Descobrindo o Tarot

setembro 17, 2011

ESCLARECENDO MINHAS IDEIAS DE VIAJAÇÃO NAS IMAGENS DO TAROT

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Pra ninguém dizer que eu não avisei.. rs.

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janeiro 27, 2011

MATEMÁTICA DE TAROT I – IMPERADOR/TORRE

Filed under: Diversos, Lembretes, Notas — Tags:, , , , , , — Leonardo Dias @ 4:04 PM

novembro 21, 2010

CINCO DE BASTÕES- imagem

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Brincadeira.

Diversão.

Ludismo representativo.

Atuação & atividade.

Competição simulada.

Lutinhas.

Agressividade lúdica.

setembro 30, 2010

NOTAS / UPDATES – – significados concretos + ouros nomes + card counting + lady gaga! + cortando + leitura relâmpago + espírito?

Alguns updates dignos de notas – ou algumas notas dignas de update – depende de como você vê, rs.

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Leituras não-posicionais + Significados concretos. . . . .Esses dias, coincidentemente ou não, eu tenho visto por aí muito essa questão de significados mais concretos para as cartas. O fato é que eu já vi mais de uma vez pessoas dizendo que as leituras podem ficar mais fáceis quando cada carta significa menos coisas – ou quando você não flexiona os significados das cartas demais. Tipo, Dois de Ouros = comércio, troca – e só. Mas eu flexiono. Bastante. Em geral, eu costumo atribuir certo conceito raiz para uma carta, que é o que eu identifico como sendo a ideia central dela, através da imagem e do que se estabeleceu como seu significado, como também através de coisas como seu lugar no sistema de correspondências da Golden Dawn. E eu trabalho com isso. Desse ponto de vista mais conceitualizador, as coisas se definem pouco. O Dois de Ouros pode indicar coisas como flexibilidade, troca, alternação, brincadeira, jogo, diversão, mobilidade, sutileza, agilidade, trocas, mensagens, etc etc. Na prática, isso pode confundir, admito. Mas, eu sempre penso isso, e quando a pessoa pergunta sobre, sei lá, amor, e cai o Dois de Ouros? Se a gente não flexiona os significados, a resposta vai ser algo como comércio, ou viagens? Agora, isso sim confunde. Eu nunca gostei muito da ideia de trabalhar com uma gama de significados reduzida por achar isso empobrecedor, porém, praticando mais com leituras não-posicionais, tenho visto que chega a ser uma necessidade. A coisa muda de figura.

Quando a gente joga com a estrutura pronta das leituras posicionais, é mais fácil flexionar os significados, fazer abstrações encima deles, porque você tem a estrutura das posições na espinha dorsal do processo, e você não se perde. Você tem um ponto de referência concreto à disposição. Assim, um Dois de Ouros pode ser mais que simplesmente transações financeiras e comércio – pode falar de flexibilidade e versatilidade, por exemplo. Isso fica mais difícil quando você não tem nada mais que as cartas para ler. Sem posições, e mesmo sem temas. Assim, de certa forma, eu to meio que descobrindo o valor de ver o naipe de Ouros só falando de dinheiro, e o de Copas só de relacionamentos. No Pictorial Key to the Tarot, Waite segue mais essa linha de pensamento, dando a cada carta significados bem concretos e simples, geralmente muito bem retratados e sumarizados em sua respectiva imagem. Mas, claro, nada deve ser gravado em pedra também. Se a gente pensar nas cartas como forças, a gente percebe que elas podem se manifestar de várias formas diferentes. Uma leitura, e especialmente uma leitura sem posições, se torna meio que um mapa das forças atuantes naquele momento. Já falei isso por aqui

De qualquer forma, fica a ideia. Significados concretos tornam a leitura mais tangível, tanto para o leitor como para o consulente. E isso não pode ser nada senão proveitoso – afinal de contas, estamos em Assiah, o mundo da ação, em não em Yetzirah, ou Briah 😉

Talvez chegou a hora de buscar um pouco mais de concretude nas minhas leituras. Mmm…

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O nome do Naipe de Terra . . . . .Eu tenho pra mim que, concernente ao nome e à identificação, o naipe do elemento Terra é o mais variado dos quatro. Tradicionalmente chamado de Moedas (Coins), ele passou a ser chamado de Pentáculos (Pentacles, em inglês, Pantacle, em francês) no século 18/19 e, posteriormente, Discos (Disks). Seu símbolo também mudou um pouco, com as moedas sendo substituídas por discos com pentagramas gravados neles. Pra quem não sabe, pentagramas são aquelas estrelas de cinco pontas que a gente encontra nos discos do naipe de Ouros do RWS, por exemplo. E, eventualmente, no pescoço desse ou daquele wiccano, no metro, na padaria, na balada…

O que eu tenho pensado é, já que eu uso o RWS, talvez eu devesse usar aqui no blog uma nomenclatura mais fiel à terminologia empregada nesse baralho para denominar cada naipe. Na prática, Ouros passaria a ser Pentáculos ou Pentagramas, e Paus passaria a ser Bastões, ou mesmo Cetros – uma tradução mais adequada de Wands, em inglês. Em português não existe distinção entre a nomenclatura dos naipes do Tarot e do baralho comum – em inglês existe. Dá uma olhada na tabelinha – –


Isso sempre me confunde demais, de forma que, se eu vou jogar baralho com algum amigo que fala inglês, eu acabo sempre dizendo os nomes dos naipes em tarotês, e todo mundo fica olhando pra minha cara.

Bem, mas voltando ao naipe de Ouros – quer saber como que Moedas virou Pentagramas?

Tudo parece ter sido fruto de um mal-entendido que acabou se fixando – coisas do século 19, rs. De acordo com Paul Huson (Mystical Origins of the Tarot, livro incrível, compre!) Mathers é o responsável pela introdução do termo Pentacle, e isso se deve a um mal-entendido de tradução do francês para o inglês. Mathers bebeu de Lévi. Em um de seus livros, Lévi refere-se à Moeda do Tarot dizendo tratar-se de um pantacle. Pantacle é, na verdade, uma palavra inventada por Lévi, variante de pentacle, que quer dizer “pentagrama”, “estrela de cinco pontas”. Lévi criou essa diferença de grafia para designar um novo termo – é um neologismo dele, portanto. No uso que Lévi fazia da palavra, pantacle significa basicamente um talismã, um amuleto. Foi nesse sentido que ele se referiu às moedas do naipe de Ouros do Tarot como pantacles, ou seja, amuletos, talismãs. Ele quis dizer que as moedas eram símbolos vivos que sumarizavam e portavam um conceito mágico, ou uma doutrina mágica. Se a gente viajar um pouco, pode pensar no naipe de Pentagramas como o receptáculo material da força espiritual/imaterial dos ouros três naipes – daí ele ser visto como um talismã. Mathers, aparentemente, carregou essa afirmação para outro nível, e Waite, provavelmente seguindo Mathers, incluiu pentagramas nos discos dourados do seu naipe de Ouros. No Pictorial Key, Waite diz –

O signo do naipe é representado como gravado e brasonado com o pentagrama, mostrando a correspondência dos quatro elementos da natureza humana pela qual podem ser governados. Em muitos baralhos antigos de Tarot, esse naipe corresponde a moeda corrente, dinheiro, deniers. Não inventei a substituição pelos pentáculos, e não tenho motivo especial para defender a alternativa. Mas o consenso das significações divinatórias apoia alguma mudança, porque as cartas não parecem dizer respeito especialmente a questões de dinheiro.

Depois disso, o resto é história. Crowley, por sua vez, parece ter dado preferência ao termo Disk para designar esse naipe – mas isso é outra história.

Abaixo, as definições para as duas palavras na língua portuguesa – pentáculo e pentagrama – do dicionário Michaelis online

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pentáculo
pen.tá.cu.lo
sm Figura geométrica, símbolo de um ser invisível ou de uma doutrina.

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pentagrama
pen.ta.gra.ma
sm (penta+grama4) 1 Mús Conjunto de cinco linhas paralelas, sobre as quais se escrevem as notas musicais. 2 Figura simbólica ou mágica de cinco letras ou sinais. 3 Estrela de cinco pontas, símbolo do microcosmo.

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Card Counting . . . . . Não é de hoje que eu vejo essa técnica de leitura sendo citada aqui e ali. Porém, nunca me dignei muito a realmente experimentá-la. Esse fim de semana, dando uma olhada no blog do Jason, vi uns exemplos de tiragens onde ele aplica essa técnica numa leitura de Cruz Celta. Decidi experimentar um pouco com ela e, após ler alguma coisa e ver alguns videos, me arrisquei – e bam!, adorei. Card Counting, ou contagem de cartas, é uma técnica desenvolvida pela GD, destinada a ser usada em conjunto com a técnica de Elemental Dignities, ou dignidades elementais. Consiste basicamente em você contar as cartas de acordo com seu número, para extrair cartas relevantes de um grupo. É muito complicado pra explicar, mas muito fácil de entender, uma vez que você vê a técnica em ação – –

Considere a seguinte linha de cartas:


Três de Pentagramas – Oito de Pentagramas – Nove de Espadas – Quatro de Espadas – Sete de Espadas – Oito de Copas – Dois de Bastões – Sete de Bastões – Dez de Copas

A ideia é contar as cartas para verificar cartas proeminentes no processo. Existe um motivo para eu só ter incluído cartas numeradas de naipes nessa linha, e isso é porque as coisas ficam mais complicadinhas com as outras. Você pode ler essa linha normalmente – progresso feito no trabalho ou nos estudos, seguido de alguma preocupação o adoecimento que obrigam o consulente a se afastar de suas atividades por um tempo, o que o leva a reavaliar uma mudança de lugar, etc… Então, você pode aplicar a contagem de cartas. O número de cartas a serem contadas é o número da carta inicial, ou da carta onde a contagem parou pela última vez.

Começando com a primeira carta (mais uma vez, nem sempre é assim, mas pro exemplo, vai ser), Três de Pentagramas, contamos então mais duas cartas seguintes, que dá no Nove de Espadas (será que esse foco no trabalho não acabou por estafar o consulente?). Daí, você olha as cartas ao redor – Oito de Pentagramas + Quatro de Espadas (ele está muito cansado, e precisa de um tempo longe de tudo). O Oito e o Quatro são elementalmente opostos, então eles se anulam mutuamente, deixando o Nove de Espadas bastante forte. Continuando, contamos então nove cartas, junto com o Nove de Espadas – o que dá no Oito de Pentagramas, mais uma vez a temática do trabalho, com as cartas circundantes mostrando muito esforço e esgotamento mental, pânico. Continuando, chegamos no Dez de Copas – isso vai trazer satisfação e realização ao consulente, no final das contas; o Sete de Bastões e o Três de Pentagramas indicam sucesso e vitória sobre as adversidades. O Sete é elementalmente oposto ao Dez, mas o Três faz a ponte, deixando a tríade forte e positiva. O Dez conta de novo a si mesmo – ou seja, sucesso confirmado. Quando a contagem cai em uma carta em que já caiu antes, a contagem cessa. A gente acaba por identificar toda uma narrativa no meio da leitura.

Muito muito legal. O mais legal é que dá para aplicar isso a leituras posicionas também. Vou continuar a experimentar com esse método, e atualizo sobre ele mais pra frente.

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Lady Gaga + Tarot . . . . .Como toda estrela que se preze, Lady Gaga coleciona boatos a seu respeito. Um dos boatos que ultimamente têm rolado na rede em torno de sua figura especula sobre um possível envolvimento da cantora com o Tarot. O motivo é o simbolismo implicado em alguns de seus videos e imagens promocionais. De fato, algumas imagens dão algum pano pra manga. O exemplo mais comentado é, sem dúvida, o video de Poker Face, um dos singles de seu algum debut, The Fame (2008). Logo no começo desse video, Lady Gaga emerge de uma piscina, ladeada por dois cães. A semelhança com a carta da Lua é no mínimo perceptível. Mais tarde, no final mesmo video, Lady Gaga troca carícias com um rapaz em um jardim com paredes de plantas, sob o sol nascente. Mais uma vez, tem sido levantada a questão de se essa não seria uma analogia à carta 19, o Sol. Os elementos na cena podem ser comparados aos das versões mais antigas dessa carta.

