Descobrindo o Tarot

fevereiro 4, 2011

UPDATES DE SIGNIFICADO 10 – DANÇANDO COM O DOIS DE PENTÁCULOS

Antes de qualquer coisa, o cara tá dançando! É um malabarista. Foi durante uma conversa que eu percebi, pela primeira vez, esse aspecto tão primário da imagem do Dois de Pentáculos. Sim, um Tarot a cada dia, muitos tarot’s em um mesmo baralho.

Vamos começar pelo começo, mergulhando no universo de significados do Dois de Pentáculos através de seu gancho natural – sua imagem. A figura a que ela remete é bastante significativa – o artista mambembe, popular. Pamela Smith, a artista inglesa que compôs as imagens do baralho Rider-Waite-Smith em 1909, era bastante envolvida com o teatro, profissional e pessoalmente. Podemos ver traços desse seu envolvimento profundo ao longo de toda a coleção de imagens do RWS. O uso de referências teatrais era natural para Pamela – faz parte do seu “vernáculo pictórico”, digamos.

Como podemos ver, Pamela recorreu mais uma vez a esse seu vernáculo para dar forma e cor à ideia da mudança, conceito-raiz do Dois de Pentáculos. “Mudança” é uma palavra muito usada atualmente – tanto que seu significado ficou meio gasto, soa lugar-comum. No entanto, o Dois de Pentáculos não ilustra a mudança como uma simples alteração de um estado para o outro, mas, indo além dessa percepção rasa, retrata a mudança como estado fixo de constante alteração e impermanência, tipificado justamente pelo processo contínuo de fluxo e troca entre os estados. O lemniscata (a forma de 8, símbolo do infinito) unindo os dois discos à guisa de corda é um elemento simbólico importante da imagem do Dois de Pentáculos, que marca justamente essa ideia de eternidade. Sem começo nem fim, esse estado de mudança é simplesmente como as coisas são. A mensagem mais primária do Dois de Pentáculos é a de que a constante permutabilidade de estados é a condição ultérrima da realidade. O estado de total permanência na unicidade e ininterrupto gozo estático é típico do Plano das Causas. Aqui, no Plano dos Efeitos, reina a multiplicidade, e tudo muda constantemente.

A presença do lemniscata ressalta uma ideia importante a respeito da mudança, de que também trata diretamente o Dois de Pentáculos. Considerando que mudança define-se por alteração, e alteração calca-se em diferença, temos então que o eterno estado de mudança do universo baseia-se na constante permutação dos opostos. Essa ideia é bem expressa nos dois discos do “Dois de Moedas”, cara & e coroa – yin e yang. Com efeito, é assim que vemos retratado na versão do Crowley-Harris-Thoth para essa carta. Assim como a música consiste de permutações organizadas de silêncio e som, e a dança na troca constante entre movimento e estaticidade, o personagem do Dois de Pentáculos existe e é, simplesmente é.

É interessante notar como que, ao escolher um dançarino performático para retratar esse estado, Pamela cria um irresistível paralelo entre a figura do Dois de Pentáculos e as imagens orientais de Shiva Nataraja, o aspecto do deus hindu Shiva como o rei da dança, retrato do eterno movimento do cosmo. Conexões interessantíssimas começam a surgir quando notamos que o arcano 21, O Mundo, porta essa mesmas ideias em sua imagem – uma figura dançarina cercada por uma guirlanda, bastante similar a Nataraja. É mais interessante notar ainda que o deus Shiva, na trimurti (a trindade hindu) corresponde no esoterismo justamente ao Plano dos Efeitos, o seio da Manifestação – nossa realidade. E, para te deixar mais doido ainda, vale lembrar que, no sistema da Golden Dawn, o Dois de Pentáculos corresponde ao terceiro decanato de Capricórnio, regido por Júpiter – Júpiter em Capricórnio, portanto. Júpiter corresponde à Roda da Fortuna (mais uma vez, mudança constante), e Capricórnio (O Diabo) está naturalmente ligado ao Mundo, já que o arcano 21 corresponde a Saturno, planeta regente desse signo. Sua cabeça deve estar rodando; um círculo é traçado e se fecha – ou um lemniscata, talvez; é justamente essa a beleza do sistema GD.

Se, pictoricamente, a versão do RWS para o Dois de Pentáculos parece dar fiel continuidade à proposta de interpretação que atribui a essa carta o valor primordial da mudança, no que tange aos significados, Waite parece ter decidido permanecer um pouco menos profundo, digamos. Para os significados do Dois de Pentáculos, o autor recorre a um resumo das ideias que se voltam para o lado mais adivinhatório das cartas. “(…) Felicidade, recreação (…) mensagens, agitação e complicações”, é o que ele diz no Pictorial Key. Os dois últimos significados claramente foram tirados de Etteilla, que atribui a essa carta toda a sorte de coisas relacionadas a problemas, inquietações e obstáculos. Interessantemente, a imagem comporta essas três nuances de significado (a. alegria e divertimento; b. mensagens e notícias; c. complicações e agitação) com suficiente flexibilidade. As embarcações, ao fundo, enfrentando um mar nada pacífico e, aparentemente, seguindo bem o fluxo, podem ser lidas tanto como versatilidade ante os altos e baixos da vida, quanto como um indicativo mais literal de notícias, viajens, mobilidade e mesmo comércio, permutas.

Pertencendo a um naipe relacionado principalmente a questões materiais e de ordem cotidiana, o Dois de Pentáculos tem toda a sua força ágil e móvel aplicada principalmente nessa área. É uma carta que fala bastante sobre trocas, movimentações de qualquer espécie, viagens, mudanças. O Dois de Pentáculos fala da constante alteração do valor, e de como tudo depende de tudo.

Em leituras, eu costumo ver o Dois de Pentáculos mais nas seguintes linhas –

  • Mudanças – mobilidade, outros lugares, viagens, deslocamentos;

  • Comércio – troca, vendas, transações;

  • Interação – relações de troca, contatos, conhecer pessoas;

  • Flexibilidade – lidar com as coisas com leveza, versatilidade, saber contornar os problemas, ser rápido no gatilho e ter jogo de cintura, ter traquejo;

  • Agilidade – rapidez, graça, mobilidade, esperteza;

  • Multitasking – as pequenas tarefas do dia-a-dia.

Compare a imagem do Dois de Pentáculos com a imagem de outro Dois, o de Espadas. Duas formas de se lidar com os opostos – a total mobilidade dos Pentáculos versus a estrita imobilidade equilibradora das Espadas. É legal salientar a recorrente similaridade de teor entre cartas de mesmo número dos naipes de Bastões e Espadas, e dos naipes de Copas e Pentáculos. Os Dois são um bom exemplo: temos interação e movimento nos Dois de Copas e Pentáculos, e estaticidade e controle (interno, no caso das Espadas, externo, nos Bastões) nos outros dois naipes.

Compare o Dois de Pentáculos também à Temperança. E, de certa forma, também ao arcano 0, O Louco.

outubro 13, 2010

UPDATES DE SIGNIFICADO 3 – Três de Pentáculos, Quatro de Copas, Quick Cut Exemplos

Duas cartas que me chamaram a atenção em leituras recentes, e cujo significado tomou cores novas, em consequência de seu papel em tais leituras. Já digo logo no começo – podcast AQUI.

