Descobrindo o Tarot

abril 24, 2012

PODCAST # 12 – EVENTOS DE 2012 + PERGUNTAS & RESPOSTAS

Filed under: Audio — Tags:, , , , , , , — Leonardo Dias @ 4:43 AM

Ainda que o sol não esteja mais em Aries, aí está meu podcast especial pra entrada do sol no líder do zodíaco. O podcast conta com um resumo sobre alguns dos principais eventos reservados para 2012 girando em torno do tarot, bem como com algumas respostas minhas a perguntas feitas pelos leitores.

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PODCAST #12

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Links

Mystic Fair Rio

Mystic Fair Sampa

Espaço Faces da Lua – espaço da Confraria do Tarot

Tarô, Simbologia e Ocultismo – info sobre a reedição da trilogia de Nei Naiff

Espaço de Luz – site da Patrícia Burnay e do Jorge Pedro

Agenda Pagã – blog voltado para eventos relacionados a paganismo e misticismo em geral

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Line-up musical

Lady Gaga – Yoü and I

Billie Holiday – God Bless the Child

Aretha Franklin – Respect

Marissa Nadler – Mexican Summer

Xuxa – Doce Mel

Jordy – Dur Dur d’Être Bébé

Mariah Carey – Boy (I Need You)

Elton John – Nikita

Norah Jones – Turn Me On

Sophie-Ellis Bextor – Murder on the Dancefloor

Celine Dion – A New Day Has Come

The Supremes – Baby Love

Bessie Smith – Careless Love blues

Lady Gaga – Disco Heaven

janeiro 15, 2012

Perguntas & Respostas

Filed under: Videos — Tags:, , , , , , — Leonardo Dias @ 5:42 AM

http://www.youtube.com/watch?v=emN6qblvS_Y

setembro 25, 2011

PERGUNTAS E RESPOSTAS: DIFERENÇAS ENTRE BARALHOS – COMO LIDAR?

Filed under: Diversos — Tags:, , , , — Leonardo Dias @ 2:20 AM

Recentemente, uma leitora do blog, Lanna, lançou a seguinte pergunta num comment do video sobre a viajação nas imagens do tarot:

“(…) No Waite o 5 de ouros, por exemplo, significa perda, falta ou [ter que fazer] poupança de grana, algum tipo de marginalização etc. Estou falando pictoricamente. Em outro deck, vi o mesmo 5 de ouros com uma imagem bem melhor: um homem encontrando um saco de ouro: ganho inesperado, boa sorte. Como lidar?”

No video, minha resposta.

agosto 7, 2011

LIVROS SOBRE ARCANOS MENORES – OS QUE EU MAIS GOSTO

Filed under: Livros / Decks, Videos — Tags:, , , , , — Leonardo Dias @ 4:34 PM

Faz alguns dias, a leitora Lanna me perguntou no chat do blog a respeito de livros que eu indicaria para o estudo dos arcanos menores.

Eu tenho tido minhas reservas quanto a livros, em nome de uma relação mais direta com as cartas (falo sobre isso aqui), mas, de qualquer forma, ninguém pode negar a necessidade de uma estrutura para qualquer tipo de estudo. Esses são alguns dos livros que eu sempre me pego relendo quando quero entender alguma coisa. Eu também falo sobre o estudo dos arcanos menores nesse outro video.


julho 28, 2011

PERGUNTAS & RESPOSTAS – DEVEMOS DIZER TUDO AO CONSULENTE?

Filed under: Diversos, Videos — Tags:, — Leonardo Dias @ 7:04 AM

Através do chat do blog, o leitor Tiago usou uma história trágica para engatilhar uma velha questão. Tiago menciona o caso supostamente verídico de uma cartomante que foi morta pelo marido de uma de suas consulentes, depois que essa lhe acusou de traí-la, conforme a cartomante havia lhe revelado. A história levanta a questão se devemos dizer tudo o que vemos nas cartas, ou se deve haver algum tipo de filtragem de informação, tendo em vista evitar traumas ou problemas.

Sim, acredito firmemente que devemos dizer tudo. Minha política pessoal é a de manter-me fiel ao que eu vejo na leitura. Enquanto leitor de cartas, eu acredito que a minha função seja a de revelar ao consulente tudo o que o oráculo me revela. Julgar-se apto a discriminar qual informação deve ser repassada me soa algo pretensioso, pois eu acredito que existe um motivo superior para essa ou aquela informação surgirem na consulta. Respeitar isso é uma questão de respeito ao oráculo, antes de tudo. No momento da leitura, o leitor incorpora o Tarot; seu papel é dar corpo e boca ao oráculo. É sua função, portanto, dar forma adequada à mensagem. Ainda que o leitor não deva ser responsabilizado pelos fatos descritos na leitura, ou pela frustração do consulente que descobre que as coisas não serão como ele deseja, creio ser sua responsabilidade passar a informação de maneira adequada, bem como orientar o consulente sobre como lidar com tal informação. E nada melhor que o próprio oráculo para revelar isso, de modo a aumentar o potencial criativo e produtivo da leitura.

