Descobrindo o Tarot

setembro 3, 2011

UM SEGUNDO TAROT CRIADO POR WAITE?

Filed under: Diversos — Tags:, , , , — Leonardo Dias @ 10:43 PM

Londres, Inglaterra, ano 1909. A editora William Rider & Son, especializada em literatura esotérica, coloca no mercado inglês a primeira edição de “um baralho de 78 cartas de tarot”, bem a tempo para as vendas de natal. O tal baralho, mais tarde renomeado Rider-Waite Tarot Deck, fora criado pelo escritor ocultista Arthur Edward Waite e pela artista Pamela Colman Smith. O produto pretendia preencher a necessidade generalizada do público por um baralho de tarot facilmente acessível, em uma época em que tal objeto era difícil de ser conseguido. O tarot Waite-Smith cumpriu seu papel, excedendo os sonhos mais lindos até de seus criadores, pois veio a se tornar o baralho de tarot mais célebre do mundo. Ainda que tenha passado longe de ser considerado uma obra-prima pelos seus autores, o baralho Waite-Smith imortalizou os nomes de Arthur Waite e Pamela Smith, e representa a coroação final dos anos de dedicação e pesquisa de Waite sobre o tarot. Não, na verdade, não foi exatamente assim. O Waite-Smith parece não ter sido o único tarot criado por Waite.

Lake District, ainda Inglaterra, ano 2011. A primavera acaba de começar e o tarólogo e pesquisador inglês Marcus Katz anuncia online sua participação na Tarosophy Tarot Conference III, onde promete exibir imagens coloridas dos vinte e dois arcanos maiores de um suposto segundo tarot criado por Arthur E. Waite, nunca publicado. De fato, Waite idealizou um conjunto de imagens, desenhadas e coloridas pelo artista australiano John Brahms Trinick entre os anos 1921 e 1922. Outro artista, Wilfrid Pippet, também contribuiu com algumas ilustrações, que datam de 1923. Executadas num estilo típico da belle époque (com ares modernos e mais elaboradas que as imagens de Pamela), as vinte e três ilustrações parecem corresponder aos vinte e dois caminhos da Árvore da Vida cabalística. Chamadas de “The Great Symbols of the Paths” (‘Os Grandes Símbolos dos Caminhos’), o conjunto de imagens foi criado para ser usado na ordem rosicruciana fundada por Waite em 1915, The Fellowship of the Rosy Cross.

Resta a dúvida se esse conjunto de imagens é realmente um tarot. Informações sobre essa obra de Waite são escassas, e pesquisas online mostram-se pouco frutíferas. Dois livros atuais contam com menções aos tais Grandes Símbolos dos Caminhos: The Story of the Waite-Smith Tarot, de K. Frank Jensen e A History of the Occult Tarot 1870-1970, de Ronald Decker e Michael Dummet. O exato propósito das imagens é pouco evidente. Ainda que boa parte delas conserve considerável similaridade com as imagens tradicionais do Tarot, não é óbvio que elas tenham sido concebidas primariamente para uso divinatório. O nome do conjunto sugere que elas representam os Caminhos da Árvore da Vida, tendo sido criadas para os estudos cabalísticos da ordem de Waite. Além disso, as imagens totalizam vinte e três, e não setenta e oito, como seria típico de um baralho de tarot. Reproduções das imagens também não parecem existir online, ao menos por enquanto. Uma delas, bastante similar à Alta Sacerdotisa do Waite-Smith tarot, foi exibida por algum tempo no site do World Tarot Day e pode ser vista aqui, ao lado. Apesar de semelhança com a Alta Sacerdotisa ser gritante, outras imagens são diferentes o suficiente para inviabilizarem qualquer comparação direta com as figuras tradicionais do Tarot.