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QUATRO DE COPAS………………..No RWS, essa carta fala basicamente de enfado, enjoo de uma coisa. Olhe para a imagem – o rapaz senta-se recostado na árvore, braços cruzados, expressão de descontentamento. Ele claramente não está satisfeito. Sua aparente falta de satisfação contrasta com a profusão de copas enormes logo em sua frente. Ainda que tem muito, ele não tem nada, pois é a insatisfação em pessoa. Observe também a mão mágica saindo de uma nuvenzinha, oferecendo-lhe um novo tipo de bebida – que ele, no entanto, mal parece perceber. Sobre essa carta, Waite diz –

Cansaço, desgosto, aversão, aborrecimentos imaginários, como se o vinho desse mundo só tivesse causado saciedade; outro vinho, como um presente mágico, é agora oferecido ao perdulário, mas ele vê aí consolo algum. Esta é também uma carta de prazer atenuado.

A ideia central da descrição de Waite parece ser a de repulsa por excesso – é o que ele sugere com a comparação do vinho do mundo causando saciedade. É interessante a gente checar os significados atribuídos a essa mesma carta por Etteilla – –

Cansaço, desgosto, descontentamento, repulsa, aversão, inimizade, ódio, horror, angústia, sofrimento mental, desânimo brando, aborrecimento doloroso, irritante, desagradável, desaventurado, incômodo.

Ainda que mais dramática, a ideia de Etteilla é a mesma – e fica claro aqui como que Waite se baseou em Etteilla na conceitualização dessa carta. Mesmo assim, eu não iria tão longe quanto Etteilla ao considerar os significados. A visão de Waite sobre ela parece ter girado mais em torno do enfastio e do desânimo brando. A última sentença da descrição de Waite, aliás, repete a definição da Golden Dawn, que chama essa carta de “Senhor do Prazer Atenuado” (‘Lord of the Blended Pleasure’).

Em uma leitura recente, essa carta apareceu para indicar justamente que a consulente estava cansada, enjoada de certa situação com uma pessoa, e que, por mais que ela gostasse dessa determinada pessoa, o aborrecimento geral da situação já não mais lhe palpitava. O sentimento estava já enchendo o saco.

O Quatro de Copas é basicamente a carta do saco cheio. Irritação, descontentamento e aversão – ou mesmo repulsa, dependendo da dignidade.

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“O Vinho do Mundo”…………………Uma coisa em particular me chamou a atenção na descrição de Waite para o Quatro de Copas – a metáfora do vinho desse mundo versus outro vinho (wine of this world, another wine). Sabemos que Waite era um profundo conhecedor do simbolismo cristão – de fato, Waite nunca deixou de considerar-se católico. O vinho é um símbolo muito usado no texto bíblico, e recebe uma série de significados ao longo dos livros da Bíblia. Essa expressão em particular, “o vinho do mundo”, é usada até hoje.

“E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissipação, mas enchei-vos do Espírito” (Efésios 5:18)

A Bíblia fala de dois tipos de vinho – o vinho do mundo, e o vinho do Espírito. O primeiro pode ser lido como uma metáfora para as coisas do mundo, que nos “embriagam” e nos conduzem à perdição – os desejos da carne, cuja satisfação traz falsa saciedade. O segundo é a fonte da verdadeira satisfação, o vinho que nos “embriaga” com a Graça divina – o próprio sangue de Cristo, de certa forma. Assim, podemos ler o trecho acima como uma admoestação para que não nos entreguemos aos prazeres falsos da carne, mas à real satisfação da Graça do Espírito.

Na imagem, as três taças diante do personagem são uma referência a esse “vinho do mundo”, o qual ele já bebeu, pois as taças encontram-se vazias. Com efeito, na carta anterior, o Três de Copas, vemos a própria embriaguez com os prazeres da vida, em uma celebração dionisíaca. A quarta taça, saída das nuvens como que por pura mágica (muito semelhante ao próprio Ás de Copas, a propósito), pode ser vista como o vinho do Espírito, a verdadeira saciedade, a felicidade real. Essa semelhança da quarta taça com o Ás de Copas é interessante, pois esse ás exibe a pomba e a hóstia em sua carta, de modo que podemos compará-lo à própria Graça do Espírito Santo. Após ter bebido do vinho do mundo e se saciado, o personagem do Quatro de Copas não consegue ver consolo no vinho do Espíritoa fairy gift como o chama Waite, fairy, que também significa “fada”, dando assim ideia de encanto sobrenatural, divino. Perceba aqui a semelhança da temática do Quatro de Copas, à luz dessa breve análise pictórica, às temáticas do Sete e do Oito de Copas, que também tratam dessa relação do indivíduo com os prazeres da carne, e os assim chamados reais prazeres do espírito.

A imagem do Quatro de Copas parece, portanto, brincar com esse simbolismo do vinho como a saciedade, ou como o preenchimento, a satisfação que nos embriaga. Mais uma vez, o teor primariamente mnemônico do simbolismo, intenção inicial do emprego de imagens nas cartas menores do RWS, parece ter sido excedido por um caráter mais profundo nesse simbolismo, onde vemos sendo posta em discussão a própria temática da real felicidade. Trocando em miúdos – temos aí mais uma evidência de que, embora a ideia inicial fosse apenas incluir desenhos nas imagens das cartas menores para facilitar a lembrança de seu significado, Pamela parece ter inserido um simbolismo mais complexo e rico nas imagens.

Agora, compare esses dois tipos de saciedade - a do Quatro de Copas e o do Nove de Copas. Em que elas são diferentes? A postura das duas figuras é até semelhante. Interessante - para tornar-se 9, o 4 precisa do 5 😉

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TRÊS DE PENTÁCULOS…………………Embora isso não seja muito mencionado por aí, a julgar pelo livro The Pictorial Key to the Tarot, a sequência dos Arcanos Menores do RWS não conta de forma crescente (Ás – Rei), mas decrescente (Rei-Ás). Isso significa que, se é verdade que cada naipe incorpora uma narrativa, tal narrativa é verificada quando olhamos o Dez como primeiro capítulo, e o Dois como o último (ases são outra história). Isso passa a fazer mais sentido quando consideramos as relações do RWS com a Cabala – todos os quatro Dez são relacionados à décima sephirah, Malkuth. Essa sephirah representa o nosso mundo manifestado, a nossa existência física, que na Cabala é vista como meramente o último estágio no processo de manifestação. Se Malkuth é o último estágio para Deus, é o primeiro para os homens – nossa existência material é o ponto de partida para nossa ascensão rumo justamente a Deus. Logo, a ideia por trás da sequência decrescente dos naipes seja talvez a de expressar a ascensão da consciência em cada plano. Sobre isso é interessante notar que o próprio sistema de graus da Golden Dawn consistia em uma alusão à sequência das sephirot da Árvore da Vida cabalística, de forma decrescente – o estudante iniciava sua trajetória na ordem como 0=0, depois partia para 1=10 (Malkuth), 2=9 (Yesod), e assim por diante, até atingir o grau mais alto, 10=1, Kether. Nesse sentido, no naipe de Espadas, por exemplo, o indivíduo passaria da total ruína do Dez de Espadas, para a conciliação do Dois de Espadas. O sol nascente do Dez então passa até a fazer mais sentido.