Acho que esse tipo de proatividade e consciência clara é uma das coisas que diferenciam os bons leitores daqueles que correm o risco grande de levar bala do próximo marido indignado, rs.


abril 24, 2011

PERGUNTAS E RESPOSTAS – DIFERENÇA ENTRE BARALHOS

Filed under: Diversos — Tags:, — Leonardo Dias @ 3:35 PM

O baralho faz diferença? O meu é o Rider-Waite. A diferença é que a Justiça pra ele é a Força nos outros (numeração). Fora isso eu achava que era tudo igual..

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pergunta acima foi feita pela leitora Ana Valério, num, post antigo sobre o Cinco de Copas, há alguns dias.

A questão dos diversos baralhos é algo bastante discutido entre estudantes e praticantes de Tarot. Eu mesmo já falei sobre ela mais de uma vez aqui no blog; mesmo assim, a questão colocada pela Ana tem alguns aspectos interessantes, que talvez possam interessar a outros leitores também.

O primeiro aspecto dessa pergunta diz respeito à diferença de colocação de duas cartas na ordem dos chamados arcanos maiores, no baralho Rider-Waite-Smith: A Força e A Justiça. Originalmente ocupando a décima primeira posição na sequência, no RWS A Força foi reposicionada como oitava carta, ficando então A Justiça na posição onze. Waite não se dispõe a explicar o motivo de tal alteração no The Pictorial Key to the Tarot, livro que originalmente acompanhava as cartas do hoje chamado Rider-Waite Tarot. No entanto, seria mais apropriado dizer que Waite manteve a ordem dos arcanos que ele aprendeu na Golden Dawn, ordem hermética da qual foi membro por muitos anos. A GD, por sua vez, mudou a colocação de ambas as cartas para que elas ficassem de acordo com o sistema de correspondências entre as cartas do Tarot, as letras hebraicas e os signos/planetas astrológicos proposto pela ordem. Waite preferiu não comentar os motivos da mudança, provavelmente porque havia jurado manter secretos os preceitos da GD, recebidos em iniciações especiais.

De qualquer forma, tal mudança exerce muito pouca influência na prática da leitura, a menos que os valores numéricos das cartas exerçam papel proeminente em seu processo de leitura – como em cálculos, por exemplo. Se for esse o caso, sinta-se livre para adotar ou recusar a mudança proposta pelo RWS. Cuide apenas para buscar bases sólidas nas quais possa sustentar tal decisão, afim de que ela não seja algo feito de forma vã, ou por falta de informação.

Segundo, temos a questão da diferença entre os baralhos. Eu sempre sou inclinado a dizer que sim, há diferença em usar esse ou aquele baralho. Ainda que a base seja a mesma, cada baralho fornece uma visão diferente das mesmas imagens, e imagens diferentes vão inspirar coisas diferentes numa leitura. Eu gosto de pensar nas diferenças entre os baralhos de Tarot como o mesmo tipo de diferença entre players ou câmeras de varias marcas, que exigem uma forma específica de manuseio para executarem uma mesma tarefa – tocar música ou tirar fotos. Por último, vale também dizer que boa parte dessa questão da diferença entre baralhos depende também do leitor. Cabe a ele ignorar ou levar em consideração, menos ou mais, as divergências de visão que cada baralho oferece.

dezembro 13, 2010

FAQ – PERGUNTAS FREQUENTES

Filed under: Diversos, Lembretes — Tags:, , — Leonardo Dias @ 1:33 AM

Já há algumas semanas, o Descobrindo o Tarot conta com mais uma seção especial, a seção de FAQ, ou perguntas frequentes, previamente anunciada no post sobre novidades vindouras no blog.

Para acessar a seção de FAQ é simples – no menu lateral da página do blog, logo abaixo da minha foto, no tópico de páginas, você encontra o item perguntas frequentes – faq, atualmente a última opção do menu de páginas (vide imagem acima para mais fácil localização).

Pra quem não é familiar com a ideia, FAQ são aquelas perguntas que muita gente faz, ou que se espera que muita gente faça. Listas de FAQ contêm várias dessas perguntas, frequentemente em ordem de assunto ou tópico, para melhor localização.

Nas minhas FAQ, eu juntei tanto perguntas comuns sobre Tarot, quanto perguntas que eu vi que muita gente me fez ao longo de mais de um ano de blog. Por enquanto, as FAQ estão dispostas sem uma ordem específica, mas eu pretendo colocá-las em ordem quando seu número for maior.