A Tarosophy Conferece III será realizada nos dias 17 e 18 de setembro, então logo saberemos mais sobre isso. Mais que só um palestrante na conferência, Marcus Katz é o fundador da Tarot Professionals, organizadora do evento. Não é preciso pensar muito para ligar os pontinhos e ver que todo o hype construído ao redor desse suposto segundo tarot de Waite também pretende trazer mais visibilidade ao evento. Ademais, eu não ficaria nada surpreso se, em breve, fosse publicado um baralho com as tais ilustrações. Entretanto e independente disso, o trabalho de pesquisa de Katz merece crédito por expor uma obra significativa de Waite que parece nunca ter recebido muita atenção. Um segundo baralho de tarot idealizado por Waite pode nos ajudar a entender melhor o simbolismo do primeiro, como também ter uma noção mais nítida do que se passava na cabeça desse ocultista que tinha um compromisso mais forte com seus juramentos secretos que com seus leitores.

Enquanto isso, os copyrights sobre o baralho Waite-Smith expiram na União Europeia agora em 2012. Assim, poderemos esperar por publicações desse baralho por outras editoras – talvez mais similares às cartas originais que disponíveis no mercado atualmente, todas alteradas, de uma forma ou de outra. Também há rumores no ar sobre o iminente lançamento de uma biografia de Pamela Smith, mais elaborada que as disponíveis hoje. Sim, os próximos anos parecem reservar descobertas cruciais sobre esse que continua sendo o baralho de Tarot mais famoso da história. Aguardemos.

julho 24, 2011

Confraria Brasileira de Tarot 2011 – videos

Filed under: Diversos, Videos — Tags:, , , , — Leonardo Dias @ 2:09 PM

 

fevereiro 18, 2011

CONFRARIA BRASILEIRA DE TAROT – EU VOU!

Filed under: Diversos, Lembretes, Notas — Tags:, , , — Leonardo Dias @ 10:28 PM

.

.

Tarot.Intervenção artística.Exposições.Workshops.Uma lista consistente de participantes.Palestras.História.Feira.35 reais.Dias 9-10, Julho/11. Eu vou!

.

.

.

Saiba mais aqui.

setembro 30, 2010

NOTAS / UPDATES – – significados concretos + ouros nomes + card counting + lady gaga! + cortando + leitura relâmpago + espírito?

Alguns updates dignos de notas – ou algumas notas dignas de update – depende de como você vê, rs.

.

Leituras não-posicionais + Significados concretos. . . . .Esses dias, coincidentemente ou não, eu tenho visto por aí muito essa questão de significados mais concretos para as cartas. O fato é que eu já vi mais de uma vez pessoas dizendo que as leituras podem ficar mais fáceis quando cada carta significa menos coisas – ou quando você não flexiona os significados das cartas demais. Tipo, Dois de Ouros = comércio, troca – e só. Mas eu flexiono. Bastante. Em geral, eu costumo atribuir certo conceito raiz para uma carta, que é o que eu identifico como sendo a ideia central dela, através da imagem e do que se estabeleceu como seu significado, como também através de coisas como seu lugar no sistema de correspondências da Golden Dawn. E eu trabalho com isso. Desse ponto de vista mais conceitualizador, as coisas se definem pouco. O Dois de Ouros pode indicar coisas como flexibilidade, troca, alternação, brincadeira, jogo, diversão, mobilidade, sutileza, agilidade, trocas, mensagens, etc etc. Na prática, isso pode confundir, admito. Mas, eu sempre penso isso, e quando a pessoa pergunta sobre, sei lá, amor, e cai o Dois de Ouros? Se a gente não flexiona os significados, a resposta vai ser algo como comércio, ou viagens? Agora, isso sim confunde. Eu nunca gostei muito da ideia de trabalhar com uma gama de significados reduzida por achar isso empobrecedor, porém, praticando mais com leituras não-posicionais, tenho visto que chega a ser uma necessidade. A coisa muda de figura.