Enfim, eu começo falando de tudo isso porque a descrição de Waite para o Três de Pentáculos é uma boa evidência dessa ordem, que aliás é a ordem que as cartas são apresentadas no livro. Abaixo, um trecho da descrição – –

(…) Compare-se com o desenho que ilustra o Oito de Pentáculos. O aprendiz ou amador de lá recebeu sua recompensa e agora trabalha com empenho.

Tal afirmação é o suficiente para ligarmos essa carta ao Oito de Pentáculos, que realmente retrata o aprendiz, que agora se tornou um profissional célebre. Observe que, exceto pelas cores, as roupas dos dois personagens é idêntica – ele até aparece com a mesma mesa nas duas cartas, sentado em uma e de pé na outra. Seus discos, que antes se pareciam com objetos feitos em série para treinamento, no Três são vistos esculpidos em pedra na própria parede, parte da decoração – seu trabalho se condensou, tomou corpo definido e definitivo. Também, seu trabalho não é feito sozinho agora, mas é parte do contexto de um trabalho maior, feito em equipe, como a presença dos outros dois tipos de profissionais atesta.

Vista sob o contexto dessa narrativa, a imagem do Três de Pentáculos parece dar corpo também ao significado menos conhecido para essa carta – além de habilidade profissional e competência, essa carta também indica glória e sucesso em uma determinada atividade. Waite faz questão de salientar isso, quando menciona que, apesar de o Três de Pentáculos ser visto como “profissão e trabalho especializado“, ele é, contudo, “comumente visto como uma carta de nobreza, aristocracia, renome e glória“. Com essa ressalva, Waite mais uma vez veladamente se refere a Etteilla, que enche a folha para essa carta com elogios da mais alta categoria, tais como fama, esplendor, celebridade e magnificência.

Prá resumir – Três de Pentáculos = sucesso profissional. Dependendo das cartas, pode falar de reconhecimento, grande habilidade, destreza em nível profissonal, renome e fama decorrentes dessa habilidade.

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EXEMPLOS DE QUICK CUTS………………..Faz alguns dias falei sobre esse método de tiragem muito legal que condensa, num só movimento, o corte e a disposição das cartas. Andei colocando-o em prática, e aqui vão alguns exemplos de quick cuts que fiz ultimamente – –

Tá se perguntando o que essa imagem tem a ver com o texto? NADA, nada a ver, rsrsrs.


Quick cut sobre a vida amorosa de consulente que se encontra entre uma pessoa de quem ela gosta muito, mas com quem tem um relacionamento frustrado, e outra pessoa que a aprecia muito, mas de quem ela não gosta tanto (caso clássico, rs).

Nove de Espadas + Dois de Pentáculos – apesar do estado interno de angústia e desespero, a consulente busca agir e lidar com o conflito de uma forma prática. O Dois de Pentáculos nos oferece uma ótima ilustração das duas opções, sendo equilibradas com habilidade pelo malabarista.

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Consulente deseja saber se vai obter sucesso em sua corrente atividade.

Três de Pentáculos + Três de Copas – duas vezes o número três deve significar algo. O 3 é um número de muita abundância e sucesso, então isso em si já é um primeiro sinal de que o consulente terá seus esforços reconhecidos. A primeira carta da a resposta, a segunda fornece um complemento. O Três de Pentáculos, como eu já disse, fala justamente de reconhecimento profissional e sucesso; o Três de Copas só reforça essa ideia, e a tempera com cores alegres e leves. Em ambas as cartas temos também o elemento externo nas outras pessoas – esse sucesso não vem sem a participação de amigos e auxiliares.

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Consulente deseja saber como foi, para a outra pessoa, a conversa que tiveram recentemente.

Nove de Espadas + Diabo – a outra pessoa não se sentiu nem um pouco confortável. A conversa foi um terror, e deixou a pessoa arrasada por dentro. Ainda assim, por fora ela manteve as aparências. O Diabo como carta externa indica uma postura de domínio, autoridade e poder. Resumindo – a pessoa se gabou até dizer chega, puxou sardinha pra si o tempo todo, se manteve soberba, mas isso tudo foi só um expediente para esconder seu total desespero e vulnerabilidade emocional.

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SOM

O som pro podcast de hoje, mais uma vez, girou em torno do house e disco. Confira abaixo o set em detalhe – –

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O podcast já abre no clima com CLEO & PATRA, badalando com Marcus Antonius on the Run, do EP On the Nile.

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Em sequência, Untitled Love, de STILL GOING, mais uma de um EP, Spaghetti Circus/Untitled Love.

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You’ve Got Me Runnin’ é cantada por LENNY WILLIAMS, e integra o set do album Spark of Love, de 1978. Essa faixa é a base pro remix de Marcus Antonius on the Run, que abriu o podcast.

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A gente segue com HOT TODDY, Flotation Tank, do album super legal Late Night Boogie.

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Finalizando com They Call It Edit (LTJ Rework Edit), faixa composta por, IT’S A SMALL WORLD DISCO.

outubro 2, 2010

UPDATES DE SIGNIFICADO 1 – Cinco de Bastões, Cinco de Pentagramas, Nove e Dez de Espadas

podcast #6 aqui!

Significados! Quem é que estuda Tarot e não se preocupa com eles, certo? Ultimamente, eu conscientemente me desviei um pouco desse tema no meu blog, primeiro porque eu acredito que conferir significados às cartas é uma questão muito pessoal, e segundo porque já tem um monte de outros blogs por aí fazendo isso. No entanto, só agora me ocorreu isso (exatamente nesse momento, enquanto eu lia as cartas pra eu mesmo) que seria legal voltar a tratar disso no blog, porque é um aspecto fundamental do estudo do Tarot, afinal.

Os significados que atribuímos a cada carta naturalmente permanecem em processo de constante mudança, porque eles refletem nossa experiência crescente, e também porque nossa visão das cartas vai mudando com o tempo. Eu estou em um momento particular de meio que re-significação das minhas cartas, porque meus estudos estão mudando de rumo (ou melhor, estou vendo com mais clareza o rumo que eu quero seguir), e também porque eu acho que a minha concepção do Tarot se torna mais concreta. Então, tive a ideia de criar essa categoria de posts. Nela, eu vou publicar atualizações de coisas que eu descobri sobre os significados das cartas cada vez que eu tiver um insight que contribua para uma concepção mais ampla de uma certa carta.

O formato é bem livre, os tópicos poderão ser de uma linha, ou de trezentas, rs – prometo me esforçar pra ser sintético. A única coisa que eu vou fazer sempre é criar uma parte especial para significados concretos das cartas – eu como leitor preciso me tunar mais nisso, e vocês como público adoram isso que eu sei 😉 Uma ideia que também acabei de ter foi a de incluir gravações de audios junto com cada post, para aqueles que preferem escutar a ler. O podcast para esse update está disponível para audição AQUI.

Mas, conversa vai, conversa vem, vamos começar logo com isso…

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CINCO DE BASTÕES. . . . . . . . . . . . . . . Muita energia, muita atividade, geralmente sendo gastas com coisas que não requerem tanto, ou bobeiras. Foi sempre mais ou menos assim que eu via essa carta, até realmente ir atrás de mais algum significado. Aqui, Waite tenta bem combinar duas de suas principais fontes para significados – a GD e Etteilla (talvez por intermédio dos trabalhos publicados de Mathers, que baseiam-se largamente no último). A GD significa essa carta por basicamente dor e luta, conflito; Etteilla e Mathers vão mais pela linha de riqueza, fortuna e esplendor, citando mesmo o próprio Sol. Waite parece querer conciliar essas duas visões quando diz que essa carta representa “…encarniçada competição e luta em busca de riquezas e fortuna (…), a batalha da vida.” Legal, eu gostei dessa ideia de “batalha da vida”, porque traz a conotação de luta, esforço e desgaste, próprios do belicoso naipe de Paus.