A seção de FAQ do Descobrindo o Tarot é um projeto em andamento que admite a participação dos leitores. Você pode sugerir perguntas para figurarem na lista simplesmente entrando em contato comigo, através do blog, ou pelo email mani.maneon@gmail.com.

Você também pode acessar as FAQ clicando aqui. Confira abaixo a atual lista de perguntas –

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1. O que é o Tarot?

2. De onde vem o Tarot?

3. O Tarot se baseia em alguma religião?

4. Qual a importância do baralho na leitura de cartas?

5. Como se organizam as cartas dentro do baralho?

6. Como funciona basicamente uma leitura de cartas?

7. Quero começar a estudar Tarot. Como devo proceder?

8. Quantos baralhos de Tarot existem, e qual é a diferença entre eles?

9. Ouvi dizer que o primeiro baralho deve ser ganhado, e não comprado. Isso é verdade?

10. Qual baralho devo comprar para começar meus estudos? Qual o melhor baralho de Tarot?

11. Onde posso conseguir meu baralho?

12. É preciso realizar algum ritual de consagração antes de começar a usar meu baralho?

13. É preciso ter algum dom paranormal para ler as cartas?

14. Qualquer um pode praticar a leitura de cartas de Tarot?

15. Eu preciso saber ou estudar outras linhas de pensamento esotérico, como Astrologia, Numerologia ou Cabala, para praticar a leitura de cartas?

16. Posso empregar a leitura de Tarot em conjunto com outras formas de diagnóstico holístico, tais como mapas astrológicos, numerológicos, runas, etc?

17. Posso fazer leituras para eu mesmo?

18. Cartas de Tarot preveem o futuro?

novembro 25, 2010

Desdobramentos de significados para o Pajem de Espadas + impopularidade do Crowley-Harris-Thoth

Recentemente, Henrique levantou duas questões que eu achei interessante postar aqui pro público, por serem dois assuntos que dão um pano pra manga legal. Sem mais enrolação por hoje, vamos direto ao ponto. Primeiro, os assuntos mais simples.

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Crowley-Harris-Thoth……………………………………………Henrique já começa mexendo na polêmica e deixando a ideia no ar –

Porque existem tão poucas informações sobre o tarot de Thot? Existe muito preconceito sobre esse tarot, mas penso que a simbologia dele é bastante rica e que ele tem uma incrível força com relação a intuição do leitor. Mas algumas cartas parecem ser bem confusas, principalmente se comparadas aos outros sistemas. Uma dessas cartas que me intrigam é o 7 de Pentáculos entre outros que tem significação bem diversa. O que você tem a dizer sobre esse baralho e seus “mistérios”?

Eu já percebi que faltam mais divulgadores do CHT em português, e eu acho que isso se deve largamente à predileção da mentalidade brasileira pelas visões mais tradicionais do Tarot. Eu percebo que a mentalidade predominante do Tarot no Brasil valoriza mais o que é tido como clássico, e o CHT, com suas diversas modificações e inovações, meio que vai de encontro com todos esses valores. A personalidade de Crowley – ou, melhor dizendo, a imagem construída ao seu redor, e a caricatura daí decorrente – também parece contribuir para essa torceção de nariz. Pessoas não falam muito sobre o CHT, logo, pessoas não ouvem muito sobre ele – e então você tem uma reação em cadeia, e um processo que se retro-alimenta.

Eu não sei muito sobre o CHT, mas o que eu percebo é que ele é geralmente pouco compreendido – em parte por requerer do praticante que se propõe a esgotar suas possibilidades (ou, ao menos, usá-lo levando em consideração suas proposições originais) um conhecimento grande sobre outras áreas da doutrina esotérica. Quem não está afim de estudar já sai fora nesse primeiro item. Mas, de novo, nem todo mundo acredita que precisa saber disso para fazer uso do Thoth (ou de qualquer outro baralho), e eles não estão certos – nem errados, rs. Waite critica a cartomancia popular, mas deslavadamente a reproduz em seu trabalho; Crowley parece ter levado o Tarot completamente para o âmbito da Magia, do ocultismo, e de todas essas coisas pouco acessíveis, nem tanto por serem ocultas, mas muito por serem complexas, e exigirem bastante do aspirante a praticante.