Quando a gente joga com a estrutura pronta das leituras posicionais, é mais fácil flexionar os significados, fazer abstrações encima deles, porque você tem a estrutura das posições na espinha dorsal do processo, e você não se perde. Você tem um ponto de referência concreto à disposição. Assim, um Dois de Ouros pode ser mais que simplesmente transações financeiras e comércio – pode falar de flexibilidade e versatilidade, por exemplo. Isso fica mais difícil quando você não tem nada mais que as cartas para ler. Sem posições, e mesmo sem temas. Assim, de certa forma, eu to meio que descobrindo o valor de ver o naipe de Ouros só falando de dinheiro, e o de Copas só de relacionamentos. No Pictorial Key to the Tarot, Waite segue mais essa linha de pensamento, dando a cada carta significados bem concretos e simples, geralmente muito bem retratados e sumarizados em sua respectiva imagem. Mas, claro, nada deve ser gravado em pedra também. Se a gente pensar nas cartas como forças, a gente percebe que elas podem se manifestar de várias formas diferentes. Uma leitura, e especialmente uma leitura sem posições, se torna meio que um mapa das forças atuantes naquele momento. Já falei isso por aqui

De qualquer forma, fica a ideia. Significados concretos tornam a leitura mais tangível, tanto para o leitor como para o consulente. E isso não pode ser nada senão proveitoso – afinal de contas, estamos em Assiah, o mundo da ação, em não em Yetzirah, ou Briah 😉

Talvez chegou a hora de buscar um pouco mais de concretude nas minhas leituras. Mmm…

.

.

.

O nome do Naipe de Terra . . . . .Eu tenho pra mim que, concernente ao nome e à identificação, o naipe do elemento Terra é o mais variado dos quatro. Tradicionalmente chamado de Moedas (Coins), ele passou a ser chamado de Pentáculos (Pentacles, em inglês, Pantacle, em francês) no século 18/19 e, posteriormente, Discos (Disks). Seu símbolo também mudou um pouco, com as moedas sendo substituídas por discos com pentagramas gravados neles. Pra quem não sabe, pentagramas são aquelas estrelas de cinco pontas que a gente encontra nos discos do naipe de Ouros do RWS, por exemplo. E, eventualmente, no pescoço desse ou daquele wiccano, no metro, na padaria, na balada…

O que eu tenho pensado é, já que eu uso o RWS, talvez eu devesse usar aqui no blog uma nomenclatura mais fiel à terminologia empregada nesse baralho para denominar cada naipe. Na prática, Ouros passaria a ser Pentáculos ou Pentagramas, e Paus passaria a ser Bastões, ou mesmo Cetros – uma tradução mais adequada de Wands, em inglês. Em português não existe distinção entre a nomenclatura dos naipes do Tarot e do baralho comum – em inglês existe. Dá uma olhada na tabelinha – –


Isso sempre me confunde demais, de forma que, se eu vou jogar baralho com algum amigo que fala inglês, eu acabo sempre dizendo os nomes dos naipes em tarotês, e todo mundo fica olhando pra minha cara.

Bem, mas voltando ao naipe de Ouros – quer saber como que Moedas virou Pentagramas?

Tudo parece ter sido fruto de um mal-entendido que acabou se fixando – coisas do século 19, rs. De acordo com Paul Huson (Mystical Origins of the Tarot, livro incrível, compre!) Mathers é o responsável pela introdução do termo Pentacle, e isso se deve a um mal-entendido de tradução do francês para o inglês. Mathers bebeu de Lévi. Em um de seus livros, Lévi refere-se à Moeda do Tarot dizendo tratar-se de um pantacle. Pantacle é, na verdade, uma palavra inventada por Lévi, variante de pentacle, que quer dizer “pentagrama”, “estrela de cinco pontas”. Lévi criou essa diferença de grafia para designar um novo termo – é um neologismo dele, portanto. No uso que Lévi fazia da palavra, pantacle significa basicamente um talismã, um amuleto. Foi nesse sentido que ele se referiu às moedas do naipe de Ouros do Tarot como pantacles, ou seja, amuletos, talismãs. Ele quis dizer que as moedas eram símbolos vivos que sumarizavam e portavam um conceito mágico, ou uma doutrina mágica. Se a gente viajar um pouco, pode pensar no naipe de Pentagramas como o receptáculo material da força espiritual/imaterial dos ouros três naipes – daí ele ser visto como um talismã. Mathers, aparentemente, carregou essa afirmação para outro nível, e Waite, provavelmente seguindo Mathers, incluiu pentagramas nos discos dourados do seu naipe de Ouros. No Pictorial Key, Waite diz –

O signo do naipe é representado como gravado e brasonado com o pentagrama, mostrando a correspondência dos quatro elementos da natureza humana pela qual podem ser governados. Em muitos baralhos antigos de Tarot, esse naipe corresponde a moeda corrente, dinheiro, deniers. Não inventei a substituição pelos pentáculos, e não tenho motivo especial para defender a alternativa. Mas o consenso das significações divinatórias apoia alguma mudança, porque as cartas não parecem dizer respeito especialmente a questões de dinheiro.

