símbolos do pensamento, no Tarot). O problema é que os pensamentos estão sendo usados de forma prejudicial ao seu dono – limitam, restringem, e o impedem de ver a verdade. Eu diria, portanto, que os recursos e as forças representados por essa carta têm a ver com a capacidade de limitar e definir do nosso intelecto; tem a ver com inteligência, e capacidade de raciocínio. Falando de uma forma geral, os recursos indicados nessa carta são força, poder e capacidade.

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