Meu cálculo pictórico com a imagem é mais ou menos assim – –

  • Meninos/jovens = força juvenil, pueril, portanto embrutecida e intensa, mas pouco educada – – jovialidade, infantilidade, inconseqüência, falta de tato;
  • Eles bagunçando = desordem, bagunça, anarquia, falta de organização, folguedo, coisas efêmeras, explosivas;
  • A aparente falta de propósito = falta de foco, de objetivos concretos, não chega em lugar nenhum direito;
  • Eles podem estar só brincando, então = diversão, no sentido de treino lúdico pra agir, esquentar os motores, prática de esportes.

Eles aparentemente estão só brincando, se divertindo, então dá essa ideia de força juvenil sendo aplicada com pouco foco, mas também a ideia de gastar energia por ter em excesso.

Faz uns dias, essa carta caiu para uma cliente em uma pergunta sobre seu relacionamento com um ficante, e, junto com outras cartas de fogo, o que eu vi foi que ela tinha tanto tesão nele que, na hora de transar, metia os pés pelas mãos e perdia o controle, por ir com muita sede ao pote.

A aparente prática de esportes me faz pensar nos antigos Jogos Olímpicos – competitividade saudável, esportividade, jogos, competição no trabalho. Cada menino quer mostrar que ele é o mais forte, o mais esperto, o mais capaz…

Muitos conferem a essa carta o significado de pequenas coisas que, juntas, trazem complicaçõezinhas de pouca importância, mas que tiram tempo e energia.

O significado de Waite, embora não muito evidente na imagem, é interessante, porque traz uma dimensão nova à carta que meio que concilia esse significado de probleminhas a luta intensa da vida, do dia a dia – problemas, tribulações, complicações que exigem nosso cuidado, afazeres.

Então, a gente fica com mais ou menos esses dois núcleos de significado – intensa atividade e luta, complicações. Acho que o importante sobre essa carta é saber que nada aqui é sério, é tudo meio simulado, lúdico. Tipo briga de menino, sabe? A fronteira entre a brincadeira e a agressão é muito tênue, e é o que eu vejo nessa carta.

Essa carta pode até representar discórdia e briguinhas, mas é mais a busca da desestabilização como uma forma de “usar as ferraduras novas” do que o genuíno desejo de agredir e injuriar do Cinco de Espadas, por exemplo.

A desordem que reina aqui recebe um fim na carta seguinte, onde a gente pode ver o nobre cavaleiro que chegou e colocou ordem no pedaço. Os cinco meninos agora tem alguém a quem obedecer, e o seguem. A energia deles é canalizada a um fim específico. Esse é o êxito do Seis de Paus.

Astrologicamente, essa carta é Saturno em Leão, então a gente pode facilmente ver as associações de dificuldades e lutas da vida (Saturno) com as riquezas e glória (Leão).

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Significados concretos – –

  • Muita energia
  • Atividade constante
  • Esportes, atividade física
  • Treinamento físico
  • Brincadeira, diversão
  • Problemas, complicações
  • Luta cotidiana

Tá se perguntando como decidir-se entre os significados? Intuição + cartas vizinhas + contexto da leitura + dignidades (se você as usa). Mistério nenhum…

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CINCO DE PENTAGRAMAS. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Continuando na vibe dos Cincos, outra carta desse número, do naipe de Pentagramas. Faz tempo que eu tive esse insight, mas vou aproveitar o espaço. Foi durante uma conversa com uma leitora do blog, no chat – adoro essas conversas casuais, insights costumam vir quando a gente menos espera por eles.

No Cinco de Pentagramas, vemos sutilmente uma mensagem de cunho social, e profundamente filosófica também. Num nível imediato, a imagem dessa carta denuncia as mazelas da nossa sociedade, com seus contrastes; em um nível mais profundo, contempla a própria condição humana.

Essa carta mostra uma condição marginal – do lado de fora, os mendigos, leprosos, sem rumo na neve do inverno – são os danados, a “sobra” da sociedade. Do outro lado, do qual só podemos ter uma vaga sugestão pelo vitral, o interior quente, confortável e ricamente ornado da catedral – o mainstream social, a Igreja, dona da mentalidade vigente, do establishment. Na carta, temos, muito levemente, esse contraste delineado.

Tradicionalmente, os dois naipes “masculinos” – Bastões e Espadas – tratam da busca individual, ao passo que os dois naipes “femininos” – Copas e Pentagramas – tratam do convívio social, da família, e da vida em comum. O naipe de Pentagramas é tematizado no trabalho, na atividade que dá frutos e se converte em valor corrente, no funcionamento da sociedade como um organismo. Se você não participa da sociedade, você está fora dela, automaticamente destinado a vagar sem rumo, sem teto, com uma identidade fraturada pela ausência de um lugar próprio.

Pensando um pouco mais, essa carta traz também uma interessante mensagem espiritual. Tudo se centra na janela. A janela é também um símbolo de passagem, e marca o contato limitado entre dois mundos, entre dois estados de ser. Aqui, ela é uma ligação entre a realidade hostil do mundo humano, e a graça e glória do mundo espiritual, do qual só temos um mero vislumbre através das cores do vitral. Os dois mendigos retratam a condição humana, e poderiam mesmo ser comparados às duas personagens (um homem e uma mulher, a propósito) acorrentadas no Diabo e lançadas da Torre. Somos nós. E a mensagem da carta é bem simples – longe do Espírito, nós, como eles, não somos nada além de carne ambulante e perecível às intempéries.

Eu tive esse insight durante uma leitura destinada a responder a uma pergunta simples da leitora com quem eu conversava – será que a gente manipula ou falseia a leitura? Pra mim, a resposta foi clara – qualquer falsidade é decorrente da nossa própria miséria, e da nossa dificuldade em ver a realidade do Espírito através das cartas. O Tarot é mesmo uma janela para outra percepção de realidade, mais ampla.

A interpretação de Waite é tão direta como a imagem – essencialmente, “percalços materiais” mesmo. Talvez não tão dramáticos como na carta, mas ela passa a ideia. Waite também menciona um significado alternativo de amor, união e afinidades, que é o significado mais antigo atribuído a essa carta (o que trata de problemas com dinheiro é da GD). Embora Waite se queixe sobre a dificuldade em conciliar ambos significados, Pamela parece ter empregado seu talento aqui com maestria ao retratar um casal miserável – mesmo sob a miséria total, eles não se separam. Em leituras sobre amor, eu às vezes leio essa carta como o casal passando por dificuldades que testam sua união.

A ilustração do vitral sempre me intrigou… ela mostra os cinco pentagramas dispostos em uma árvore. O que será que isso quer indicar? A Árvore da Vida? Crescimento? A Árvore do Mundo, tipo Yggdrasil, de onde tudo provém (a Árvore como fonte espiritual)?