Claro, existe um número considerável de diversas explicações para essas similaridades, antes que a gente comece a especular a sério o uso direto de imagens do Tarot nos videos da cantora. De qualquer forma, a ideia de que Lady Gaga usa simbolismo esotérico em sua obra já foi levantada antes, não relacionada especificamente ao Tarot. Alguns vão além, e especulam sobre um possível envolvimento de Lady Gaga com manipulação simbólica da mídia, os Illuminati e mensagens subliminares – não necessariamente nessa ordem.

Independente de Lady Gaga, eu não acho loucura postular que a cultura pop usa muito do simbolismo oculto para causar esse ou aquele efeito na mente das massas. Se símbolos realmente têm poder e influência além do perceptível, vocês acham que governos e a mídia iriam perder esse recurso?


Enquanto isso, Gaga exibe um chapéu enorme, à la lemniscata, no video para Telephone

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Fica a ideia, rs.

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A função do corte. . . . .Há alguns meses eu publiquei um post curto questionando sobre as origens do hábito de cortar as cartas na hora da leitura. Não dediquei muito pensamento a respeito dessa questão de suma importância desde então (¬¬), porém a conclusão a que eu cheguei foi que nosso hábito de cortar as cartas é provavelmente importado do carteado. Entretanto, durante uma conversa esses dias, um amigo me deu a seguinte explicação – o corte simboliza a permissão que o consulente concede ao leitor para abrir suas cartas. Legal, né? Um ato simples, que sempre passa despercebido, reveste-se de uma relevância ritualística, simbólica. Interessante.

Bem, há quem discorde – sempre há quem discorde…

De qualquer forma, ninguém vai discordar de que cortar as cartas ajuda a embaralhá-las mais – o que abre mais espaço para a “Força do Acaso” agir.

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Cortes e mais cortes – Em um de seus vídeos, John Ballantrae fala de seu hábito de embaralhar o maço três vezes e cortá-lo em montes de três, repetindo o mesmo processo por três vezes. Gostei da ideia, e tenho feito assim ultimamente. Faz muito, muito tempo, li num livro que as cartas devem ser cortadas em direção ao consulente, quando este estiver presente, e na direção do leitor, quando este estiver lendo para si mesmo. Acho que isso viro automático pra mim – sempre faço assim.

Isso faz diferença? Pra você, não – pra mim, faz. É um ato que tem poder para mim, e com certeza deve agir dentro de mim.

Isso é uma das explicações para a Magia, aliás…

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Quick Cut – corte rápido, leitura relâmpago. . . . .Mais uma que eu vi no blog do Jason. Na verdade, uma amiga minha já havia me comentado sobre essa técnica há anos, ela mesma tendo aprendido de um outro amigo. Jason diz ter pegado esse método de um livro de cartomancia chamado It’s All in the Cards, por Chita Lawrence. O mundo das técnicas de leitura de cartas é assim mesmo, tudo na base do boca-a-boca, rs…

A força contundente intensa do Ás de Espadas aliada ao poder de controle da Força?? Mmm, interessante.

A força contundente intensa do Ás de Espadas aliada ao poder de controle da Força?? Mmm, interessante.

O método que Jason descreve só difere do da minha amiga por ser mais específico quanto às posições. Bem simples: embaralhe seu maço e corte-o. Você tem agora dois maços, certo? Vire o maço de cima inteiro como se estivesse abrindo uma página de livro. A carta que você vir será a carta 1 (ou seja, a última carta do primeiro maço do corte). Agora, vire o segundo maço do mesmo jeito – a última carta, novamente, será a carta 2.

A carta 1, chamada de “carta interior” (por ter estado ‘dentro’ do maço?) basicamente dá a resposta à questão; a carta 2, chamada de “carta exterior” (claro…), fornece informação adicional, complementar.

Ótima técnica para iniciantes exercitarem a cabecinha, ou mesmo para ser usada como abertura inicial de uma leitura mais detalhada. Segundo Jason, a resposta tem duração de até um mês – bastante tempo para uma leitura rápida e simples, não?

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E o espírito, onde fica?. . . . .Uma amiga taróloga, a Marcela Alves, me levantou essa questão esses dias. Quer a gente queira, quer não, a prática da leitura de cartas faz parte do campo da espiritualidade, provavelmente pelo seu caráter “transcedental”, digamos – cartas sendo usadas para ver o futuro e dar orientação. Pois é. Tradicionalmente é assim, e a tradição sobrevive – ainda que muita gente não se sinta muito confortável com esse “estigma”.

Entretanto, esse parece ser o assunto menos tratado por aí, não? Provavelmente porque falar sobre isso é andar sobre ovos – são tantas emoções, rsrs. Mesmo assim, fica a ideia ~ vou tentar abordar mais essa temática por aqui, em posts futuros. Acho mais legal tratar sobre as experiências de cada um, porque não tem muito como ser objetivo com esse tipo de coisa mística, não? Antes de querer impor a ideia de que o Tarot é espiritual ou não, de tomar partido, acho que vai ser mais legal expor as experiências do pessoal. Todo leitor de cartas tem a sua pra contar…

Talvez, muita gente se sinta ainda estranha por vivenciar isso ou aquilo, e compartilhar com outros tire um pouco dessa sensação de isolamento.

Também, acho que vai ser um pouco legal remexer na questão de o Tarot ser ou não ser algo espiritual, da participação ou não de consciências imateriais, etc.

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Mais uma ideia que fica…

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E eu vou ficando por aqui. Lembrando que participar de blogs faz muito bem prá saúde, então, não hesite – eu gosto J

agosto 31, 2010

SETE DE COPAS + INDIANA JONES + PICTORIAL KEY TAROT

Filed under: Diversos, Videos — Tags:, , , , , — Leonardo Dias @ 6:14 AM

Tem bem mais que sete taças nessa cena, mas a ideia não deixa de me fazer pensar no Sete de Copas – –

Temos aí uma escolha, que envolve várias taças (no caso, o Santo Graal), e a taça verdadeira está oculta entre um monte de outras taças, nos mais variados formatos e motivos decorativos. Primeiro, temos a figura do homem corrupto, ambicioso, que está em busca do Santo Graal (que aqui poderia ser visto como uma metáfora da Verdade) motivado por razões egoístas. Ele então escolhe uma taça bonita – se deixa seduzir pelas aparências – bebe da Água com ela, e se desfaz diante dos olhos de todos, pois a taça não era a certa. Ele se deixou enganar pelas aparências, e se perdeu. Então vem Indiana Jones, a figura do herói bravo e puro de coração (isso é inclusive explicitado pelo cavaleiro velho que Indiana encontra na gruta). Ele escolhe o cálice mais simples e modesto – que se mostra ser o correto e salva vidas. Da mesma forma, a figura velada pode ser vista como a coisa mais simples de todas as que saem da taça – e também a mais misteriosa.

A gente pode encontrar uma sugestão semelhante na imagem do Sete de Copas composta por Pamela Smith para o baralho de Arthur Waite – a temática da Verdade, a bênção (a figura velada) oculta entre várias tentações mentirosas.

Fica a ideia.

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O Pictorial Key Tarot, lançado em 2008 pela Lo Scarabeo, e criado por Giordano Berti e Davide Corsi, é uma versão modernizada do Rider-Waite-Smith, com imagens pendendo para o realismo, com uma “aparência levemente perfeita, plástica”, como diz os Aeclectic.net.

O Sete de Copas desse baralho me chamou especialmente a atenção, exatamente pela forma que ele interpretou o Sete de Copas de Pamela Smith, colocando a figura velada encima em posição de destaque. Podemos perceber uma semelhança entre a silhoueta do homem, embaixo, e da figura, encima, o que nos leva a automaticamente estabelecer certa ligação sutil entre as figuras. A figura velada no alto está praticamente entronizada como uma espécie de santo ou deidade. Isso não fica explicitado no RWS, mas é sugerido, quando você analisa as imagens.

As imagens de Pamela muitas vezes sugerem ir além dos significados dados no livro – como o Cinco de Ouros, por exemplo, que deixa no ar um forte questionamento sobre a nossa condição humana. Em outra versão do RWS, o Royal Fez Moroccan, temos essa mesma leitura das imagens da Pamela. Talvez o Pictorial Key Tarot tenha se baseado no Moroccan pra compor a imagem dele para essa carta. De qualquer forma, temos aí uma evidência que pende para a mesma coisa sugerida no meu post sobre o assunto.

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Similaridades entre duas versões do Sete de Copas: à esquerda, o Royal Fez Moroccan, concebido pelo ocultista Roland Berrill, nos anos cinquenta; à direita, o Pictorial Key Tarot, lançado em 2008 pela Lo Scarabeo.

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Agradecimentos a Ricardo Pereira, do blog Substractum Tarot, por ter me cedido a imagem do Pictorial Key, que eu vi pela primeira vez há alguns dias, em sua comunidade do Orkut. Agradeço também a inspiração!

janeiro 16, 2010

Notas

Filed under: Notas — Tags:, , , , , , — Leonardo Dias @ 9:47 AM

Decidi adicionar mais uma categoria ao blog, a de notas, que vai consistir em posts breves sobre assuntos diversos. Muitas vezes eu escrevo alguma anotação no meu diário e acabo achando que seria legal compartilhar no blog, então essa categoria se destina também a isso. Além disso, eu costumo escrever textos longos, e pensei que talvez uma categoria só com textos curtos pudesse agradar mais àqueles que não têm tanta paciência.

Três de Paus = Instinto Explorador

Tive esse insight enquanto assistia a um filme, The Day the Earth Stood Still (“O Dia em que a Terra Parou”, 2008). O filme começa nos anos vinte, com um explorador em expedição solitária pelas montanhas Karakoram, na Índia. No meio de uma tempestade de neve, através da lona de sua cabana, ele percebe um estranho brilho ao longe. Ao sair, verifica que o brilho vem do alto de um cume, que ele então, intrigado pelo mistério da luz, decide escalar. O que o fez escalar uma montanha foi simplesmente seu instinto explorador, sua curiosidade em saber o que tem do outro lado.

Foi provavelmente a imagem de um homem nas montanhas a primeira coisa que me fez pensar automaticamente no Três de Paus. Essa carta também mostra um homem no cume de uma montanha, contemplando um panorama que é privilégio para os poucos que conseguem subir. A própria imagem da carta facilmente sugere esse instinto explorador, essa curiosidade natural em todo mundo, manifestada em maior ou menor intensidade. É aquele desejo que nos impulsiona em direção ao desconhecido, que nos faz querer saber o que existe do outro lado do mar – mesmo sabendo o quanto isso pode ser arriscado, como o homem do filme, que escalou toda uma montanha só para saber que luz era aquela. Na carta, o homem olha para os limites distantes do horizonte, que delineia os contornos quase invisíveis de outras terras. Os três navios no mar me fazem pensar nas caravelas de Colombo, explorador por excelência.

Esse instinto explorador, aventureiro, combina perfeitamente com a associação do Três de Paus com o segundo decanato de Áries, regido pelo Sol, que aqui intensifica o senso de iniciativa, aventura e autoconfiança do Carneiro. O homem da cena subiu lá sozinho, e conseguiu por acreditar em si mesmo e ter seu coração preenchido por esse desejo aventureiro, a paixão pelo novo. E ele não está contente – já avista outras terras a serem exploradas, além do mar.


