Descobrindo o Tarot

junho 25, 2012

TIRAGENS CUSTOMIZADAS (+ EXEMPLO DE LEITURA)

Filed under: Disposições — Tags:, , , , , — Leonardo Dias @ 7:05 PM

Tenho experimentado bastante com arranjos posicionais customizados e orgânicos nas minhas leituras, em vez de somente reproduzir disposições tradicionais. A seguir, falo mais desses métodos, aproveito o ensejo para falar um pouco sobre como lemos as cartas e compartilho uma disposição, a título de exemplo.


Arranjos posicionais customizados e orgânicos – nome comprido. Posicionais porque são compostos por posições com função específica, que forçam mais exatidão sobre os significados das cartas que caem nelas; customizados por serem desenvolvidos exclusivamente para a questão do consulente, oque confere maior respeito às suas peculiaridades; finalmente, orgânicos¹, já que crescem de acordo com as necessidades da leitura, abrindo espaço para novos enfoques dentro de uma mesma questão. Junte tudo isso e você terá os tais arranjos posicionais customizados & orgânicos. O que esse nome carece em elegância, sobra em expressividade, ao menos.


A leitura de cartas não passa de uma sobreposição dinâmica de sistemas e estruturas que estabelecemos para impor precisão aos significados que damos às cartas, a fim de que esses possam ser arranjados em mensagens inteligíveis – legíveis, de fato. A ideia de usar cartas com significados para lançar prognósticos pede uma metodologia para dispô-las, já que sem ordem não é possível haver mensagem que componha prognóstico algum. Inseparavelmente associadas à noção de ler cartas desde seu princípio, as disposições posicionais foram naturalmente desenvolvidas como uma resposta a essa demanda; são parte essencial do aprendizado e da prática da leitura de cartas. Diferentes arranjos, compostos de posições apropriadas, são desenvolvidos para diferentes tipos de pergunta. Métodos de disposição ganham nome, função, fama, e até poder de alcance temporal; livros sobre leitura de cartas não deixam de incluir seções especiais para eles, enquanto leitores performam suas consultas com uma sucessão de várias disposições de leitura. Métodos de disposição fornecem, portanto, uma estrutura fixa à qual os significados das cartas podem ser firmemente pendurados. É uma consequência natural o fato de, com o tempo, certos arranjos adquirirem status de tradicionais.


A desvantagem dos arranjos posicionais tradicionais está justamente em sua firmeza: por consistirem sempre no mesmo conjunto de posições descrevendo sempre um mesmo aspecto de qualquer questão, eles nos obrigam a comprimir a situação do consulente em um esquema padronizado, o que caracteriza uma imposição de rótulos. O uso de arranjos sempre iguais encoraja a ideia de que todas as situações são iguais, pouco importando as variadas circunstâncias que as compõem. Podemos fazer melhor que isso, e é oque métodos posicionais customizados nos oferecem: moldando-se às particularidades de cada situação, permitem que cada questão seja contemplada pelo que tem de especial e, de quebra, tiram maior proveito da propriedade das cartas de se adaptarem a diferentes situações, revelando-as em sua integridade. Além disso, analisar uma situação com o objetivo de levantar seus pontos mais proeminentes é um exercício que nos força a considerá-la com mais objetividade.


O exemplo a seguir foi uma disposição que criei há alguns dias para analisar a situação de um casal que se separou recentemente. Na ausência de perguntas específicas, achei apropriado desenvolver um arranjo que empregasse os três potenciais básicos que uma leitura de cartas possui – o descritivo, o preditivo e o orientador. Decidi então usar as cartas para representar cinco aspectos da situação em questão: o consulente (um dos parceiros), o status da situação, suas causas, prognósticos e como o consulente deve agir. Duas das cinco posições – o status da situação e seus prognósticos – são compostas de um par de cartas, para mais detalhes. Sorteei sete cartas, que foram dispostas como na figura abaixo.

O formato da disposição foi definido sem muita consideração, apenas por me lembrar uma escada (a ideia de uma progressão de estágios). As funções de cada posição podem ser resumidas como


1 – O consulente
2 – o que acontece (2a, 2b)
3 – as causas do que acontece
4 – prognósticos (4a, 4b)
5 – como agir.


Temos aqui representados os dois aspectos principais de uma situação, isto é, a situação em si e o consulente como personagem principal da cena. Alternativamente, poderíamos adicionar uma posição extra entre a primeira e a segunda, representando seu parceiro.

O eixo 1-3-5 pode ser encarado como uma disposição à parte dentro do arranjo, indicando oque motiva (3) o consulente (1) a agir, além de orientá-lo a respeito de como (4) deve agir a fim de contextualizar suas ações mais proveitosamente à situação. A posição 3 tem relevância mais saliente no arranjo, pois pode ser vista como representante também das causas e motivações do consulente.