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FATOS SIMPLES

  • No Rider-Waite-Smith, os Cincos são todos associados à quinta sephirah, Gevurah, que corresponde a Marte, e é por isso que todos eles são cartas difíceis.
  • Preste a atenção à figura da esquerda. Ela carrega um sino no pescoço. Esse é um antigo sinal de lepra – leprosos costumavam ter sinos no pescoço para que as pessoas soubessem facilmente quando eles se aproximavam e, assim, saíssem de perto. Os curativos na cabeça e no pé direito do homem confirmam isso. Mais uma vez, a temática da intensa exclusão social.
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"Silent morning...."

"Silent morning...."

 

NOVE DE ESPADAS – – – – – é noite, a pessoa está em agonia sobre a cama;

DEZ DE ESPADAS – – – – – a noite acabou, o dia amanhece, a luz da manhã exibe a cena lúgubre.

😉

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É, achei essa ideia de comentários breves até melhor do que passar semanas me dedicando unicamente a uma carta, num post mega longo que poucas pessoas vão acabar lendo. Comentários são bem vindos. Ideias, idem.

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SOM

A trilha sonora de hoje foi mais electro pop, e quem marcou presença foi – –

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NEW YOUNG PONY CLUB, com F.A.N., penúltima faixa do primeiro album da banda, Fantastic Playroom, de 2007.

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DRAGONETTE, marcando presença com My Things, diretamente do último album da banda, Mixin to Thrill, na verdade uma compilação de mixes lançada esse ano..

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LADYTRON, arrasando com Playgirl, do primeiro album da banda, 604, de 2001.

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PORTISHEAD, num remix de Machine Gun feito pelo NOISE FLOOR CREW. A faixa vem originalmente do tão esperado Third, de 2008.

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PONY PONY RUN RUN, com hit Walking On a Line, do album You Need Pony Pony Run Run, de 2009.

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THE TING TINGS, contribuindo com Shut Up and Let Me Go, um dos hits do album debut deles We Started Nothing, também de 2008.

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CHUNGKING, com a eletrizante Slow It Down, parte de Stay Up Forever, de 2007..

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BRITNEY SPEARS, com Break the Ice, uma das melhores faixas do seu quinto album de estúdio, Blackout, lançado em 2007..

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APPARAT, marcando presença com Arcadia, de seu album Walls, 2007..

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ANNELI DRECKER, fechando o set com louvor com Stop This, uma das faixas mais legais de Frolic, de 2005.

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LINK

JAMES RIOUX é um dos melhores escritores de Tarot que eu conheço, e um dos que estão nas minhas bases de estudo. Você pode checar muitos artigos dele aqui. O site está meio mal cuidado, mas não se engane – conteúdo excelente. James também é o autor dos significados para as cartas que constam no site da ATA – American Tarot Association, a associação de Tarot dos Estados Unidos – textos excelentes, foram por muito tempo minha fonte primária de consulta – – aqui. Vale total à pena.

setembro 14, 2010

LEITURA DE CARTAS TEMATIZADA NA DICOTOMIA DE IMAGEM X CONCEITO

podcast #3 aqui!

Como conciliar os conceitos que motivaram a criação das imagens de cada carta, com as imagens em si? Dando uma lida no blog do John Ballantrae, me deparei mais uma vez com essa questão. Dessa vez, fiz diferente, e decidi perguntar ao próprio Tarot como eu deveria proceder. Enquanto eu lia as cartas, achei que seria boa ideia gravar e postar como áudio, pra compartilhar com os leitores do blog. Procurei usar a leitura também como uma forma de ilustrar um pouco dos dois processos de leitura – o que se baseia nos significados, e o que se inspira diretamente nas imagens. A ideia central foi a de, com efeito, combinar ambas formas de ler. O resultado você pode conferir AQUI! Eu ainda não consegui incluir meus audios no player do WordPress, então, ao menos por enquanto, quem quiser escutar as gravações vai ter que acessar o Too Files, que é onde eu armazeno meus arquivos de audio.

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A trilha sonora para o áudio de hoje orbita em torno do pop negro americano do período musical que vai dos anos 50 aos 70, com blues, jazz e disco. Confira o set –

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.Etta James – At Last! e Stormy Weather

 

.Ray Charles – I Can’t Stop Loving You

 

.Stevie Wonder – My Cherie Amour

 

.Thelma Houston – Don’t Leave Me this Way…

 

.Marvin Gaye – Got to Give It Up

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Ilustração Blaze, op art por Bridget Riley, 1963. Peguei aqui (ótimo site de arte).

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Links

Minha jogada de três cartas, aqui – é o primeiro item.

Post do Descobrindo o Tarot sobre dignidades elementais, aqui e aqui.

Blog e site do John Ballantrae.

Post com a temática de imagem e conceito, aqui.

Tarô, a Sorte Pelas Cartas, tradução do The Pictorial Key to the Tarot, de Arthur E. Waite, lançado no Brasil pela Ediouro. Link para 4shared, aqui.

novembro 11, 2009

O Seis de Ouros (+ Exercício SPR)

Seis de Ouros - Waite-Smith Tarot (1909)Hoje falaremos de mais uma carta do naipe de Ouros, o Seis de Ouros.


O significado central do Seis de Ouros tem a ver com riqueza material. Em leituras, essa carta frequentemente tem uma conotação positiva, indicando prosperidade. Um dos aspectos do Seis de Ouros tem a ver com generosidade. Num nível um pouco mais profundo, vemos também a temática do dar e receber – a constante troca de valores, estados e posições.

Na versão do RWS (o baralho Rider-Waite-Smith) temos um homem, aparentemente um rico comerciante, dando com sua mão direita algumas moedas para dois mendigos, enquanto segura uma balança com a outra mão. Um dos mendigos recebe os trocos, enquanto o outro aguarda sua vez. Há nessa carta uma tênue noção de equilíbrio. O doador dá as moedas com sua mão direita enquanto segura uma balança com mão esquerda. O lado direito é associado à mente, à lógica e à razão; o lado esquerdo relaciona-se com o coração, a emoção e os sentimentos. A presença de uma balança na mão esquerda indica que o homem dá com parcimônia, e equilibra bem seus sentimentos ao entregar. Em outras palavras, ele doa com prudência, na medida de suas condições – ele dá o que pode. Por outro lado, alguns elementos da carta sugerem certo desequilíbrio – a balança pende levemente para a esquerda, e das seis moedas acima dos personagens, três pairam sobre o mendigo que recebe e só duas sobre o que não recebe. Ademais, sobre o mendigo da esquerda está a mão doadora, enquanto que sobre o da direita paira a balança – como se ele recebesse o “peso da justiça”. Essa leve discrepância parece sugerir o fluxo de alternância de ganhos e perdas da vida. Podemos imaginar que o segundo mendigo vai receber alguma coisa também, só que mais tarde, depois do primeiro; ou talvez ele não recebe por falta de merecimento (a balança sobre ele, a justiça sendo feita para ele). A mensagem implícita na carta é que o real valor de qualquer fortuna existe quando há a movimentação dos bens e valores. Parte dessa movimentação consiste na doação de recursos aos mais necessitados.

