Descobrindo o Tarot

janeiro 16, 2010

Notas

Filed under: Notas — Tags:, , , , , , — Leonardo Dias @ 9:47 AM

Decidi adicionar mais uma categoria ao blog, a de notas, que vai consistir em posts breves sobre assuntos diversos. Muitas vezes eu escrevo alguma anotação no meu diário e acabo achando que seria legal compartilhar no blog, então essa categoria se destina também a isso. Além disso, eu costumo escrever textos longos, e pensei que talvez uma categoria só com textos curtos pudesse agradar mais àqueles que não têm tanta paciência.

Três de Paus = Instinto Explorador

Tive esse insight enquanto assistia a um filme, The Day the Earth Stood Still (“O Dia em que a Terra Parou”, 2008). O filme começa nos anos vinte, com um explorador em expedição solitária pelas montanhas Karakoram, na Índia. No meio de uma tempestade de neve, através da lona de sua cabana, ele percebe um estranho brilho ao longe. Ao sair, verifica que o brilho vem do alto de um cume, que ele então, intrigado pelo mistério da luz, decide escalar. O que o fez escalar uma montanha foi simplesmente seu instinto explorador, sua curiosidade em saber o que tem do outro lado.

Foi provavelmente a imagem de um homem nas montanhas a primeira coisa que me fez pensar automaticamente no Três de Paus. Essa carta também mostra um homem no cume de uma montanha, contemplando um panorama que é privilégio para os poucos que conseguem subir. A própria imagem da carta facilmente sugere esse instinto explorador, essa curiosidade natural em todo mundo, manifestada em maior ou menor intensidade. É aquele desejo que nos impulsiona em direção ao desconhecido, que nos faz querer saber o que existe do outro lado do mar – mesmo sabendo o quanto isso pode ser arriscado, como o homem do filme, que escalou toda uma montanha só para saber que luz era aquela. Na carta, o homem olha para os limites distantes do horizonte, que delineia os contornos quase invisíveis de outras terras. Os três navios no mar me fazem pensar nas caravelas de Colombo, explorador por excelência.

Esse instinto explorador, aventureiro, combina perfeitamente com a associação do Três de Paus com o segundo decanato de Áries, regido pelo Sol, que aqui intensifica o senso de iniciativa, aventura e autoconfiança do Carneiro. O homem da cena subiu lá sozinho, e conseguiu por acreditar em si mesmo e ter seu coração preenchido por esse desejo aventureiro, a paixão pelo novo. E ele não está contente – já avista outras terras a serem exploradas, além do mar.


Personagens de costas no Waite-Smith

Falar sobre o Três de Paus lembrou-me de outra coisa em que eu tenho pensado ultimamente – os personagens que aparecem de costas nas cenas do RWS. Não são muitas – menos de quinze cartas exibem personagens de costas com alguma relevância. Comparando todas as cartas, percebi que esse traço geralmente indica despersonalização ou anulação do ego. Digo isso porque o nosso rosto a nossa frente é o que mais nos identifica. De costas, perdemos nossa face, perdemos nossa identidade. O Cinco e o Sete de Copas, e o Dez de Paus são exemplos claros; todos mostram figuras absorvidas, reduzidas. Os dois sacerdotes menores do Hierofante também parecem indicar isso – eles não têm rosto porque não têm identidade, eles seguem a doutrina e são parte dela; renunciaram a si mesmos e dedicam suas identidades a essa doutrina. Também, os dois discípulos representam os dois caminhos de aprendizado e, dessa forma, representam não alguém específico, mas todo um grupo de pessoas. Seus caminhos são indicados pelos bordados de seus mantos – o da esquerda, com um manto estampado com rosas, representa o caminho do coração, da devoção e do amor (é o fiel, o devoto que se emociona, se entrega ao culto); o da direita, com vestes bordadas com lírios, representa o caminho da mente, da pureza e da renúncia (o ascético, que aprende através do estudo e da renúncia). Outra ideia que personagens de costa parecem sinalizar é a partida para um novo lugar, uma nova fase. O Oito de Copas, o Seis de Espadas e o próprio Três de Paus parecem sugerir isso.


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