Personagens de costas no Waite-Smith

Falar sobre o Três de Paus lembrou-me de outra coisa em que eu tenho pensado ultimamente – os personagens que aparecem de costas nas cenas do RWS. Não são muitas – menos de quinze cartas exibem personagens de costas com alguma relevância. Comparando todas as cartas, percebi que esse traço geralmente indica despersonalização ou anulação do ego. Digo isso porque o nosso rosto a nossa frente é o que mais nos identifica. De costas, perdemos nossa face, perdemos nossa identidade. O Cinco e o Sete de Copas, e o Dez de Paus são exemplos claros; todos mostram figuras absorvidas, reduzidas. Os dois sacerdotes menores do Hierofante também parecem indicar isso – eles não têm rosto porque não têm identidade, eles seguem a doutrina e são parte dela; renunciaram a si mesmos e dedicam suas identidades a essa doutrina. Também, os dois discípulos representam os dois caminhos de aprendizado e, dessa forma, representam não alguém específico, mas todo um grupo de pessoas. Seus caminhos são indicados pelos bordados de seus mantos – o da esquerda, com um manto estampado com rosas, representa o caminho do coração, da devoção e do amor (é o fiel, o devoto que se emociona, se entrega ao culto); o da direita, com vestes bordadas com lírios, representa o caminho da mente, da pureza e da renúncia (o ascético, que aprende através do estudo e da renúncia). Outra ideia que personagens de costa parecem sinalizar é a partida para um novo lugar, uma nova fase. O Oito de Copas, o Seis de Espadas e o próprio Três de Paus parecem sugerir isso.


dezembro 20, 2009

Sete de Copas (+SPR)

O tema de que trata a sétima carta do naipe de Copas é ilusão. No contexto do naipe, o Sete de Copas representa o lado enganador das emoções, particularmente quando ligadas a coisas materiais. A mensagem principal dessa carta é a de que, embora pareça genuína, a felicidade encontrada nas coisas mundanas revela-se passageira e vazia. Em sua raiz primária, a carta fala da força da imaginação, manifestada como fantasia. A seguir, analisaremos mais de perto os diversos aspectos e detalhes dessa carta, a fim de entendermos melhor o funcionamento de seu simbolismo.

Logo de cara, a atmosfera do Sete de Copas passa certa impressão de devaneio. A cena é esquisita – um homem de costas, vendo em sua frente um grupo de taças flutuando sobre nuvens densas. De cada taça sai uma coisa, cada uma parecendo chamar mais a atenção dele que as outras. De cima para baixo, vemos: uma cabeça, uma figura coberta por um véu, uma serpente, um castelo, um monte de joias, uma coroa de louros, e um dragão/monstro azul. As taças nas nuvens compõem o que parece ser uma visão que o homem, assombrado, presencia. Tal imagem pode ser vista como uma alegoria para a excitação das emoções e sentidos, que cria imagens tentadoras, dançando diante de nós.

No post sobre o Cinco de Copas, eu introduzi a ideia de que, nas cenas do Waite-Smith, a distribuição dos elementos pelos planos diz bastante sobre o que tais cenas representam. De modo geral, o primeiro plano mostra o tema principal de uma imagem, enquanto o segundo fornece complementos a esse tema. O Sete de Copas é um caso específico nesse sentido, pois o segundo plano chama mais a atenção e parece mais significativo que o primeiro. No primeiro plano temos apenas um homem, de costas, olhando para as taças. Sua postura sugere surpresa. Aparentemente, a visão emite luz forte, já que dele vemos apenas a sombra. É como se, diante de tal espetáculo, o homem fosse reduzido aos seus contornos – ofuscado, despersonalizado, eclipsado por suas visões. É curioso que a maioria das pessoas sequer dá atenção à figura obscurecida do primeiro plano, quando na verdade é ela que indica o tema principal da carta – a total absorção do indivíduo pelas ilusões do mundo. Talvez propositalmente, as taças atraem mais nossa atenção imediata – somos como o homem da carta, seduzidos pelo mistério das imagens. O baralho Light and Shadow, de Brian Williams & Michael Gopford, parece confirmar essa ideia de absorção do indivíduo. Seu Sete de Copas mostra a figura humana delineada somente com uma série de traços, cercada pelas taças, como se estivesse desintegrando-se (vide a seção de versões, logo abaixo).

As nuvens que dominam o segundo plano da carta evocam a presença do elemento Ar, o reino dos pensamentos e sonhos. Mutáveis e quase imateriais, nuvens sugerem confusão mental, falta de clareza e propensão ao engano. Juan Eduardo Cirlot, autor de A Dictionary of Symbols, cita Éliphas Lévi, dizendo que nuvens estão “(…) sempre em um estado de metamorfose, o que obscurece a qualidade imutável da verdade maior” (tradução minha). Na carta, atrás das nuvens com as taças há somente um azul estático e absoluto – a verdade maior de que fala Lévi. Outro aspecto do simbolismo das nuvens é sua conotação epifânica. Nesse sentido, nuvens simbolizam contato com o plano superior (celeste) dos deuses. Nas mitologias de várias culturas, temos exemplos de deuses aparecendo em meio a nuvens. Exemplos no próprio RWS incluem as cartas Os Enamorados e O Julgamento, nas quais anjos saem de nuvens, e os ases, onde os objetos de cada um dos naipes são segurados por mãos que saem de nuvens. Sob essa ótica, as taças nas nuvens podem ser vistas como “coisas de outro mundo”, manifestações vindas direto do plano espiritual ao plano material, onde está focada nossa consciência.

Há três taças em cima e quatro embaixo, sugerindo a trindade do espiritual sobre o quaternário da matéria. O triângulo sobre o quadrado é a representação geométrica do número 7. Com efeito, as três taças superiores ilustram conceitos abstratos, enquanto as inferiores representam coisas mais mundanas. Apesar de ser senso comum que os objetos da carta simbolizam tentações, o que eles representam precisamente é discutível, e varia de acordo com o ponto de vista. Seguindo o princípio do valor do conjunto sobre o valor de seus elementos constituintes, as sete taças devem ser vistas primeiro como um setenário, e só depois consideradas como símbolos separados. É certo que podem ser associadas aos setenários em geral, como os Sete Pecados Capitais, por exemplo. Curiosamente, os sete arcanos planetários podem ser comparadas aos objetos do Sete de Copas. Por exemplo, a torre pode ser comparada à própria torre da carta 16, que corresponde a Marte. A figura velada lembra a Sacerdotisa – a Lua; e a serpente, o cinto do Mago – Mercúrio. Assim, os objetos podem ser associados aos sete planetas do sistema astrológico caldeu – as três taças superiores ao Sol (rosto), Lua (figura velada) e Mercúrio (serpente); e as quatro inferiores a Marte (torre), Vênus (joias), Saturno (coroa de louros) e Júpiter (dragão/monstro). Ao lado, temos uma tentativa de associar cada objeto a um planeta, de acordo com suas comparações com os arcanos maiores planetários. A seguir, ofereço uma explicação mais detalhada sobre cada um dos objetos, com base na minha forma de ver e interpretar os símbolos. Embora possam ser levados em conta como verdadeiros no entendimento da carta, essas ideias não são a verdade absoluta sobre ela. Cada estudante tem o direito (e mesmo o dever) de interpretar os símbolos ao seu próprio modo (contanto que tenha conhecimento da tradição à qual eles pertencem). Esse, a meu ver, é o Tarot – como diz Cynthia Gilles, “O verdadeiro Tarot é o produto da busca de cada indivíduo para entendê-lo” –

A cabeça – De maneira geral, a cabeça evoca ideias de força de comando, centro e individualidade. O simbolismo da cabeça relaciona-se ao símbolo do uno, da individualidade, e do ego – a cabeça é a “morada do eu”. O Zohar associa a cabeça à Luz Astral. A noção de identidade baseia-se largamente na imagem do rosto, que por sinal é onde se encontra a maioria dos órgãos dos sentidos, nos quais nossa experiência de vida se constrói. A cabeça corresponde ao Sol, o centro, astrologicamente associado ao ego e ao uno. No sistema de correspondências cabalísticas da Golden Dawn, a carta 19, o Sol, corresponde à letra hebraica resh, . O alfabeto hebraico tem suas raízes no alfabeto fenício, onde a letra que veio a desenvolver-se na resh hebraica tem sua origem no hieróglifo egípcio de uma cabeça, , com som de tp (tabela abaixo). Além de seu significado óbvio, tal hieróglifo também significa sobre, em cima e chefe, comandante. A propósito, podemos ver o próprio rosto no sol na carta 19 como uma alegoria que ilustra a ideia do Sol como a cabeça, o centro. Por conseguinte, no contexto da carta Sete de Copas, a cabeça simboliza o ego, e relaciona-se ao intelecto, poder e autoridade, como também à vaidade. De maneira mais abstrata, a cabeça aqui se relaciona à consciência.


A serpente – A serpente é um símbolo antigo e polissêmico. Basicamente, o simbolismo da serpente relaciona-se à energia em si, pura força. A serpente está intimamente ligada à força ctônica – as forças subterrâneas, o inconsciente. Nesse sentido, podemos ver a serpente aqui como um símbolo da parte mais ancestral do homem – o instintivo, o incontrolado, o caótico, nossas emoções mais primárias. Um exemplo do aspecto ctônico do simbolismo da serpente está no conceito indiano da kundalini – a energia ígnea, em forma de serpente enrolada, que adormece entre o ânus e o órgão sexual. Dessa forma, a serpente também pode ser vista como a energia sexual, a libido. Combinando a cabeça e a serpente, temos na parte superior do grupo de taças a dicotomia mente/corpo, espírito/matéria, luz/trevas, consciência/inconsciência – a cabeça, a parte mais alta, e a serpente, animal rasteiro. Isso pode ser visto como uma alegoria de que tanto o mundo consciente quanto os impulsos instintivos são ilusórios. No contexto da carta, a serpente que sai da taça pode ser um indicativo de perigo e ameaça, como também de instinto, emoções primárias e impulso sexual, bem como energia e força vital.

A figura velada – entre a cabeça e a serpente está a imagem mais misteriosa da carta – uma figura humana coberta por um manto branco, de braços abertos e cercada por uma aura vermelha. Tal imagem pode ser vista como uma representação do desconhecido. Vários de seus traços – sua posição central, a aura que a cerca, sua aparência misteriosa – destacam-na das outras imagens, tornando plausível supor que ela tenha uma significância especial. Com efeito, ela parece representar o Grande Mistério que atrai o homem. Eden Gray, em seu livro Mastering the Tarot, descreve a figura velada em relação ao homem como sendo “(…) a sua própria divindade, esperando para ser descoberta”. Suas características viabilizam essa ideia. Ela está de braços abertos, em postura receptiva ao homem. Suas vestes são brancas, sugerindo espiritualidade e pureza. O vermelho, a cor do brilho que ela emite, relaciona-se com energia e poder. Um ponto importante dessa figura está exatamente em sua combinação branco/vermelho. Tal combinação é recorrente no Waite-Smith (ex. o Mago, a Temperança), tendo especial significância no simbolismo do baralho, basicamente relacionada à dualidade espírito/matéria, feminino/masculino. Nesse sentido, o branco relaciona-se à Lua, e o vermelho ao Sol. Velada, ela é comparável à Sacerdotisa, relacionada à Lua, podendo, portanto, ser vista como a própria Sabedoria, a própria Torah. De todas as imagens surgindo das taças, ela é a pura, a genuína – a realidade que se esconde por trás da cortina de fumaça do nosso mundo. Em uma palavra, ela representa o verdadeiro eu do homem, aguardando por ele no centro, em meio às ilusões materiais.