Sorteando sete cartas, obtive


Considerada uma das piores cartas do tarot, o Nove de Espadas representa as bases dessa situação (figura acima), indicando que o conflito entre os dois parceiros chegou a um nível de aflição que os impede de ver as coisas com clareza. Ninguém acredita em mais nenhuma possibilidade de acerto, ambos não sabem como as coisas foram chegar a esse estado. A combinação do Cavaleiro de Copas (o consulente) como Nove de Espadas indica que é o desespero que motiva o consulente a querer ficar com seu parceiro. Ele deve, no entanto, ser mais paciente, receptivo e humilde (Pajem de Pentáculos), pois a corrente situação de queda de braço, onde o primeiro que abrir a guarda admite submissão (Rainha de Bastões + Quatro de Pentáculos), dará lugar à concórdia em breve (Dez de Copas + Dois de Espadas). Ainda que essa concórdia não represente uma resolução real dos conflitos entre o casal (Dois de Espadas), ela trará felicidade e novas esperanças (Dez de Copas). Comparando as cartas de mesmo naipe (progressões de estado de um mesmo fator dentro da situação), vemos os conflitos do Nove chegando a um ponto de resolução no Dois. Os dois personagens de olhos tampados indicam que a felicidade dos que celebram o arco-íris que finaliza o fim da tempestade no Dez não é exatamente autêntica, pois advém de uma certa vista grossa aos reais problemas. Compare também o Pajem, humilde e contente com seu único disco, com o rei ganancioso do Quatro, que se apega como pode a tudo o que tem. O Quatro, aliás, combina bem com a Rainha, ambos falando de vaidade e egoísmo.


A possibilidade de enxergarmos conjuntos menores dentro de um mesmo arranjo de cartas (como o eixo 1-3-5) me faz pensar que podemos quebrar um arranjo em diversos blocos de posições ao longo da leitura. Você pode combinar as posições que compõem um arranjo de várias formas diferentes, criando vários subgrupos, podendo assim explorar diversos aspectos da questão numa mesma jogada. Para além dessa ideia, eu também posso pensar em blocos de posições livres que, como peças de lego, podem ser combinados de inúmeras formas diferentes para criar novos arranjos. É o caso da pequena cruz, um bloco de posições que eu tirei da Cruz Celta (suas posições 1 e 2) e que uso para compor ou complementar outros arranjos.


A ocasião da leitura, onde as ideias vão se combinando e se construindo conforme progride o diálogo entre consulente e leitor, é o momento ideal para o leitor usar os arranjos com mais liberdade, pois tudo está mais plástico. Métodos criados pelo próprio leitor lhe dão mais liberdade de ação para montá-los e remontá-los à sua escolha. Oque distingue o caráter de leituras orgânicas é justamente essa vivacidade que abre maior espaço à expressão individual do leitor, em contraste com um estilo de leitura que prioriza a reprodução repetitiva de modelos limitados.


Vale ressaltar que arranjos customizados não precisam antagonizar com arranjos tradicionais. Você pode enriquecer sua leitura usando as duas formas de dispor as cartas, aproveitando de cada qual oque ela oferece de melhor. A coisa toda não está exatamente nos métodos a serem usados, mas em como o leitor faz uso desses métodos. Se, por um lado, para obtermos mensagens dos significados das cartas, precisamos limitá-los, por outro, é preciso cuidar para que não consideremos os limites antes dos próprios significados. A simples possibilidade de, literalmente, construir a leitura ao mesmo tempo em que ela é feita, amplia os horizontes e ajuda a diminuir estruturas desnecessárias que acabam por prevenir nosso contato despojado, direto com as cartas.


NOTAS


1 James Ricklef fala mais sobre métodos de leitura “orgânicos” neste post de seu blog. É daí que eu tiro o termo, Ricklef sendo provavelmente seu criador. Vale a pena conferir o post, a propósito.

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abril 24, 2012

PODCAST # 12 – EVENTOS DE 2012 + PERGUNTAS & RESPOSTAS

Filed under: Audio — Tags:, , , , , , , — Leonardo Dias @ 4:43 AM

Ainda que o sol não esteja mais em Aries, aí está meu podcast especial pra entrada do sol no líder do zodíaco. O podcast conta com um resumo sobre alguns dos principais eventos reservados para 2012 girando em torno do tarot, bem como com algumas respostas minhas a perguntas feitas pelos leitores.