Depois disso, o resto é história. Crowley, por sua vez, parece ter dado preferência ao termo Disk para designar esse naipe – mas isso é outra história.

Abaixo, as definições para as duas palavras na língua portuguesa – pentáculo e pentagrama – do dicionário Michaelis online

.

pentáculo
pen.tá.cu.lo
sm Figura geométrica, símbolo de um ser invisível ou de uma doutrina.

.

pentagrama
pen.ta.gra.ma
sm (penta+grama4) 1 Mús Conjunto de cinco linhas paralelas, sobre as quais se escrevem as notas musicais. 2 Figura simbólica ou mágica de cinco letras ou sinais. 3 Estrela de cinco pontas, símbolo do microcosmo.

.

.

.

Card Counting . . . . . Não é de hoje que eu vejo essa técnica de leitura sendo citada aqui e ali. Porém, nunca me dignei muito a realmente experimentá-la. Esse fim de semana, dando uma olhada no blog do Jason, vi uns exemplos de tiragens onde ele aplica essa técnica numa leitura de Cruz Celta. Decidi experimentar um pouco com ela e, após ler alguma coisa e ver alguns videos, me arrisquei – e bam!, adorei. Card Counting, ou contagem de cartas, é uma técnica desenvolvida pela GD, destinada a ser usada em conjunto com a técnica de Elemental Dignities, ou dignidades elementais. Consiste basicamente em você contar as cartas de acordo com seu número, para extrair cartas relevantes de um grupo. É muito complicado pra explicar, mas muito fácil de entender, uma vez que você vê a técnica em ação – –

Considere a seguinte linha de cartas:


Três de Pentagramas – Oito de Pentagramas – Nove de Espadas – Quatro de Espadas – Sete de Espadas – Oito de Copas – Dois de Bastões – Sete de Bastões – Dez de Copas

A ideia é contar as cartas para verificar cartas proeminentes no processo. Existe um motivo para eu só ter incluído cartas numeradas de naipes nessa linha, e isso é porque as coisas ficam mais complicadinhas com as outras. Você pode ler essa linha normalmente – progresso feito no trabalho ou nos estudos, seguido de alguma preocupação o adoecimento que obrigam o consulente a se afastar de suas atividades por um tempo, o que o leva a reavaliar uma mudança de lugar, etc… Então, você pode aplicar a contagem de cartas. O número de cartas a serem contadas é o número da carta inicial, ou da carta onde a contagem parou pela última vez.

Começando com a primeira carta (mais uma vez, nem sempre é assim, mas pro exemplo, vai ser), Três de Pentagramas, contamos então mais duas cartas seguintes, que dá no Nove de Espadas (será que esse foco no trabalho não acabou por estafar o consulente?). Daí, você olha as cartas ao redor – Oito de Pentagramas + Quatro de Espadas (ele está muito cansado, e precisa de um tempo longe de tudo). O Oito e o Quatro são elementalmente opostos, então eles se anulam mutuamente, deixando o Nove de Espadas bastante forte. Continuando, contamos então nove cartas, junto com o Nove de Espadas – o que dá no Oito de Pentagramas, mais uma vez a temática do trabalho, com as cartas circundantes mostrando muito esforço e esgotamento mental, pânico. Continuando, chegamos no Dez de Copas – isso vai trazer satisfação e realização ao consulente, no final das contas; o Sete de Bastões e o Três de Pentagramas indicam sucesso e vitória sobre as adversidades. O Sete é elementalmente oposto ao Dez, mas o Três faz a ponte, deixando a tríade forte e positiva. O Dez conta de novo a si mesmo – ou seja, sucesso confirmado. Quando a contagem cai em uma carta em que já caiu antes, a contagem cessa. A gente acaba por identificar toda uma narrativa no meio da leitura.