A Torre/castelo – “Megalomania, a busca selvagem por ideias fantasiosas e mesquinhez formam o contexto desse símbolo”, diz Oswald Wirth a respeito do simbolismo da torre. A fortaleza do Sete de Copas é grande, e está no alto de uma montanha. Isso pode ser interpretado como desejo por realização, o desejo de alcançar o céu. Note que a torre está logo abaixo da cabeça, o que pode simbolizar a manifestação do poder representado pela cabeça do plano espiritual no mundo material. A torre ou o castelo representam certo distanciamento da natureza – uma construção artificial, que pretende criar um mundo separado, e controlável. Alegoricamente, a torre pode ser um símbolo da mente e do ego, e da construção de um sistema de crenças forte e resistente, porém fechado e vulnerável. No Sete de Copas, ela pode indicar o desejo ou o sonho por poder, domínio e segurança. Diferente da torre da carta 16, essa torre está firme e sólida – são crenças e posturas estabelecidas e enraizadas.

As joias – o monte de joias dentro da taça forma o que parece ser um tesouro. Evidentemente, indica fortuna e luxo. Observe que de um dos lados da taça pende uma corrente, o que poderia ser uma sugestão dos grilhões da ganância. As joias indicam sonhos de riqueza e posse, como também cobiça.

A coroa de louros – a coroa de louros é um conhecido símbolo de vitória, que tem suas origens na Grécia Antiga. O louro é associado a Apollo, o deus grego do Sol e da luz. Por ser uma planta sempre verde, o louro simboliza imortalidade, não só na cultura grega. O próprio Apollo é um deus eternamente jovem. Na Grécia Antiga, e posteriormente em Roma, coroas de louros eram usadas para indicar grandeza intelectual e vitória em competições e em batalhas. Uma coisa interessante que podemos pensar sobre o simbolismo dessa figura na carta é que a vitória que ela representa também se relaciona a fama e celebridade. A fama é uma forma de perpetuação da existência, através da memória que deixamos para a posteridade. O desejo de celebridade representa, portanto, a necessidade que temos de vencer a morte, de driblar nosso próprio fim. Esse pode ser o motivo da discreta sombra ou reflexo de caveira projetada na taça que abriga a coroa de louros. Popularmente, a caveira simboliza perigo – sua presença em recipientes indica que a substância ali contida é venenosa. Isso pode ser uma indicação de que o desejo de vitória e fama é o mais perigoso de todos.

O monstrinho/dragão – a última taça abriga um pequeno monstro ou dragão azul. Seu aspecto é assustador – ele parece prestes a atacar o homem. Ele pode ser uma representação dos medos, e da parte sombria, desconhecida e selvagem da alma. Assim como a cabeça e o castelo, ele é azul. O azul é a cor mais profunda, e expressa o infinito, inalcançável e surreal. A cor azul dos objetos sugere que eles estão distantes – e isso pode evocar tanto ideias de coisas inalcançáveis quanto associações com fantasias e sonhos.

Karen Hamaker-Zondag, no livro Tarot as a Way of Life: a Jungian Approach to the Tarot, oferece uma interpretação alternativa do grupo de taças dessa carta, dizendo que as taças inferiores expressam perigo, e as três superiores sugerem desenvolvimento psicológico proveitoso” (pg. 49).
Segundo a interpretação de Karen, o triângulo de taças é libertador e positivo, enquanto o quadrado é limitador e negativo

Nosso mundo emocional está completamente aberto a uma multidão de fantasias e sonhos, que podem desenvolver-se de uma maneira positiva, mas que podem nos afastar da realidade com igual facilidade. Sem de fato perceber, estamos defronte a duas fileiras de taças, todas elas parecendo-se com presentes da terra das nuvens. Porém, a fileira inferior incita-nos a jogos de poder, ganância, ambição ou agressão, antes que nos damos conta disso, enquanto a fileira superior pode levar-nos a um contato melhorado com nosso inconsciente, a um fluir ininterrupto de energia psíquica e, finalmente à fusão com nosso centro interno, nosso eu verdadeiro, que por hora ainda está sob um véu. Esta é uma carta de dois aspectos: ela previne contra desejos errados e contra o desenvolvimento de traços de caráter desagradáveis, os quais ignoramos; e, por outro lado, ela revela potencial para um tremendo crescimento espiritual e psicológico, e para nos tornarmos nós mesmos.” (tradução minha, pgs. 100-101. A expressão “terra das nuvens”, em itálico, é uma tradução literal da palavra cloudland, que traduz-se por “reino da imaginação/fantasia” em inglês).

Isso não deixa de fazer sentido, especialmente quando consideramos que as quatro taças de baixo estão ao alcance imediato do homem, enquanto as de cima são mais difíceis de serem alcançadas, e ainda são presididas pela figura coberta pelo véu, que expressa o desconhecido e o que existe por trás das ilusões da matéria.

Sendo uma carta de Copas, esse sete fala essencialmente de emoções e sentimentos, e é importante circunscrever a carta a esses termos na sua interpretação. A carta mostra como os sentimentos podem ser enganosos, ao mesmo tempo em que nos tentam e seduzem. O Sete de Copas ressalta o aspecto sedutor e enganoso do elemento Água. Desde tempos remotos, as águas têm exercido esse tipo de influência sobre o ser humano, mistura de medo e curiosidade, perigo e desejo. Sereias e monstros marinhos, figuras altamente recorrentes em diversas mitologias, personificam essa impressão que as águas causaram em nós. A mitologia grega contém uma série de narrativas que envolvem pessoas sendo seduzidas e levadas à perdição, ou à morte, por entidades aquáticas. O quadro Hilas e as Ninfas (1896), do pintor simbolista inglês John William Waterhouse, é uma boa ilustração de um mito sobre essa temática. O quadro ilustra Hilas, jovem de grande beleza, sendo seduzido e raptado pelas ninfas do rio de onde ele pretendia pegar água. A pintura mostra o momento em que as ninfas surpreendem Hilas, que ainda segura seu pote. O rapaz parece hipnotizado, e as ninfas, que aparentam ser todas a mesma, têm um olhar lânguido que sugere enlevo e certo torpor. Curiosamente, são em número de sete, e uma delas estende suas mãos cheias de pérolas, parecendo ofertá-las ao rapaz, o que me faz pensar na taça cheia de joias do Sete de Copas. Não acho provável que essa pintura tenha alguma relação com a carta pintada por Pamela Smith, mas é interessante notar certa similaridade entre as duas obras. Outra pintura de Waterhouse, A Sirena ou A Sereia (acima), mostra um marinheiro afogando-se aos pés de uma sereia que, segurando sua lira, olha para ele com indiferença. Ao seu lado, um pedaço de seu barco indica que ele acabou de chocar-se contra as rochas, certamente atraído pelo canto da sereia. Relacionado a isso ou não, uma das definições que a Golden Dawn dá ao Sete de Copas é “o ‘canto da sereia’ do engano, fazendo [o sujeito] esquecer-se de sua vontade” (The “siren song” of deception, causing one to forget his or her will, tradução minha).

Podemos entender melhor o Sete de Copas se considerarmos sua posição no naipe ao qual pertence. A relação do Sete de Copas com suas cartas vizinhas revela mais detalhes sobre seu significado. O Sete de Copas sucede o Seis, relacionado a prazer e bem-estar, e precede o Oito de Copas, que fala sobre enfado e renúncia. O Sete representa um abuso do bem-estar do Seis. O que antes era experimentado de forma espontânea e desapegada (as crianças do Seis de Copas), agora desperta ganância. A reação a isso é o Oito, a renúncia de todas essas coisas. O homem percebeu que a felicidade que ele busca não está nesse tipo de prazer efêmero, mas em coisas mais profundas. Das taças, ele escolheu a coberta por um véu, decidiu ver o que existe além daquele carnaval de sensações e emoções do mundo. Ele retira-se do mundo, como o Eremita da carta 9.

No sistema de correspondências da Golden Dawn, o Sete de Copas corresponde ao terceiro decanato de Escorpião, regido por Vênus – portanto, Vênus em Escorpião. Esse é um importante aspecto dessa carta, pois é de sua associação com tal decanato que tiraram o seu significado. Vênus representa o prazer de modo geral; aliado à energia intensa de Escorpião, por vezes obsessiva, o deleite do prazer representado por Vênus perde os limites e atinge níveis intoxicantes. A força de atração e a busca por amor e prazer de Vênus é intensificada por Escorpião, que representa a energia sexual. Essa combinação traduz-se por desejo avassalador e gera grande intensidade emocional que, aliada às contradições escorpinianas de desejo versus culpa, sugere esbórnia e libertinagem. Embora esse aspecto sexual de Vênus em Escorpião não esteja diretamente evidenciado no Sete de Copas do RWS, a entrega à auto-indulgência ilustrada na carta compara-se perfeitamente a essa combinação astrológica. Há aqui o abuso de todos os tipos de prazer, o “gozo que conduz à dependência”, como diz Hajo Banzhaf. Com efeito, esse parece ser o significado do Sete de Copas no qual Crowley se focou ao desenvolver o seu baralho Thoth. Nesse baralho, o Sete de Copas recebe o título de debauch, palavra de origem francesa que se traduz por “devassidão”, “depravação”, “dissipação” (em português, deboche tinha originalmente essa mesma conotação). Crowley associa essa carta a conceitos como toxidez, loucura e vício. A imagem da carta chega a ser um pouco asquerosa, com suas taças transbordando de um líquido esverdeado gosmento, que goteja incessantemente num pântano sem fim.

O Sete de Copas é chamado de Deboche. Esta é uma das piores idéias que se poder ter; seu método é veneno, sua meta, insanidade. Representa a ilusão do delirium tremens e do vício das drogas; representa o afundamento no lodo do prazer falso. Há algo quase suicida nesta carta. Ela é particularmente má porque não há nada, seja lá o que for, para equilibrá-la – nenhum planeta forte para sustentá-la. Vênus vai atrás de Vênus, e a Terra é agitada [para] dentro do pântano de escorpiões. (O Livro de Thoth, Aleister Crowley).

A imagem do Sete de Copas do RWS não é tão feia quanto a do Thoth, contudo. Apesar de essa conotação de devassidão estar inclusa nas associações astrológicas da carta, a imagem do RWS expõe mais em seu aspecto de fantasia e ilusão. Pamela pareceu ater-se mais ao lado espiritual e emocional da carta. Realmente, e isso é bom ressaltar, toda essa dissipação e excesso sugeridos pela combinação de Vênus e Escorpião existem, antes de tudo, no nível emocional e mental. Na imagem da carta, as taças flutuam sobre nuvens, e o personagem que as vê não faz mais do que de fato vê-las. Ainda que o Sete de Copas represente o excesso do deleite dos prazeres da carne, sua raiz é emocional. Por outro lado, Escorpião é também o guardião dos mistérios da vida e da morte (é por isso, inclusive, que ele é a energia sexual – a energia fecunda que origina a vida), o signo do desconhecido e do secreto. Essa ambivalência contraditória de Escorpião, que debate-se entre vida e morte, prazer e dor, medo e desejo, pode ser percebida na imagem da carta, que mistura figuras atrativas com coisas assustadoras e perigosas. Esse show de imagens distrai a atenção do homem para a figura velada, o Mistério maior, o segredo de Escorpião que se esconde em meio às coisas mundanas. Ele envolve-se com elas e perde de vista o seu foco.