Variações hipotéticas do símbolo Sol+LuaNo livro Book T, MacGregor Mathers (um dos precursores da conceitualização moderna do Tarot) atribuiu cada uma das cartas numeradas dos Arcanos Menores (ou seja, todos os arcanos menores, com exceção dos ases e das figuras da corte) a um dos 36 decanatos astrológicos. Cada um dos 12 signos do Zodíaco equivale a trinta graus dos 360 da roda zodiacal. Os trinta graus referentes a cada signo são então divididos em três partes de dez graus cada, originando assim três decanatos para cada signo, num total de 36. De acordo com Mathers, o Seis de Ouros está associado ao segundo decanato do signo de Touro, regido pela Lua – temos então a combinação Lua em Touro, que sugere fertilidade – a combinação da fluência da lua com o Touro, símbolo antigo de fertilidade. A relação simbólica do touro/vaca com a lua é antiga e bastante significativa. Talvez pelo formato de seu chifre, a vaca e o touro foram associados à Lua desde há muito tempo, principalmente nas culturas indo-européias. Os chifres são associados à lua e, portanto ao ciclo menstrual, o que sugere fertilidade. Em algumas culturas, O touro também é associado ao Sol, incorporando seu aspecto masculino e viril; mais uma vez, temos a temática da fertilidade.

Um dos exemplos da profunda significância do simbolismo da vaca e do touro é a deusa egípcia Hathor, divindade associada à feminilidade, ao amor e ao prazer. Hathor era comumente retratada como uma mulher ou uma vaca carregando em sua cabeça o disco solar suportado por um par de chifres. O par de chifres pode ser visto como o crescente lunar, tendo o disco solar acima dele. Simbologicamente, o círculo é associado ao sol, e o semi-círculo (crescente lunar) à lua e ao feminino. Recorrente na simbologia egípcia, esse símbolo pode ser interpretado como a união do masculino (sol) com o feminino (chifres), que o envolve; nesse sentido, ele pode ser comparado ao T’ai Chi T’u, o símbolo do yin-yang chinês, que representa a constante mistura e alternância dos princípios duais. Ademais, um dos aspectos de Hathor (a Vaca Celestial) era sua identificação com Nut, a deusa-mãe céu, personificação da própria abóbada celeste, que “recebe” o sol em seu seio – como os chifres recebendo o disco solar. Da união fértil dos opostos surge o mundo, e a eterna interação entre os dois princípios é a fonte da energia universal. Como veremos mais adiante, a temática da união ecoa no próprio número do Seis de Ouros, que está numerologicamente ligado aos Enamorados, o grande Seis do Tarot, símbolo máximo da união dos opostos e da força de atração/interação.

CONEXÕES

O conjunto de símbolos que compõe o Tarot constitui-se em um sistema de significados que sustentam-se através da ligação existente entre cada elemento do sistema e os restantes. Podemos estabelecer várias conexões entre as cartas, de acordo com algum tema específico, símbolo recorrente, etc. A seguir, veremos mais detalhadamente algumas das conexões do Seis de Ouros com outras cartas.

O Hierofante

Podemos estabelecer duas correspondências entre o Seis de Ouros e o arcano 5, o Hierofante, sendo uma de caráter astrológico e outra de caráter pictórico.

De acordo com o sistema da Golden Dawn, ambas as cartas relacionam-se com o signo de Touro. O Hierofante é a própria representação do Touro no Tarot, enquanto o Seis de Ouros encara um dos três aspectos desse signo, seu aspecto lunar, do segundo decanato do signo de Touro, regido pela Lua. As três cartas numeradas associadas a Touro são a sequência 5-6-7 do naipe de Ouros. O signo de Touro é lento, metódico, segue a regra e faz tudo ao seu ritmo. Isso pode ter a ver com o significado da carta ligado ao método e ao formalismo. Como aspecto Lunar de Touro, o Seis de Ouros tem a ver com fertilidade e prosperidade. Touro é associado aos campos, à força de vida da terra e ao crescimento da colheita. Isso pode ser visto na carta, com sua imagem de riqueza. Talvez esse seja o motivo da próxima conexão entre as cartas, descrita no parágrafo seguinte.

Além de correspondências astrológicas, o Seis de Ouros também pode ser associado ao Hierofante pictoricamente; a estrutura pictórica das duas cartas é similar, e isso por si já sinaliza a existência de uma relação entre elas. Em ambas as figuras, vemos um personagem central principal, ladeado por dois personagens secundários a ele submissos. Mais do que isso, o gesto da mão direita dos dois personagens é o mesmo – dedos anular e mindinho recolhidos, dedos médio, indicador e polegar estendidos. Trata-se do sinal de benção, usado pelos padres católicos e ortodoxos ao fazerem o sinal da cruz para abençoarem os fiéis. No gesto de benção, é como se o padre estivesse servindo de intermediário entre Deus e os homens, repassando-lhes uma benção que eles supostamente não teriam como alcançarem por si mesmos. Benzer é transferir o poder de uma divindade para um objeto ou pessoa; o ato de benzer é feito por alguém que supostamente tem poder para isso, alguém que tem um contato especial com a divindade e que, portanto, serve de médium entre ela e o mundo terreno – ou seja, um sacerdote. Assim como o HierofanExemplos do sinal de benção em obras de arte de diversas épocas diferenteste abençoa seus discípulos trazendo-lhes a benção de Deus – dando-lhes caridosamente algo que eles não possuem e necessitam – o Seis de Ouros, num nível mais mundano, dá aos necessitados parte de sua fortuna. De certa forma, ele os abençoa. No Cinco de Ouros, a carta anterior, vemos mais uma referência a esse aspecto espiritual no vitral de igreja atrás dos dois mendigos, que não parecem percebê-lo. No Seis de Ouros, carta seguinte, os dois mendigos recebem a benção de alguém que tem mais do que eles. Um passo adiante foi dado, em direção à conscientização de sua própria condição. É o primeiro passo para o crescimento.

Essa temática de superioridade + caridade está presente nos quatro seis dos arcanos menores, e tem a ver com as associações qabalísticas dos seis no Tarot. Nesse sentido, o número seis sempre é associado a sucesso e vitória.

Os Enamorados e a Justiça

O paralelo entre o Seis de Ouros e os Enamorados é de caráter numerológico – ambas as cartas são 6, número relacionado à união e ao amor. A estrutura pictórica das cartas também é semelhante, com uma figura central superior e duas menores aos lados. Esse padrão pode ser considerado um símbolo em si na linguagem pictórica do Waite-Smith. O número 6 relaciona-se com equilíbrio e harmonia; no 6, os opostos estão equilibrados e interagem de forma harmônica, em uma constante e dinâmica troca.

O Seis de Ouros liga-se pictoricamente ao arcano 8, a Justiça, por meio da balança, presente em ambas as cartas. O símbolo da balança traz a conotação de avaliação e equilíbrio. É importante ressaltar que o equilíbrio representado pelo Seis de Ouros e a Justiça não é exatamente algo alcançado naturalmente, mas é fruto de uma cuidadosa avaliação e disciplina. Isso é mostrado na carta, onde o homem dá com cuidado, procurando não dar muito nem pouco, mas o necessário; ele alcança esse equilíbrio através de uma constante avaliação e controle. Essa frugalidade é uma característica compartilhada entre o Seis de Ouros e a Justiça.

No Seis de Ouros há um movimento de integração, de união. O recurso é passado de alguém que tem mais para alguém que tem menos, num processo que transparece um movimento em direção ao equilíbrio e à compensação. Temos aqui o aspecto do seis como união, generosidade e ajuda. Por outro lado, o 6 também é um número de equilíbrio e harmonia – o primeiro número par formado pela junção de dois números ímpares. Números pares são passivos e femininos, estáticos; números ímpares são ativos, masculinos e dinâmicos.

Resumo da carta

  • Sucesso material
  • Riqueza
  • Equilíbrio
  • Ponderação
  • Compartilhamento
  • Dar e receber
  • Compreensão
  • Compensação
  • Justiça, equidade
  • Igualdade
  • Comércio, troca

Significados objetivos

  • Riqueza, sucesso material
  • Generosidade, ajuda de alguém importante
  • Ajuda e receptividade – passar/doar conhecimento, experiência, recursos
  • Responsabilidade, equilíbrio, ponderação
  • Pesos e medidas, tudo muito certinho
  • Responsabilidade social, inter-rede humana e social

EXERCÍCIO SPR

Vamos agora aplicar nosso entendimento dessa carta à prática da leitura, usando como exemplo a disposição Situação, Problema e Recursos.

Posição I – A Situação – aqui essa carta indica sucesso material, ganhos e recompensa por esforços; indica também ajuda cuidadosa de pessoas com mais recursos. O consulente pode ser tanto a pessoa que recebe quando a que dá a ajuda. De maneira geral, pode também indicar uma situação que envolve interação dinâmica entre pessoas, especialmente tendo como pano de fundo assuntos materiais. Uma coisa importante a saber sobre o Seis de Ouros é que os resultados representados por ele são medidos pelo esforço investido previamente. Exemplo –

Pergunta hipotética de uma moça e seus estudos de Tarot –

SPR I - Seis de Ouros na SituaçãoSeis de Ouros – Pagem de Espadas – Rainha de Espadas

Ela tem uma base sólida de experiência e prática, e bons recursos e preparo para passar aos outros. Seus esforços começam a frutificar. O que atrapalha é a curiosidade incessante e certa presunção inocente de que sabe mais do que realmente sabe. Ela está apenas começando, e tem só um vislumbre do conhecimento, não deve deixar-se levar por seu entusiasmo. Seu melhor recurso é sua percepção aguçada, que combina intuição e sensibilidade com razão e ponderação; ela entende bem as pessoas, tem uma boa visão e percepção do outro, e certamente pode usar isso a seu favor.

Posição II – O Problema – Cabe aqui uma digressão para salientarmos a função exata dessa posição, algo que pode ser complicado para muitas pessoas, especialmente quem tem pouca experiência com essa disposição. Por “função” eu quero dizer qual o seu papel dentro da disposição, e qual efeito tem sobre a carta que cai nela. É provável que o leitor de cartas tenda a dar à posição Problema uma função anuladora/inversora, ou ainda uma função hiperbolizadora. A carta nessa posição seria então interpretada pela falta da energia que ela incorpora, ou como o inverso do seu significado normal, ou ainda como um exagero, um descontrole dessa mesma energia. Assim, o Seis de Ouros, por exemplo, poderia ser visto sob um viés de anulação/inversão (falta de recursos, estagnação da troca ou imprudência) ou sob um viés de exagero (meticulosidade em demasia, generosidade em demasia, dar demais, ou pensar demais e agir de menos). Essa forma de ver talvez venha de uma tendência a enxergar tal posição como essencialmente negativa e ruim. Eu creio que há vários problemas nisso. Primeiro, via de regra, não é isso que essa posição pretende indicar. Sua função é simplesmente mostrar o lado desafiante e antitético da situação, mais do que seu lado ruim, mau ou vil (o que endossa uma visão maniqueísta e limitadora das coisas, circunscrita a termos de bem contra mal, bom contra ruim); segundo, abordar essa posição como anuladora/limitadora/hiperbolizadora abre espaço para muita confusão e contradição. O Oito de Espadas, uma carta que fala de restrição, nessa posição poderia ser tanto liberdade
de pensamento, leveza, falta de restrições – ou muita restrição. Já uma carta considerada boa, como o Sol, poderia ser interpretada como orgulho, vaidade, ou como tristeza, decepção e ruína. Certamente escolher entre todas essas opções é algo contra-produtivo. Isso dito, é importante manter em mente que a função dessa posição é basicamente a de ter um efeito antitético. A energia da carta aqui não se inverte, enfraquece ou se exagera – ela apenas representa um obstáculo, um aspecto da situação que atrapalha ou traz problemas – e que, na verdade, representa uma fértil oportunidade de desenvolvimento e aprendizado. É a mesma energia, nem mais forte, nem mais fraca ou ausente, e nem inversa. Ela simplesmente precisa ser encarada, melhor manipulada ou sobrepujada – superada. É claro que esse equilíbrio entre a visão maniqueísta à qual estamos acostumados, e uma forma de ver menos presa às diferenças e mais às similaridades é algo um pouco difícil de ser alcançado – nada que alguma prática não supere, no entando.

Sendo assim, nessa posição o Seis de Ouros tem o mesmo significado que na posição anterior, só que visto de maneira a atrapalhar ou apresentar impedimentos e dificuldades ao consulente. O problema pode ser um forte senso de responsabilidade que impede o consulente de agir, ou pode haver alguma dificuldade no fluxo de transmissão de valores (materiais ou fixos). Exemplo –

Pergunta real de um rapaz que está pensando em pedir uma bolsa de estudos para um curso específico na empresa onde trabalha –

SPR II - problemaTrês de Paus – Seis de Ouros – Cavaleiro de Ouros

O rapaz é talentoso e capaz, e ainda um tanto independente e persistente em seus objetivos. Ele já chegou a certo ponto de desenvolvimento na área em questão, a ponto de ter certa autonomia estabilizada, mas volta seus olhos a horizontes mais amplos. Seu impulso ígneo, no entanto, é bastante freado pelas duas cartas de terra, mostrando as dificuldades das aplicações práticas de seus planos. O Seis de Ouros aqui indica a possibilidade de certos entraves no processo de concessão/aprovação da bolsa; o conjunto de critérios da empresa pode atrapalhar o consulente. Ele pode vencer esse obstáculo sendo persistente e paciente, e mantendo o foco em seu objetivo. Independente disso, as cartas sugerem que o consulente é capaz de seguir um caminho sozinho e aprender o que deseja por mérito próprio. Nessa leitura, o Seis de Ouros indicou a própria concessão da bolsa. Observe como a relação com o Hierofante (a Instituição, os procedimentos padrão – a empresa) aqui fica ressaltada.

Posição III – Os Recursos – disponibilidade de recursos necessários para se conseguir o que deseja, especialmente recursos materiais; ajuda dos outros sendo providencial; poder aquisitivo desempenhando um papel proeminente na situação. Nessa posição, o Seis de Ouros mostra recursos e fluência material.

Pergunta hipotética de uma mulher que deseja fazer uma viagem ao exterior –

SPR III - recursosSeis de Paus – Quatro de Paus – Seis de Ouros

A mulher está bastante confiante sobre sua viagem. Seu excesso de confiança, no entanto, pode atrapalhar seus planos, pois ela tende a repousar sobre seus louros. No entanto, ela realmente dispõe de recursos, e pode vencer sua tendência relaxar sendo mais prática e pensando mais antes de agir. Questões legais também pendem ao seu favor.