A impressão que eu tenho do Thoth é que, com ele, o babado é sério. Crowley não estava de brincadeira ali. Nem ele, nem Lady Frieda Harris, que demorou cinco anos para finalizar o projeto, que incluiu, muitas vezes, diversas versões para uma mesma carta, até que se chegasse à mais próxima do ideal. Cinco anos, contra os nove meses em quem o Rider-Waite-Smith foi pintado (não que o RWS seja inferior, mas o trabalho foi maior no Thoth). Seu simbolismo é intrincado. Sua arte é elaborada. As propostas que lhe subjazem, arrojadas. A ideia por trás do Thoth é que ele não é só uma ferramenta de análise passiva da realidade, mas de influência ativa sobre a mesma. Crowley levou a sério a ideia de que as ‘cartas são alguéns’. Eu já disse isso aqui – no Thoth, Tarot e Alta Magia alcançam um patamar de união. Nesse sentido, eu acredito que o Thoth representa um novo salto no Tarot – um salto mais além. Waite tornou o Tarot acessível; Crowley consolidou sua relação com a Magia.

No entanto, mais uma vez, nada de julgamentos de valor. A coisa toda não é uma linha reta, e eu penso mesmo que essa mentalidade linear é prejudicial. Alexander Lepletier disse uma coisa em sua palestra da Mystic Fair que eu achei muito legal – tradições devem suprir as necessidades de seus praticantes.

Sobre os significados das cartas, oque eu sei é que Crowley levou bem a sério os preceitos da Golden Dawn sobre o Tarot, e o sistema que ela desenvolveu, fazendo mudancinhas aqui e ali no que ele julgava necessário. Os significados das cartas no CHT, bem mais que no RWS, baseiam-se bastante em Astrologia e Cabala, e nas correspondências desses sistemas com o Tarot, segundo a GD. Eu acredito que qualquer diferença pode ser verificada quando levamos esses fatores em consideração. Não é que suas cartas não fazem sentido, ou ‘estão erradas’ – é só que elas se distanciam dos outros sistemas em vários pontos.

Como eu disse, eu não sei muito sobre o CHT, meu foco é o RWS. Adash, do Pergaminho das Eras, é o especialista em Thoth que eu mais conheço. Se você lê em inglês, o Paul Hughes-Barlow do Supertarot.co.uk também é expert em Thoth.

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Deespadaempunho(s)………………….Em um post antigo sobre o Pajem de Espadas, Henrique levantou a seguinte questão –

Esta carta pode ser entendida também como pessoa de comportamento ansioso ou situação causadora de ansiedade? Falo isso porque penso nela desta forma em alguns jogos…………………………………………………..

“Ansiedade” é uma palavra muito usada hoje em dia. Geralmente, eu vejo pessoas usando essa palavra para identificarem uma situação ou um sentimento caracterizado por um forte desejo de que algo se realize – como quando você fica ansioso para que seu namorado chegue logo; ou para que venha logo o prato delicioso que você pediu no restaurante. Pelo que eu percebo, no discurso cotidiano, “ansiedade” identifica a aflição inquieta motivada por um desejo intenso por algo que ainda não se têm, mas sobre o qual há certa perspectiva de se ter em breve. Aquela sensação de eu-não-posso-mais-esperar, de quero-isso-muito-agora. Por outro lado, eu também vejo as pessoas usarem muito essa palavra como sinônimo de preocupação, aflição e sofrimento – “Calma, você tá muito ansiosa”.

A origem da palavra é anxius, adjetivo latino que quer dizer algo como “apreensivo, preocupado, atormentado”. Interessantemente, a origem do anxius latino é uma raiz que centraliza ideias de sufocamento, constrição e aperto. “Ansiedade” não se focaliza no desejo, e muito menos no objeto desejado, mas sim no desconforto que esse desejo não-satisfeito provoca. É essa entidade abstrata que ela parece pretender nomear.

Ainda assim, no dia-a-dia, “ansiedade” tem muito uma conotação de “desejo”, de “anseio“, desejo intenso e impaciente.

ansiedade

sf (lat anxietate) 1 Aflição, angústia, ânsia. (…) 3 Desejo ardente ou veemente. 4 Impaciência, insofrimento, sofreguidão.

Quando eu penso sobre “ansiedade”, me vem logo de cara outra palavrinha na cabeça – cupidez.


Sim, o nome do deus romano do amor, Cupido, está relacionado a essa palavra. Cupidu quer dizer “desejoso”. Desejo-insatisfação-sofrimento, essa é a constelação que eu proponho para “ansiedade”. Estaria o Pajem de Espadas, portanto, cúpido? Se sim, cúpido de que?

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Eu não costumo ver o Pajem de Espadas como nada disso.

Não diretamente, ao menos.

Entretanto, essa relação entre o Pajem de Espadas e o conceito da inquietação ou do desassossego não é nova, e parece ser popular, até. Muitas pessoas associam esse Pajem a inquietação, algumas mesmo levando essa noção de inquietação para caminhos mais pesados, transformando o Pajem de Espadas em um mensageiro de preocupações, insegurança, desconforto e problemas. É interessante notar essa evolução no processo de significação de uma carta. Uma perninha vai puxando a outra. Gera-se uma reação em cadeia de associações.

Essa visão mais pesada do Pajem de Espadas é curiosamente sugerida em seu retrato no Rider-Waite-Smith, sobre o qual Waite comenta:

“(…) Atravessa um terreno acidentado, e sobre o seu caminho as nuvens dispõem-se turbulentamente. Ele é alerta e ágil, olhando para todos os lados, como se um esperado inimigo pudesse surgir a qualquer momento.”

(‘(…) He is passing over rugged land, and about his way the clouds are collocated wildly. He is alert and lithe, looking this way and that, as if an expected enemy might appear at any moment.‘)

“Terreno acidentado”. “Nuvens dispostas desordenadamente”. Nem tem como negar. Confusão e problemas, sim. Já ouvi gente comentando que as nuvens ali sugerem confusão mental, pensamentos enuviados – ainda mais com uma boa porção das nuvens bem perto do rosto do personagem.

Mas, também, atenção – “(…) he is alert and lithe, looking this way and that, (…)”

Eu vejo o Pajem de Espadas mais como curiosidade, observação, descoberta, novas ideias, vivacidade, agilidade, flexibilidade, animação; e também como certa presunção, uma certa atitude de sabe-tudo, ou problemas de mal-entendido, dependendo das cartas ao redor. Eu gosto muito da descrição de Waite quando ele descreve esse pajem como “uma figura esbelta, viva, (…), caminhando com passos rápidos” (‘A lithe, active figure (…), in the act of swift walking‘). Silfídico (o que, convenhamos, é bem próprio de um personagem do elemento Ar). A descrição retrata um personagem todo atividade, meio inconstante, leve, fugidio e mutável – como as nuvens ao fundo, no céu, e o chão onde ele pisa. Outra coisa que me chama a atenção nesse pajem (e que já ouvi comentários antes) é a forma que ele segura a espada – com as duas mãos (detalhe que Waite também salienta quando diz ‘holds a sword upright in both hands’), como se não soubesse direito como portar uma espada. Ele é o único de sua corte a fazer isso.

Parece que, com o tempo, esse pajem parece ter incorporado bastante do aspecto mais conflituoso e problemático do naipe de Espadas. As pessoas parecem ter-lhe atribuído tal papel. No entanto, nem sempre foi assim. As primeiras tentativas de significar essa carta não foram tão contundentes com a coisa das intrigas, ou confusão. Etteilla não fala nada sobre isso. Em seu sistema, o Pajem de Espadas é muito relacionado a observação cuidadosa, espionagem e pesquisa – constelação de significado que Waite carregou à sua versão do Tarot, deixando-a parcialmente impressa na imagem de um jovem ativo sempre alerta, e com uma postura de desconfiança e certa tensão. De Mathers, Waite parece ter pegado os significados relativos a autoridade e poder. Indo por outra corrente, mais ligada à Cabala, a Golden Dawn caracteriza a sua Princesa de Espadas como graciosa, ágil, destra e meticulosa, e traça paralelos entre sua figura e as figuras de duas deusas romanas, quando diz que ‘(…) she is a mixture of Minerva and Diana – Minerva (a Athena grega) e Diana (Ártemis), justamente as duas deusas sempre virgens, alheias aos homens, imagens do feminino auto-suficiente, questionador do poderio masculino. Crowley endossa essa visão, e acrescenta que, quando mal-aspectada, sua inteligência e agilidade dispersam-se, tornam-se incoerentes, e criam um caráter baixo, voltado a fins vis.

O meu take sobre esse pajem é que ele representa as ideias em seu processo de formação, quando elas ainda estão pouco definidas, inconstantes e mutáveis. Sua imagem no RWS salienta seus aspectos de observação, atenção e agilidade – bem como, em certa medida, a rebeldia e irreverência mencionadas pela GD. O Pajem de Espadas pode tropeçar (claro, num chão desses…) – mas não perde o rebolado.

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Respondendo diretamente a sua pergunta, Henrique, eu não sei de onde exatamente você tirou de associar o Pajem de Espadas a ansiedade, mas nós dois pudemos ver que essa noção não é infundada. Existe sim uma visão desse pajem que o associa a complicações e problemas. Se você pratica com o RWS, é possível que você tenha sentido isso na imagem – os desenhos de Pamela são bastante eloquentes. Assim, se o que você procura é respaldo, não lhe falta.

Eu tenho percebido que esse desejo nosso (não sei se seu, mas muitas vezes meu, e eu admito sem vergonha) de confirmar significados tende a calcar-se em uma vontade de justificar, legitimar, normatizar uma intuição ou insight que temos a respeito dessa ou daquela carta. Eu também tenho percebido que isso pode estar relacionado à nossa própria insegurança, ao nosso medo de errar, dizer besteira, ser incoerente, etc. Sempre a pressão de acertar, de ser correto, de ser perfeito – os fantasmas velhos dos praticantes de Tarot. Sobre isso, só digo uma coisa – vamos começar a exercitar nossa libertação disso. Ao menos em parte.

Eu acho legal pesquisar os significados de vários autores – particularmente os que estabeleceram as bases da conceitualização do Tarot de hoje. Quase sempre nossas ideias revelam-se ecos – mais ou menos fiéis – de algum desses pensadores. Quase sempre, a gente acaba percebendo que nossas ideias não são novas, que já teve gente que trilhou nosso caminho (e foi além) e, pra mim, isso é o legal de estudar o trabalho desse povo.

Significados são coisas pessoais – especialmente os das cartas menores. Minha descrição aqui pode ter parecido confusa, porém minha intenção foi justamente ilustrar como existe mais de um sistema de atribuição de significado às cartas – e como que, num certo nível, tais significados dependem de cada leitor. Como eu sempre digo, não existe um cânone – o que existem são diversas vozes, diversos expoentes de uma mesma carta, e diversas formas de abordá-la. O legal de estudar essa diversidade é tanto o fato de nos possibilitar contato com uma profusão de significados diferentes, quanto a consciência de que, em matéria de Tarot, nada é tão determinado – e determinista – quanto a gente gostaria que fosse.

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É isso, Henrique. Obrigado por participar do blog, e eu espero ter respondido suficientemente bem às questões que você levantou. Eu sempre complico, mas pelo menos um pouquinho eu tenho que explicar, rs.

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REFS

Minha referência para o post de hoje foi principalmente o site do Paul Hughes-Barlow, Supertarot.co.uk, que conta com uma ótima seleção de significados para todas as cartas, por diversos autores. Também, o Book T, de Mcgregor Mathers. Principal documento sobre Tarot da Golden Dawn.

novembro 13, 2010

PERGUNTAS E RESPOSTAS – INTERPRETAÇÃO DAS CARTAS NUMERADAS

Filed under: Diversos — Tags:, , , — Leonardo Dias @ 5:05 PM

A pergunta de hoje foi feita por Franklin Couto, do CanalNeblina do YouTube, e tem a ver com a interpretação das cartas numeradas.

Qual é a sua opinião com relação à interpretação das cartas com naipe? Isso de um modo geral, saca? Existe uma diferença entre alguns baralhos – o egípcio, por exemplo, tem os 78 Arcanos figurativos, a interpretação está quase toda na simbologia da carta. Lógico que a nomenclatura da carta é importante (de extrema importância até), mas sempre ouço comentários de que esses baralhos em que se pode juntar a interpretação da figura com o nome dado àquela cena são baralhos com uma interpretação mais fácil. Já no caso do Marselha, a interpretação dos arcanos menores me parece bastante difícil, já que não existe a possibilidade de fazer esse link de nome-figura. Nesse caso a interpretação é toda instintiva? Existe uma técnica que transforme a interpretação numa “receita de bolo”, tipo, mecânica?

Eu achei essa sua pergunta interessante, pois ela toca em vários pontos muito legais. Primeiro, vamos às questões mais simples. Ao que me pareceu, o baralho egípcio que você menciona é o Egipcios Kier. Apesar de não ser especialista em Kier, posso dizer que ele é um baralho de Tarot que tem um sistema de organização interna e simbologia particulares, que se distanciam um pouco do esquema arcanos maiores + 4 naipes, 10 cartas numeradas + 4 figuras da corte, que a maioria dos baralhos exibe. Fora do planeta Kier, a gente tem, basicamente, duas vertentes de representação das cartas numeradas – representações figurativas, que envolvem cenas e símbolos, vertente essa que tem no Rider-Waite-Smith seu precursor e maior expoente (na verdade, o primeiro baralho conhecido a ter cenas nas cartas pequenas é o Sola Busca, mas isso é outra história) ; e representações numéricas, onde o símbolo de cada naipe se repete ao longo das dez cartas numeradas, indicando o número de cada carta através de sua repetição (9 taças para o Nove de Copas/Taças, por exemplo). Qualquer baralho de Tarot que você pegar vai ter ou representações de cenas em suas cartas numeradas, ou padrões numéricos repetitivos. Frequentemente, como no caso do RWS, as repetições do símbolo do naipe para demarcar a quantidade perduram, inseridas na cena em questão – as nove taças dispostas na mesa atrás do homenzinho feliz no Nove de Copas, por exemplo. Isso é feito para facilitar a identificação do naipe. O Kier é um dos casos onde nada disso acontece, pois ele é um baralho que deixa de lado o próprio conceito de naipe, então não há o que ser repetido ou indicado nas cenas.

A representação numérica baseada na repetição é um expediente bem simples, que acompanha os hoje chamados arcanos menores desde sua origem. Agora, do ponto de vista prático, e falando a grosso modo, a gente pode ver as representações figurativas como uma sofisticação, uma evolução de design, digamos, que se foca especificamente no uso divinatório do Tarot – que, originalmente, foi concebido para ser um jogo. É o Tarot divinatório saindo do armário. A ideia inicial de trocar os padrões repetitivos dos baralhos mais antigos por cenas parece ter sido justamente facilitar a identificação das ideias atribuídas a cada carta. A gente tem isso já bastante sugerido no título do livro que acompanhava o RWS quando de seu lançamento, no final de 1910 – The Pictorial Key to the Tarot, ou ‘A Chave Pictórica do Tarot’ – “chave pictórica”, ou seja, uma chave que consiste em imagens, que revela os significados através de cenas alegóricas. É hoje comumente aceito que, antes de Waite, as cartas menores expunham apenas padrões de repetição numérica, e seu significado permanecia circunscrito às escolas de iniciação – não era fácil descobrir sozinho. Ao publicar um baralho com imagens para as cartas menores, Waite exoterizou um corpo de segredos que antes fora mantido esotérico.

Quando você fala sobre nomenclatura, eu acho que, mais uma vez, você está com o Kier em mente, pois é ele que tem nomes para cada carta, com cenas relacionadas a esse nome. A maioria dos outros baralhos não possui nomes nas cartas pequenas, então o vínculo estabelecido com a carta parte basicamente da identificação da cena ou figura que ela retrata. No entanto, é legal você mencionar essa questão de títulos dados às cartas, porque dentro do sistema da Golden Dawn, cada carta numerada recebe um título – o Nove de Copas, por exemplo, é chamado de Lord of Material Happiness, ou “Senhor da Felicidade Material”. Esse título funciona como uma sintetização da força ou ideia que a carta representa no universo da GD – e, por tabela, um pouco no RWS também, já que Arthur Waite e Pamela Smith, os dois criadores do baralho RWS, fizeram parte dessa ordem hermética por algum tempo. Crowley (outro que, por muitos anos, integrou o corpo de membros da GD), carregou esse conceito de títulos para seu baralho, o Thoth, onde cada carta pequena tem um ‘nome’ – o Nove de Copas, por exemplo, é chamado simplesmente Happiness. Talvez seja daí que tenham tirado a ideia de dar títulos às cartas no Kier – e então, o círculo que você abriu, se fecha, rs.

De qualquer modo, independente de qual baralho você usa para fazer leituras, o mais importante – o que vai garantir a comunicação e o entendimento leitor-cartas – é o vínculo que você trava com cada carta. Mesmo quando elas não têm figuras cênicas, como no caso do Marselha, com o tempo você acaba se acostumando com as cartas. Também, há quem diga que a disposição dos elementos nas cartas numeradas do Marselha obedece a uma certa regra, onde a forma que tais elementos são arranjados possui significado. A gente também pode encontrar essa lógica no próprio baralho da Golden Dawn, cujos arcanos menores numerados exibem uma série de sinais, diferentes arranjos e símbolos que convencionam sua interpretação. Num outro extremo, temos mesmo o Crowley-Harris-Thoth, baralho de autoria do mago Aleister Crowley e da pintora Layd Frieda Harris; os arcanos numerados do CHT não vêm com cenas, seguem o modelo repetitivo comum das cartas mais antigas e reproduzido pela GD, porém conferindo-lhe uma aparência mais moderna, exibindo variações de formas e um forte uso da cor e de símbolos adicionais para incorporar a força que cada carta é. Crowley consolidou a união do Tarot com a Magia, fazendo de seu baralho não só uma ferramenta destinada a descrever, mas também a agir sobre os fatos e a realidade. Seu baralho também é um instrumento mágico, de ação. Mais um passo transcendente, levando o Tarot a não só instrumento de especulação, mas também de ação proativa.

Por último, sua questão sobre alguma técnica ‘receita de bolo’, como você diz. Eu acredito que seja importante salientar que, visto que o Tarot (ao menos assim se sustenta) não foi desenvolvido originalmente para ser usado com fins divinatórios, a atribuição de significado para as cartas consiste na construção de um sistema essencialmente alheio às cartas em si, que é desenvolvido ao seu redor e sobre elas é imposto. Claro, com o tempo, uma coisa meio que se misturou com a outra, dando origem a algo novo. O RWS surge em um momento desse processo onde o Tarot já estava plenamente tido como um oráculo. Ele só refletiu essa mudança. Mesmo assim, é bom levar sempre em conta esse fato simples quando consideramos questões como a sua – significados dados às cartas são essencialmente estruturas artificiais. Existe mais de uma forma de atribuir significados às cartas, mais de um sistema. Na verdade, existem inúmeros, alguns mais receita-de-bolo que outros. Dependendo do sistema que você escolhe, diferentes técnicas serão usadas.