É possível traçar um paralelo entre a ideia central do Sete de Copas e o conceito indiano de māyā, palavra sânscrita que significa “aquilo que não é”. No hinduísmo, māyā define-se pela ilusão de dualidade da qual sofre a consciência focada no mundo manifestado, que gera o engano de que o mundo objetivo é real, quando na verdade, ele é só um reflexo do Uno. A influência de māyā promove a identificação da alma com seu corpo e com o mundo objetivo. No pensamento hindu, o mundo objetivo é ilusório; seu estado de constante mudança é um reflexo disso. A mente, a passagem do tempo, as mudanças de estado, a vida e a morte – tudo isso é māyā. A raiz de māyā está na falsa noção de distinção entre o eu e o universo. Essa noção é a fonte do desejo e da repulsa, as duas forças que jogam o indivíduo de um lado para o outro no mundo. Isso pode ser visto nos dois elementos mais básicos da carta: o homem e as coisas que ele vê – o eu e o mundo, o sujeito e o objeto. Māyā é o que prende o homem às coisas que ele deseja ou repudia – os objetos saindo das taças da fileira inferior. Através dos sentidos, o indivíduo apega-se aos objetos ao seu redor e perde-se em seu desejo por eles, o que o faz esquecer-se de sua natureza intrínseca. Esquecendo-se de sua natureza, esquece-se de que ele mesmo e as outras coisas são um. Nesse contexto, a figura velada no centro da carta representa a Verdade por trás do véu de māyā. Com um véu sobre seu rosto, ela não tem identidade, é a neutralização do ego; é o Eu Superior, a centelha divina de verdade que existe dentro do indivíduo.

O Sete de Copas resume-se, portanto, ao ego. Todos os objetos saindo das taças são tentações ao ego. A noção de ego é o que leva o indivíduo à perdição no jogo de desejo e repulsa de suas emoções. Justamente em meio a esse jogo, oculta sob o véu das aparências, está a verdadeira natureza das coisas. Jayaram V nos oferece uma definição de māyā que eu achei especialmente comparável ao Sete de Copas –

“Afinal de contas, o que é ilusão? Ilusão é algo como uma miragem que te desencaminha para pensamentos e ações erradas. Esse mundo faz exatamente isso. Ele te oferece felicidade, mas te encaminha para as trevas do sofrimento. Ele te tenta com muitas coisas e, quando você corre atrás delas, descobre que são irreais e incapazes de matar sua sede por estabilidade e permanência.”

Observando com mais atenção a cena, percebemos um detalhe que o homem não percebe – as taças estão todas vazias. As coisas que saem de dentro delas não existem. O homem, deslumbrado, enxerga nas imagens mais do que elas são; ele só vê o que julga existir, e seu julgamento é intensamente influenciado por suas emoções. Consequentemente, ele projeta nelas seus anseios e apreensões – sua imaginação, seus sentimentos preenchem as taças. Nesse sentido, é viável sustentar que a figura velada do centro poderia representar o próprio desconhecido – pois a única coisa real dentro das taças é o nada, o vazio, que uma figura sem rosto representa. O Sete de Copas é o deslumbre pelo desconhecido; são nossos sentimentos tentando preencher as lacunas da parte de nossa vida que não conhecemos. O Sete de Copas marca o fim da experiência de Escorpião (o mergulho nas profundezas e a morte, a paixão pelo oculto e pelo mistério, o desvendar dos segredos da carne) e o começo da experiência de Peixes (a transcendência, o renascimento do espírito após a morte da carne, a negação do eu, a inexistência), iniciada com a renúncia do Oito de Copas, Saturno em Peixes. No Oito, ele deixa todas as taças para trás – vazias – e parte em busca de um real preenchimento, e em busca de desvelar esse desconhecido. É só no Nove, Júpiter em Peixes, que ele sacia essa sede – a mesma sede de que fala Jayaram V.

Veja também mais sobre o Sete de Copas aqui.

Algumas versões do Sete de Copas de outros baralhos

Diferentes baralhos fornecem diferentes formas de ver o Sete de Copas. Confira abaixo as várias versões que essa carta assumiu ao longo do tempo.

Royal Fez Moroccan Tarot, idealizado por Roland Berrill. O simbolismo é quase idêntico ao RWS. Na carta, as taças são dispostas mais simetricamente, revelando o padrão triângulo-quadrado, sugerindo a superioridade das três taças de cima. Observe como a figura velada está mais centralizada e enfatizada.

O Aquatic Tarot, pelo alemão Andreas Schröter, é uma versão em aquarela do RWS. A combinação cai bem particularmente ao Sete de Copas, que recebe um ar onírico, psicodélico.

No Aquarian Tarot, só as taças aparecem na carta, e alguns objetos foram modificados - como a figura velada, que virou algum tipo de máscara de aviador. Esse deck foi feito por David Palladini, e lançado em 1970 - como era de se suspeitar, rs.

Criado por Gianluca Cestaro e Pietro Alligo, e lançado pela Lo Scarabeo em 2003, o New Vision Tarot é uma versão do Waite-Smith que mostra o outro lado das cenas de cada carta. As nuvens do Sete de Copas desse deck parecem prateleiras que abrigam as taças. Ao fundo, duas moças presenciam a cena com o rapaz, uma delas maravilhada, e a outra apavorada.

Essa é uma das versões mais legais dessa carta que eu já vi. Faz parte do projeto The Webcomics Tarot Project, onde cada artista desenha uma carta. O Sete de Copas foi feito por Hyena Hell, artista de HQ's americana. A carta mostra as alucinações de um cara que bebeu demais, rs.

O Light and Shadow Tarot, desenhado por Michael Gopford, juntamente com Brian Williams, explora o contraste do preto e branco em suas ilustrações de linogravura. Seu Sete de Copas obedece o simbolismo tradicional. O mais interessante dessa versão é a figura humana que aparentemente fragmenta-se em meio as taças. O baralho foi lançado em 1997.

O Sete de Copas do The New Tarot mostra as imagens das taças em molduras, que parecem estar sobre uma lareira ou algo assim. As molduras também poderiam ser espelhos. Um detalhe interessante é que, em vez da aparição coberta por um véu, a imagem do meio parece a de uma TV fora do ar. Esse baralho foi lançado em 1974, criado por Jack e Rae Hurley, e ilustrado por John Horler.

O Tarot Druid Craft mostra um rapaz contemplando seis taças no reflexo da água, enquanto não percebe a única real ao seu lado. Semelhante ao Quatro de Copas, a imagem remete a Narciso, e lembra um pouco a pintura de Waterhouse de Hylas e as Ninfas.

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Interpretação Divinatória

Após essa extensa análise da carta, podemos falar da contribuição do Sete de Copas em uma leitura. Como afirmei anteriormente, o tema central dessa carta consiste em perdição e excesso – a perdição na ilusão do mundo, o excesso de luxo e de luxúria, etc. Por perdição eu quero dizer todo o tipo de tentação e interferência que nos tira de nosso caminho – qualquer que seja ele, sem evocar qualquer tipo de moralismo. Quanto ao excesso, basta lembrarmos o ditado que diz que “tudo o que é demais faz mal”.

Em uma leitura, o Sete de Copas traz a influência do poder que os sentimentos têm de nos fazer perder o contato com a realidade objetiva. A carta refere-se a engano, especialmente a auto-engano. O indivíduo aqui se deixa levar por seus desejos e vontades, frequentemente vendo as coisas mais do jeito que ele quer do que como de fato elas são. Alguém que fantasia com um amor que não existe, ou uma pessoa que sonha com uma vida que não tem, por exemplo.

O lado prejudicial dessas fantasias é que elas acabam nos impedindo de realmente alcançar o que queremos. O Sete de Copas mostra aquela nossa tendência em sonhar demais e fazer de menos. Quando essa carta aparecer, pergunte-se em que medida você está de fato fazendo coisas concretas por seus objetivos, e em que medida está apenas sonhando sobre eles. É muito legal dizer que o seu sonho é ter um apartamento, por exemplo, no entanto isso envolve economizar mais, e não gastar com um monte de coisas pouco necessárias.

Outro dos significados dessa carta é o deslumbramento, como bem ilustrado em sua imagem, onde o homem está ofuscado pelas visões fascinantes na sua frente. Muitas vezes, na vida, nos sentimos incondicionalmente atraídos a outras pessoas, coisas ou situações, que atiçam nossos sonhos, mas que realmente não significam nada. Nós é que projetamos nossas fantasias nessas coisas – nos as usamos apenas como simulacros para sustentar nossas próprias imagens internas.

A presença de Vênus em Escorpião traz uma forte tendência ao excesso, particularmente em relação a sexo – promiscuidade, mas também alcoolismo, uso excessivo de drogas, gulodice, ganância. Temos aqui uma energia de extremo prazer físico, que leva ao vício. Sempre que essa carta aparecer em uma leitura, veja se você não está perdendo-se no prazer carnal e entregando-se ao relaxo.

Contudo, nenhuma carta é só boa ou só ruim. Podemos também ver o Sete de Copas como a força da imaginação. Dependendo das outras cartas, o Sete de Copas pode significar simplesmente uma imaginação fértil, criatividade e inspiração. Outro de seus aspectos favoráveis tem a ver com beleza e atratividade – Vênus é a deusa da beleza e do amor.

  • Excesso
  • Perdição
  • Deslumbramento
  • Sonhos, fantasias
  • Desejos
  • Prazer físico vicioso
  • Imaginação, criatividade
  • (Auto) engano, ilusão

Análise SPR – Situação, Problema, Recursos

Resumo – análise do comportamento da carta nas três posições dessa disposição simples, a saber:

– 1. Situação, posição neutra, indicando a cena geral da questão e as disposições do consulente;

– 2. Problema, posição com nuances negativas, que evidencia o problema central que essa situação apresenta;

– 3. Recursos, posição com nuances positivas, reveladora dos recursos disponíveis para resolver o impasse indicado na posição dois.


1. Situação Na posição 1, o Sete de Copas assume seu significado neutro –
fantasia, ilusões, sentimentalismo, sonhos; deslumbre, fascinação por algo. Há uma forte tendência de o consulente estar desviando-se de seu caminho original por ser seduzido por coisas que apelam ao seu prazer. Geralmente eu vejo essa carta aparecendo para indicar que o consulente está seduzindo-se por suas próprias fantasias sobre coisas que ele deseja. Exemplo –

Mulher deseja sair de seu emprego atual e encontrar algo melhor (Pergunta hipotética)

Sete de Copas – Cinco de Espadas – Pajem de Copas

Duas cartas de Água e uma de Ar sugerem muito sonho e vontade, algumas ideias, mas nenhuma ação efetiva (Paus, Fogo) ou resultado concreto (Ouros, Terra). A consulente sonha demais com isso (Pajem e Sete de Copas), idealiza, fica pensando – mas nunca faz nada a respeito, realmente. O Sete indica que ela tem pouco foco no que quer, ficando completamente dispersa. É provável que ela esteja imaginando não uma, mas varias possibilidades de mudança, sem contudo fazer nada a respeito. Isso é intensificado pela presença do Pajem de Copas, personagem sonhador e fantasioso. As coisas aqui existem mais no reino das ideias. Ela pensa bastante em sair, sonha com isso, mas não sabe muito bem nem o que significa isso – não tem noção do lado prático da coisa. O Cinco de Espadas indica uma série de problemas que inviabilizam essa questão no momento. Disso podemos auferir que o mundo não lhe oferece suporte para tomar uma decisão dessas. O mercado na sua área talvez esteja competitivo demais, por exemplo. O Pajem de Copas como recursos indica que ela pode canalizar esse entusiasmo todo para vencer essas dificuldades. O Pajem de Copas é Terra de Água, ele traz o conteúdo emocional ao mundo objetivo, por meio de sua própria atitude. Pajens também são inícios de algo, o que me sugere que ela pode de fato ao menos começar a fazer algo a respeito. Figuras da corte representam ações, então eu diria que o recurso dela aqui é realmente materializar seus sonhos. Enquanto o Cinco diz que esses planos encontram muitos problemas, o pajem mostra que ela vence isso sendo otimista e acreditando mais no seu coração do que no mundo. Por enquanto a possibilidade é pouca, mas ela deve começar a agir, para que, lentamente, consiga alcançar seu objetivo. O legal aqui é que o pajem tem o poder de canalizar a energia do Sete e transformá-la em atitude.