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PODCAST #12

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Links

Mystic Fair Rio

Mystic Fair Sampa

Espaço Faces da Lua – espaço da Confraria do Tarot

Tarô, Simbologia e Ocultismo – info sobre a reedição da trilogia de Nei Naiff

Espaço de Luz – site da Patrícia Burnay e do Jorge Pedro

Agenda Pagã – blog voltado para eventos relacionados a paganismo e misticismo em geral

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Line-up musical

Lady Gaga – Yoü and I

Billie Holiday – God Bless the Child

Aretha Franklin – Respect

Marissa Nadler – Mexican Summer

Xuxa – Doce Mel

Jordy – Dur Dur d’Être Bébé

Mariah Carey – Boy (I Need You)

Elton John – Nikita

Norah Jones – Turn Me On

Sophie-Ellis Bextor – Murder on the Dancefloor

Celine Dion – A New Day Has Come

The Supremes – Baby Love

Bessie Smith – Careless Love blues

Lady Gaga – Disco Heaven

janeiro 15, 2012

“Limpando” seu baralho com.. talco

Filed under: Videos — Tags:, , , — Leonardo Dias @ 5:25 PM

Perguntas & Respostas

Filed under: Videos — Tags:, , , , , , — Leonardo Dias @ 5:42 AM

http://www.youtube.com/watch?v=emN6qblvS_Y

setembro 25, 2011

LEITURA: 6 CARTAS PARA UMA ESCOLHA

Filed under: Diversos, Videos — Tags:, , , — Leonardo Dias @ 1:23 PM

setembro 7, 2011

VIDEO LEITURA – OITO CARTAS PARA UMA IDEIA

Filed under: Videos — Tags:, , , — Leonardo Dias @ 11:00 PM

dezembro 5, 2010

VIDEO – ‘LEIA AS CARTAS COM SEGURANÇA’, por JOHN BALLANTRAE

Filed under: Diversos, Videos — Tags:, , , , , — Leonardo Dias @ 9:46 PM

John Ballantrae não é novidade aqui no Descobrindo o Tarot. Já devo ter mencionado o trabalho desse tarólogo residente no Canadá umas duas vezes por aqui. Pois bem, o fato é que, há umas duas semanas, John publicou esse video incrível em seu canal no YouTube. O video fala sobre como ser mais que um iniciante no Tarot, e ir além com as cartas. Achei o video tão legal que, com a permissão do autor, decidi legendá-lo e publicá-lo aqui. O resultado está logo abaixo – espero que gostem!

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Se você entende inglês, pode checar mais sobre esse tema, pelo próprio John, num podcast que ele fez estentendo o assunto (como ele menciona no video, aliás). Clique aqui para acessar o podcast.

Você pode conhecer mais do trabalho de John Ballantrae em seu site TheTarot.ca, ou em seu blog – ambos excelentes trabalhos.

novembro 4, 2010

BACKGROUND – OU NÃO

Filed under: Audio, Notas — Tags:, , , , , — Leonardo Dias @ 3:48 AM

Antes de tudo! PODCAST AQUI!

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Desde que comecei a dar leituras de cartas para outras pessoas, eu costumo pedir ao consulente que, antes que comecemos a abrir as cartas, ele fale um pouco sobre o que o trouxe ali, quais questões ele gostaria de abordar, e quais exatamente são suas dúvidas. Ainda que alguns consulentes resistam a entrar em muitos detalhes sobre suas dúvidas – isso quando eles se dispõem a sequer fazer perguntas específicas – eu sempre procurei reforçar a importância dessa atitude de conscientização e vocalização dos anseios, por vários motivos. Primeiro, o simples ato de explicar um dilema obriga o consulente a racionalizá-lo para poder passar a informação, e isso em si o faz ter outra perspectiva de sua questão; segundo, é mais fácil para mim, como leitor, saber do que se trata a questão, para poder ler com mais exatidão a mensagem das cartas; terceiro, isso teoricamente minimizaria as chances de erro, já que parte da informação já está disponível. Os consulentes, por outro lado, podem ter uma série de motivos para evitarem tratar objetivamente de suas questões – há aqueles que são – ou encontram-se – incapazes de racionalizar suas dúvidas de forma satisfatória, e buscam no Tarot justamente uma luz nesse sentido; há ainda os que sentem necessidade de testar a ‘vidência’ do leitor, vendo se, mesmo sem questões, ele vai ser capaz de identificar do que se trata a consulta (sim, porque todo leitor de cartas tem poderes sobrenaturais ¬¬…); há também aqueles que têm vergonha…

De qualquer forma, a questão sempre girou em torno da necessidade e da importância de um background, de uma informação de base que sirva de ponto de partida para a leitura.

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Isso tudo está mudando.