Muito muito legal. O mais legal é que dá para aplicar isso a leituras posicionas também. Vou continuar a experimentar com esse método, e atualizo sobre ele mais pra frente.

.

.

.

Lady Gaga + Tarot . . . . .Como toda estrela que se preze, Lady Gaga coleciona boatos a seu respeito. Um dos boatos que ultimamente têm rolado na rede em torno de sua figura especula sobre um possível envolvimento da cantora com o Tarot. O motivo é o simbolismo implicado em alguns de seus videos e imagens promocionais. De fato, algumas imagens dão algum pano pra manga. O exemplo mais comentado é, sem dúvida, o video de Poker Face, um dos singles de seu algum debut, The Fame (2008). Logo no começo desse video, Lady Gaga emerge de uma piscina, ladeada por dois cães. A semelhança com a carta da Lua é no mínimo perceptível. Mais tarde, no final mesmo video, Lady Gaga troca carícias com um rapaz em um jardim com paredes de plantas, sob o sol nascente. Mais uma vez, tem sido levantada a questão de se essa não seria uma analogia à carta 19, o Sol. Os elementos na cena podem ser comparados aos das versões mais antigas dessa carta.

Claro, existe um número considerável de diversas explicações para essas similaridades, antes que a gente comece a especular a sério o uso direto de imagens do Tarot nos videos da cantora. De qualquer forma, a ideia de que Lady Gaga usa simbolismo esotérico em sua obra já foi levantada antes, não relacionada especificamente ao Tarot. Alguns vão além, e especulam sobre um possível envolvimento de Lady Gaga com manipulação simbólica da mídia, os Illuminati e mensagens subliminares – não necessariamente nessa ordem.

Independente de Lady Gaga, eu não acho loucura postular que a cultura pop usa muito do simbolismo oculto para causar esse ou aquele efeito na mente das massas. Se símbolos realmente têm poder e influência além do perceptível, vocês acham que governos e a mídia iriam perder esse recurso?


Enquanto isso, Gaga exibe um chapéu enorme, à la lemniscata, no video para Telephone

.

Fica a ideia, rs.

.

.

.

A função do corte. . . . .Há alguns meses eu publiquei um post curto questionando sobre as origens do hábito de cortar as cartas na hora da leitura. Não dediquei muito pensamento a respeito dessa questão de suma importância desde então (¬¬), porém a conclusão a que eu cheguei foi que nosso hábito de cortar as cartas é provavelmente importado do carteado. Entretanto, durante uma conversa esses dias, um amigo me deu a seguinte explicação – o corte simboliza a permissão que o consulente concede ao leitor para abrir suas cartas. Legal, né? Um ato simples, que sempre passa despercebido, reveste-se de uma relevância ritualística, simbólica. Interessante.

Bem, há quem discorde – sempre há quem discorde…

De qualquer forma, ninguém vai discordar de que cortar as cartas ajuda a embaralhá-las mais – o que abre mais espaço para a “Força do Acaso” agir.

.

Cortes e mais cortes – Em um de seus vídeos, John Ballantrae fala de seu hábito de embaralhar o maço três vezes e cortá-lo em montes de três, repetindo o mesmo processo por três vezes. Gostei da ideia, e tenho feito assim ultimamente. Faz muito, muito tempo, li num livro que as cartas devem ser cortadas em direção ao consulente, quando este estiver presente, e na direção do leitor, quando este estiver lendo para si mesmo. Acho que isso viro automático pra mim – sempre faço assim.

Isso faz diferença? Pra você, não – pra mim, faz. É um ato que tem poder para mim, e com certeza deve agir dentro de mim.

Isso é uma das explicações para a Magia, aliás…

.

.

.

Quick Cut – corte rápido, leitura relâmpago. . . . .Mais uma que eu vi no blog do Jason. Na verdade, uma amiga minha já havia me comentado sobre essa técnica há anos, ela mesma tendo aprendido de um outro amigo. Jason diz ter pegado esse método de um livro de cartomancia chamado It’s All in the Cards, por Chita Lawrence. O mundo das técnicas de leitura de cartas é assim mesmo, tudo na base do boca-a-boca, rs…

A força contundente intensa do Ás de Espadas aliada ao poder de controle da Força?? Mmm, interessante.