Ficou perceptível na descrição dessas leituras que a forma de interpretar as cartas depende muito do contexto e da associação. No entanto, creio que o mais importante seja absorvermos a essência de cada carta – o ponto de contato entre os vários sentidos a ela atribuídos, que na verdade é a origem do seu significado.

agosto 30, 2009

Exercício SPR – Às de Ouros

Filed under: Exercício SPR — Tags:, , , , — Leonardo Dias @ 11:33 PM

Seguindo a tendência de precursores, ontem a gente teve a Rainha de Ouros, hoje a gente vai falar sobre o Ás de Ouros, o primeiro ás a aparecer nesse exercício – realmente um bom sinal!

Os ases no Tarot representam a energia dos naipes em sua força total, bruta. O Ás de Ouros, portanto, personifica a força do naipe de Ouros, associado ao elemento Terra. Geralmente esse naipe aparece em leituras indicando assuntos materiais, vida prática, dinheiro, trabalho e estudo (no sentido de fazer), e aspectos materiais e palpáveis. Ao Ás de Ouros indica as bases materiais para o início de alguma coisa. Nela vemos um jardim florido e fértil, do ponto de vista de quem está dentro dele e olha para seu portão de saída, como se estivesse prestes a deixá-lo para ir a algum lugar. Um caminho leva até o portão e, através desse, para frente. Ao fundo, podemos ver no horizonte dois cumes de uma montanha. Podemos ver isso como uma metáfora que simboliza as bases sólidas que precisamos para ir em busca dos nossos objetivos, e do nosso sucesso (as montanhas). No três de paus, podemos ver o personagem já no cume dessa montanha.

Casa 1 – A Situação

  • Resultados práticos começando a aparecer, ou já existentes;
  • O dinheiro ou os recursos básicos para conseguir algo desejado já existem, e estão presentes;
  • Como situação, podemos ver o começo de um trabalho ou estudo que tem tudo para dar certo, pois o consulente dispõe das ferramentas necessárias;
  • Às vezes, esses recursos existem como “presentes” – dons, talentos, ou mesmo um presente de alguém. Por exemplo, você quer começar a estudar Tarot e ganha de um amigo seu primeiro baralho, ou seu primeiro livro.

Casa 2 – O Problema/desafio

Os ases, apesar de serem cartas fortes, transbordando de energia, não indicam mais do que potencial. Não existe ainda nenhuma realização nos ases, eles são só as fontes de onde podemos extrair a realização. Na posição dois da disposição SPR, essa carta pode mostrar uma dificuldade de acessar essa fonte – o consulente tem as bases, mas não consegue ou não sabe como usá-las. Esse ás em especial não mostra mais do que os recursos. Pertencente ao elemento terra, ele indica geralmente coisas tangíveis – ele ainda precisa de vontade (fogo), emoção (água) ou ideias (ar) para ser usado. Nesta posição, essa carta também poderia indicar a ausência desses outros três elementos.

Casa 3 – Os Recursos/vantagens

É nessa posição que o Ás de Ouros fica mais confortável. Apesar de ser uma carta neutra, a gente costuma dar a ele conotações positivas. Aqui, ele indica que o consulente dispõe de exatamente tudo o que ele precisa para seguir em busca do que deseja. Mostra recursos tangíveis abundantes, especialmente materiais.


Recentemente, essa carta apareceu para mim em uma consulta que fiz sobre meus estudos do Tarot. Eu tinha acabado de fazer uma leitura para uma moça, e estava me sentindo meio decepcionado com o meu desempenho, apesar de a consulente ter gostado. Fiz uma consulta sobre isso, usando a disposição de Situação, Problemas e Recursos, e o resultado foi o seguinte –

Consulta dia 30ago2009, sobre estudos de Tarot, copia II

O Ás indica um momento em que eu coloco em prática as coisas que eu estudei. Ele mostra um encontro com o mundo real, a manifestação dos meus estudos de forma objetiva – minhas ideias tornando-se algo tangível, real. A carta, neutra, mostra que isso foi o que basicamente aconteceu. No entanto, a Rainha de Ouros na posição dois diz que meu progresso é atrapalhado pela falta de flexibilidade e por meu apego ao que é estabelecido e familiar. A Rainha aqui aparece como um aspecto da minha personalidade, e mostra uma dificuldade em arriscar-se. Ela segura o Ás próximo ao seu útero, sugerindo fertilidade e gestação. Nesta posição, esse símbolo se tinge de matizes meio aprisionadores e lentos demais. A rainha de ouros é demais presa às suas certezas para abandoná-las, mesmo diante de situações que exigem tal atitude. As duas cartas juntas fazem um excesso do elemento terra na consulta, o que deixa as coisas ainda mais lentas, quadradas e pouco mutáveis. Por fim, a Torre vem pra por tudo isso abaixo, sacudindo as estruturas fixas das minhas teorias, em nome da realidade prática. Tal carta mostra que eu posso usar ao meu favor as descobertas inesperadas que eu fiz sobre eu mesmo e minha forma de interpretar. Eu vejo a torre da carta como o corpo de concepções que eu construí. Essa carta me lembra de que as concepções são, no final das contas, uma representação da realidade, e que tomar uma coisa pela outra é perder-se no engano.

A atividade, representada pela Torre (fogo) fica sufocada por tanta pressão. A Torre aqui perde um pouco de sua força. A rainha fica mais forte, o que chama mais a atenção para sua inflexibilidade.

Exercício SPR – Rainha de Ouros

Filed under: Exercício SPR — Tags:, , , , , — Leonardo Dias @ 9:06 AM

Muito bem, a primeira figura da corte a aparecer nesse exercício – a Rainha de Ouros. Em minhas leituras, as Figuras da Corte geralmente aparecem indicando pessoas específicas, ou traços da personalidade do próprio consulente que estão ativos ou proeminentes, em relação a sua questão. Às vezes, algumas figuras da corte – geralmente os Valetes ou Cavaleiros – podem aparecer indicando acontecimentos também. Até agora, em meus estudos, eu tenho visto as Figuras da Corte como a manifestação da força de cada elemento nas pessoas – tanto em pessoas específicas quanto no em traços de personalidade e/ou comportamento no próprio consulente.

Casa 1 – A Situação

  • Projetos sendo nutridos, planos em gestação;
  • Pessoa na posição de cuidar de alguém, de ser mãe, de ter esse seu lado materno ficando proeminente;
  • Preocupação com assuntos ligados à família e à maternidade;
  • Alguma pessoa sendo uma Rainha de Ouros na vida do consulente, sua mãe, alguma situação onde essa pessoa tem um papel importante.

Casa 2 – O Problema/desafio

  • Essa mesma pessoa pode estar exercendo um papel antagônico na situação em questão – oferecendo obstáculos, criando problemas. O aspecto negativo da Rainha de Ouros se faz presente aqui – mulher dominadora, possessiva, sufocante;
  • Isso pode mostrar também um aspecto do próprio consulente, mostrando que ele pode estar vendo a situação de forma muito tacanha, ou sendo possessivo e apegado demais às coisas.

Casa 3 – Os Recursos/vantagens

  • – Uma pessoa bondosa e generosa, ou a própria mãe do consulente, pode ser de grande ajuda na situação;
  • – A própria pessoa sendo cuidadosa, paciente, carinhosa e tranquila.

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