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Eu nunca parei muito pra pensar sobre esse assunto, até recentemente. A coisa meio que surgiu aos poucos. Primeiro, eu percebi que vários leitores de cartas costumam traçar mapas numerológicos ou astrológicos antes da leitura, para terem uma visão mais ampla do momento em que vive o consulente, as questões que ele enfrenta, etc.. Comecei então a considerar se isso não seria legal, e logo passei a pensar em estudar algum desses sistemas para incrementar minhas leituras. Entretanto, um amigo meu, tarólogo experiente, me ofereceu um ponto de vista completamente oposto a esse que valoriza o background de uma leitura – ou ao meu, que valoriza o papel da pergunta. No início da leitura, esse meu amigo pede aos seus consulentes que não lhe digam nada – ele apenas abre as cartas e lê o que dizem. Num segundo momento, o consulente pode então fazer suas perguntas.

Essa diferença de estilos me deixou pensando. Várias perguntas pipocando – Qual o papel da pergunta na leitura? Qual a importância de uma informação de base? Que influência essas coisas têm no processo de ler cartas em si?

Primeiro, quando a gente lê cartas, vários filtros entram em ação em nossa mente. Filtros que dizem o que é cabível e o que não é, o que é socialmente aceito, e o que não é, o que é bom e o que não é. E não tem como fugir desses condicionamentos, eles são uma consequência natural da nossa educação, da cultura em que vivemos, etc.. Entram em ação a todo momento, e fazem parte da função de julgamento da nossa mente. O fato é que pensar sobre a importância do background me fez perceber que ele oferece um risco – o de justamente perder-se em condicionamentos, em formalismos. Se um leitor tem uma informação de base para leitura, seja ela advinda de mapas ou perguntas do consulente, ele corre o risco de abrir as cartas e ficar simplesmente procurando por indícios que confirmem o que foi verificado anteriormente por meio dos mapas; ou, no caso das perguntas, ele pode ater-se a apenas responder as perguntas do consulente, olhando para as cartas em busca somente dessas respostas. Filtros, lentes são postas entre os olhos mentais do leitor e as cartas – objeto de oráculo. E isso pode levá-lo a perder parte da leitura no processo.

Perguntas, em particular – e mapas, de certa forma – são meios de se especificar. “Especificar” é afunilar, reduzir um todo a certos aspectos seus, que recebem ocasional proeminência em dada situação. Especificar implica, naturalmente, em perda. Claro, a perda é necessária – só assim se limita, se define limites, e todos sabemos que são os limites que definem a forma, e é a forma que demarca a distinção de cada conteúdo. Entretanto, temos então a pergunta – qual deve ser o limite de uma leitura? Qual exatamente deve ser o peso das limitações em uma leitura?

Eu tenho pra mim que os limites de uma leitura de cartas são os limites do olhar do leitor. (eu até já falei sobre isso aqui faz pouco tempo). Sem ofensas aqui – há diferentes alcances para diferentes leitores, diferentes consulentes, com diferentes necessidades. Nada de julgamentos de valor – menos mediocridade, por favor.

No caso do meu amigo, toda essa coisa de background cai por terra. Ele tem, em sua frente, a mensagem pura das cartas. Sem nenhum fato consumado, nenhuma ‘verdade’ pré-estabelecida com a qual ter que conformar-se, ele se vê livre para ler as cartas pelo que elas são. Acaba o medo de fazer sentido com o que disse o consulente – que, muitas vezes, não passa de sua impressão bastante truncada da situação. Acaba a insegurança, e a pressão pra encaixar a mensagem das cartas numa resposta lógica à pergunta feita, ou ao que foi verificado nos mapas. Em outras palavras, a resposta das cartas não precisa ser posteriormente moldada para encaixar em nenhum vidro. Se ler cartas é pintar, basear-se em perguntas é pintar com um daqueles kits de paint by number – enquanto que meu amigo tem diante de si uma tela em branco. Pode ser mais trabalhoso, porém o resultado pode também ser mais vivo – e autêntico. E, nunca se esqueçam, pessoal, autenticidade é o que acrescenta. Ler cartas é fácil – o difícil é ser oráculo, dar corpo à Palavra.

Ler sem perguntas pode nos pôr em um contato mais inteiro com as cartas – sem temas ou questões com as quais se comprometer. Você tem as cartas por elas mesmas – o que elas dizem é o que é. Em vez de simplesmente completar enunciados ou resolver dilemas, as cartas criam, trazem o novo, inovam.

Claro, minha intenção aqui não é criticar ou condenar quem adota métodos que envolvem diagnósticos prévios ou perguntas – quem sou eu pra condenar alguém? Eu percebo que tem muita, muita gente que gosta bastante de pensar em termos de certo e errado – deve ser mais fácil, sei lá. Eu não gosto de pensar assim. “Different drums for different drummers”… Estou só lançando a questão no ar.

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Então, o que você leitor acha disso? O que lhe parece mais interessante? Perguntas são realmente importantes no primeiro momento da leitura?

outubro 18, 2010

VIDEOS – método de leitura ‘corte rápido’ + combinando pares de cartas

Filed under: Disposições, Videos — Tags:, , , , — Leonardo Dias @ 2:18 AM

Video falando um pouco sobre o quick cut, com explicações sobre o método e exemplos de leitura. Por favor, assistam em HD ou 480p, porque a qualidade está aquém do que eu considero razoável.


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Aproveitando que eu falei do quick cut, aqui também vai um video com algumas dicas de combinação das cartas.

Uma coisa que eu não falei no video – em pares de cartas onde ambaas pertencem a um mesmo elemento, pode ser muito interessante verificar o que a ausência do elemento oposto pode querer dizer. Ausências sempre são significativas, mas em casos de excesso ou totalidade de algum elemento, a ausência do elemento oposto é tão importante quanto a profusão de um determinado elemento. É geralmente tido que os quatro elementos se opõem da seguinte forma – –

FOGO     –     ÁGUA

AR          –     TERRA

Existem diversas formas de se associarem as cartas aos elementos. Eu sigo o sistema de correspondências da Golden Dawn, que pode ser sumarizado assim – –

Bastões = Fogo

Copas = Água

Espadas = Ar

Pentáculos = Terra

Ou seja, todas as cartas de Copas pertencem ao elemento Água, todas as de Pentáculos ao elemento Terra, etc. Com os arcanos maiores a coisa fica um pouco mais complicada. Os elementos regentes de cada carta maior são definidos pelo signo/planeta ao qual a carta maior em questão corresponde. Abaixo, uma tabela simples com as correspondências, de acordo com a GD – –

No caso do video, uma ausência do elemento Ar poderia indicar falta de lógica, apego demais aos procedimentos tradicionais, falta de abertura mental, incompreensão, e coisas do tipo.

Enfim, aqui vai o video – espero que gostem – –

setembro 30, 2010

NOTAS / UPDATES – – significados concretos + ouros nomes + card counting + lady gaga! + cortando + leitura relâmpago + espírito?

Alguns updates dignos de notas – ou algumas notas dignas de update – depende de como você vê, rs.

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Leituras não-posicionais + Significados concretos. . . . .Esses dias, coincidentemente ou não, eu tenho visto por aí muito essa questão de significados mais concretos para as cartas. O fato é que eu já vi mais de uma vez pessoas dizendo que as leituras podem ficar mais fáceis quando cada carta significa menos coisas – ou quando você não flexiona os significados das cartas demais. Tipo, Dois de Ouros = comércio, troca – e só. Mas eu flexiono. Bastante. Em geral, eu costumo atribuir certo conceito raiz para uma carta, que é o que eu identifico como sendo a ideia central dela, através da imagem e do que se estabeleceu como seu significado, como também através de coisas como seu lugar no sistema de correspondências da Golden Dawn. E eu trabalho com isso. Desse ponto de vista mais conceitualizador, as coisas se definem pouco. O Dois de Ouros pode indicar coisas como flexibilidade, troca, alternação, brincadeira, jogo, diversão, mobilidade, sutileza, agilidade, trocas, mensagens, etc etc. Na prática, isso pode confundir, admito. Mas, eu sempre penso isso, e quando a pessoa pergunta sobre, sei lá, amor, e cai o Dois de Ouros? Se a gente não flexiona os significados, a resposta vai ser algo como comércio, ou viagens? Agora, isso sim confunde. Eu nunca gostei muito da ideia de trabalhar com uma gama de significados reduzida por achar isso empobrecedor, porém, praticando mais com leituras não-posicionais, tenho visto que chega a ser uma necessidade. A coisa muda de figura.

Quando a gente joga com a estrutura pronta das leituras posicionais, é mais fácil flexionar os significados, fazer abstrações encima deles, porque você tem a estrutura das posições na espinha dorsal do processo, e você não se perde. Você tem um ponto de referência concreto à disposição. Assim, um Dois de Ouros pode ser mais que simplesmente transações financeiras e comércio – pode falar de flexibilidade e versatilidade, por exemplo. Isso fica mais difícil quando você não tem nada mais que as cartas para ler. Sem posições, e mesmo sem temas. Assim, de certa forma, eu to meio que descobrindo o valor de ver o naipe de Ouros só falando de dinheiro, e o de Copas só de relacionamentos. No Pictorial Key to the Tarot, Waite segue mais essa linha de pensamento, dando a cada carta significados bem concretos e simples, geralmente muito bem retratados e sumarizados em sua respectiva imagem. Mas, claro, nada deve ser gravado em pedra também. Se a gente pensar nas cartas como forças, a gente percebe que elas podem se manifestar de várias formas diferentes. Uma leitura, e especialmente uma leitura sem posições, se torna meio que um mapa das forças atuantes naquele momento. Já falei isso por aqui

De qualquer forma, fica a ideia. Significados concretos tornam a leitura mais tangível, tanto para o leitor como para o consulente. E isso não pode ser nada senão proveitoso – afinal de contas, estamos em Assiah, o mundo da ação, em não em Yetzirah, ou Briah 😉

Talvez chegou a hora de buscar um pouco mais de concretude nas minhas leituras. Mmm…

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O nome do Naipe de Terra . . . . .Eu tenho pra mim que, concernente ao nome e à identificação, o naipe do elemento Terra é o mais variado dos quatro. Tradicionalmente chamado de Moedas (Coins), ele passou a ser chamado de Pentáculos (Pentacles, em inglês, Pantacle, em francês) no século 18/19 e, posteriormente, Discos (Disks). Seu símbolo também mudou um pouco, com as moedas sendo substituídas por discos com pentagramas gravados neles. Pra quem não sabe, pentagramas são aquelas estrelas de cinco pontas que a gente encontra nos discos do naipe de Ouros do RWS, por exemplo. E, eventualmente, no pescoço desse ou daquele wiccano, no metro, na padaria, na balada…

O que eu tenho pensado é, já que eu uso o RWS, talvez eu devesse usar aqui no blog uma nomenclatura mais fiel à terminologia empregada nesse baralho para denominar cada naipe. Na prática, Ouros passaria a ser Pentáculos ou Pentagramas, e Paus passaria a ser Bastões, ou mesmo Cetros – uma tradução mais adequada de Wands, em inglês. Em português não existe distinção entre a nomenclatura dos naipes do Tarot e do baralho comum – em inglês existe. Dá uma olhada na tabelinha – –


Isso sempre me confunde demais, de forma que, se eu vou jogar baralho com algum amigo que fala inglês, eu acabo sempre dizendo os nomes dos naipes em tarotês, e todo mundo fica olhando pra minha cara.

Bem, mas voltando ao naipe de Ouros – quer saber como que Moedas virou Pentagramas?

Tudo parece ter sido fruto de um mal-entendido que acabou se fixando – coisas do século 19, rs. De acordo com Paul Huson (Mystical Origins of the Tarot, livro incrível, compre!) Mathers é o responsável pela introdução do termo Pentacle, e isso se deve a um mal-entendido de tradução do francês para o inglês. Mathers bebeu de Lévi. Em um de seus livros, Lévi refere-se à Moeda do Tarot dizendo tratar-se de um pantacle. Pantacle é, na verdade, uma palavra inventada por Lévi, variante de pentacle, que quer dizer “pentagrama”, “estrela de cinco pontas”. Lévi criou essa diferença de grafia para designar um novo termo – é um neologismo dele, portanto. No uso que Lévi fazia da palavra, pantacle significa basicamente um talismã, um amuleto. Foi nesse sentido que ele se referiu às moedas do naipe de Ouros do Tarot como pantacles, ou seja, amuletos, talismãs. Ele quis dizer que as moedas eram símbolos vivos que sumarizavam e portavam um conceito mágico, ou uma doutrina mágica. Se a gente viajar um pouco, pode pensar no naipe de Pentagramas como o receptáculo material da força espiritual/imaterial dos ouros três naipes – daí ele ser visto como um talismã. Mathers, aparentemente, carregou essa afirmação para outro nível, e Waite, provavelmente seguindo Mathers, incluiu pentagramas nos discos dourados do seu naipe de Ouros. No Pictorial Key, Waite diz –

O signo do naipe é representado como gravado e brasonado com o pentagrama, mostrando a correspondência dos quatro elementos da natureza humana pela qual podem ser governados. Em muitos baralhos antigos de Tarot, esse naipe corresponde a moeda corrente, dinheiro, deniers. Não inventei a substituição pelos pentáculos, e não tenho motivo especial para defender a alternativa. Mas o consenso das significações divinatórias apoia alguma mudança, porque as cartas não parecem dizer respeito especialmente a questões de dinheiro.

Depois disso, o resto é história. Crowley, por sua vez, parece ter dado preferência ao termo Disk para designar esse naipe – mas isso é outra história.

Abaixo, as definições para as duas palavras na língua portuguesa – pentáculo e pentagrama – do dicionário Michaelis online

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pentáculo
pen.tá.cu.lo
sm Figura geométrica, símbolo de um ser invisível ou de uma doutrina.

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pentagrama
pen.ta.gra.ma
sm (penta+grama4) 1 Mús Conjunto de cinco linhas paralelas, sobre as quais se escrevem as notas musicais. 2 Figura simbólica ou mágica de cinco letras ou sinais. 3 Estrela de cinco pontas, símbolo do microcosmo.

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Card Counting . . . . . Não é de hoje que eu vejo essa técnica de leitura sendo citada aqui e ali. Porém, nunca me dignei muito a realmente experimentá-la. Esse fim de semana, dando uma olhada no blog do Jason, vi uns exemplos de tiragens onde ele aplica essa técnica numa leitura de Cruz Celta. Decidi experimentar um pouco com ela e, após ler alguma coisa e ver alguns videos, me arrisquei – e bam!, adorei. Card Counting, ou contagem de cartas, é uma técnica desenvolvida pela GD, destinada a ser usada em conjunto com a técnica de Elemental Dignities, ou dignidades elementais. Consiste basicamente em você contar as cartas de acordo com seu número, para extrair cartas relevantes de um grupo. É muito complicado pra explicar, mas muito fácil de entender, uma vez que você vê a técnica em ação – –

Considere a seguinte linha de cartas:


Três de Pentagramas – Oito de Pentagramas – Nove de Espadas – Quatro de Espadas – Sete de Espadas – Oito de Copas – Dois de Bastões – Sete de Bastões – Dez de Copas

A ideia é contar as cartas para verificar cartas proeminentes no processo. Existe um motivo para eu só ter incluído cartas numeradas de naipes nessa linha, e isso é porque as coisas ficam mais complicadinhas com as outras. Você pode ler essa linha normalmente – progresso feito no trabalho ou nos estudos, seguido de alguma preocupação o adoecimento que obrigam o consulente a se afastar de suas atividades por um tempo, o que o leva a reavaliar uma mudança de lugar, etc… Então, você pode aplicar a contagem de cartas. O número de cartas a serem contadas é o número da carta inicial, ou da carta onde a contagem parou pela última vez.

Começando com a primeira carta (mais uma vez, nem sempre é assim, mas pro exemplo, vai ser), Três de Pentagramas, contamos então mais duas cartas seguintes, que dá no Nove de Espadas (será que esse foco no trabalho não acabou por estafar o consulente?). Daí, você olha as cartas ao redor – Oito de Pentagramas + Quatro de Espadas (ele está muito cansado, e precisa de um tempo longe de tudo). O Oito e o Quatro são elementalmente opostos, então eles se anulam mutuamente, deixando o Nove de Espadas bastante forte. Continuando, contamos então nove cartas, junto com o Nove de Espadas – o que dá no Oito de Pentagramas, mais uma vez a temática do trabalho, com as cartas circundantes mostrando muito esforço e esgotamento mental, pânico. Continuando, chegamos no Dez de Copas – isso vai trazer satisfação e realização ao consulente, no final das contas; o Sete de Bastões e o Três de Pentagramas indicam sucesso e vitória sobre as adversidades. O Sete é elementalmente oposto ao Dez, mas o Três faz a ponte, deixando a tríade forte e positiva. O Dez conta de novo a si mesmo – ou seja, sucesso confirmado. Quando a contagem cai em uma carta em que já caiu antes, a contagem cessa. A gente acaba por identificar toda uma narrativa no meio da leitura.

Muito muito legal. O mais legal é que dá para aplicar isso a leituras posicionas também. Vou continuar a experimentar com esse método, e atualizo sobre ele mais pra frente.

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Lady Gaga + Tarot . . . . .Como toda estrela que se preze, Lady Gaga coleciona boatos a seu respeito. Um dos boatos que ultimamente têm rolado na rede em torno de sua figura especula sobre um possível envolvimento da cantora com o Tarot. O motivo é o simbolismo implicado em alguns de seus videos e imagens promocionais. De fato, algumas imagens dão algum pano pra manga. O exemplo mais comentado é, sem dúvida, o video de Poker Face, um dos singles de seu algum debut, The Fame (2008). Logo no começo desse video, Lady Gaga emerge de uma piscina, ladeada por dois cães. A semelhança com a carta da Lua é no mínimo perceptível. Mais tarde, no final mesmo video, Lady Gaga troca carícias com um rapaz em um jardim com paredes de plantas, sob o sol nascente. Mais uma vez, tem sido levantada a questão de se essa não seria uma analogia à carta 19, o Sol. Os elementos na cena podem ser comparados aos das versões mais antigas dessa carta.

Claro, existe um número considerável de diversas explicações para essas similaridades, antes que a gente comece a especular a sério o uso direto de imagens do Tarot nos videos da cantora. De qualquer forma, a ideia de que Lady Gaga usa simbolismo esotérico em sua obra já foi levantada antes, não relacionada especificamente ao Tarot. Alguns vão além, e especulam sobre um possível envolvimento de Lady Gaga com manipulação simbólica da mídia, os Illuminati e mensagens subliminares – não necessariamente nessa ordem.

Independente de Lady Gaga, eu não acho loucura postular que a cultura pop usa muito do simbolismo oculto para causar esse ou aquele efeito na mente das massas. Se símbolos realmente têm poder e influência além do perceptível, vocês acham que governos e a mídia iriam perder esse recurso?


Enquanto isso, Gaga exibe um chapéu enorme, à la lemniscata, no video para Telephone

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Fica a ideia, rs.

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A função do corte. . . . .Há alguns meses eu publiquei um post curto questionando sobre as origens do hábito de cortar as cartas na hora da leitura. Não dediquei muito pensamento a respeito dessa questão de suma importância desde então (¬¬), porém a conclusão a que eu cheguei foi que nosso hábito de cortar as cartas é provavelmente importado do carteado. Entretanto, durante uma conversa esses dias, um amigo me deu a seguinte explicação – o corte simboliza a permissão que o consulente concede ao leitor para abrir suas cartas. Legal, né? Um ato simples, que sempre passa despercebido, reveste-se de uma relevância ritualística, simbólica. Interessante.

Bem, há quem discorde – sempre há quem discorde…

De qualquer forma, ninguém vai discordar de que cortar as cartas ajuda a embaralhá-las mais – o que abre mais espaço para a “Força do Acaso” agir.

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Cortes e mais cortes – Em um de seus vídeos, John Ballantrae fala de seu hábito de embaralhar o maço três vezes e cortá-lo em montes de três, repetindo o mesmo processo por três vezes. Gostei da ideia, e tenho feito assim ultimamente. Faz muito, muito tempo, li num livro que as cartas devem ser cortadas em direção ao consulente, quando este estiver presente, e na direção do leitor, quando este estiver lendo para si mesmo. Acho que isso viro automático pra mim – sempre faço assim.

Isso faz diferença? Pra você, não – pra mim, faz. É um ato que tem poder para mim, e com certeza deve agir dentro de mim.

Isso é uma das explicações para a Magia, aliás…

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Quick Cut – corte rápido, leitura relâmpago. . . . .Mais uma que eu vi no blog do Jason. Na verdade, uma amiga minha já havia me comentado sobre essa técnica há anos, ela mesma tendo aprendido de um outro amigo. Jason diz ter pegado esse método de um livro de cartomancia chamado It’s All in the Cards, por Chita Lawrence. O mundo das técnicas de leitura de cartas é assim mesmo, tudo na base do boca-a-boca, rs…

A força contundente intensa do Ás de Espadas aliada ao poder de controle da Força?? Mmm, interessante.

A força contundente intensa do Ás de Espadas aliada ao poder de controle da Força?? Mmm, interessante.

O método que Jason descreve só difere do da minha amiga por ser mais específico quanto às posições. Bem simples: embaralhe seu maço e corte-o. Você tem agora dois maços, certo? Vire o maço de cima inteiro como se estivesse abrindo uma página de livro. A carta que você vir será a carta 1 (ou seja, a última carta do primeiro maço do corte). Agora, vire o segundo maço do mesmo jeito – a última carta, novamente, será a carta 2.

A carta 1, chamada de “carta interior” (por ter estado ‘dentro’ do maço?) basicamente dá a resposta à questão; a carta 2, chamada de “carta exterior” (claro…), fornece informação adicional, complementar.

Ótima técnica para iniciantes exercitarem a cabecinha, ou mesmo para ser usada como abertura inicial de uma leitura mais detalhada. Segundo Jason, a resposta tem duração de até um mês – bastante tempo para uma leitura rápida e simples, não?

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E o espírito, onde fica?. . . . .Uma amiga taróloga, a Marcela Alves, me levantou essa questão esses dias. Quer a gente queira, quer não, a prática da leitura de cartas faz parte do campo da espiritualidade, provavelmente pelo seu caráter “transcedental”, digamos – cartas sendo usadas para ver o futuro e dar orientação. Pois é. Tradicionalmente é assim, e a tradição sobrevive – ainda que muita gente não se sinta muito confortável com esse “estigma”.

Entretanto, esse parece ser o assunto menos tratado por aí, não? Provavelmente porque falar sobre isso é andar sobre ovos – são tantas emoções, rsrs. Mesmo assim, fica a ideia ~ vou tentar abordar mais essa temática por aqui, em posts futuros. Acho mais legal tratar sobre as experiências de cada um, porque não tem muito como ser objetivo com esse tipo de coisa mística, não? Antes de querer impor a ideia de que o Tarot é espiritual ou não, de tomar partido, acho que vai ser mais legal expor as experiências do pessoal. Todo leitor de cartas tem a sua pra contar…

Talvez, muita gente se sinta ainda estranha por vivenciar isso ou aquilo, e compartilhar com outros tire um pouco dessa sensação de isolamento.

Também, acho que vai ser um pouco legal remexer na questão de o Tarot ser ou não ser algo espiritual, da participação ou não de consciências imateriais, etc.

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Mais uma ideia que fica…

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E eu vou ficando por aqui. Lembrando que participar de blogs faz muito bem prá saúde, então, não hesite – eu gosto J

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