A força contundente intensa do Ás de Espadas aliada ao poder de controle da Força?? Mmm, interessante.

O método que Jason descreve só difere do da minha amiga por ser mais específico quanto às posições. Bem simples: embaralhe seu maço e corte-o. Você tem agora dois maços, certo? Vire o maço de cima inteiro como se estivesse abrindo uma página de livro. A carta que você vir será a carta 1 (ou seja, a última carta do primeiro maço do corte). Agora, vire o segundo maço do mesmo jeito – a última carta, novamente, será a carta 2.

A carta 1, chamada de “carta interior” (por ter estado ‘dentro’ do maço?) basicamente dá a resposta à questão; a carta 2, chamada de “carta exterior” (claro…), fornece informação adicional, complementar.

Ótima técnica para iniciantes exercitarem a cabecinha, ou mesmo para ser usada como abertura inicial de uma leitura mais detalhada. Segundo Jason, a resposta tem duração de até um mês – bastante tempo para uma leitura rápida e simples, não?

.

.

.

E o espírito, onde fica?. . . . .Uma amiga taróloga, a Marcela Alves, me levantou essa questão esses dias. Quer a gente queira, quer não, a prática da leitura de cartas faz parte do campo da espiritualidade, provavelmente pelo seu caráter “transcedental”, digamos – cartas sendo usadas para ver o futuro e dar orientação. Pois é. Tradicionalmente é assim, e a tradição sobrevive – ainda que muita gente não se sinta muito confortável com esse “estigma”.

Entretanto, esse parece ser o assunto menos tratado por aí, não? Provavelmente porque falar sobre isso é andar sobre ovos – são tantas emoções, rsrs. Mesmo assim, fica a ideia ~ vou tentar abordar mais essa temática por aqui, em posts futuros. Acho mais legal tratar sobre as experiências de cada um, porque não tem muito como ser objetivo com esse tipo de coisa mística, não? Antes de querer impor a ideia de que o Tarot é espiritual ou não, de tomar partido, acho que vai ser mais legal expor as experiências do pessoal. Todo leitor de cartas tem a sua pra contar…

Talvez, muita gente se sinta ainda estranha por vivenciar isso ou aquilo, e compartilhar com outros tire um pouco dessa sensação de isolamento.

Também, acho que vai ser um pouco legal remexer na questão de o Tarot ser ou não ser algo espiritual, da participação ou não de consciências imateriais, etc.

.

Mais uma ideia que fica…

.

.

.

E eu vou ficando por aqui. Lembrando que participar de blogs faz muito bem prá saúde, então, não hesite – eu gosto J

agosto 24, 2010

NEWS II

Filed under: Diversos, Videos — Tags:, — Leonardo Dias @ 10:52 PM

Segundo video de news do blog, com comentários. Como tinha já passado um bom tempo desde o primeiro video, decidi fazer esse em duas partes. Na segunda parte, eu trato especialmente dos novos rumos do blog, então vale a pena assisitir.

Link pro primeiro video de notícias aqui.

Assista. Comente. Sugira. Participe J

PARTE I

.

PARTE II

agosto 23, 2010

OS RUMOS DO BLOG + NOVIDADES

Filed under: Diversos, Notas — Tags:, , , — Leonardo Dias @ 5:42 AM

No dia 14 desse mês, o Descobrindo o Tarot completou um ano de vida. Quem tem acompanhado o blog desde seu nascimento pôde perceber que, com o tempo, eu naturalmente fui mudando de foco. Melhor dizendo, com o tempo, fui definindo mais meu foco. O blog naturalmente refletiu esse desenvolvimento. Então, acho que este é o momento adequado para eu compartilhar esse desenvolvimento com vocês.