2. Problema
– o desafio indicado por essa carta na posição 2 é, obviamente, manter os pés no chão e saber resistir às tentações. Essa combinação também indica uma necessidade de separar o que o real do fantasioso, o útil do supérfluo. Exemplo –

Esclarecimento sobre a situação de um rapaz que acabou de escrever um livro e procura ajuda para seu lançamento (pergunta hipotética)

Justiça – Sete de Copas – Dez de Paus

No aspecto elemental, temos aqui uma configuração oposta à exposta no exemplo anterior – a carta de Ar (Justiça) harmoniza-se e fortalece a carta de Fogo (o Dez), tirando as forças do Sete de Copas, Água. O rapaz age em direção aos seus objetivos e ideais, embora ainda não tenha tido nenhum resultado prático (cartas de Terra são ausentes). A Justiça é a carta mais forte da tiragem, e indica que ele considera cuidadosamente suas possibilidades. O Sete de Copas aqui indica que ele precisa lidar com seus sonhos de maneira mais objetiva. Essa carta tão enfraquecida na tiragem, numa posição que fala de desafios, sugere também que ele precisa dar mais atenção às suas emoções. Observe aqui a tensão entre a Justiça, que busca a harmonia e a certa medida, e o Sete de Copas, caótico, desorganizado e dionisíaco. O rapaz tende a perder-se nas opções por não saber separar as possibilidades reais das ilusórias. Ele consegue isso justamente prestando mais a atenção em sua intuição, que no momento não está sendo muito ouvida. Para que o equilíbrio buscado pela Justiça seja alcançado, seus sentimentos precisam aliar-se ao seu intelecto, sem que ele sucumba às tentações. A chave para alcançar esse equilíbrio está no Dez de Paus, que mostra grande força, tenacidade e capacidade de responder à altura de muita responsabilidade. Observe como a diversidade do Sete de Copas é sustentada bravamente no Dez – são vários aspectos da situação, vários projetos sendo sustentados de uma vez.

3. Recursos
– na posição 3, temos a possibilidade de explorar o potencial criativo do Sete de Copas. Levando em consideração particularmente a imagem dessa carta no RWS, é clara a sua relação com imaginação e fantasia. O número 7 é associado a misticismo e espiritualidade; ele é o contato entre o plano espiritual e o material, tema evidenciado nessa carta (ao contrário dos outros setes dos arcanos menores). As nuvens na carta marcam uma possível relação entre os dois planos, o que sugere inspiração. A visão que o homem presencia também parece ser espontânea. Assim, é possível tomar essa carta nessa posição como indicativa de criatividade, inspiração, inclinação espiritual ou boa capacidade intuitiva. Exemplo –

Leitura para uma moça, a respeito de seu estudo de Tarot

Dez de Ouros – Pajem de Ouros – Sete de Copas

Duas cartas de Terra para uma de Água tornam a situação bem fixa. A total presença de elementos passivos evoca receptividade e lentidão. A presença do Pajem de Ouros, Terra de Terra, parece reforçar isso. A moça está no inicio de sua jornada de aprendizado. Com tantas cartas de terra, ela com certeza está em busca de resultados concretos com seus estudos, possivelmente mesmo financeiros. O Dez de Ouros indica que ela tem bons recursos, e uma boa base. Além disso, essa carta sugere que a consulente tende a ver as coisas de forma conservadora, valorizando sempre o tradicional. Isso é confirmado pelo Pajem de Ouros, que nunca sai da risca e sempre recorre ao método. Nesta posição, ele alerta a consulente sobre ser dogmática e cabeça-dura demais, pois enquanto o Dez de Ouros sinaliza um background consistente e preparo, o pajem sugere demais dependência a essas bases. Nessa sequência, o Sete de Copas faz a diferença, desestabilizando parcialmente a fixidez das duas cartas anteriores. A carta indica que a moça tem uma imaginação poderosa, que pode ser útil em suas leituras e estudos. Rebelde e caótica, essa carta nega suas precedentes, basicamente indicando que a consulente pode usar a seu favor seu poder de intuição e sua criatividade. Para sobrepujar a morosidade do pajem, ela deve deixar sua imaginação correr solta, o que por vezes traduz-se por certo distanciamento do método. Muitas vezes, se não sempre, a espontaneidade e a capacidade de receber flashes de insight do Tarot são tão importantes quanto o método e a técnica.

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Fontes de Referência

Livros (título, autor, editora)

A Dictionary of Symbols, J. E. Cirlot, Routledge & Kegan Paul Ltd.

Dictionary of Symbols, Jean Chevalier, Alain Gheerbrant, Penguin Books

The Pictorial Key to the Tarot, Arthur E. Waite, U.S. Games Systems Inc.

O Tarô Cabalístico, Robert Wang, Ed. Pensamento

Manual do Tarô, Hajo Banzhaf, Ed. Pensamento

Seventy Eight Degrees of Wisdom, Rachel Pollack, Weiser Books

Tarot as a Way of Life: a Jungian Approach to the Tarot, Karen Hamaker-Zondag, Weiser Books

O Livro de Thoth, Aleister Crowley (tradução Edson Bino e Marcelo A. C. Santos, Ed. Madras


Sites

Wikipedia

Zohar – http://en.wikipedia.org/wiki/Zohar

History of the Alphabet – http://en.wikipedia.org/wiki/History_of_the_alphabet

Proto-Sinaitic Alphabet – http://en.wikipedia.org/wiki/Proto-Sinaitic_alphabet

Proto-Canaanite alphabet – http://en.wikipedia.org/wiki/Proto-Canaanite_alphabet

Resh (semitic letter) – http://en.wikipedia.org/wiki/Resh

Hebrew alphabet – http://en.wikipedia.org/wiki/Hebrew_alphabet

Seven of Cups – http://en.wikipedia.org/wiki/Seven_of_Cups

Hylas – http://en.wikipedia.org/wiki/Hylas

Maya – http://en.wikipedia.org/wiki/Maya_(illusion)

Dicionários

Michaelis UOL – http://michaelis.uol.com.br/

Reverso – http://dictionary.reverso.net/portuguese-english/

The Free Dictionary – http://www.thefreedictionary.com/

Sites Diversos

The Astral Light, by Henry T. Edge – http://www.theosociety.org/pasadena/gdpmanu/astral/astral.htm#meaning

Egyptian fonts – http://www.fontspace.com/category/ancient,egyptian

Dicionário de hieróglifos online – http://hieroglyphs.net/0301/cgi/pager.pl?p=01

White/red symbolism – http://www.tarotmoon.com/articles/Symbols/symbols.html

Corax.com, Cards Meanings, Seven of Cups – http://www.corax.com/tarot/cards/index.html?cups-7

Supertarot – Seven of Cups meanings – http://supertarot.co.uk/minor-cups/seven.htm

http://www.victorianweb.org/painting/jww/paintings/kelly11.html

Site do Aquatic Tarot – http://www.aquatictarot.de/deck/tarot.html

Taroteca – http://taroteca.multiply.com/

The Power of Maya and the Nature of Reality, Jayaram V. – http://hinduwebsite.com/hinduism/h_maya.asp

Aeclectic Tarot – http://www.aeclectic.net/tarot/,

Aeclectic Tarot Forum – http://www.tarotforum.net/

The Webcomics Tarot Project – http://tarot.senshuu.com/

Hyena Hells’s Page – http://www.webcomicsinc.com/profile/HyenaHell


Obrigados especiais a Sil, Marcela e Carlos, que me ajudaram a trabalhar com as imagens, traduzir textos e pensar o simbolismo.

novembro 11, 2009

O Seis de Ouros (+ Exercício SPR)

Seis de Ouros - Waite-Smith Tarot (1909)Hoje falaremos de mais uma carta do naipe de Ouros, o Seis de Ouros.


O significado central do Seis de Ouros tem a ver com riqueza material. Em leituras, essa carta frequentemente tem uma conotação positiva, indicando prosperidade. Um dos aspectos do Seis de Ouros tem a ver com generosidade. Num nível um pouco mais profundo, vemos também a temática do dar e receber – a constante troca de valores, estados e posições.

Na versão do RWS (o baralho Rider-Waite-Smith) temos um homem, aparentemente um rico comerciante, dando com sua mão direita algumas moedas para dois mendigos, enquanto segura uma balança com a outra mão. Um dos mendigos recebe os trocos, enquanto o outro aguarda sua vez. Há nessa carta uma tênue noção de equilíbrio. O doador dá as moedas com sua mão direita enquanto segura uma balança com mão esquerda. O lado direito é associado à mente, à lógica e à razão; o lado esquerdo relaciona-se com o coração, a emoção e os sentimentos. A presença de uma balança na mão esquerda indica que o homem dá com parcimônia, e equilibra bem seus sentimentos ao entregar. Em outras palavras, ele doa com prudência, na medida de suas condições – ele dá o que pode. Por outro lado, alguns elementos da carta sugerem certo desequilíbrio – a balança pende levemente para a esquerda, e das seis moedas acima dos personagens, três pairam sobre o mendigo que recebe e só duas sobre o que não recebe. Ademais, sobre o mendigo da esquerda está a mão doadora, enquanto que sobre o da direita paira a balança – como se ele recebesse o “peso da justiça”. Essa leve discrepância parece sugerir o fluxo de alternância de ganhos e perdas da vida. Podemos imaginar que o segundo mendigo vai receber alguma coisa também, só que mais tarde, depois do primeiro; ou talvez ele não recebe por falta de merecimento (a balança sobre ele, a justiça sendo feita para ele). A mensagem implícita na carta é que o real valor de qualquer fortuna existe quando há a movimentação dos bens e valores. Parte dessa movimentação consiste na doação de recursos aos mais necessitados.

Variações hipotéticas do símbolo Sol+LuaNo livro Book T, MacGregor Mathers (um dos precursores da conceitualização moderna do Tarot) atribuiu cada uma das cartas numeradas dos Arcanos Menores (ou seja, todos os arcanos menores, com exceção dos ases e das figuras da corte) a um dos 36 decanatos astrológicos. Cada um dos 12 signos do Zodíaco equivale a trinta graus dos 360 da roda zodiacal. Os trinta graus referentes a cada signo são então divididos em três partes de dez graus cada, originando assim três decanatos para cada signo, num total de 36. De acordo com Mathers, o Seis de Ouros está associado ao segundo decanato do signo de Touro, regido pela Lua – temos então a combinação Lua em Touro, que sugere fertilidade – a combinação da fluência da lua com o Touro, símbolo antigo de fertilidade. A relação simbólica do touro/vaca com a lua é antiga e bastante significativa. Talvez pelo formato de seu chifre, a vaca e o touro foram associados à Lua desde há muito tempo, principalmente nas culturas indo-européias. Os chifres são associados à lua e, portanto ao ciclo menstrual, o que sugere fertilidade. Em algumas culturas, O touro também é associado ao Sol, incorporando seu aspecto masculino e viril; mais uma vez, temos a temática da fertilidade.

Um dos exemplos da profunda significância do simbolismo da vaca e do touro é a deusa egípcia Hathor, divindade associada à feminilidade, ao amor e ao prazer. Hathor era comumente retratada como uma mulher ou uma vaca carregando em sua cabeça o disco solar suportado por um par de chifres. O par de chifres pode ser visto como o crescente lunar, tendo o disco solar acima dele. Simbologicamente, o círculo é associado ao sol, e o semi-círculo (crescente lunar) à lua e ao feminino. Recorrente na simbologia egípcia, esse símbolo pode ser interpretado como a união do masculino (sol) com o feminino (chifres), que o envolve; nesse sentido, ele pode ser comparado ao T’ai Chi T’u, o símbolo do yin-yang chinês, que representa a constante mistura e alternância dos princípios duais. Ademais, um dos aspectos de Hathor (a Vaca Celestial) era sua identificação com Nut, a deusa-mãe céu, personificação da própria abóbada celeste, que “recebe” o sol em seu seio – como os chifres recebendo o disco solar. Da união fértil dos opostos surge o mundo, e a eterna interação entre os dois princípios é a fonte da energia universal. Como veremos mais adiante, a temática da união ecoa no próprio número do Seis de Ouros, que está numerologicamente ligado aos Enamorados, o grande Seis do Tarot, símbolo máximo da união dos opostos e da força de atração/interação.