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Rant!

Geralmente, eu percebo que a maioria das pessoas que se propõem a estudar Tarot não pensa muito sobre essa questão da atribuição de significados às cartas – de onde ela veio, em que ela se baseia, quem foram seus precursores, etc. Elas simplesmente vão lendo livros, frequentando cursos e fazendo leituras, presumindo que os significados são os que elas aprendem e usam, que sempre foi e sempre será assim, e outras coisas são erradas. Acho que isso é uma das coisas que mais provocam discussões e brigas em forums e grupos de Tarot. E também acho que isso é estupidez, pois não relativiza. Não há um consenso sobre o que cada carta pretende significar. Assim, de claro, não há. Simplesmente porque um monte de gente propôs (e propõe) significações diferentes – e um monte de outra gente se propõe a seguir tais esquemas. Por mais que certo sistema de significados seja popular, ele não é unânime. Isso porque eu nem cheguei a considerar as diferentes nuances de percepção de cada pessoa dentro de um determinado sistema…

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Bem, espero ter respondido sua pergunta, Franklin. Você pode complementar a resposta com comments, se achar necessário. Brigado pelo comentário, e pela participação!

Além de seu canal no YouTube, vocês podem ver mais sobre Franklin também em seu blog recém-lançado, CanalNeblina.

outubro 25, 2010

ATÉ ONDE ALCANÇA O ‘OLHAR’ DO TAROT?

Filed under: Diversos — Tags:, — Leonardo Dias @ 11:35 AM

Mais uma questão levantada pela leitora Sandra Andrade por meio de comentários ao último post. Achei legal publicá-la aqui, junto com a minha visão da questão.

“(…) E se o Tarot nos faz querer ser nós mesmos mas nós simplesmente estamos nesta teia intricada de teorias, e morais, e leis e educações, que reagimos como um computador reage quando tem nele um programa que lhe dá ordens? E se vivemos num completo Matrix onde tudo foi criado e de onde não conseguimos nos desconectar, e o Tarot seja o puxar dessa ficha da tomada? O Tarot nos tira o chão. E de que é que temos mais medo? Do desconhecido… O conhecido está cheio de regras que nos dizem tudo e como devemos agir, em todas as situações! O Tarot não é assim…”

Eu acredito que o Tarot nos fornece a possibilidade de adquirir uma visão mais integral, tanto acerca de nós mesmos, quanto acerca das diversas situações das nossas vidas. No entanto, mesmo a mensagem do Tarot passa pelos nossos filtros mentais, nossos condicionamentos, e coisas do tipo. Ninguém lê o Tarot e fala coisas extremamente anormais. As leituras tendem a seguir um certo padrão de normalidade, e isso pode ser visto como reflexo de nossos condicionamentos. Então, ainda que o Tarot nos ofereça esse potencial integrador, como isso será recebido e processado dependerá do nível de percepção do leitor, da mesma forma que qualquer livro, por melhor que seja, depende da capacidade de entendimento de seu leitor para poder ser devidamente apreciado.

Isso vale para a questão do desconhecido x conhecido – se assumirmos que o Tarot revela o desconhecido, então esse passa a ser conhecido. Inserido na esfera do conhecido, o desconhecido precisa incorporar as mesmas regras gerais. É uma necessidade automaticamente preenchida. Assim, não sei até onde podemos afirmar que o Tarot nos liberta completamente dos nossos condicionamentos, já que interpretamos suas mensagens justamente por meio de tais condicionamentos. Isso acaba levantando uma questão bastante pertinente a ser feita durante nossas leituras – até onde essa minha interpretação é tolhida pelas minhas próprias ideias de como as coisas devem ser? A simples consciência disso já nos possibilita buscar a transcendência desses filtros durante a leitura. Por conseguinte, o simples exercício já constitui uma transcendência. Alargar os horizontes passa a ser um processo consciente e voluntário, e isso faz parte do potencial integrador que o Tarot disponibiliza.

Eu vejo o Tarot como um caminho para chegarmos às nossas “verdadeiras origens”, a uma consciência maior que insere uma parcela mais extensa do desconhecido na esfera do conhecido.

Quem vê o Tarot é o leitor. O alcance da visão do Tarot é o alcance da visão do leitor. Para ver mais longe, a ideia não é tentar usar as cartas como binóculos, mas como trampolim.

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