Em algum ponto em 2009, eu completei nove anos desde meus primeiros contatos com o Tarot; um ciclo se fechou, e agora outro se abre. Eu decidi criar um blog de Tarot pouco depois de ter retomado com mais constância os meus estudos desse sistema simbólico. Na época, comecei a perceber que compartilhar e expor meus conhecimentos e ideias era uma ótima maneira de pôr as coisas em movimento, bem como de estruturar meu pensamento. 2010 marca o começo de um novo momento em meus estudos, o início de um novo ciclo de nove anos. De fato, eu tenho tido um monte de ideias. Decidi fazer um post para falar de todas essas ideias, e expor aos meus leitores os rumos que o blog vai tender a tomar daqui adiante. Abaixo, vou elencar tais ideias, uma a uma –

.

O Rider-Waite-Smith e a Golden Dawn O Tarot é um sistema simbólico que permite um número infinito de re-leituras. Cada deck diferente é uma nova leitura do Tarot, uma nova proposta de interpretação dos símbolos. E Deus sabe quantas propostas de interpretação diferentes para o Tarot existem. No meu caminho, eu percebi que era de suma importância que eu me focasse em um sistema de interpretação em particular para aprofundar meus estudos. O RWS, e a doutrina da Golden Dawn que lhe serve de base, foram uma escolha natural nesse processo.

Eu me atraí pelo Rider-Waite assim que comecei a perceber que estudar o Tarot não seria completo se eu não considerasse os arcanos menores. O Marseille, com seus padrões semi-decorativos para as cartas numeradas, nunca satisfez muito minhas necessidades. Os desenhos não me diziam nada, e eu tinha que fazer um esforço para poder me lembrar do significado de cada carta. As cartas acabavam funcionando como pouco mais que sinais, e eu sempre desejei estabelecer uma ligação mais íntima que isso com o Tarot. O RWS me seduzia por ter desenhos em todas as cartas, e por ter uma arte mais contemporânea – sem, contudo, ser contemporânea demais. Para mim, a comunicação era mais direta. Também, eu sempre recorri a muitas fontes em inglês, e no mundo anglo-falante do Tarot o RWS é o baralho padrão. A relação foi se formando naturalmente.

Eu percebo que muitos estudantes/praticantes do Tarot não demonstram essa necessidade de ater-se a um determinado sistema de interpretação. Conheço várias pessoas que transitam bem entre diversos sistemas diferentes, misturam doutrinas, bebem de várias fontes ao mesmo tempo. Talvez isso seja um traço de maturidade que eu ainda não desenvolvi – ou talvez seja só uma questão de estilo. De qualquer forma, eu sou o tipo de estudante que precisa de foco e estrutura para fazer progresso. O RWS e as ideias da Golden Dawn acerca do Tarot me fornecem essa estrutura, com a solidez que eu gosto.

Portanto, depois de ser um blog sobre Tarot, o Descobrindo o Tarot delineia-se como um blog sobre o baralho Rider-Waite, sua iconografia em particular, e o sistema místico-filosófico que lhe fundamenta, por tabela. Assim, esperem ver mais sobre a Golden Dawn por aqui. Eu pretendo falar mais da ligação do sistema místico da GD com o Tarot, e sobre como ele transparece no Rider-Waite, de modo a explicar muitos mistérios e curiosidades sobre as imagens do deck. Na prática, esperem ouvir mais sobre Astrologia e Cabala, já que esses foram talvez os dois principais sistemas que a GD usou para acessar o Tarot.

Deixo claro, no entanto, que a abordagem esotérica da GD é só o ponto de vista que eu decidi adotar. Eu acredito que uma das noções mais fundamentais que qualquer estudante de Tarot deve consolidar é a de que não existe muito certo e errado nessa área. O Tarot é essencialmente místico, e misticismo é um caminho subjetivo. Eu acho que o mais legal sobre se discutir Tarot é a troca de experiências e impressões, antes de tudo.

.

Video & Audio Já faz algum tempo que eu tenho contemplado a ideia de incluir mais multimedia no blog, acho que isso deixa a comunicação mais dinâmica. Também, muitas pessoas não se dispõem muito a ler, especialmente posts mais longos e descritivos, então acho que videos preenchem essa lacuna. Faz pouco tempo, tive a ideia de incluir também audios. Isso vai ser especialmente útil quando eu quiser tratar sobre leituras que eu fiz. Talvez essa ideia se desenvolva na inclusão de podcasts no blog, porém ainda não estou certo disso. Vai depender em parte do feedback dos leitores, então se você acha uma boa ideia incluir audios, comente a respeito. Faz já algum tempo que eu decidi incluir séries de videos sobre assuntos diversos, além dos videos de notícias e updates para o blog, então esperem novidades nesse sentido também.