CONEXÕES

O conjunto de símbolos que compõe o Tarot constitui-se em um sistema de significados que sustentam-se através da ligação existente entre cada elemento do sistema e os restantes. Podemos estabelecer várias conexões entre as cartas, de acordo com algum tema específico, símbolo recorrente, etc. A seguir, veremos mais detalhadamente algumas das conexões do Seis de Ouros com outras cartas.

O Hierofante

Podemos estabelecer duas correspondências entre o Seis de Ouros e o arcano 5, o Hierofante, sendo uma de caráter astrológico e outra de caráter pictórico.

De acordo com o sistema da Golden Dawn, ambas as cartas relacionam-se com o signo de Touro. O Hierofante é a própria representação do Touro no Tarot, enquanto o Seis de Ouros encara um dos três aspectos desse signo, seu aspecto lunar, do segundo decanato do signo de Touro, regido pela Lua. As três cartas numeradas associadas a Touro são a sequência 5-6-7 do naipe de Ouros. O signo de Touro é lento, metódico, segue a regra e faz tudo ao seu ritmo. Isso pode ter a ver com o significado da carta ligado ao método e ao formalismo. Como aspecto Lunar de Touro, o Seis de Ouros tem a ver com fertilidade e prosperidade. Touro é associado aos campos, à força de vida da terra e ao crescimento da colheita. Isso pode ser visto na carta, com sua imagem de riqueza. Talvez esse seja o motivo da próxima conexão entre as cartas, descrita no parágrafo seguinte.

Além de correspondências astrológicas, o Seis de Ouros também pode ser associado ao Hierofante pictoricamente; a estrutura pictórica das duas cartas é similar, e isso por si já sinaliza a existência de uma relação entre elas. Em ambas as figuras, vemos um personagem central principal, ladeado por dois personagens secundários a ele submissos. Mais do que isso, o gesto da mão direita dos dois personagens é o mesmo – dedos anular e mindinho recolhidos, dedos médio, indicador e polegar estendidos. Trata-se do sinal de benção, usado pelos padres católicos e ortodoxos ao fazerem o sinal da cruz para abençoarem os fiéis. No gesto de benção, é como se o padre estivesse servindo de intermediário entre Deus e os homens, repassando-lhes uma benção que eles supostamente não teriam como alcançarem por si mesmos. Benzer é transferir o poder de uma divindade para um objeto ou pessoa; o ato de benzer é feito por alguém que supostamente tem poder para isso, alguém que tem um contato especial com a divindade e que, portanto, serve de médium entre ela e o mundo terreno – ou seja, um sacerdote. Assim como o HierofanExemplos do sinal de benção em obras de arte de diversas épocas diferenteste abençoa seus discípulos trazendo-lhes a benção de Deus – dando-lhes caridosamente algo que eles não possuem e necessitam – o Seis de Ouros, num nível mais mundano, dá aos necessitados parte de sua fortuna. De certa forma, ele os abençoa. No Cinco de Ouros, a carta anterior, vemos mais uma referência a esse aspecto espiritual no vitral de igreja atrás dos dois mendigos, que não parecem percebê-lo. No Seis de Ouros, carta seguinte, os dois mendigos recebem a benção de alguém que tem mais do que eles. Um passo adiante foi dado, em direção à conscientização de sua própria condição. É o primeiro passo para o crescimento.

Essa temática de superioridade + caridade está presente nos quatro seis dos arcanos menores, e tem a ver com as associações qabalísticas dos seis no Tarot. Nesse sentido, o número seis sempre é associado a sucesso e vitória.

Os Enamorados e a Justiça

O paralelo entre o Seis de Ouros e os Enamorados é de caráter numerológico – ambas as cartas são 6, número relacionado à união e ao amor. A estrutura pictórica das cartas também é semelhante, com uma figura central superior e duas menores aos lados. Esse padrão pode ser considerado um símbolo em si na linguagem pictórica do Waite-Smith. O número 6 relaciona-se com equilíbrio e harmonia; no 6, os opostos estão equilibrados e interagem de forma harmônica, em uma constante e dinâmica troca.

O Seis de Ouros liga-se pictoricamente ao arcano 8, a Justiça, por meio da balança, presente em ambas as cartas. O símbolo da balança traz a conotação de avaliação e equilíbrio. É importante ressaltar que o equilíbrio representado pelo Seis de Ouros e a Justiça não é exatamente algo alcançado naturalmente, mas é fruto de uma cuidadosa avaliação e disciplina. Isso é mostrado na carta, onde o homem dá com cuidado, procurando não dar muito nem pouco, mas o necessário; ele alcança esse equilíbrio através de uma constante avaliação e controle. Essa frugalidade é uma característica compartilhada entre o Seis de Ouros e a Justiça.

No Seis de Ouros há um movimento de integração, de união. O recurso é passado de alguém que tem mais para alguém que tem menos, num processo que transparece um movimento em direção ao equilíbrio e à compensação. Temos aqui o aspecto do seis como união, generosidade e ajuda. Por outro lado, o 6 também é um número de equilíbrio e harmonia – o primeiro número par formado pela junção de dois números ímpares. Números pares são passivos e femininos, estáticos; números ímpares são ativos, masculinos e dinâmicos.

Resumo da carta

  • Sucesso material
  • Riqueza
  • Equilíbrio
  • Ponderação
  • Compartilhamento
  • Dar e receber
  • Compreensão
  • Compensação
  • Justiça, equidade
  • Igualdade
  • Comércio, troca

Significados objetivos

  • Riqueza, sucesso material
  • Generosidade, ajuda de alguém importante
  • Ajuda e receptividade – passar/doar conhecimento, experiência, recursos
  • Responsabilidade, equilíbrio, ponderação
  • Pesos e medidas, tudo muito certinho
  • Responsabilidade social, inter-rede humana e social

EXERCÍCIO SPR

Vamos agora aplicar nosso entendimento dessa carta à prática da leitura, usando como exemplo a disposição Situação, Problema e Recursos.

Posição I – A Situação – aqui essa carta indica sucesso material, ganhos e recompensa por esforços; indica também ajuda cuidadosa de pessoas com mais recursos. O consulente pode ser tanto a pessoa que recebe quando a que dá a ajuda. De maneira geral, pode também indicar uma situação que envolve interação dinâmica entre pessoas, especialmente tendo como pano de fundo assuntos materiais. Uma coisa importante a saber sobre o Seis de Ouros é que os resultados representados por ele são medidos pelo esforço investido previamente. Exemplo –

Pergunta hipotética de uma moça e seus estudos de Tarot –

SPR I - Seis de Ouros na SituaçãoSeis de Ouros – Pagem de Espadas – Rainha de Espadas

Ela tem uma base sólida de experiência e prática, e bons recursos e preparo para passar aos outros. Seus esforços começam a frutificar. O que atrapalha é a curiosidade incessante e certa presunção inocente de que sabe mais do que realmente sabe. Ela está apenas começando, e tem só um vislumbre do conhecimento, não deve deixar-se levar por seu entusiasmo. Seu melhor recurso é sua percepção aguçada, que combina intuição e sensibilidade com razão e ponderação; ela entende bem as pessoas, tem uma boa visão e percepção do outro, e certamente pode usar isso a seu favor.

Posição II – O Problema – Cabe aqui uma digressão para salientarmos a função exata dessa posição, algo que pode ser complicado para muitas pessoas, especialmente quem tem pouca experiência com essa disposição. Por “função” eu quero dizer qual o seu papel dentro da disposição, e qual efeito tem sobre a carta que cai nela. É provável que o leitor de cartas tenda a dar à posição Problema uma função anuladora/inversora, ou ainda uma função hiperbolizadora. A carta nessa posição seria então interpretada pela falta da energia que ela incorpora, ou como o inverso do seu significado normal, ou ainda como um exagero, um descontrole dessa mesma energia. Assim, o Seis de Ouros, por exemplo, poderia ser visto sob um viés de anulação/inversão (falta de recursos, estagnação da troca ou imprudência) ou sob um viés de exagero (meticulosidade em demasia, generosidade em demasia, dar demais, ou pensar demais e agir de menos). Essa forma de ver talvez venha de uma tendência a enxergar tal posição como essencialmente negativa e ruim. Eu creio que há vários problemas nisso. Primeiro, via de regra, não é isso que essa posição pretende indicar. Sua função é simplesmente mostrar o lado desafiante e antitético da situação, mais do que seu lado ruim, mau ou vil (o que endossa uma visão maniqueísta e limitadora das coisas, circunscrita a termos de bem contra mal, bom contra ruim); segundo, abordar essa posição como anuladora/limitadora/hiperbolizadora abre espaço para muita confusão e contradição. O Oito de Espadas, uma carta que fala de restrição, nessa posição poderia ser tanto liberdade
de pensamento, leveza, falta de restrições – ou muita restrição. Já uma carta considerada boa, como o Sol, poderia ser interpretada como orgulho, vaidade, ou como tristeza, decepção e ruína. Certamente escolher entre todas essas opções é algo contra-produtivo. Isso dito, é importante manter em mente que a função dessa posição é basicamente a de ter um efeito antitético. A energia da carta aqui não se inverte, enfraquece ou se exagera – ela apenas representa um obstáculo, um aspecto da situação que atrapalha ou traz problemas – e que, na verdade, representa uma fértil oportunidade de desenvolvimento e aprendizado. É a mesma energia, nem mais forte, nem mais fraca ou ausente, e nem inversa. Ela simplesmente precisa ser encarada, melhor manipulada ou sobrepujada – superada. É claro que esse equilíbrio entre a visão maniqueísta à qual estamos acostumados, e uma forma de ver menos presa às diferenças e mais às similaridades é algo um pouco difícil de ser alcançado – nada que alguma prática não supere, no entando.

Sendo assim, nessa posição o Seis de Ouros tem o mesmo significado que na posição anterior, só que visto de maneira a atrapalhar ou apresentar impedimentos e dificuldades ao consulente. O problema pode ser um forte senso de responsabilidade que impede o consulente de agir, ou pode haver alguma dificuldade no fluxo de transmissão de valores (materiais ou fixos). Exemplo –

Pergunta real de um rapaz que está pensando em pedir uma bolsa de estudos para um curso específico na empresa onde trabalha –

SPR II - problemaTrês de Paus – Seis de Ouros – Cavaleiro de Ouros

O rapaz é talentoso e capaz, e ainda um tanto independente e persistente em seus objetivos. Ele já chegou a certo ponto de desenvolvimento na área em questão, a ponto de ter certa autonomia estabilizada, mas volta seus olhos a horizontes mais amplos. Seu impulso ígneo, no entanto, é bastante freado pelas duas cartas de terra, mostrando as dificuldades das aplicações práticas de seus planos. O Seis de Ouros aqui indica a possibilidade de certos entraves no processo de concessão/aprovação da bolsa; o conjunto de critérios da empresa pode atrapalhar o consulente. Ele pode vencer esse obstáculo sendo persistente e paciente, e mantendo o foco em seu objetivo. Independente disso, as cartas sugerem que o consulente é capaz de seguir um caminho sozinho e aprender o que deseja por mérito próprio. Nessa leitura, o Seis de Ouros indicou a própria concessão da bolsa. Observe como a relação com o Hierofante (a Instituição, os procedimentos padrão – a empresa) aqui fica ressaltada.

Posição III – Os Recursos – disponibilidade de recursos necessários para se conseguir o que deseja, especialmente recursos materiais; ajuda dos outros sendo providencial; poder aquisitivo desempenhando um papel proeminente na situação. Nessa posição, o Seis de Ouros mostra recursos e fluência material.

Pergunta hipotética de uma mulher que deseja fazer uma viagem ao exterior –

SPR III - recursosSeis de Paus – Quatro de Paus – Seis de Ouros

A mulher está bastante confiante sobre sua viagem. Seu excesso de confiança, no entanto, pode atrapalhar seus planos, pois ela tende a repousar sobre seus louros. No entanto, ela realmente dispõe de recursos, e pode vencer sua tendência relaxar sendo mais prática e pensando mais antes de agir. Questões legais também pendem ao seu favor.

Ficou perceptível na descrição dessas leituras que a forma de interpretar as cartas depende muito do contexto e da associação. No entanto, creio que o mais importante seja absorvermos a essência de cada carta – o ponto de contato entre os vários sentidos a ela atribuídos, que na verdade é a origem do seu significado.

outubro 25, 2009

A Rainha de Copas (Exercício SPR)

Dando continuidade à sequencia do exercício SPR, hoje falaremos de mais uma figura da corte, a Rainha de Copas.

A Rainha de Copas é duplamente associada ao elemento Água, por pertencer ao naipe de Copas e ocupar a posição de rainha, ambas as características relacionadas a esse elemento. Isso faz dela a personificação do elemento Água. A Rainha de Copas encara o aspecto mais misterioso do estereótipo feminino – a mulher secreta, silenciosa, tímida. Num nível mais simbólico, como personificação de seu próprio naipe, a Rainha de Copas seria a própria Copa, a Taça em si, que executa sua finalidade sendo passivamente preenchida, servindo de recipiente. É o símbolo da Mãe do Deus-filho, que recebe em seu corpo a centelha divina.

A Rainha de Copas manifesta no âmbito dos Arcanos Menores a mesma energia da Sumo-Sacerdotisa dos Arcanos Maiores, a guardiã dos segredos do ser humano. Os adjetivos que caracterizam a Rainha de Copas incluem – sensível, receptiva, carinhosa, sonhadora, silenciosa (e mesmo tímida), introspectiva, transpessoal, intuitiva, compreensiva e espiritual. São essas as energias que essa rainha traz para as leituras, onde ela pode indicar tanto uma outra pessoa quanto um aspecto do próprio consulente.

Elementos pictóricos da carta

Acredito que seja pertinente uma digressão aqui. Embora seja difícil sabermos com exatidão o que o autor ou a desenhista do baralho Waite-Smith quiseram expressar com os desenhos das cartas, podemos tirar algumas impressões dos símbolos por livre associação. Evidentemente, esse método pode ser falho, por basear-se em referências pessoais e, portanto, possivelmente distanciar-se das ideias que os próprios autores intencionaram expor em cada carta. Entretanto, sua falta de exatidão é relativa, pois se o método é falho, é falho somente em relação a um padrão, que no caso é a interpretação dos autores a respeito de cada símbolo. No nível pessoal, a livre-associação pode estreitar a relação do estudante com a carta. O objetivo das associações listadas abaixo é, portanto, expor a minha interpretação dos símbolos, estreitando dessa forma minha relação com as cartas. Podemos entender melhor o que o autor quis dizer com os desenhos estudando o que ele deixou escrito a respeito de suas cartas. No entanto, tão quanto a compreensão do significado das imagens do Tarot, a relação que estabelecemos com tais imagens também é parte do desenvolvimento da nossa capacidade de compreendê-las. Tal capacidade é alcançada não somente através de uma ligação mental com cada carta, que seria o escopo da compreensão objetiva dos símbolos, mas também de uma ligação emocional com as cartas, que inclui nossa própria visão dos símbolos, segundo nosso referencial pessoal.

Abaixo, uma lista de alguns pontos proeminentes de carta, e de como eles contribuem para o seu significado –

A falésia – ao fundo da Rainha de Copas vemos um precipício, mais precisamente uma falésia, parte do que poderia ser um promontório. A falésia pode ser interpretada como a fronteira entre a terra (o mundo objetivo dos fatos) e a água (o mundo subjetivo dos sonhos). Um precipício é um lugar de risco, de perigo, e sugere a queda no abismo da morte, da inconsciência e da inexistência. Temos aqui um símbolo para a divisão entre o consciente e o inconsciente.

Elementos pictoricos da Rainha de CopasOutras cartas que mostram precipícios – tanto o Louco, quanto o Eremita e o Três de Paus mostram figuras no alto de precipícios ou montanhas. As três cartas mostram figuras que chegaram ao ápice em algum aspecto da experiência; o Louco e o Eremita transitam por regiões fronteiriças da experiência humana, marginais. O homem do Três de Paus está na altura, destacado do resto por seu mérito próprio, e olha o mundo de uma perspectiva nova – ele vê a big picture. No naipe de Copas, Oito de Copas e o Cavaleiro de Copas têm precipícios. Na primeira carta, o personagem está na região rochosa de uma praia, e prepara-se para começar a subir por um caminho íngreme (observe aqui a relação entre essa carta e o Eremita, ambas mostrando personagens retirando-se do mundo, partindo em peregrinação a um lugar mais alto, sozinhos; eles se erguem acima do mundo ordinário). O Cavaleiro de Copas, como a Rainha, está numa região seca às margens de um rio, com um planalto (que poderia ser a região do outro lado das montanhas atrás da Rainha).

Queen of Cups - Dreamer's DeckA beira-mar – no baralho Waite-Smith, a Rainha de Copas é retratada com seu trono à beira do mar, onde a sólida terra começa a esfarelar em areia e perde-se na profundidade das águas. Isso pode ser visto como uma metáfora visual à zona fronteiriça entre o consciente e o inconsciente, onde nossa percepção objetiva começa a dar lugar às visões interiores. A rainha do naipe de Copas está justamente em contato pleno com esse mundo, e faz como que a ponte entre ele e o nosso mundo consciente. A presença de motivos marítimos na carta a relacionam com todo o simbolismo do mar – cheio de segredos e perigos. A Rainha de Copas do Tarot Dreamers Deck, ainda em processo de criação, também é retratada com seu trono à beira-mar. O motivo para isso é que, segundo o autor, “esse é o lugar da mudança”.

O trono da Rainha de Copas – seu trono é coberto de alto-relevos retratando sereias, com uma concha no alto do espaldar. A concha, símbolo antigo e presente em diversas culturas, é associada à deusa grega Afrodite. Nascida da espuma do mar, Afrodite é a deusa do amor e da fertilidade. Além de aludirem ao mar, as figuras semelhantes a sereias também podem representar as ondinas, os espíritos elementais da água.

A taça – a taça da Rainha de Copas sempre chamou a minha atenção. A mais elaborada de todo o naipe de Copas, ela mal parece uma taça – assemelha-se mais a uma urna. Seu líquido não está exposto, pois a taça está tampada; como uma urna, ela oculta o líquido na escuridão de seu interior. Essa imagem, aparentemente mais um símbolo para o inconsciente, me sugere também o útero, onde a vida surge em segredo. A taça da Rainha de Copas também é muito similar a um cibório. O cibório é um cálice com tampa, usado nos rituais católicos para guardar as hóstias consagradas. É um objeto de significado espiritual.

Outro sinal presente na taça está no seu formato – sua silhueta, com os anjos de asas abertas, lembra um caranguejo. Ao idealizar seu baralho, Waite usou como um de seus principais referenciais o baralho da Golden Dawn, que segue as descrições feitas por MacGregor Mathers no livro Book T. A Rainha de Copas do baralho da Golden Dawn tem um lagostim saindo de sua taça (ver figura ao lado, versão do Golden Dawn Magical Tarot, uma versão moderna do Tarot da Golden Dawn, por Chic Cicero e Sandra Cicero, Llewellyn, 2001). Mathers inclui o lagostim da Rainha de Copas na lista dos sinais “especiais” dessa carta. É possível que Waite tenha tentado disfarçar o lagostim no formato da taça. Isso automaticamente associa a Rainha de Copas a outro arcano maior, A Lua, que tem em seu primeiro plano um lagostim ou caranguejo saindo das águas. Além de estar associada às emoções, medos e sonhos, a lua relaciona-se com o mar e o movimento das marés. A taça da Rainha de Copas sugere sua ligação com o inconsciente, com sentimentos e emoções secretas, misteriosas e ocultas. Suas visões são interiores, e mesmo secretas. A Rainha de Copas pertence a um reino sem palavras, sem definições estritas.

Exercício SPR

A disposição Situação, Problema e Recursos é uma tiragem simples de três cartas, que esclarece a situação do consulente. No exercício SPR analisamos como uma mesma carta se comportaria nas três posições da tiragem, que basicamente ressaltam os aspectos neutro, negativo e positivo de cada carta, respectivamente. Vale lembrar que a dicotomia problemas-recursos das duas últimas posições da tiragem não deve ser lida redutivamente em termos de ruim/bom, desfavorável/favorável. A posição “Problemas” muitas vezes mostra uma energia que está sendo usada ou recebida de forma inadequada. Além disso, o problema é o elemento-chave no processo de crescimento, representando a força que faz o indivíduo mudar, adaptar-se e crescer. Por outro lado, os recursos também requerem sabedoria para serem bem usados, devendo ser aplicados em concordância com o problema em questão.

Queen of Vessels, Alchemical Tarot, by Robert Place and Leisa ReFalo, Hermes Publication, 2008Posição 1, a Situação – aqui a Rainha de Espadas geralmente vai indicar que, quaisquer que sejam as motivações do consulente, elas são emocionais. Ele pode estar sendo sentimental, suas emoções podem estar em foco; ele pode também estar sentindo algo muito forte por outra pessoa. A Rainha de Copas não indica tanto um sentimento de amor romântico, mas mais uma devoção, uma dedicação ao outro. Além disso, nessa posição a Rainha de Copas pode indicar a presença de sonhos, imaginação, intuição e pressentimentos. Figuras da corte na posição 1 mostram alguma característica ou atitude do consulente que tem papel importante em sua situação. A relação da carta da posição 1 com as outras mostra seu teor. Exemplo – uma pessoa está pensando em mudar para outro estado, mas não está certa se suas motivações são válidas. Ela então tira três cartas, que acabam sendo a Rainha de Copas, o Quatro de Copas e o Quatro de Espadas. A Rainha de Copas indica que as motivações do consulente são emocionais – essa viajem para ele representa um sonho, um desejo profundo. Aqui, a rainha se harmoniza com o quatro, indicando que ele de fato não toma atitude nenhuma a respeito, e fica esperando que as coisas caiam do céu. A passividade da rainha combina-se com a falta de motivação do Quatro de Copas.

Posição 2, o Problema/desafio – uma atitude sonhadora, sensível demais ou insegura pode ser o maior obstáculo aqui. A carta pode também indicar uma outra, pessoa caracterizada por essa rainha, oferecendo dificuldades na situação. Eu costumo ver a Rainha de Copas mal-aspectada como alguém chorão e covarde. Outro aspecto negativo da Rainha de Copas surge quando a sua devoção se transforma em abnegação exagerada. Nesse caso, a presença da Rainha de Copas na posição 2 pode indicar uma necessidade de superar medos, colocar os pés no chão e ser mais objetivo.

Posição 3, Os Recursos/vantagens – como vantagens, a Rainha de Copas pode estar querendo dizer que o consulente deve usar sua intuição para resolver seu problema, ou abordar sua situação com seu coração, sendo delicado, carinhoso e dedicado. A visão profunda das emoções faz da Rainha de Copas uma ótima conselheira. Espiritualidade e visão transcendente também podem ajudar aqui.

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