.

FAQ – Perguntas Frequentes Uma das novidades que eu pretendo colocar no blog será mais uma seção fixa ou página, com um FAQ. Pra quem não sabe, FAQ‘s são aquelas listas de perguntas frequentes, bem comuns por aí. Eu percebo que as pessoas têm sempre as mesmas dúvidas sobre Tarot, então acho que vai ser legal ter uma seção condensando tudo isso em um lugar só, para consulta rápida. Se você quiser, pode me ajudar listando as perguntas que acha que não podem faltar num FAQ de Tarot.

.

Dignidades Elementais e Leituras Não-Posicionais Ultimamente, meu modo de leitura tem se direcionado bastante para leituras não-posicionais e para o método de elemental dignities, ou dignidades elementais. Esse método, desenvolvido pela GD, foi uma das primeiras coisas sobre as quais eu tratei aqui no blog. Eu tenho sentido cada vez mais que o potencial orgânico das leituras não-posicionais oferece uma forma mais dinâmica e intuitiva de se jogar – não é de hoje isso, já falei sobre isso neste post, por exemplo. Quanto às dignidades elementais, eu aprecio muito seu potencial de habilitar o leitor a uma avaliação sutil da força de atividade e permanência de cada carta em uma leitura, bem como na identificação de nuances de sentido em cada carta. Assim, esperem ver mais sobre esses dois assuntos aqui também.

.

Participação dos Leitores Uma outra coisa que eu tenho percebido ultimamente é o potencial que a participação dos leitores oferece. Eu já tenho usado as perguntas de alguns leitores para posts, e isso tem sido bem legal. Foi também pensando nisso que eu tive a ideia de incluir um messenger no blog (mais sobre isso logo abaixo).

A participação do leitor é importante, pois ela estende o assunto e abre caminho para novas questões. Portanto, eu gostaria aqui de convocar você a me dizer quais temas deseja ver mais por aqui. Ao menos por enquanto, eu não pretendo incluir algum tipo de forum de Tarot no meu blog, mais vai ser legal escutar as ideias dos leitores e suas sugestões.

Messenger Quem quiser falar comigo, pode usar o widget de messenger que eu incluí no menu do blog, logo abaixo da minha foto. Para mandar mensagens, basta digitá-las no campo inferior do messenger. Se eu estiver online, receberei as mensagens na hora; caso contrário, elas me serão enviadas assim que eu entrar no messenger. Você também pode mudar seu nome de usuário no campo logo abaixo do campo de mensagens. A imagem ao lado dá mais algumas informações sobre o messenger. Clique nela para ampliar.

.

.

Bem, são essas as principais mudanças que eu prevejo por enquanto. De qualquer forma, uma coisa não vai mudar: eu pretendo continuar compartilhando as minhas descobertas do Tarot com outras pessoas, através do blog. Eu vejo o estudar o Tarot como um processo contínuo de descoberta – daí o nome do blog, Descobrindo o Tarot, com o verbo no gerúndio. O gerúndio demarca o tempo de uma ação no processo real de sua execução. De certa forma, ele expressa um eterno presente. O Louco do Tarot também porta essa conotação de uma consciência continuamente focada no processo em andamento, e eu tenho pra mim que ele é o símbolo mais poderoso e definidor do Tarot em si. O Louco representa um estado de eterna descoberta do mundo, de ver sempre as coisas como se fosse a primeira vez, como as crianças, e manter essa postura em relação ao Tarot é muito gratificante. Por fim, o Louco também fala de paixão e inspiração, e é isso que o Tarot tem sido para mim ao longo desses dez anos de estudo.

junho 11, 2010

NEWS I

Filed under: Uncategorized — Tags:, , — Leonardo Dias @ 7:14 AM

Primeiro video com news sobre o blog e atualizações em geral. Comentem, questionem, deem notas 😉

%d blogueiros gostam disto: